Folha Online

GABRIELA GUERREIRO
RENATA GIRALDI
da Folha Online, em Brasília

Após crítica, Lula nega crise com Judiciário; presidente do TSE rebate "acidez"

Após criticar ontem à noite a interferência do Judiciário no Executivo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva negou hoje a existência de uma crise entre os dois Poderes. Em tom mais moderado, Lula afirmou hoje que existe "autonomia" entre os Poderes.

"Não existe crise entre Poderes. Até porque cada poder tem autonomia suficiente e nós aprendemos que a sustentabilidade da democracia está em saber respeitar a autonomia de cada um", disse Lula após abertura da 6ª Reunião do Fórum de Governadores do Nordeste.

A polêmica sobre a disputa entre o Executivo e o Judiciário surgiu após as declarações de ontem à noite do presidente Lula, que indiretamente alfinetou o presidente do TSE (Tribunal Superior Eleitoral), Marco Aurélio Mello, por afirmar que o lançamento do programa Territórios da Cidadania em ano eleitoral poderia ser contestado judicialmente.

"Seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele. Iríamos criar a harmonia que está prevista na Constituição para que democracia seja garantida. [...] O governo não se mete no Legislativo e não se mete no Judiciário. Se cada um ficar no seu galho, o Brasil tem chance de ir em frente. Se cada um der palpite [nas coisas do outro], pode conturbar tranqüilidade que sociedade espera de nós", afirmou Lula ontem à noite.

"E de repente alguém fala que se entrarem na Justiça vai analisar. Na verdade, ele deu uma senha para o PSDB e para o DEM", disse Lula se referindo a Marco Aurélio Mello.

Hoje, o presidente minimizou as críticas ao Judiciário e afirmou que não se referiu diretamente ao ministro Marco Aurélio Mello. "Primeiro: eu não citei o nome do ministro [Marco Aurélio Mello]. Segundo, eu disse que se a lógica prevalecesse e o governo federal não pode fazer parceria com município em ano que antecede eleição municipal e que governo federal não disputa [eleição] e em ano que presidente disputa que não é o meu caso, significa que num mandato de quatro anos vamos governar dois anos", disse.

Marco Aurélio Mello afirmou que "até certo ponto estamos acostumados com o estilo do presidente". "Eu estranhei a acidez das colocações. Mas relevo porque o presidente estava num ambiente político. Mas eu, Marco Aurélio Mello, como ministro, não atuo em ambiente político", afirmou o presidente do TSE por telefone para a Folha Online.

Ontem, Lula insinuou que Mello tinha a pretensão de entrar na vida política. "Quem falou essa sandice [Mello]... Ele quer ser ministro da Suprema Corte ou quer ser político? Se quiser ser político, renuncie lá e se candidate a um cargo para falar as bobagens que quiser na hora que quiser", afirmou Lula.

Mello negou que tenha interesse de entrar na política. "Da minha parte, não almejo nenhum cargo político, como penso que ele também não almeja cadeira no Judiciário. O presidente não precisa se preocupar."

Palpite

Hoje, Lula disse que tem o direito de palpitar. "Quando se trata de opinião e palpite, os outros precisam concordar que outros possam dar palpite e opinião diferentes", disse. "Da mesma forma que como ser humano e brasileiro as pessoas dão palpite sobre as coisas, o presidente da República pode dar palpite e julgar os palpites dos outros. Afinal, estamos num debate político."

"Eu jamais fiz juízo valor sobre qualquer coisa que tenha transitado em julgado no país", afirmou Lula. "Quando julgarem, nós acataremos. Uma decisão instância inferior, se você discordar pode recorrer. Decisão da Suprema Corte, se cumpre."

Sobre as críticas dos parlamentares, Lula afirmou que o "Congresso tem o direito de não gostar". "Até porque não falei do Congresso, falei dos partidos políticos".

Repercussão

O presidente da Ajufe (Associação dos Juízes Federais do Brasil), Walter Nunes, disse que tanto Lula como Marco Aurélio erraram. Nunes disse que Lula agiu de forma inadequada ao afirmar que o Judiciário não deve "mete o nariz" no Executivo, enquanto Mello não deveria se manifestar sobre assuntos que tramitam na Justiça.

"Eu achei as palavras do presidente Lula muito ácidas e inadequadas, especialmente porque ele se reportou ao Judiciário. Nas democracias modernas, o Judiciário é o órgão de controle dos atos de todos, inclusive do Legislativo e Executivo", afirmou.

Segundo Nunes, o presidente deveria usar sua "sensibilidade" ao direcionar críticas a dirigentes de outros Poderes. "Ainda que critique, ele tem que saber que os Poderes constitucionais merecem respeito."

Na opinião de Nunes, o presidente do TSE também deveria ter evitado criticar o programa federal porque o lançamento do Territórios da Cidadania foi questionado na Justiça por partidos de oposição. "Que cabe ao Judiciário examinar isso, cabe. Mas nenhum juiz deve antecipar em pronunciamentos o seu pensamento. Ele não pode dizer o que acha de um programa que está judicializado", afirmou.

Ministros

O futuro presidente do TSE e ministro do STF (Supremo Tribunal Federal), Carlos Ayres Britto, minimizou a virtual crise institucional envolvendo os Poderes Judiciário e o Executivo. "As generalizações são sempre perigosas. Foi apenas um ministro do Supremo que fez um comentário", afirmou Ayres Britto, que evitou mencionar o nome de Marco Aurélio Mello e estender o assunto. Ayres Britto assume a presidência do TSE em substituição a Mello no dia 8 de maio.

Advogados que acompanham o dia a dia no STF afirmam que não há clima de crise entre Poderes apenas um ambiente de divergências pessoais. Arredios a comentários públicos sobre temas polêmicos, especialmente aqueles que os envolvem, os ministros evitaram hoje tratar sobre o assunto.

Congresso

O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), condenou a reação de Lula, que criticou o fato de o DEM e o PSDB terem ingressado com uma Adin (ação direta de inconstitucionalidade) no STF contra o programa Territórios da Cidadania.

"Isso que ele [Lula] criticou é a última crítica que ele poderia fazer, poderia ter feito outras críticas mais legítimas, essa de recorrer ao Judiciário, o Congresso tem legitimidade para recorrer sempre que se sentir atingido", afirmou Garibaldi.

Em relação à divergência de Lula com o ministro, o peemedebista disse que "esse problema é entre ele [Lula] e o presidente Marco Aurélio Mello".

O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM), criticou a reação de Lula atribuindo ao estilo de personalidade dele. "O presidente revelou o estilo ditatorial dele. O ministro Marco Aurélio Mello está fazendo o trabalho dele", afirmou

Porém, o líder do PT na Câmara, Maurício Rands (PE), saiu em defesa de Lula. Segundo ele, o programa não é eleitoreiro, mas necessário. "É inadmissível que alguém possa se colocar contra o programa. Não é eleitoreiro, pois os programas são decididos com antecedência e neste caso atinge áreas que precisam de política social", disse o petista.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Mirella D´Elia Do G1, em Brasília

Ministro do STF rebate críticas de Lula e cobra respeito

TV Globo / TSE

Marco Aurélio Mello negou interferência do Judiciário no Executivo.
Em discurso, Lula disse que ‘seria bom se o Judiciário metesse o nariz nas coisas dele’.

O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) e ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello rebateu nesta sexta-feira (29) as críticas feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva ao Poder Judiciário. E cobrou respeito ao trabalho dos juízes.

Em discurso nesta quinta (28), em Sergipe,Lula defendeu os programas sociais do governo e disse que “seria tão bom se o Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele". Lula não citou nomes, mas mencionou críticas à ampliação de programas em ano eleitoral.

Marco Aurélio, que já se posicionou contra a ampliação dos programas neste ano de eleições municipais, negou qualquer interferência do Judiciário nas decisões do Executivo.


"Seria tão bom se o Poder Judiciário metesse o nariz apenas nas coisas dele", presidente Lula, em declaração na noite de quinta (28), em Aracaju


"Os Poderes devem ser harmônicos e independentes. A agressividade não deve pautar as relações entre os Poderes", Marco Aurélio Mello, ministro do STF e presidente do TSE, em declaração nesta sexta (29)

“Quando estava na presidência do STF e o presidente Lula estava assumindo, ele disse que iria abrir a caixa preta do Judiciário. Na época, respondi exigindo respeito. Reitero agora: os Poderes devem ser harmônicos e independentes. A agressividade não deve pautar as relações entre os Poderes”, disse o ministro, por telefone, ao G1.

O ministro se referiu a uma declaração de Lula no dia 22 de abril de 2003. Em discurso no Espírito Santo, diante do então ministro da Justiça Márcio Tomaz Bastos, ele cobrou tratamento igual para todos pela Justiça.

"E é por isso que nós brigamos há tanto tempo, dr. Márcio, pelo controle externo do Poder Judiciário. Não é interferir na decisão de um Juiz, mas é pelo menos saber como funciona a “caixa preta” do Poder Judiciário, que muitas vezes parece intocável", disse o presidente no discurso.
 

 Ano eleitoral

Nesta sexta, Marco Aurélio voltou a criticar duramente a ampliação de programas sociais, o que, segundo ele, pode provocar “desequilíbrio na disputa eleitoral”.

“O que eu disse, repito: no ano eleitoral não podemos ter incremento, alargamento de programas sociais. Está em bom português na Lei 9.504 [Lei das Eleições, de 1997]. Em direito, o meio justifica o fim, mas não o fim o meio. O programa pode ser elogiável, mas tem época em que não deve ser implantado”, afirmou.

“As regras jurídicas não são de fachada. Paga-se um preço por se viver em uma democracia. O preço é módico, é o respeito ao que está estabelecido. Se você implanta programa em ano de eleições, provoca um desequilíbrio na disputa eleitoral, favorece um segmento a partir da máquina administrativa em detrimento de outro.”, complementou.


"É preciso perguntar a quem falou essa sandice se ele quer ser ministro da Suprema Corte ou político", Lula, na quinta-feira, em discurso em Aracaju


"Ele não precisa ficar assustado imaginando que há essa pretensão [de candidatura]. Que ele se tranqüilize. Também não o imagino ocupando a cadeira judicial", Marco Aurélio Mello, nesta sexta (29)

O ministro disse que as críticas foram feitas por Lula na base do improviso. “O presidente falou, sabemos como ele fala, considerado o improviso, em ambiente quase eleitoral. Foi um arroubo de retórica. Não levo às últimas conseqüências o que ele disse.

Julgador

Marco Aurélio declarou nesta sexta que não tem qualquer pretensão política.

“Sou juiz 24 horas por dia. Ocupo uma das 11 cadeiras do STF e isso me honra muito. Sou um homem realizado como julgador, exercendo essa missão com independência”, declarou o ministro.

Na véspera, Lula falou, sem citar nomes, que “é preciso perguntar a quem falou essa sandice se ele quer ser ministro da Suprema Corte ou político”.

“Ele [o presidente Lula] não precisa ficar assustado imaginando que há essa pretensão [de se candidatar]. Que ele se tranqüilize. Também não o imagino ocupando a cadeira judicial”, ironizou.

 

Charge do Junião

 

 

 

Renata Lo Prete 

O meu primeiro

A votação do Orçamento de 2008, já muito atrasada, deve se transformar numa queda-de-braço entre governo e PSDB quando chegar ao plenário. Os tucanos, que prometiam obstruir caso não fosse retirado da peça um anexo de R$ 534 mi em emendas da Comissão de Orçamento, agora dependem da base aliada para resgatar R$ 224 mi destinados ao Rodoanel de José Serra, subtraídos em votação na comissão ontem.
O governo, em princípio, já concordou com um destaque que reponha os recursos, mas condiciona o cumprimento desse acerto à mudança de atitude dos tucanos. "Eles ficaram sem discurso para gritar contra as emendas", diz um líder da base na Câmara.

Comeram mosca
Só dois tucanos estavam na reunião da Comissão de Orçamento quando foi aprovado o destaque do deputado Giovani Queiróz (PDT-PA) que tirou os recursos do Rodoanel. O deputado Vanderlei Macris (SP) e o senador Cícero Lucena (AL) perceberam o desastre depois de consumado.

Bombeiros
Além de Lucena, ligaram para Serra na seqüência o presidente da comissão, José Maranhão (PMDB-PB), e o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE).

Portas abertas
O novo presidente da Comissão de Ciência e Tecnologia, Walter Pinheiro (PT-BA), defende a fusão Oi/Brasil Telecom. Para o deputado, o negócio se inscreve na tendência mundial de concentração do setor.

Tudo a ver
Pompeu de Mattos (PDT-RS), entusiasta do "não" no referendo do desarmamento, vai presidir a Comissão de Direitos Humanos. Apesar de não partilhar das idéias do colega, o vice tem nome sugestivo: Sebastião "Bala" Rocha (PDT-AP).

O amor é lindo...
Aécio Neves aceitou convite de Patrus Ananias para participar, no próximo dia 12, da comemoração dos quatro anos do Ministério do Desenvolvimento Social e Combate à Fome. Será um tucano rodeado de petistas por todos os lados.

...em Minas
Aécio, que ontem recebeu Patrus e tenta conquistar o ministro para a idéia de uma aliança entre PT e PSDB na eleição em Belo Horizonte, recorre a uma frase do governador mineiro Milton Campos (1900-1972) para definir o clima da conversa: "Em Minas, sempre haverá um palmo de chão limpo onde dois homens de bem possam se encontrar".

Mãos à obra
Indicada para presidir a CPI dos Cartões, Marisa Serrano (PSDB-MS) se reuniu ontem com o consultor do Senado Dirceu Vieira Machado Filho, veterano de investigações. Quer que ele coordene o corpo técnico da comissão, que terá apoio do TCU, da PF e da Receita.

Hulk
A reação extremada de Maurício Rands (PE), que como líder do PT na Câmara tenta melar o acordo que permitirá ao PSDB presidir a CPI dos Cartões, surpreendeu o governo. "Ele é um conciliador. Deve ter alguém tocando fogo", aposta um ministro.

Desisto
Presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) anunciou que haveria sessões deliberativas, com corte de ponto, em todas as segundas. Depois de duas semanas sem quórum, jogou a toalha.

Corrente
Relator da Lei de Biossegurança na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP) está mobilizando sociedades científicas e os partidos do bloquinho para que peçam uma audiência pública com os ministros do Supremo em busca de apoio às pesquisas com células-tronco embrionárias.

Outro endereço
A reclamação de alckmistas foi parar no diretório estadual, mas os e-mails enviados a militantes tucanos de São Paulo com a agenda do prefeito Gilberto Kassab (DEM) partiram do diretório municipal do PSDB.

Tiroteio
"Ele sai do choque de carros para o choque elétrico. Pra dar um grande curto-circuito é só questão de tempo."
Do senador HERÁCLITO FORTES (DEM-PI), comentando a indicação de Lívio Assis, afilhado de Jader Barbalho (PMDB) que antes dirigia o Detran do Pará, para a presidência da Eletronorte.

Contraponto

Conta outra
Quando está em Brasília, Paulo Maluf (PP-SP) costuma convidar colegas de Câmara para almoçar. Dias atrás, o agraciado foi Eduardo Gomes (PSDB-GO). À mesa, entre um assunto e outro, o tucano comentou:
-Tenho um amigo, o Edson, que te admira muito.
De imediato, Maluf pediu o número e sacou o celular:
-Olá, Edson, aqui quem fala é o Paulo Maluf, disse o ex-prefeito, com a voz e o jeito de falar característicos.
A apresentação foi recebida com total silêncio, e depois dele veio o barulho do telefone sendo desligado.
Maluf guardou o celular, desanimado:
-Acho que ele não acreditou que era eu...

Cartões: Portal pára de divulgar gasto relativo a Lula

O governo deixou de publicar, na atualização mais recente do Portal da Transparência, despesas dos ecônomos responsáveis pela alimentação e segurança familiar de Lula, conforme havia anunciado. Faturas dos cartões corporativos do governo (de 25 de dezembro a 24 de janeiro) somam R$ 783 mil, 87% a menos que a anterior.

Por uma nova Lei de Imprensa

Vilmar Rocha

O papel da imprensa em uma democracia exige um estatuto próprio, que tanto a proteja quanto deixe claras as suas responsabilidades

A TRANSIÇÃO brasileira do autoritarismo militar para a democracia é um caso clássico de transição em que a nova ordem conserva uma quantidade imoderada de elementos da velha, um enorme entulho autoritário, uma democracia muito imperfeita. Pior ainda: passados quase 25 anos desde que o poder transitou de mãos militares para mãos civis, verificamos que pouco se fez. A liderança política do país se esteriliza em lutas de poder e não tem tido coragem ou discernimento ou ambas as coisas- para cumprir seus deveres legislativos em relação à modernização da democracia brasileira.
Criou-se um vácuo de poder, e o Judiciário cuidou de ocupá-lo, mediante julgamentos de constitucionalidade.
É o caso da Lei de Imprensa, uma das piores peças do entulho autoritário, aprovada pelo Congresso em plena ditadura militar e 21 anos antes da Constituição de 88. É impressionante tanta inércia política, ademais em algo tão fundamental para a democracia como é a liberdade de imprensa.
Nós, agentes políticos, comungamos da crença na indispensabilidade da liberdade de imprensa para a garantia dos direitos da cidadania. Não há razão para descrer-se na sinceridade dessa convicção, tão ostensivamente proclamada nas ocasiões em que vem ao caso. E tem vindo freqüentemente no governo do PT, com repetidas tentativas de imposição de regras restritivas. No entanto, o que tem prevalecido é a inércia legislativa.
Nesse contexto, é inevitável que o Judiciário atue. No caso, atuou por intermédio do Supremo Tribunal Federal, que suspendeu os efeitos de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa.
Peço licença para dizer que não fui omisso. Em agosto de 1997, depois de um longo debate no Congresso e na sociedade, a Comissão de Constituição e Justiça da Câmara aprovou, por unanimidade, um substitutivo de minha autoria estabelecendo uma nova Lei de Imprensa.
Decidi, de começo, revogar "in limite" a Lei de Imprensa vigente, propondo um novo estatuto, em vez de deixar aos códigos Penal e Civil os assuntos de que ela trata. O papel da imprensa na democracia pede um estatuto próprio, que tanto a proteja quanto deixe claras suas responsabilidades. E os códigos não captam a especificidade do que se deseja.
Um exemplo é o direito de resposta, disciplinado em meu projeto, algo indispensável como contrapartida do direito de publicar do comunicador. Lembro ainda que vários países convivem com leis especiais de imprensa.
O conteúdo de minha proposta dá plena resposta às questões levantadas pela decisão do ministro Carlos Ayres Britto. Ele decidiu em face de pedido que denunciou uma estratégia da Igreja Universal do Reino de Deus contra quatro jornais, incluindo a Folha de S.Paulo. A igreja orientou fiéis a propor ações em cidades e Estados diferentes, tornando impraticável a defesa, pois dela se exige onipresença. Essa iniciativa claramente conspira contra a liberdade de expressão e, por via de conseqüência, é inconstitucional. Em seu artigo 31, o projeto de minha autoria prevê que "o foro competente para o ajuizamento de quaisquer ações previstas nesta lei é o da sede do meio de comunicação social responsável pela publicação ou de suas sucursais".
Do ponto de vista político, o que está em questão é a tensão permanente decorrente da instabilidade institucional e jurídica entre os meios de comunicação e a sociedade brasileira, representada pelo Congresso Nacional. A situação atual é juridicamente caótica e imprecisa. Falta clareza na legislação e falta pacificação de conceitos e princípios que possam dar aos cidadãos e aos meios de comunicação a mínima previsibilidade das decisões judiciais, condição essencial para a segurança jurídica e para o Estado democrático de Direito.
Não é fácil a conciliação entre a liberdade de expressão e a garantia dos direitos de resguardo da vida privada, da imagem, da honra e da intimidade, constitucionalmente estabelecidos.
Não é fácil, mas é possível. A nova Lei de Imprensa sistematiza a legislação e, mais do que isso, a moderniza. Ela dá resposta às perguntas que a conjuntura levanta agora.
O substitutivo de minha autoria está pronto para ser incluído na pauta de votação da Câmara. Só depende de coragem e grandeza. Com isso, para além da questão da democracia e da imprensa, daríamos mais energia à remoção do entulho autoritário.

VILMAR ROCHA é professor de direito constitucional da Universidade Federal de Goiás. Foi deputado federal (DEM-GO) de 1993 a 2007 e relator do projeto de substitutivo da Lei de Imprensa.

O Brasil deveria se endividar mais?

Rogerio Studart

Do ponto de vista financeiro, o fato de estarmos em uma situação confortável nos permite barganhar melhores condições de financiamento

NA ÚLTIMA sexta-feira, a notícia de que o Brasil tornou-se credor líquido internacional foi recebida com júbilo. Meu colega no Fundo Monetário Internacional, Paulo Nogueira Batista Jr., chegou a afirmar, com razão, que nenhum economista de sua geração poderia imaginar presenciar esse fato. Já o presidente Lula saudou o momento, mas defendeu a polêmica idéia de que o país deveria voltar a endividar-se para financiar a crescente demanda por infra-estrutura e integração regional.
Frente a essa declaração, fui questionado por alguns amigos se faz sentido endividar-se mais neste momento. Minha resposta tem sido sim. Por motivos distintos: puramente financeiros, de desenvolvimento econômico e mesmo para gerar uma economia menos vulnerável a crises financeiras externas no futuro. Gostaria de tentar aqui rapidamente explicar por quê.
Do ponto de vista financeiro, o fato de estarmos em situação confortável nos possibilita barganhar melhores condições de financiamento (taxas de juros mais reduzidas e vencimentos mais alongados para o pagamento dos passivos). O leitor pode perguntar: mas isso é factível em um momento de crise financeira internacional?
Sim, eu diria. Não há dúvida agora de que a crise afetará a liquidez financeira internacional, mas, ao contrário do que ocorreu com as crises anteriores, com epicentro em países em desenvolvimento, esta crise nasceu nos Estados Unidos, se alastra pela Europa e Japão. Nesse sentido, a "fuga para a qualidade", desta vez, poderá beneficiar países como o Brasil, que tem demonstrado resistência a crises financeiras e reconhecidamente tem melhorado muitíssimo seus indicadores macroeconômicos. Por outro lado, no que tange ao investimento estrangeiro produtivo, o fato de o Brasil ter um crescimento mais sólido e sustentável o torna também um ímã para quem foge das incertezas sobre o crescimento das economias nacionais.
No tocante ao desenvolvimento econômico, dois dos principais gargalos para o crescimento sustentado do nosso país são uma infra-estrutura precária e um mercado doméstico relativamente reduzido para o potencial produtivo brasileiro. Os investimentos previstos pelo PAC são significativos, mas, para que alcancemos o salto necessário de melhoria, o setor privado tem de assumir uma posição de destaque nos investimentos em infra-estrutura. Entretanto, se as expectativas empresariais sobre o futuro do Brasil são positivas, a oferta de financiamento de longo prazo no país continua limitada, tanto em volume quanto em diversidade de instrumentos, ao BNDES. Este tem crescido de maneira impressionante, e, por isso mesmo, sua capacidade de expansão futura parece muito aquém das necessidades de financiamento para o setor privado.
Por fim, como argumentou a ministra Dilma Rousseff recentemente ao defender os investimentos do PAC (numa situação financeira internacional em deterioração), uma economia real sólida com um mercado doméstico em expansão é menos vulnerável a oscilações financeiras ou de demanda externa. Não é preciso ser "cepalino" (mas ajudaria) para aceitar essa tese: basta acompanhar o debate atual sobre o possível "descasamento" da China e da Índia num contexto de retração da economia mundial.
Todos que crêem que seja possível esse descasamento baseiam seus argumentos no potencial de expansão dos mercados domésticos. Por sinal, o Brasil tem condições ainda melhores do que China e Índia para seguir uma trajetória descasada da conjuntura de menor dinamismo da economia mundial, porque o crescimento de seu mercado interno tem sido calcado num salutar crescimento do consumo de massa e de expansão de crédito.
Ou seja, endividar-se mais agora para financiar infra-estrutura pode paradoxalmente reduzir nossa vulnerabilidade a futuras turbulências dos mercados internacionais, financeiros e de comércio. Esse é um dos pilares do conceito de "mercado de consumo de massa", que muitos economistas progressistas defendem há muitos anos e que tem sido, corretamente, um dos vértices da política econômica brasileira nos últimos anos (por meio dos exitosos programas de inclusão social e econômica).
Em suma, o presidente Lula acerta em dizer que o Brasil tem condições e deve aproveitar o momento para se endividar mais. Desta vez, deve fazê-lo de maneira mais seletiva (no que tange às condições de risco), de forma mais cautelosa e voltada principalmente para complementar as necessidades de financiamento de infra-estrutura e integração regional.

 

 

 

http://coisasbobas.blogspot.com/

Demissão ocasionada por flatulência é anulada em SP


(Fonte da notícia: Jornal Folha de S.Paulo de hoje )

A demissão por justa causa de uma funcionária que, segundo a empresa, excedia-se em flatulência no ambiente de trabalho foi pelo ares. Juízes da 4ª Turma do Tribunal Regional do Trabalho de São Paulo decidiram pela readmissão da empregada e pelo pagamento de R$ 10 mil por danos morais. Para basear o voto, o relator do processo, juiz Ricardo Artur Costa e Trigueiros, recorreu a um artigo em que o médico Drauzio Varella afirmava que a emissão de gases intestinais não é doença. Segundo ele, a emissão de gases é "involuntária" e, "embora gere constrangimento e piadas, não há de ter reflexos na vida contratual". "A flatulência pode estar associada à reação de organismos sadios, sendo sinal de saúde. [A demissão] pune indiscretas manifestações da flora intestinal sobre as quais empregado e empregador não têm pleno domínio", diz a decisão. O processo teve origem na vara trabalhista de Cotia (na Grande São Paulo). O juiz cita ainda o livro de Jô Soares "O Xangô de Baker Street", em que Dom Pedro 2º soltava gases na corte.


 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

Vamos celebrar o Dia da Corrupção

BRASÍLIA - Transcorreu, esta semana, o Dia da Roupa de Baixo. Não haverá que estranhar, num país que tem "dia" de tudo, até da geladeira. O inusitado foram as comemorações. Na estação rodoviária de Brasília um grupo de modelos desfilou de calcinha e sutiã. Foi a glória dos candangos, peões e flanelinhas que moram ou passam por lá.

Exortar para que a moda dos dias especiais pegue é redundância, porque já pegou. Basta consultar aqueles calendários mais sofisticados para se notar não haver um dia vago, sequer, nos 365. Na maioria deles acumulam-se homenagens, desde aos santos às mais esdrúxulas homenagens prestadas a categorias, religiões, esportes, máquinas e muita coisa a mais.

Apesar de tudo, falta um. Que tal criarmos o Dia da Corrupção? Sempre que fosse comemorado, estaria a população inteira autorizada a cometer lambanças de toda ordem. Os bancos e os banqueiros poderiam aumentar juros o quanto quisessem, enquanto as multinacionais remeteriam para o exterior lucros inexistentes. Funcionários públicos teriam a prerrogativa de utilizar cartões corporativos para despesas pessoais e familiares. Tecnocratas disporiam da condição de elevar impostos.

Aos deputados e senadores seria distribuído, senão o mensalão, ao menos o "anão". Ministros voariam sem restrições, a serviço, para Fernando de Noronha, fazendo jus a diárias. Prefeitos municipais receberiam propinas de empresas contratadas para recolher o lixo. Seriam aceitas como verdades absolutas as declarações de presidentes da República e de governadores, no sentido de que jamais imaginaram permanecer no poder um dia além do fim de seus mandatos.

Mas tem mais: os supermercados teriam o direito de diminuir o peso dos produtos vendidos, não o preço. Os motoristas de táxi ficariam livres para dar voltas imensas no rumo do destino indicado pelo passageiro. Pintores de parede seriam autorizados a misturar água na tinta e mecânicos de automóveis a engatilhar motores depois de consertar o defeito inicial. Madeireiros usariam livremente as motosserras.

Jornalistas poderiam mentir, professores enganariam alunos ensinando a escrever sal com "ç" e alunos enganariam professores apresentando trabalhos copiados do "google". Diretores de clubes de futebol estariam livres para receber gordas comissões pela venda de pernas-de-pau a clubes europeus, como se fossem craques.

Nos morros, favelas e periferias, nenhum policial sofreria punição caso matasse crianças com balas perdidas, assim como todos os traficantes se deixariam fotografar atirando com metralhadoras. No tráfego, nenhuma multa se aplicaria a quem avançasse sinais, dirigisse acima da velocidade máxima estabelecida ou trafegasse embriagado.

Em suma, o Dia da Corrupção mereceria olímpicas comemorações, de Norte a Sul, até que alguém lembrasse estar sendo a data festejada o ano inteiro.

Orfandade do Estado

Frase magnífica foi pronunciada pelo presidente Lula em sua recente visita ao Rio. Cercado pela multidão, ele declarou que "se o Estado não cuida da gente, gente que não deveria vai tomando conta". Referia-se aos narcotraficantes e às milícias estabelecidas nas comunidades carentes da antiga capital.

O problema está em que o Estado, ente etéreo e incorpóreo, é representado pela autoridade pública. Pelos governos e seus agentes. A eles caberia cuidar das gentes, garantindo os direitos elementares da pessoa humana. Se o representante maior do Estado critica o próprio, chamando-o à ordem por não cumprir suas finalidades, como desatar o nó exposto com tanta crueza e veracidade? "Gente que não deveria" amplia espaços de atuação em todos os patamares da sociedade, dos miseráveis aos elitistas. Talvez a solução devesse ser buscada nos antigos anarquistas do fim do século dezenove, aqueles que pregavam a abolição do Estado.

Vendedor de ilusões

Outra do nosso comandante, na mesma oportunidade: "Está na hora de parar de vender desgraças, vamos vender auto-estima". Não se cometerá a injustiça de discordar, muito menos de deixar de reconhecer que o presidente Lula desdobra-se, fazendo tudo ao seu alcance para proporcionar dias melhores ao País.

O diabo é que as desgraças não precisam ser vendidas. São distribuídas de graça. Basta assistir aos telejornais, às novelas, aos programas de auditório e sucedâneos. Quem quiser pode passar os olhos na imprensa escrita.

Descontando-se os exageros de alguns, ou a má-fé de outros, aos meios de comunicação cabe transmitir à sociedade tudo o que se passa nela, seja de ódio e de amor, de violência ou de paz, de certo e de errado. Se o conteúdo do que é divulgado prima pela desgraça, que não se culpe o termômetro pela febre do paciente.

Por certo que o presidente Lula não teve a intenção, mas, ao seu redor, começa a germinar a proposta de que, se a imprensa parar de vender desgraças, as desgraças desaparecerão. É bom tomar cuidado.

Impossível entender

Se o Banco Central fixa os juros em 6,5%, como explicar que os bancos tenham elevado para 50%, em média, a remuneração por empréstimos para pessoas físicas? Fica pior quando se atenta para o horror que são os juros do cheque especial, de 145%. Ou dos cartões de crédito, beirando os 200%.
Alguma coisa cheira mal, especialmente porque ao Banco Central cabe fiscalizar a atividade bancária.

Outra impossibilidade de cognição está na denúncia feita pelo senador Francisco Dornelles, ontem. Ele não entende como um contribuinte que discorda da cobrança de impostos pela Receita Federal e recorre, primeiro à própria Receita, depois ao Conselho de Contribuintes, em seguida ao Conselho Superior de Assuntos Fiscais - ganha em todas essas instâncias, como então o governo, depois de tudo, ainda pode recorrer à Justiça para receber aquilo a que não tem direito? Com base nessa incongruência, o senador pelo Rio de Janeiro apresentou projeto de lei proibindo que o governo conteste no Judiciário uma decisão que ele mesmo tomou...

Brasil parece "um estado nazista", responde DEM

SÃO PAULO - O deputado Rodrigo Maia (RJ), presidente do DEM, afirmou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, ao jogar a oposição contra a sociedade, "se porta como animador de auditório, e não como presidente da República". O líder do PSDB no Senado, Arthur Virgílio (AM) disse que Lula "tem a conformação psicológica e política do demagogo tradicional sul-americano". E definiu: "É o líder negativo. Argumenta para que as pessoas se submetam a ele".

Maia disse que o Brasil está parecendo "um estado nazista, em que um partido se mistura com o poder". Virgílio concordou com Lula num ponto: "O governo do PSDB não fez mesmo essas coisas. O PSDB não comete ilegalidades". Virgílio disse que, no governo, Lula só enxerga a si mesmo: "Ninguém floresce à sombra dele, que vai largando os companheiros pelo caminho à base do 'eu não sabia'".

O deputado fluminense estranhou a vinculação do programa Territórios da Cidadania ao Ministério da Reforma Agrária: "É, no mínimo, esquisito". E plantou a semente da discórdia: "O PMDB, que tem o Ministério da Integração Nacional, ficou de fora. Aliás, as duas bolsas criadas este ano foram para ministérios comandados por petistas", ironizou.

Manipulação

O deputado Antonio Carlos Magalhães Neto, líder do DEM na Câmara, disse que o programa Territórios da Cidadania tem "inconstitucionalidades flagrantes" e notório sentido eleitoreiro. Ele pregou que Lula "tem de ser responsável e respeitoso com a oposição". E constata que o programa foi criado por decreto-lei: "Não foi nem por medida provisória", reclamou.

ACM Neto disse que a oposição agiu de forma equilibrada e responsável, entrando com uma ação direta de inconstitucionalidade (Adin) para questionar a legitimidade do programa. Segundo ele, a ação do DEM visou a proteger o interesse público "contra um programa que pretende induzir um cenário eleitoral". Cobrou que Lula reconheça o papel da oposição, assim como a oposição reconhece as tarefas do governo.

 

 

 

Reinaldo Azevedo

A Sociologia do Pessimismo dos motoristas de táxi

Os motoristas de táxi são senhores absolutos num ramo do pensamento brasileiro: a Sociologia do Pessimismo. Em que consiste? Bem, sua característica mais evidente é a sentença finalista: “O Brasil não vai dar certo porque todo mundo é igual”. Eles são sempre bastante convincentes nos seus exemplos, tomados aleatoriamente, a esmo. O cara passa num buraco? “Isso tá uma buraqueira, e ninguém faz nada. Entra um, entra outro, sempre a mesma coisa. Este país não tem jeito!” O trânsito engarrafa? “Também, tão vendendo carro com prestação de R$ 299! Esse país não tem jeito. O cidadão deixa de comprar comida pra comprar carro. Ói só como fica. Este país não tem jeito!” O farol fecha? “Sabe o que eu não entendo? Esta rua é muito mais movimentada do que aquela [e aponta para o cruzamento], só que o farol lá fica aberto menos tempo. Este país não tem jeito!” Provavelmente, não é como ele percebe, mas, se está parado, e os “adversários”, andando, então inveja o outro só por não ser ele... Num táxi, é sempre tudo igual, “não tem jeito”.

Eles também são craques em teorias conspiratórias. Nunca é o que parece ser — tampouco é o que é. Ai de você caso se confesse jornalista e diga que Tancredo não foi assassinado!... Há sempre o filho da vizinha da tia da mulher dele que sabe até quem matou o homem. “E ninguém faz nada! Este país não tem jeito”. Um motorista de táxi sempre nos humilha com a informação bombástica de bastidor, a incredulidade e a certeza sobre o futuro. Ah, sim: e com uma visão um tanto aterradora do ser humano: “Ninguém presta! É todo mundo igual”. Uma pausa.

O bordel

Vocês se lembram, não?, tantas vezes já se disse: os petistas se queriam os desiguais entre iguais. Num ambiente em que todos seriam mais ou menos indecentes, o PT se oferecia para ser o São Jorge de bordel. Mas não um santo que ficasse quietinho, no canto, assistindo a tudo, não dizendo nada, como a capa de chuva da música Café da Manhã, de Roberto Carlos. Não! Este santinho era loquaz, feroz, moralista e, claro!, virgem! Aí o PT foi pego, como direi?, em decúbito ventral e não teve dúvida: “Tá bom. Eu não sou São Jorge, mas ninguém é. Todo mundo aqui faz a vida”. Os que estavam à volta mais ou menos assentiram: “É, é verdade, todo mundo aqui entra em decúbito, ora dorsal, ora ventral, ora de ladinho...”

Como um game de programa de TV, chegou a hora de chamar os universitários para estudar o caso, e os jornalistas para reportar. Os primeiros, todos mestres e doutores, disseram: “É verdade, todo mundo aqui é igual, mas como o PT tem origem operária, trata-se de um decúbito que faz avançar a democracia; os outros, não. Fazem essas coisas por vício mesmo; o PT, por necessidade”. E parte do jornalismo concordou.

Notável salto dialético aquele que se operava ali: justamente por fazer igual, o PT mostrava, então, a sua diferença. Era como se os outros optassem pelo decúbito por gosto, e o PT, por necessidade revolucionária. Uma intelectual petista chegou a escrever em jornal que o moralismo udenista e pequeno-burguês não aceitava que um partido operário pudesse roubar também. Corolário: o roubo de um partido operário, ainda que supostamente operário, era um auto de fé. E boa parte dos nossos analistas saiu dali para opinar. Não conseguiam dizer uma miserável palavra censurando os hábitos petistas sem atribuir o mesmo vício ao PSDB, ao DEM (PFL), ao conservadores do Império, a Tomé de Souza, sei lá eu...

Acadêmicos e jornalistas, em suma, começaram a conduzir o táxi. “Esse país não tem jeito. É todo mundo igual”.

Mas...
Ao se igualar o PT aos partidos que alguns bestalhões ainda chamam “tradicionais” — como se ele já não fosse, a seu modo, tradicional e beneficiário do statu quo —, em vez de estarem aplicando uma pecha no partido — “igual aos outros” —, estavam, isto sim, executando um movimento que lhe era duplamente favorável:
- se é igual, então roubar faz parte do jogo;
- se é igual, então as suas particularidades não têm nenhuma importância.

E é aí que mora o perigo. E é por isso que os motoristas de táxi, ao menos como categoria analítica, não servem para ler a política. Já temos um exemplo de transição de poder, não é? O PSDB foi apeado do poder pelas urnas. E cumpre fazer uma pergunta: qual é a sua real influência hoje na máquina do estado? Aparelhou a administração direta, as estatais, a ampla rede burocrática de serviços e regulação, os fundos de pensão? Nada! O que restou dos tucanos — e do ex-PFL, hoje DEM — no poder? Nada! Alguns poderão dizer que as opções de FHC estão ainda presentes na área mais sensível do país: a economia. É fato. Mas é tolice achar que o Banco Central, por exemplo, obedece a um comando partidário, tucano.

Como será em 2010 — ou 2011, para ser mais preciso? Se vence um candidato de Lula, mesmo que seja Ciro Gomes (vocês sabem fazer novena?; querem que eu ensine?), haverá uma mudança aqui ou ali, mas a ocupação do estado pelos petistas continuará intocada. Apesar de sua mímica cesarista, Ciro não mexeria com o bilionário aparelho sindical (estou pondo na conta os fundos de pensão) que hoje governa o país, sob o comando de seu líder máximo, Lula. Mas e se vence um oposicionista: José Serra ou Aécio Neves?

Longe ainda desse futuro, pode-se especular que talvez Aécio fosse mais conciliador; Serra menos. Por outro lado, no que respeita a um corte ideológico, talvez o político paulista estivesse mais perto da máquina petista do que o mineiro... E poderíamos escolher muitos critérios para chutar o que faria um ou outro. Tenho pra mim que a “despetização” do estado, mesmo com a vitória de um oposicionista, é tarefa das mais difíceis. Essa gente nos assombrará ainda por muito tempo, ditando a agenda. E o motivo é terrivelmente simples: o estado paralelo petista não é visto como um problema. Tampouco é percebido por boa parte da oposição como aquilo que é: o verdadeiro inimigo do país, que não pode ser banido da máquina por meio de eleições.

E isso não é igual a nada. Isso é diferente.

 

 

 

Guilherme Evelin

FHC se dobra a Alckmin

O ex-presidente garante que dará seu apoio ao candidato tucano. Há um mês, ele defendia a candidatura de Kassab, do DEM

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso dobrou-se à candidatura do ex-governador Geraldo Alckmin (PSDB) à prefeitura de São Paulo. FHC declarou a ÉPOCA apoio à candidatura de Alckmin, durante o lançamento do livro “Cultura das Transgressões no Brasil - Lições da História”, patrocinado pelo seu instituto, o IFHC, e pelo Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial (ETCO), na última quarta-feira (27). “Se ele quiser ser candidato, será. E com meu apoio. Para vencer as eleições”.

Trata-se de uma mudança de posição. Há pouco mais de um mês, FHC era um dos líderes do grupo do PSDB que pressionava Alckmin a desistir da idéia da candidatura em favor do prefeito Gilberto Kassab (DEM), que quer buscar a reeleição. Em janeiro, em entrevista ao jornal o Estado de S. Paulo, FHC disse que o PSDB deveria trabalhar estrategicamente e apoiar Kassab na eleição municipal, guardando Alckmin para a eleição para governador de São Paulo e liberando José Serra para a disputa da presidência da República em 2010.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Do G1, em São Paulo, com informações da TV Paranaense

Família vive em delegacia no Paraná

(Foto: Reprodução/TV Paranaense)

Foto: Reprodução/TV Paranaense

Família mora em cadeia em Goioerê
Lídia, o marido e três filhos moravam em terreno desocupado.
Segundo a prefeitura, decisão da mudança foi em comum acordo

Uma família vive, há cerca de três meses, em um antigo prédio onde funcionava uma subdelegacia em Goioerê (PR). De acordo com a prefeitura, a dona-de-casa Lídia Vieira, o marido e os três filhos moravam em um terreno invadido e foram removidos para que novas casas sejam construídas no local. Seis imóveis devem ser distribuídos entre os antigos moradores da área.

Enquanto as casas não ficam prontas, a família de Lídia está no prédio policial. Eles não pagam luz e água e tiveram que improvisar o espaço.

O banheiro virou uma cozinha. Algumas paredes foram derrubadas, mas não foi possível tirar as grades onde hoje dormem as crianças. Debaixo de uma das camas, ainda está o vaso sanitário da antiga cela. Lídia, que está grávida, disse à equipe da TV Paranaense que o sonho dela é sair da delegacia e ter a sua casa.

De acordo com a assessoria de imprensa da prefeitura, a maior parte das famílias que viviam no terreno que teve que ser desocupado foi para a casa de parentes. Lídia, o marido e os filhos teriam ficado na delegacia porque não tinham outra opção.

O assessor jurídico da prefeitura, Everaldo Bughi, disse ao G1 que a antiga subdelegacia passou por reparos para receber a família. "A ida da família para o prédio da polícia, que foi construído pela prefeitura, foi decidida em reunião e todos concordaram. Reativamos a energia elétrica para eles mudarem." 

O terreno onde serão construídas as novas casas pertence à Companhia de Habitação do Paraná (Cohapar), que informou que a previsão de conclusão das obras é de seis meses

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

Pela divulgação da folha corrida!

Ontem, a Justiça Eleitoral apresentou novidades. Vai testar em três municípios a identificação do eleitor através da impressão digital.

Além disso, aquele recibo que os mesários nos entregam, como comprovante do nosso comparecimento no dia da eleição, vai conter a foto do eleitor.

Segundo o TSE, em dez anos todos os municípios brasileiros vão contar com estes equipamentos. São boas notícias.

Periodicamente, a Justiça Eleitoral realiza recadastramentos do eleitorado, tudo para eliminar o eleitorado fantasma.

Muitos municípios incham fraudulentamente o eleitorado, com crianças, mortos, habitantes de outros municípios, gente que emigrou e já transferiu o título, mas o município anterior não deu baixa. E por aí vai.

Mas seria igualmente interessante que a Justiça Eleitoral aperfeiçoasse também as formas de identificação do candidato.

Por falta de informação, os eleitores brasileiros têm mandado para o Congresso, as Assembléias e Câmaras de Vereadores, e também para os governos municipais, estaduais e federais, indivíduos que não têm currículo, têm prontuário.

Gente que não convidaríamos para um café, sob risco de ver sumirem as colherinhas.

Gente que se candidata a cargo público para poder se beneficiar do foro privilegiado ou, simplesmente, para poder se apropriar de recursos públicos à vontade.

Mas como é que o eleitorado poderia ser informado desse “currículo secreto” dos candidatos?

O senador Pedro Simon (PMDB-RS) apresentou um projeto muito interessante. Não sei se sabem, mas naquele horário eleitoral gratuito há uma fatia que fica à disposição da Justiça Eleitoral. Para comunicados variados dos tribunais eleitorais antes da eleição.

Pelo projeto de Pedro Simon, semanalmente a Justiça Eleitoral ocuparia este horário e divulgaria todos os processos a que estariam submetidos os candidatos.

Quem está sendo processado, de quais crimes é acusado, em que pé está o processo, se já foi julgado em primeira instância etc.

O novo presidente do TSE, ministro Ayres de Brito, já declarou publicamente que os candidatos devem ter ficha lima. Segundo ele, o preceito de que todo mundo é inocente até a última prova em contrário diz respeito a matéria penal e não a matéria eleitoral.

Para ser candidato, segundo ele, a ficha limpa é o fator primordial. Já é um enorme avanço em relação a seus antecessores na função.

Mas enquanto não se decide este importantíssimo ponto, bem que a Justiça Eleitoral poderia encampar a proposta do senador Pedro Simon e tomar a iniciativa de divulgar a folha corrida dos candidatos.

A ONG Transparência Brasil tem realizado este trabalho durante a campanha eleitoral, através do site “Excelências”. É uma ferramenta importante para ajudar o eleitor a fazer uma escolha mais consciente.

Mas é evidente que o alcance do rádio e da TV é infinitamente maior.

Vale a pena abraçar esta causa. Sociedade mais bem informada é certamente uma sociedade mais madura, mais participante, mais consciente de suas responsabilidades e de suas escolhas.

A democracia agradece.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Rocha Mattos: ex-mulher abre o bico

Em liberdade após quatro anos de prisão por envolvimento na Operação Anaconda com o ex-marido, juiz federal João Carlos da Rocha Mattos, que está preso, Norma Cunha diz ter revelações no caso do prefeito assassinado de Santo André, Celso Daniel. A primeira: era sócia oculta da agência de câmbio e turismo Havaí, investigada na CPI dos Bingos por suposta lavagem de dinheiro das contas da prefeitura no exterior.

Laços de família

Acusada de ser tesoureira da quadrilha de Rocha Mattos na venda de sentenças e lavagem de dinheiro, é cunhada da dona da Havaí, Neuma.

Mistério das contas

Neuma Kodama negou na CPI conhecer o suposto "esquema de Santo André", mas Norma teria provas de quem as movimentou e sacou.

Mistério do morto

Seriam US$ 48 milhões para a campanha de Lula, de "caixinha ilícita", movimentados mesmo após a morte de Celso.

Verdade ou blefe?

Promotor de Santo André, Roberto Wider desconhece a movimentação pós-morte, que a família de Celso confirma, mas Norma diz ter provas.

Serrano já foi ré por desvio

A presidente da CPI dos Cartões Corporativos, que investigará suspeitas de corrupção, senadora Marisa Serrano (PSDB-MS), já esteve em situação de ré: o Ministério Público Federal a acusou em 1991 de crime contra a administração pública (prevaricação), em co-autoria com Francisco e Elena Ribeiro (peculato). A acusação foi de desvio de verbas do Ministério da Educação, do qual era delegada no Mato Grosso do Sul.

Prescrição

Marisa Serrano jamais foi absolvida ou condenada: eleita deputada, o processo dela subiu ao Supremo Tribunal Federal e acabou prescrito.

Está livre

O fato de ter sido processada no Tribunal Regional Federal (3ª Região) e no STF não constitui impedimento para Marisa Serrano presidir a CPI.

Fora de alcance

A assessoria da senadora Marisa Serrano informou ontem que ela estava em trânsito, por isso não poderia comentar o processo a que respondeu.

Uma longa viagem

Quatro anos depois, chegou à 5ª Câmara de Coordenação e Revisão do Ministério Público Federal o processo que apura a viagem do filho mais novo de Lula, Luís Cláudio, em avião da FAB com um grupo de amigos, e passeio na lancha da Presidência. A procuradora Ana Carolina Rezende, que enviou o processo, avisa que não vai divulgar o resultado.

Venda negada

A ministra Dilma Rousseff negou a Paulo Bernardo (Planejamento) que tenha discutido a venda da Infraero com Luciano Coutinho, presidente do BNDES. Até porque só ao presidente Lula cabe decidir sobre o assunto.

Não precisava

A deliciosa cantora baiana Ivete Sangalo fatura muito, e o merece, mas sua empresa Madeirada pediu autorização ao Ministério da Cultura para captar, pela Lei Rouanet, quase R$ 2 milhões para seis shows.

Em recuperação

Aloízio Mercadante (PT-SP) promete retornar ao Senado na próxima semana, após recuperar-se de uma inflamação na próstata, de causa ainda não explicada, que o levou a ser internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Sua assessoria informa que ele está em casa.

O xis da questão

Com sua política econômica, o presidente Lula faz média com a classe pobre e faz pobre a classe média.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

Para Lula, a oposição quer impedi-lo de governar

Ricardo Stuckert/PR/Arquivo
 

 

De passagem pelo Ceará, Lula voltou à carga em seus ataques à oposição. Embora não tenha mencionado os nomes dos alvos, eles são nítidos: PSDB e DEM. Na opinião do presidente, os adversários têm dois objetivos: tentam impedi-lo de governar e prejudicam o governo para tentar retornar ao Planalto em 2010.

 

Deu-se em Quixadá, a primeira investida de Lula. Ele foi à cidade para lançar o programa “Territórios de Cidadania.” Uma iniciativa que o DEM considerou “eleitoreira” e questionou na Justiça Eleitoral.

 

Diante de uma platéia estimada em 2.000 pessoas, Lula foi à jugular. Esmerou-se no didatismo: "Eu acho que é importante o povo saber que tem setores da oposição que estão entrando na Justiça para evitar que se faça política que eles deveriam ter feito quando governaram o Brasil há muito tempo atrás e que não querem que a gente faça. Eu vou continuar fazendo porque fui eleito para governar o país [...]”.

 

Mais tarde, em Fortaleza, Lula regurgitou um tema que ainda traz atravessado na traquéia: a CMPF. “Eles, no final do ano passado, derrotaram a CPMF, que era o imposto que a classe média e que os ricos pagavam, porque pobre não trabalha com cheque. Eles tiraram do governo federal quase R$ 40 bilhões. E tiraram por quê? Porque eles diziam: ‘se a gente deixar R$ 40 bilhões na mão desse governo, nós não vamos voltar mais’."


 

 

 

Folha Online

Eliane Cantanhêde

Adeus suplentes, adeus mamata!

Está em discussão uma forma dura e eficaz para acabar com os suplentes de senadores, que costumam ser um jeitinho para que filhos, irmãos, carregadores de malas e principalmente grande financiadores de campanha entrem na política pela porta dos fundos. E se dando bem.

Relator da questão na Comissão de Constituição e Justiça do Senado, a CCJ, o senador Demóstenes Torres (DEM-GO) vai levar hoje, quarta, 27/02, a seguinte proposta para os colegas: extinguir pura e simplesmente a figura do suplente e secar a fonte geradora dessa figura, limitando drasticamente as licenças de senadores, que abrem a vaga para os suplentes.

Hoje, o titular pode virar ministro, assumir a direção de uma estatal, se candidatar a mil e um cargos eletivos, saindo do Senado e deixando a vaga para o suplente (o filho, o financiador...). Marina Silva, por exemplo, é ministra de Meio Ambiente desde o primeiro mandato de Lula. Não assumiu de fato o mandato no Senado, que acabou no colo do seu suplente, Sibá Machado (PT-AC).

Pela proposta de Demóstenes Torres, senador não poderá aceitar nomeação no Executivo e nem se candidatar a prefeito, governador, vice-governador. Uma vez senador, sempre senador, como no hino do Flamengo. Mas só até a próxima eleição.

O projeto, que reúne 12 substitutivos, contempla o imponderável: morte, invalidez, renúncia ou cassação do titular. Nesses casos, Demóstenes acha que a melhor saída seria convocar o segundo colocado nas urnas e ponto. Mas, se ele acha, os próprios colegas não acham nem um pouco.

Então, ele tenta uma forma alternativa: nos primeiros sete anos, haveria nova eleição para preencher a vaga; se o "imponderável" ocorresse no último ano do mandato, aí, sim, assumiria o segundo mais votado.

Não há consenso, porém. Duas outras idéias em estudo são dos senadores Tasso Jereissatti (PSDB-CE) e Adelmir Santana (DEM-DF), prevendo, basicamente, que o deputado mais votado, ou do Estado ou do partido do titular, assumisse a vaga no Senado. Ou, ainda, que fosse o presidente da Assembléia Legislativa. Ambas são muito difíceis de passar.

Aliás, tudo isso é muito difícil de passar, pelo simples motivo de que os próprios interessados estarão votando sobre os seus interesses. Mas nós estamos de olho. E ninguém aguenta mais essa mamata de suplente. Especialmente quando eles ficam tão fortes que são até candidatos aos cargos mais ilustres, até mesmo à presidência.

O eleitor não elege suplente, nem sabe quem é suplente, não quer suplente nenhum. Se Sua Excelência, o eleitor, não quer, não pode ter. É hora de dar um basta.

PS - Como a Pensata é em cima de uma reunião da CCJ hoje, prometo ir atualizando, ok?

Valdo Cruz

Três nomes, três âncoras

O presidente Lula tem hoje três presidenciáveis no PT. Cada um com sua âncora, que tanto pode sustentar como afundar suas pretensões de ser o escolhido como candidato em 2010. São eles: Tarso Genro e seu Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania; Dilma Rousseff e o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento) e Patrus Ananias e o Bolsa Família. Dos três, o ministro da Justiça talvez seja aquele com a missão mais espinhosa pela frente. Segurança pública, não é de hoje, tem se revelado um calcanhar de aquiles de todos os presidentes na história recente do país. Área sempre apontada pelos brasileiros como um dos maiores dramas nacionais. Com razões de sobra.

Dos três, Dilma Rousseff (Casa Civil) e Patrus Ananias (Bolsa Família) largaram na frente. O PAC de Dilma já fez aniversário de um ano e pode levá-la à condição de nome forte na disputa presidencial. Seu programa, apesar de ainda não ter decolado totalmente, é uma aposta não só do governo mas também do empresariado para acabar com os gargalos da economia brasileira. O Bolsa Família comandado por Patrus Ananias (Desenvolvimento Social) é um programa consolidado, de grande apelo eleitoral e, não por outro motivo, citado por muitos petistas como um fator a ser considerado na escolha do candidato do partido na sucessão do presidente Lula.

Tarso Genro largou com um certo atraso nessa corrida. Foi o último dos três a assumir sua atual pasta. Seu programa de segurança pública também foi a última âncora do presidente Lula lançada na praça. Além disso, é um tema que depende fortemente de um trabalho conjunto com governadores e prefeitos para se viabilizar. Conceitualmente, o programa busca ser uma nova abordagem de segurança pública no país. Não se limita às tradicionais ações de fortalecimento de contingentes policiais país afora e construção de presídios. Dedica-se também à promoção social dos agentes de segurança pública.

O ministro da Justiça aposta na parceria e na cobrança para forçar o programa a decolar. Firmou convênio com a FGV (Fundação Getúlio Vargas) para criar uma metodologia de acompanhamento das ações do Pronasci (Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania). Os dados serão disponibilizados pela entidade na internet. Quem quiser saber como está a execução de cada uma das ações poderá fazê-lo pelo computador de casa ou do trabalho. A FGV vai elaborar ainda um Índice Nacional de Segurança Pública com Cidadania. Será calculado a partir de um conjunto de indicadores para tentar medir a eficácia das ações do Pronasci nas regiões onde for aplicado.

Até aqui, algumas das ações do programa já começam a caminhar. Cerca de 500 casas serão entregues a policiais nesse primeiro semestre no Rio Grande do Sul. Mais 1.300 imóveis estão em construção no Rio de Janeiro para serem financiados a policiais, uma tentativa de retirá-los das áreas residenciais de risco. Na área de formação, 57.381 alunos se inscreveram para fazer cursos de ensino à distância. O Ministério da Justiça já credenciou 66 instituições de ensino superior para isso. Todos serão candidatos à bolsa formação, no valor de R$ 400, para quem ganha até R$ 1.400. Há ainda programas sociais em início de implantação, como o Mulheres da Paz, que pagará uma bolsa de R$ 190 para lideranças comunitárias femininas atuarem como agentes de segurança.

Se vai dar certo, ainda não é possível dizer. O tamanho do problema a ser enfrentado é colossal. Vivemos um clima de guerra civil em vários pontos do país, como Rio de Janeiro e entorno de Brasília. O surgimento das milícias nas favelas cariocas é uma prova do fracasso das últimas políticas de segurança pública no país, governo Lula incluído durante seu primeiro mandato. O presidente petista padecia do mesmo mal dos anteriores, ao se apegar à questão legal de que segurança é responsabilidade de Estados, não da União. Não adianta, no Brasil sempre será visto como tema federal, não só estadual. Lula acordou agora, no segundo mandato, depois de observar em várias pesquisas que a população apontava como uma das falhas de seu governo o clima de insegurança no país.

Aí entregou a Tarso Genro a missão de tentar solucionar o problema. Como colocou o andamento das obras do PAC nas mãos de Dilma, o nome preferido de Lula por enquanto, e nas de Patrus Ananias o desenvolvimento do Bolsa Família. Por enquanto, nenhum dos três assume a condição de candidato a candidato. Dizem que estão mais preocupados em tocar suas tarefas e que falar em candidatura só atrapalha. Faz parte do jogo, mas sabem que seus nomes entrarão definitivamente na disputa se derem certo. Só nesse caso. Afinal, nenhum deles, hoje, é um presidenciável natural. Terão de ser forjados.

Terceiro

Divulgada a última pesquisa Sensus, apontando que 66,8% dos entrevistados aprovam o desempenho pessoal do presidente Lula, um peemedebista soltou o seguinte prognóstico: se bater nos inimagináveis 70%, volta a circular a tese do terceiro mandato para o petista. É, pode ser.

Serviço

A Subchefia para Assuntos Jurídicos da Presidência da República criou um sistema aberto à população que distribui diariamente todas as mudanças legais ocorridas no Executivo no dia anterior. Vai desde projeto de lei a medida provisória, passando por sanções e vetos a leis. A pessoa pode se cadastrar na página da Presidência na internet (www.presidencia.gov.br). Basta ir no ícone "legislação". Em seguida, procurar "Sistema Push" e se cadastrar. Mecanismo semelhante, com o mesmo nome, já existe em órgãos do Judiciário. Depois de cadastrada, a pessoa passa a receber por e-mail a lista das mudanças legais feitas pelo Executivo. Um sistema que facilita a vida de quem deseja acompanhar as modificações da legislação federal.

 

 

 

Uma praça de presente

A doação de uma praça pública virou escândalo em Queimadas, município a 300 quilômetros de Salvador. O prefeito diz que pretendia apenas agradar a um amigo e que ninguém tem nada com isso, mas a população está revoltada.

A praça até que é pequena; grande mesmo é a confusão que ela está provocando em Queimadas. A área de 120 metros quadrados foi doada pelo prefeito José Mauro Oliveira Filho para Guttenberg Dourado da Mota, conhecido como “Cigano Careca”.

A doação, registrada em cartório, não foi discutida nem aprovada pela Câmara Municipal, como manda a lei. “Ele nunca enviou um projeto de lei, nunca deu satisfação”, reclama o vereador Tarcísio Pedreira (PTC).

Cigano, que emprestou cerca de R$ 10 mil para o prefeito há três anos, jura que a dívida foi paga e que a doação da praça foi um gesto de amizade. “Ele me doou, como um amigo. Fomos criados juntos”, contou Guttenberg.

O prefeito evita falar sobre o empréstimo e diz que ninguém tem nada a ver com a doação da praça. “Houve a doação, o que tem de mais? Deu prejuízo a quem, minha Nossa Senhora?!”, diz o prefeito José Mauro Oliveira Filho (PMDB).

Cigano já começou a construir uma lanchonete na pracinha, que fica ao lado de uma quadra de esportes. A obra ocupa metade da área.

O promotor de Justiça da cidade já entrou com uma Ação Civil Pública pedindo a interdição e demolição da obra e a devolução da praça ao povo.

O juiz da comarca de Queimadas só espera receber as explicações do prefeito para decidir a questão. “Nunca tinha visto nada parecido”, admite.

O Cigano suspendeu a obra até que a justiça decida o caso  e, mesmo que seja obrigado a demolir a construção, não vai ter nenhum prejuízo. Parentes dele disseram que todo o material de construção e a mão de obra foram pagos pelo prefeito.

 

 

 

Folha Online

Ilustrada

MIGUEL ARCANJO PRADO
da Folha Online

Jornalista troca "Pânico" por Leão Lobo e estréia na segunda

Caio Guatelli/Folha Imagem
Texto: A jornalista Rosana Hermann posa para foto, em São Paulo, SP. (São Paulo, SP, 30.01.2008. 15h06. Foto de Caio Guatelli/Folha Imagem)
Jornalista Rosana Hermann diz que vai trazer humor para o vespertino "Atualíssima", na Band

A jornalista paulistana Rosana Hermann, 50, tem um novo desafio na carreira: comandar ao vivo de segunda a sexta o programa "Atualíssima", na Band, a partir da próxima segunda-feira (3), às 15h. Ela estará ao lado do também jornalista Leão Lobo. Rosana trocou a redação do "Pânico", da Rede TV!, pela apresentação e chefia de redação da atração vespertina.

Rosana substitui a jornalista Patrícia Maldonado, que deixa o "Atualíssima" nesta sexta-feira, para comandar sozinha o programa "É o Amor". Ela diz que o "Atualíssima" terá uma nova cara sob seu comando. "A Patrícia tem um veio jornalístico bem marcado. Eu já tenho uma maior ligação com o humor e isso vai aparecer no programa. Sou casada e tenho dois filhos adolescentes, acho que isso traz identificação maior com nosso público", afirma.

Ela afirma que a saída do "Pânico", onde estava desde 2005, foi sem brigas. "Só deixei o 'Pânico' porque tive essa oportunidade de fazer um programa de variedades, ao vivo. Não poderia deixar passar. Foi uma saída amigável. O Emílio [Surita] me apoiou", diz.

Além de jornalista, Rosana também é mestre em física, pela USP. "Eu queria ser cientista, mas depois vi que não daria certo como acadêmica. Sempre era a noiva das festas juninas da faculdade", lembra. "Entrei para a ECA [Escola de Comunicação e Artes da USP] depois de já ser mestre em Física. Comecei tudo outra vez. Mas antes do início das aulas, já tinha arrumado um estágio como redatora publicitária", recorda.

Roteirista desde 1983, Rosana foi redatora na TV Cultura, na rádio Jovem Pan e na Globo, onde escreveu para programas como "Sai de Baixo" e "Domingão do Faustão". "Sou rato de computador. Uso computadores desde os anos 70, quando ninguém tinha. Não sou uma representante só da pia e do fogão", diz.

Blogueira assumida,zeladora do blog Querido Leitor.Parabéns Rosana.Sucesso !!!

 

 

 

Reinaldo Azevedo

Lula e o revanchismo triunfalista

FHC respondeu ontem, comento no post das 2h29 desta madrugada, às boçalidades que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva andou lhe dirigindo. Não são poucos os tucanos que acham que o ex-presidente poderia se poupar da refrega, uma vez que Lula parece contar com essa reação para estufar um tanto mais o... deveria escrever “peito”, mas escolherei “a barriga” — parece-me que carrega o simbolismo adequado a estes dias. Mais do que pelo orgulho, este governo se define pela jactância balofa. Segundo Lula, ele é pé-quente; FHC era pé-frio. Não basta ao Apedeuta privatizar os esforços de estabilidade que já são de uma geração. Ele precisa ser também o ungido. Lula e o PT criaram no país uma coisa bastante perversa à cultura política: o revanchismo do triunfo.

Ora, ele ganhou a eleição duas vezes depois de três derrotas — duas deles para FHC, e este fato não deve ser minimizado no seu rancor —; governa um pais que está com a economia em ordem porque, afinal, seus adversários de antes (e de agora) fizeram rigorosamente o contrário do que recomendava... Lula! E não seria difícil demonstrá-lo. Do Apedeuta — e isto não se faz com nenhum outro político no país —, não se cobra coerência, mas apenas eficiência. E ele é, sob certo ponto de vista, “eficiente”: justamente quando ignora tudo o que pregou o PT ao longo de mais de 20 anos. Como subsiste certo temor de que possa entrar em regressão, seus atos em favor da economia de mercado são calorosamente aplaudidos. Espera-se sempre que o som desses aplausos abafe certo alarido de seus esquerdistas, de seus nacional-desenvolvimentistas.

Lula tira, claro, proveito dessa figura sem passado em que se transformou. Explico: passado, ele tem, sim. Mas apenas o mítico: “o operário pobre que venceu as dificuldades, aderiu à esquerda e descobriu o mercado”. Ninguém dá bola é a seu passado histórico. Podem observar: cobra-se de FHC até hoje a união do intelectual marxista (que ele nunca foi, diga-se) com o PFL lá em 1994... Mas nada de perguntar o que faz Lula com os seus “conservadores”.

Peguei algumas estradas vicinais. Volto à principal. Essa condescendência, se concorre para amansar-lhe o espírito (ele adora dizer que supera FHC também nos valores, vá lá, de mercado), também cria uma figura que transita na política acima do bem e do mal. Por isso parece comum, até natural, que, mesmo vitorioso, surfando em índices formidáveis de aprovação, ele se comporte ainda como uma espécie de opositor do regime de... FHC!!!

Não basta que lhe reconheçam as obras, até as que não são suas: no caso da estabilidade, por exemplo, sua virtude foi manter as regras instituídas por outros. Lula sente a necessidade também de expropriar FHC de seu passado: precisa compulsivamente mutilar a biografia do antecessor; apagar imagens da fotografia; retocá-la com a determinação que tinham os stalinistas de reinventar o passado. Ah, sabemos: faz isso sem teoria mesmo, sem saber direito quem foi Stálin; sem ter qualquer motivo, vá lá, utópico (ainda que uma utopia torta) para apoiar ditadores como Fidel Castro ou Hugo Chávez.

Ora, ora... As regras da estabilidade que estão dadas, digo num post abaixo, custaram caro ao antecessor do petista. O beneficiário óbvio — porque está aí, no poder — do desgaste foi o próprio PT. Vejam, pois, que coisa formidável: tudo aquilo contra o que o partido lutou e que garantiu a sua ascensão é hoje o seu melhor patrimônio. Lula poderia, quando menos, silenciar, então, sobre o passado. Mas não: ele continua a demonizar FHC usando a régua e compasso que lhe deu... FHC!!!

“Ora, dirão, política é assim mesmo!” Não é, não. Caso se eleja um presidente da oposição, que não seja do gosto do petismo, posso aposta que o PSDB não saberá proceder a essa desconstrução do passado. Porque não é de sua natureza — e isso, se querem saber, é bom. Não acho que o petismo deva ser um modelo de ética para os demais partidos. Mas é bom ter claro: o PT sabe e soube, dentro e fora do poder, politizar os temas que são do interesse da sociedade; transforma tudo em uma guerra de valores: “nós” contra “eles”. O PSDB ainda não aprendeu a fazer isso. O DEM parece ter descoberto essa necessidade, e a luta contra a CPMF veio a demonstrá-lo. Se bem se lembram, os tucanos entraram tarde na peleja — e quase fazem besteira. A desnecessidade da CPMF, dado o recorde da arrecadação, está demonstrada. Os tucanos souberam aproveitar? No outro dia, já havia alguns deles ocupados em debater formas para recriar a contribuição... Santo Deus!

É preciso que as oposições, especialmente o PSDB, comecem a definir alguns temas pelos quais vale a pena lutar e se mobilizar. Até porque o “revanchismo triunfalista” se prepara para subir no palanque em 2008 e em 2010. Depois, então, de oito anos de governo petista, o palanqueiro Lula falará, uma vez mais, contra o... passado!!!

 

 

 

'Pacotão' do TCM custará até R$ 12 milhões

Câmara aprovou benefícios ao tribunal, que incluem criação de 28 cargos sem concurso e gratificação que não conta no teto salarial; prefeito pode sancionar ou vetar a medida

O pacote de benefícios ao Tribunal de Contas do Município (TCM) aprovado pelos vereadores deve gerar aumento de até R$ 12 milhões por ano na folha de pagamento do órgão. O projeto prevê criação de 28 novos cargos de confiança (sem concurso), com salários iniciais de até R$ 8,5 mil brutos, e ainda institui gratificação de produtividade que varia de R$ 1,2 mil a R$ 4,8 mil  retroativa a junho , a exemplo da que foi implantada em 2007 na Câmara Municipal. Essa bonificação ainda fica fora do teto salarial do Município  os vencimentos do prefeito, de R$ 12,3 mil.

A proposta passou por segunda e definitiva votação pela Casa na sessão de terça-feira, por 29 votos a favor  um a mais que o necessário  e seis contra. A estimativa do impacto do projeto é de técnicos do Legislativo, para quem esse valor gira entre R$ 10 milhões e R$ 12 milhões. O tribunal informou que só teria a cifra após analisar a proposta, que ainda passará por sanção ou veto do prefeito Gilberto Kassab (DEM).

Com os 28 novos cargos, o TCM passará a ter 666 funcionários, dos quais 152 serão de livre provimento  sem concurso. Para 2008, o Orçamento destinado ao órgão é de R$ 149,1 milhões, contra R$ 104,5 milhões em 2007, ou 42,6% a mais. Embora os vereadores neguem oficialmente, um articulador da Casa admitiu que teria ocorrido negociação para indicação política dos parlamentares nas novas vagas criadas com o projeto. “Ficou a impressão de que se fez um bem à espera de algo em troca no futuro”, disse Cláudio Weber Abramo, diretor da Transparência Brasil, que fiscaliza o poder público.

No caso da gratificação por produtividade, os servidores devem passar por avaliação anual para receber o benefício. A retroatividade do pagamento a junho de 2007 irritou alguns vereadores. Em caso hipotético, um servidor que tiver gratificação máxima no final de março pode receber R$ 48 mil retroativos. A data que serve de base para o pagamento é a mesma em que o projeto foi apresentado na Câmara.

O presidente da Casa, Antônio Carlos Rodrigues (PR), disse que, “se o tribunal tem previsão no orçamento”, não há problema. “Há legalidade no ato. E se o projeto só fosse aprovado depois de cinco anos, como ficaria o tribunal? É questão de isonomia com a Câmara.”

Pelo projeto, a gratificação também fica fora do limite salarial previsto por lei de 1997, que equivale aos vencimentos do prefeito. As bonificações são cumulativas após cinco anos de recebimento. Antônio Goulart (PMDB), que se classifica como “maior defensor do TCM”, justifica a criação dos cargos e da gratificação alegando que “há servidores no tribunal com um currículo impressionante”. “E eles estão há 12 anos sem aumento. É apenas equiparação com a Câmara”.

Em nota, o TCM alegou que os cargos criados serão destinados à Corregedoria e setores com déficit de servidores, que a média salarial do tribunal, de R$ 6,8 mil, é inferior à do mercado e que só poderá calcular despesas após sanção do projeto e recebimento pelos técnicos do órgão. A assessoria ainda informou seguir a Câmara na remuneração de seus servidores e que o tribunal não chega nem perto do teto de gastos previsto por lei  6% da receita do Município, junto com o Legislativo; o índice estaria em 1,22%.


TREM DA ALEGRIA NO TRIBUNAL DE CONTAS

MAIS CARGOS

A Câmara aprovou criação de 28 cargos de confiança, com salário-base de até R$ 8.500, no TCM

Hoje já existem 124 postos preenchidos sem concurso público e 514 concursados

Agora, haverá 666 servidores, ou, em média, 133 para cada um dos 5 conselheiros do tribunal

MAIS GRATIFICAÇÕES

O projeto também prevê gratificação por produtividade, entre R$ 1,2 mil e R$ 4,8 mil

O pagamento das gratificações será retroativo a 6 de junho de 2007, o que poderá garantir, por exemplo, bolada acumulada de até R$ 48 mil nesse período de dez meses até março deste ano. As bonificações também ficam fora do teto salarial da Capital, equivalente aos vencimentos do prefeito

MAIS GASTOS

O TCM deve ter aumento de R$ 10 milhões a R$ 12 milhões nas despesas com a folha salarial

Para 2008, o custo previsto para a manutenção do TCM é de R$ 149 milhões, segundo o orçamento da Prefeitura, contra R$ 104,5 milhões em 2007.

Nas férias, vereadores gastam mais que em agosto

25 dos 55 gabinetes tiveram despesa maior em janeiro

Embora a Câmara Municipal tenha reduzido seus gastos com verba de gabinete durante janeiro  mês de férias parlamentares , 25 dos 55 vereadores tiveram despesas no período maiores que as de agosto de 2007, quando passaram a ter disponíveis mensalmente R$ 13,3 mil para custear o mandato.

No geral, porém, o gasto total em janeiro foi de R$ 320,3 mil, o mais baixo desde que a verba de gabinete entrou em vigor. Em agosto, ele foi de R$ 347,9 mil. A campeã de gastos no mês passado foi Lenice Lemos, do DEM, que declarou R$ 13,9 mil  acima do teto previsto , seguida pelos tucanos Juscelino Gadelha, com R$ 13,2 mil, e Dalton Silvano, com R$ 12,3 mil.

Apesar do mês de férias, Toninho Paiva (PR) usou quase todo o limite de combustível: R$ 1.493,61, ou R$ 6,39 abaixo do teto. Lenice gastou cerca de R$ 7,5 mil com divulgação de seu mandato, entre produção e composição gráfica e correios. Na postagem de correspondência, porém, Adilson Amadeu (PTB) e Juscelino lideraram, respectivamente, com R$ 7,8 mil e R$ 7,7 mil.

Cláudio Prado (PDT) e Jorge Borges (PP) também usaram ao limite a verba para celular: R$ 1 mil cada.

Apesar do número reduzido, vereadores avaliam que a tendência é os gastos voltarem a crescer nos próximos meses, por conta do ano eleitoral, em que a maioria dos 55 parlamentares deve buscar a reeleição.


 

 

 

RANIER BRAGON

STF mantém suspensão na Lei de Imprensa

Maioria do plenário acompanha liminar dada por Ayres Britto na semana passada e congela 20 dos 77 artigos da legislação

Ministros decidem que processos atuais com base na Lei de Imprensa podem seguir, desde que baseados nos códigos Penal e Civil

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem por maioria manter a suspensão de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa, mas autorizou o prosseguimento de processos cíveis e criminais contra jornalistas e empresas de comunicação, desde que com base nos códigos Civil e Penal. Cinco dos dez ministros presentes à sessão de ontem seguiram o voto do relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, que na semana passada suspendeu liminarmente (decisão provisória) 20 artigos da lei. Ele atendia a parte do pedido do PDT, que tenta no Supremo a total revogação da Lei de Imprensa (5.250/67), em vigor desde o final do governo Castello Branco, o primeiro dos generais-presidentes do regime militar (1964-1985). "Essa é uma lei que não serve para resolver conflitos, é uma lei que serve para intimidar, para ameaçar", afirmou o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), na defesa que fez ontem, no tribunal, da ação do PDT pedindo a revogação da lei.

O STF (Supremo Tribunal Federal) decidiu ontem por maioria manter a suspensão de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa, mas autorizou o prosseguimento de processos cíveis e criminais contra jornalistas e empresas de comunicação, desde que com base nos códigos Civil e Penal.
Cinco dos dez ministros presentes à sessão de ontem seguiram o voto do relator do caso, ministro Carlos Ayres Britto, que na semana passada suspendeu liminarmente (decisão provisória) 20 artigos da lei.
Ele atendia a parte do pedido do PDT, que tenta no Supremo a total revogação da Lei de Imprensa (5.250/67), em vigor desde o final do governo Castello Branco, o primeiro dos generais-presidentes do regime militar (1964-1985).
"Essa é uma lei que não serve para resolver conflitos, é uma lei que serve para intimidar, para ameaçar", afirmou o deputado federal Miro Teixeira (PDT-RJ), na defesa que fez ontem, no tribunal, da ação do PDT pedindo a revogação da lei.
Três dos ministros presentes à sessão de ontem votaram pela total suspensão da lei, mas acabaram vencidos. Marco Aurélio Mello foi o único que votou contra a suspensão. A principal mudança em relação à liminar concedida por Ayres Britto na semana passada foi sobre o que acontecerá, na prática, com os processos judiciais movidos hoje com base, entre outras, na Lei de Imprensa.
Geralmente, a Lei de Imprensa serve de parâmetro para que pessoas que supostamente se sintam atingidas em sua honra por notícias jornalísticas movam ações criminais e cíveis (de indenização) contra jornalistas e órgãos de imprensa.
Na decisão de Ayres Britto, ele determinava suspensão imediata de processos e de decisões judiciais que tivessem relação com os 20 artigos "congelados". Depois de debate ontem no plenário do Supremo, prevaleceu a posição do ministro Cezar Peluso, de suspender os artigos da lei sem determinar necessariamente a suspensão dos processos.
Em seus votos, vários ministros deixaram claro que os juízes podem dar continuidade aos processos que tenham sido movidos com base na Lei de Imprensa, desde que a substituam pelos códigos Penal e Civil, que também abrangem mecanismos de punição aos crimes contra a honra. O STF também decidiu julgar conclusivamente a ação do PDT -ou seja, declarar o que vale e o que não vale na Lei de Imprensa- em até seis meses.
Ao votar, Ayres Britto afirmou que pesou em sua decisão a recente onda de ações judiciais de indenização movidas por fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra órgãos de imprensa, incluindo a Folha.
"Não se pode desconhecer que fatos recentes sinalizam o abuso de litigar em juízo para, mediante quase uma centena de ações em atomizadas comarcas do interior brasileiro, inibir o exercício da profissão de jornalistas e as atividades de quatro específicos órgãos de imprensa: os jornais "Extra", "O Globo", "Folha de S.Paulo" e "A Tarde"", disse.
Todos os dez ministros presentes à sessão concordaram que a Lei de Imprensa, de 1967, contém vários artigos que colidem com a atual Constituição, promulgada 21 anos depois, já sob o regime democrático.
"É preciso advertir sempre que o Estado não dispõe de poder algum sobre a palavra, sobre as idéias ou sobre as convicções manifestadas por qualquer cidadão dessa República e, em particular, pelos profissionais dos meios de comunicação social", afirmou o ministro Celso de Mello, que votou pela suspensão total da lei até o julgamento final do mérito.
Mesma posição tiveram Carlos Alberto Menezes Direito e Eros Grau. "Os países desenvolvidos não têm lei de imprensa. Nem por isso os jornalistas e os cidadãos ficam desamparados perante a lei", disse Menezes Direito.

Os pais da pátria tributária

Vinícius Torres Freire

Quem ataca impostos posa de pai da pátria escorchada, mas não conta quem vai pagar a dívida pública nem como

NÃO DEMOROU para dar em besteira e oportunismo a notícia de que a arrecadação de impostos do governo federal em janeiro superou em muito até a previsão oficial mais otimista.
Empresários que militaram contra a renovação da CPMF e políticos tucanos posam de pais dessa pátria que salvaram de um aumento extra de impostos. O governo já apareceu com a idéia de reduzir o Imposto de Renda, o mais justo da barafunda tributária, no que parece ser uma oferta de doce à classe média. Essa reforma tributária ainda mal explicada vai virar slogan de campanha eleitoral.
Quem considerava menos provável que o superávit primário permanecesse em ao menos 3,8% do PIB ou que o governo poderia reduzir investimentos terá de colocar as barbas no molho da calculadora ou da planilha. Se o resultado de janeiro não tiver sido uma anormalidade, o governo federal poderá continuar a gastar no mesmo ritmo do ano passado, manter o superávit e despender tão pouco em investimento como o fez -ou talvez um pouco menos, pois governos costumam fazer seus "ajustes" pelo investimento.
No entanto, em primeiro lugar, será preciso esperar um trimestre, ao menos, tudo o mais constante (como taxa de crescimento da economia, por exemplo), para que se possa estimar de maneira menos chutada o que estará se passando com a arrecadação. Segundo, não sabemos nem quanto a economia cresceu em 2007, que dirá em 2008. Terceiro, se a arrecadação de impostos continuar a crescer mais do que a de contribuições (em que se encaixava o dinheiro da CPMF), o governo federal terá de partilhar mais recursos com Estados e municípios. Quarto, o problema maior e mais sério nem está aí, na arrecadação.
Essencial é saber o que fazer do dinheiro em tese "extra", que o governo Lula alegre e estupidamente transforma em gasto adicional com despesas de manutenção da máquina, folha salarial e com juros, gastos ditos correntes.
Uma administração sensata e prudente aproveitaria o crescimento econômico acima da média do último quarto de século e o aumento da formalização da economia para poupar mais. A dívida pública é enorme e a despesa com juros é indecente, coisas que têm efeitos funestos na economia e no bem-estar: na taxa de juros, na valorização excessiva do real, na baixa taxa de investimento público, na contenção do PIB.
Diz-se que a manutenção da CPMF não levaria o governo a gastar de maneira mais racional. É muito provável. Mas os campanhistas anti-CPMF não estavam nem estão preocupados em fazer Lula aumentar o superávit primário, abater mais dívida pública, reduzir a despesa financeira e criar condições para juros menores.
Aliás, típico de euforias medíocres da bonança, quase desapareceu do debate público o problema da dívida federal, tanto da parte de "desenvolvimentistas" como de "ortodoxos".
Uns estão felizes na bajulação do governo Lula, outros com a renda altíssima de juros.
No momento, as vantagens resultantes de uma taxa de juros menor seriam muito mais bem distribuídas socialmente do que uma redução de impostos, em especial as setoriais, para não dizer mesmo que o corte da CPMF é muita vez embolsado pelo empresário. Os empresários campanhistas querem é o deles. É interesse particular. É o que, antigamente, chamava-se de ideologia.

Tribunal de desperdícios

EDITORIAL

O TCMSP (Tribunal de Contas do Município de São Paulo) descreve sua atribuição legal como a de "zelar para que não haja desperdício dos recursos públicos". A julgar pelo retrospecto de órgãos do gênero, é mais que duvidosa sua capacidade de cumpri-la. A começar dos próprios quintais, como atesta pedido de sua iniciativa aprovado pela Câmara Municipal (para não falar do nepotismo que campeia no Tribunal de Contas do Estado de São Paulo).
Embora conte com 638 funcionários, o TCM quer mais. Por 29 votos a 6, os vereadores aprovaram projeto de lei permitindo a criação de 28 cargos. Cargos de confiança, óbvio, para contornar a necessidade de concurso um dos tradicionais instrumentos contra desperdício de recursos públicos. Os 28 postos, com salários-base de até R$ 8.500, engrossarão o cabide onde já se penduram 124 comissionados.
Há mais. Pela lei aprovada os beneficiários poderão acumular gratificações, mesmo que ultrapassem o teto constitucional de R$ 9.636. Como se não bastasse, a benesse terá efeito retroativo a 6 de junho de 2007, data da reivindicação perdulária do TCM à Câmara. Não admira que o tribunal vá custar R$ 149,1 milhões aos cofres municipais neste ano.
Considerando que só existem TCMs em São Paulo e no Rio de Janeiro, e que a Constituição veda a criação de congêneres (art. 31, parágrafo 4º), é o caso de se perguntar se tal montante de recursos públicos não representa ele mesmo um desperdício. Os cinco conselheiros são indicados pelo Legislativo e pelo Executivo precisamente os poderes cujas contas deveriam fiscalizar.
São apenas formais sua independência e sua autonomia. O TCM foi e permanecerá subordinado às manobras da política. Deveria ser substituído por um órgão técnico de auditoria sem título e sinecuras de tribunal, sem conselheiros nem apaniguados. Sem desperdícios.

Início hesitante

EDITORIAL

Atitudes do governo em torno da reforma dos tributos dão impressão de desencontro e falta de articulação

PELAS AMBIÇÕES e pela importância que possui, seria de esperar que o projeto de reforma tributária do governo, a ser enviado hoje ao Congresso, viesse acompanhado de sinais inequívocos daquela famosa "vontade política" tantas vezes invocada por Lula, quando não estava no poder.
No momento, parecem ao contrário desamarradas e pouco nítidas as iniciativas do Planalto no sentido de levar a bom termo as negociações em torno da reforma. Um de seus aspectos centrais, a desoneração da carga tributária nas folhas de pagamento das empresas, já se viu exposto a hesitações e desencontros por parte do governo.
A idéia, pelo que se noticia, não estava nas cogitações imediatas do ministro da Fazenda; veio do presidente Lula a sugestão de incluí-la no pacote. Depois de uma reunião com líderes sindicais, que manifestaram preocupação com o impacto da medida sobre a Previdência, deu-se o recuo e até a tarde de ontem se informava que a desoneração da folha seria tema de um projeto de lei em separado.
Algo de improvisado e descosido também ressalta da reunião que o ministro da Fazenda realizou com líderes oposicionistas nesta terça-feira. Mantega limitou-se a fazer uma exposição audiovisual das linhas mestras da reforma, sem esclarecer sobre os detalhes, previsivelmente mais polêmicos, da emenda constitucional que conta aprovar.
Seriam pontos de somenos, sem dúvida, em condições normais de relacionamento entre o Executivo e o Congresso. Desde a derrota do governo na aprovação da CPMF, entretanto, nada indica que seja esse o caso nos gabinetes de Brasília. Da parte do Planalto, são claros os sintomas de sua dificuldade no campo da articulação política.
Exemplo mais recente disso, as divergências internas dos governistas quanto à presidência e a relatoria da CPI dos cartões corporativos só a muito custo e em razão da ameaça oposicionista de instaurar outra comissão no Senado sobre o mesmo assunto foram ontem dirimidas.
Quanto à oposição, impulsionada pela vitória no caso do imposto do cheque, é de prever que crie uma série de empecilhos para impedir que o governo colha todos os dividendos políticos de uma mudança que a sociedade deseja. Some-se a isso uma base situacionista ainda sedenta das compensações fisiológicas de que se considera credora depois das últimas refregas no Congresso Nacional, e as possibilidades de um encaminhamento rápido e satisfatório dos principais pontos do projeto diminuem sensivelmente.
Necessária e positiva em suas linhas gerais, a reforma tributária depende, assim, de um processo de negociações que exige capacidade de liderança e empenho real por parte do governo; em outras palavras, de vontade política atitude que, esquecida a retórica do passado, o presidente Lula dá raras mostras de manifestar na prática.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

CPI das ONGs investiga fundações

A CPI das ONGs está de olho em fundações ligadas a universidades federais que receberam  e torraram  milhões. Em Brasília, uma dessas fundações, Finatec, ligada à UnB, já está sob devassa. Suspeita-se de farra na Fundação de Apoio da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (R$ 85 milhões) e na Fundação de Apoio do Desenvolvimento (Fade) da Universidade Federal de Pernambuco (R$ 60 milhões).

Fundação Rands

A tal Fade, fundação ligada à UFPE, é obra de Alexandre Rands, que vem a ser irmão do líder do PT na Câmara, deputado Maurício Rands.

Rastreamento

Também estão na mira da CPI das ONGs fundações ligadas à UFMG, Universidade Federal de Viçosa (MG), UFRJ, USP e UFSC.

Deu 'bug'

Março vem chegando, e o ex-Portal da Transparência mantém secretos os gastos com cartão corporativo após o Natal, época de festança.

Marajás ganham até R$ 42 mil

O governo federal é obrigado a pagar remuneração de até R$ 42.653 a servidores beneficiados por adicionais e sentenças judiciais, segundo lista do próprio Ministério do Planejamento. A lei fixa em R$ 24 mil o valor máximo de remuneração no serviço público federal. O marajá dos R$ 42,6 mil é da Universidade Federal do Ceará. Na lista dos dez mais está ainda um servidor do Ministério da Fazenda, com R$ 36.522 mensais.

É uma festa

Um servidor do Ministério da Fazenda está na lista com remuneração de R$ 36.522, outro do INSS tem R$ 33.873 e R$ 28.979 no Planejamento.

Irritando Dilma

O presidente do BNDES, Luciano Coutinho, experimentou o que acontece quando alguém irrita a ministra Dilma Rousseff (Casa Civil): ela o colocou para fora da sala, em recente reunião no Palácio do Planalto.

Mesa farta

Foi de 394 euros a conta dos dois arapongas que, observando Bruno Daniel, irmão do prefeito Celso Daniel, comeram ostras com vinho da Borgonha, mês passado, no restaurante Café de La Paix, em Paris.

Trapalhão

Primeiro, o atrapalhado ministro Reinhold Stephanes (Agricultura) disse que enviou uma lista de 3 mil fazendas em condições de vender carne à União Européia. Depois baixou para 500, para 300, mas eram só 106.

Mau atendimento

Servidores de consulados brasileiros se queixam dos "péssimos salários" para explicar o mau atendimento. Apesar disso, há exceções como o consulado de Chicago (EUA), cujo tratamento é elogiado pelos brazucas.

Chumbo trocado

O senador Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR) nega acusação de Romero Jucá (PMDB-RR) de falsificar documento para que a filha fosse nomeada juíza. Ele diz que Jucá é quem falsifica: "Ele apresentou uma fazenda inexistente como garantia de um empréstimo no Banco da Amazônia".

Ilustre desconhecido

O líder do PPS, deputado Fernando Coruja (SC), afirma não conhecer o lobista visto no seu gabinete, mas funcionários dizem que o especialista em criar ONGs para vender a políticos só pediu para usar fax e telefone.

Tropa de elite

A "tropa de choque" do governo, na CPI das ONGs, já está formada: senadores Sibá Machado (PT-AC), Wellington Salgado (PMDB-MG) e Leomar Quintanilha (PMDB-TO). Estão prontos a obstruir qualquer coisa


 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

Oportunidade para Dilma

BRASÍLIA - São duas as hipóteses a respeito do convite feito pelo presidente Lula à ministra Dilma Rousseff para acompanhá-lo em visitas semanais aos canteiros de obras do PAC e aos Territórios da Cidadania. A primeira, parecendo ser a chefe da Casa Civil a solução sucessória que melhores chances apresenta para o PT, devendo, assim, submeter-se desde já a uma exposição explícita junto ao eleitorado. A outra, de que melhor para o presidente será manter Dilma ao seu lado em vez de deixá-la solta no Palácio do Planalto durante suas ausências, criando casos e batendo de frente com ministros e parlamentares.

Quem quiser que escolha a sua interpretação, mas a verdade é que a nossa "dama de ferro" tropical necessita tornar-se conhecida da sociedade e do eleitorado, se pretende mesmo candidatar-se em 2010. Pelo jeito, nessas viagens, o presidente Lula exigirá que Dilma discurse na maior parte das oportunidades, faturando de modo especial os dividendos do PAC e de outros programas desenvolvimentistas. A idéia é ampliar a imagem do governo, deixando de ser o samba de uma nota só, assentado apenas no Bolsa-Família. Essa campanha poderá ficar com Patrus Ananias, ainda que por enquanto o ministro da Integração Social não tenha sido incluído na caravana permanente que percorrerá o País.

Vão demorar os resultados, se favorecerem a popularização da chefe da Casa Civil. Não se espere a ascensão dela nas próximas pesquisas eleitorais, porque promover imagens é tarefa demorada. Mesmo assim, pode dar certo, faltando dois anos e oito meses para as eleições presidenciais. Desde que, por certo, o governo não venha a escorregar em alguma casca de banana do tipo cartões corporativos e sucedâneos.

Se Dilma Rousseff conseguir afirmar-se como pré-candidata sugerida e quase declarada, é bom que se prepare para enfrentar temporais. Não demora muito e campanhas serão deflagradas contra ela, começando por tentar caracterizá-la como perigosa agente do esquerdismo anacrônico e até do comunismo insepulto.

Nos anos de chumbo a ministra foi guerrilheira, terrorista, assaltou bancos e viu-se submetida à prisão e à tortura. Essas características dão votos em muitos segmentos, mas também servem ao extremo oposto. Logo irão acusá-la de inimiga da política econômica que deu certo, partidária das estatizações, aliada de Hugo Chávez e até de Fidel Castro.

Em suma, mais um lance acaba de acontecer no xadrez sucessório, desta vez por iniciativa do presidente Lula. Por coincidência, no mesmo dia em que o deputado Devanir Ribeiro, do PT, ressuscitou a proposta do terceiro mandato, anunciando a próxima apresentação de emenda constitucional modificando o parágrafo quinto do artigo 14 da Constituição. Ninguém duvida de que se nem Dilma nem qualquer outro companheiro conseguirem razoáveis índices de preferência popular, ano que vem, chegará como um tsunami petista a tese da permanência do presidente Lula no poder.

Lupi

Busca-se uma explicação lógica para a blitz que continua sendo desencadeada sobre o ministro Carlos Lupi, do Trabalho. Porque depois do estranho parecer do Conselho de Ética da presidência da República, exortando-o a demitir-se ou exonerar-se da presidência do PDT, mudaram o disco mas não mudaram a música. Agora, o ministro é acusado de favorecer ONGs ligadas ao partido que preside.

Acontece não haver lei que proíba acumular funções de governo com mandatos partidários. Os exemplos existem aos montes, através dos anos. Sergio Motta, todo-poderoso ministro das Comunicações no governo Fernando Henrique, verdadeiro coordenador político naquele período, era o secretário-geral do PSDB e ninguém protestou.

Por trás da opinião do Conselho de Ética existirão poderosos auxiliares do presidente Lula, assim como dirigentes do PT. Sem falar nos representantes das elites econômicas, porque Lupi parece o único ministro a botar o pescoço de fora e insurgir-se contra a anunciada reforma trabalhista proposta como forma de extinção dos últimos direitos sociais que sobraram para os assalariados. Não aceita a livre negociação entre patrões e empregados em substituição às poucas prerrogativas do trabalhador.

Na questão das ONGs, é preciso ressalvar que muitas são sérias e honestas, enquanto outras, fajutas, servem para enriquecer cabos eleitorais e malandros criados à sombra de partidos políticos próximos do poder. Se o PDT e o Ministério do Trabalho favoreceram essa última categoria, que se investigue e que se puna os culpados.

Agora, as ONGs ligadas ao partido que Lupi preside pareceriam integradas por congregados marianos, se comparadas com boa parte daquelas que o PT formou, dirige e explora até hoje. Por que, então, essa artilharia permanente contra o ministro do Trabalho, aliás, alimentada pela maioria da grande imprensa?

"Elementar, meu caro Watson", diria o genial Sherlock Holmes: "Porque a grande imprensa faz o jogo das elites..."

Divisão no Nordeste

Será singular a reunião de amanhã entre o presidente Lula e os governadores do Nordeste, em Aracaju. Porque desde D. Pedro II que a choradeira costuma ser imensa, quando os dirigentes nordestinos encontram algum representante do poder central. Aliás, com razão, porque quando olha para o Sul Maravilha o Nordeste se irrita. Os privilégios concedidos da Bahia para baixo por todos os governos sediados no Rio e em Brasília só fazem aumentar a distância econômica entre as regiões, apesar de tantos planos, programas, coordenações e superintendências.

O problema é que amanhã será diferente. Quando os governadores do Nordeste começarem a desfiar queixas, lamentos e reivindicações, o presidente Lula poderá pedir que primeiro procurem entender-se. Falarem uma linguagem única.

Porque o Nordeste, hoje, está dividido. De um lado, Piauí, Ceará, Rio Grande do Norte e Paraíba. De outro, Pernambuco, Alagoas, Sergipe e Bahia. Como ponto de atrito, o desvio das águas do rio São Francisco, que o primeiro grupo defende e o outro abomina. A decisão foi tomada pelo presidente, as obras já começaram mas o estrilo continuará por muito tempo. Ficará mais fácil dialogar com o Nordeste rachado.

Eleitores acham que todo político é corrupto

SÃO PAULO - Os eleitores brasileiros estão divididos entre céticos e otimistas, revela uma pesquisa encomendada pela Justiça Eleitoral ao Instituto Nexus e à Cultura Data. Os otimistas dizem que acreditam no poder transformador do voto, já os céticos vêem o voto como uma perda de tempo e tendem a ser contra sua obrigatoriedade. O consenso entre os eleitores que participaram da pesquisa é de que os "políticos são todos corruptos", que não fazem nada pelo povo.

Entre os pesquisados há uma percepção geral de que a classe política não trabalha em benefício da população e visa seus próprios interesses. Para os entrevistados, os políticos são enganadores prometem muito durante a campanha e não fazem nada daquilo que prometeram  traem e abandonam o eleitor.

Sobre o sistema político brasileiro, a visão não é muito diferente. Os participantes do estudo acreditam que mesmo um político sendo honesto ele terá que se corromper para se adaptar ao sistema. Segundo a pesquisa, a mídia parece desempenhar papel preponderante na formação da noção de que "todos os políticos são corruptos".

De acordo com o estudo, o voto tem significado positivo para a maioria dos entrevistados. Entre as principais qualidades levantadas estão o poder de mudar, a possibilidade de melhora, a responsabilidade, o direito de escolha e o exercício da cidadania.

Mas alguns atribuem ao voto a escolha baseada na sorte e a sensação de perda de tempo. Outro sentimento associado ao momento do voto é a insegurança, se a escolha que fizeram é a mais acertada e se o candidato votado vai corresponder às suas expectativas. O voto obrigatório foi criticado em todos os grupos.

O levantamento, realizado nos últimos dias 25 e 26 de janeiro, foi aplicado em 12 grupos de sete a 10 pessoas nas cinco regiões do País e abrangeu todas as classes sociais, faixas etárias e de escolaridade.

Urna identificará eleitor por foto e pela digital

Divulgação/TSE

BRASÍLIA - O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) apresentará hoje as urnas eletrônicas biométricas que serão adotadas em caráter experimental em três municípios já nas próximas eleições. As urnas identificarão os eleitores através da impressão digital e de fotografia, dispensando até a apresentação do título eleitoral e dificultando a ocorrência de fraudes. Se o modelo for bem sucedido, a previsão é de que seja adotado em todo o Brasil em dez anos, ao custo aproximado de R$ 200 milhões.

Na segunda-feira, o TSE iniciará o cadastramento dos dados dos eleitores das três cidades que testarão as novas urnas: Colorado d'Oeste (RO), Fátima do Sul (MS) e São João Batista (SC). Até o dia 1º de abril, os eleitores desses municípios cadastrarão suas impressões digitais e suas fotos para serem utilizados no dia da votação.

As três cidades escolhidas para serem as primeiras do País a adotarem o novo sistema de votação possuem perfil eleitoral parecido, tendo colégio eleitoral variando entre 15 mil e 18 mil eleitores. Ao todo, o TSE vai fornecer 60 kits (20 para cada cidade). O custo estimado do cadastramento dos eleitores das três cidades é de R$ 1 milhão por município.

A Polícia Federal (PF) também vai ajudar o TSE no processo, cedendo 60 técnicos para o trabalho de apoio, uma vez que eles já possuem experiência com o trabalho de cadastramento de digitais para os novos passaportes nacionais.

Na avaliação técnica do TSE, as urnas biométricas aumentarão a dificuldade de uma pessoa votar ilegalmente no lugar de outra. Como a foto e as digitais estarão cadastradas, esses dados serão confrontados automaticamente assim que a pessoa for votar. Se as digitais não conferirem, o voto não será autorizado.

McCain ganha de Hillary e empata com Obama

WASHINGTON - O senador republicano John McCain apareceu ontem na liderança das pesquisas nacionais de intenção de voto nos Estados Unidos. De acordo com uma pesquisa do jornal Los Angeles Times/Bloomberg, em uma disputa contra Hillary Clinton, o republicano teria uma vantagem de 6 pontos percentuais, com 46% das intenções de voto contra 40% da senadora. Já contra Barack Obama, McCain está em empate técnico considerando a margem de erro de três pontos da pesquisa, que dá 44% dos votos para o republicano, e 42% para o senador democrata.

Do lado democrata, a pesquisa indica liderança de Obama para a nomeação, com 48% dos votos, contra 42% de Hillary. O apoio ao senador por Illinois cresceu 15 pontos percentuais desde a última pesquisa feita em janeiro. Outro dado revelado é que 61% dos eleitores, incluindo os democratas, têm opinião positiva do republicano.

McCain tentou ridicularizar ontem os comentários feitos por Obama na terça-feira durante debate com Hillary. Obama disse que "como comandante-chefe, sempre reservarei o direito de garantir que estamos cuidando dos interesses norte-americanos, e se a Al-Qaeda estiver formando uma base no Iraque, então terei de agir de maneira que garanta a segurança dos interesses norte-americanos".

McCain disse que a declaração de Obama foi "extraordinária". E disse: "Eu tenho uma novidade, a Al-Qaeda está no Iraque e chama Al-Qaeda no Iraque". Obama respondeu ao republicano atribuindo às políticas do Partido Republicano a presença do grupo extremista no Iraque.

"Eu sei que a Al-Qaeda está no Iraque e, por isso, tenho novidades para John McCain, antes do presidente George W. Bush e John McCain decidirem invadir o Iraque a rede terrorista não tinha presença no país. Eles se desviaram dos responsáveis pelo 11 de Setembro e haveria a Al-Qaeda no Afeganistão, que hoje está mais forte do que em qualquer outro momento desde 2001".

 

 

 

Dora Kramer

Soro da verdade

Ninguém levou muito a sério, mas a oposição fez um lance interessante ao propor que o governo suspenda temporariamente a edição de medidas provisórias  pelo menos no ritmo alucinante com que têm saído do forno do Planalto  para liberar a pauta do Congresso à tramitação, discussão e votação da reforma tributária.

Seria uma boa oportunidade para todos: para o governo, de mostrar que considera a reforma urgente e relevante; para os parlamentares em geral, de azeitar o enferrujado equilíbrio entre os Poderes; para os presidentes da Câmara e do Senado em particular, de pôr em prática o discurso em prol da restrição ao uso de medidas provisórias e da recuperação da prerrogativa do Congresso de conduzir uma agenda fora da lógica do tranca-libera pauta imposta pelo Executivo.

Ambos os Poderes teriam diante de si um fator de melhoria do padrão de convivência entre eles.

Mas nem os autores da proposta deram muito valor a ela. Lançaram a sugestão no ar, o governo rejeitou liminarmente e, se ninguém abraçar a causa, estará perdida o que, em princípio, parece ser uma boa idéia.

Há uma reforma tributária na agenda, mas há também no caminho dessa agenda uma sistemática de governo que pode atrasar indefinidamente a sua aprovação.

É claro que a oposição não recorre ao melhor método quando tenta impor em molde de ultimato aquilo que os parlamentares não conseguem fazer por meio do cumprimento de suas funções.

Não seguem a regra pela qual podem rejeitar quaisquer MPs que não sejam urgentes ou relevantes  segundo o presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, a prática da política torna utópica tal norma  e tampouco tomam uma providência para mudar a situação.

Agora, os presidentes da Câmara e do Senado se dizem empenhados em corrigir distorções, impor limites, mas sabem como políticos experientes e integrantes de partidos governistas que são, das amazônicas dificuldades que o Palácio do Planalto lhes criará.

Por isso, o momento da reforma tributária seria uma oportunidade de entrar num entendimento. No Congresso, a oposição não radicalizaria ao ponto de querer retirar do Executivo o poder de governar como está acostumado  já que essa posição leva a um impasse e não a uma solução  e, no Executivo, o Palácio do Planalto se comprometeria a limitar a edição de medidas provisórias aos casos realmente previstos em lei.

Se a reforma tributária que chega hoje ao Congresso tem, para o governo, a importância aludida nos discursos oficiais, limitar a edição de medidas provisórias é um gesto que responde em parte às dúvidas sobre a sinceridade de propósitos do Executivo.

Quando esteve diante de uma questão que para ele era de importância capital, a aprovação da CPMF, o governo revogou medidas provisórias para liberar a pauta e ainda pediu à Câmara que entrasse em recesso branco por cerca de dois meses a fim de evitar que as MPs em tramitação paralisassem a agenda do Senado.

Poderia agora fazer melhor: reduzir desde já as medidas, de modo a que, quando chegasse o momento das votações da reforma tributária, o espaço estivesse livre para a atividade legislativa.

Mas o Executivo sozinho, por exclusiva iniciativa, não fará isso. Ao Congresso, e principalmente aos seus presidentes, caberia aderir à causa. Mais não seja para responder em parte às dúvidas sobre a sinceridade de seus propósitos.

Tempo e razão

Agora que vai ficando claro a respeito do que falava a Comissão de Ética Pública quando apontou potencial conflito de interesses entre o cargo de ministro e o posto de presidente de partido, o governo faz de conta que não está entendendo o xis da questão.

Em silêncio por dois meses a respeito do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, o Planalto, por intermédio de dois ministros, Dilma Rousseff e José Múcio Monteiro, começa a se manifestar. Mas fala só sobre a primeira parte do problema, a superposição de funções.

Ignora que ela já gerou conseqüências que, com o tempo, deram razão à Comissão de Ética Pública. Dilma e Múcio pedem serenidade no exame da existência de conflito de interesses.

Está claro que há, pela quantidade de liberação de verbas, muitas suspeitas de irregularidades, para promoção de cursos a entidades ligadas ao PDT, partido do ministro.

Se ele não fosse presidente de um partido e não tivesse sido posto no ministério exatamente por causa dessa condição, o governo teria muito mais liberdade para lidar com o problema, pois não precisaria se preocupar com as possíveis perdas político-congressuais que terá se tomar alguma atitude contra Lupi.

Mal comparando, se Matilde Ribeiro fosse presidente de partido não teria sido removida da pasta da Igualdade Racial como foi. Com cartão corporativo e tudo. Ela usou de forma irregular comprovadamente R$ 400. Lupi já deu bem mais que isso (R$ 90 milhões) a entidades dirigidas por parentes, correligionários do PDT.

Como a esquerda ficou oca

Alexandre Barros

Imaginem como a esquerda vai viver agoniada com uma China capitalista na qual Mao Tsé-tung se limita a enfeitar as notas de 20 yuans. A China tem mais milionários e mais bilionários que o Brasil.

Adeus às longas reuniões para discutir qual das linhas é mais válida: a chinesa, mais radical, ou a russa, que queria tomar o poder pela burguesia nacional. Os comunistas da linha chinesa e da linha russa viviam às turras para ver quem mais legitimamente representava o interesse dos oprimidos. Quem saiu do socialismo quer mesmo é melhorar de vida e consumir, tanto na Rússia, e em seus antigos satélites, quanto na China.

A China gera lucros, prazeres e empregos no Brasil, importando e exportando todo o tipo de coisas. Tem US$ 1 trilhão em reservas internacionais, obtido por meio de vendas capitalistas para países capitalistas. A cada ano alguns milhões de chineses entram no mercado consumidor.

Fidel é carta fora do baralho. Ainda vivo, mas fora do poder, não tem mais saúde para viajar e não despertará o fascínio que, confesso, nunca entendi, em suas visitas internacionais e em sua arenga.

A esquerda adorava a capacidade que Fidel tinha de entreter as massas com discursos de cinco horas. Achava isso fascinante. Passou despercebido um livro de um economista sueco sobre a economia do uso do tempo (Staffan Burenstam Linder, The Harried Leisure Class, NY: Columbia University Press: NY, 1970), no qual ele dá a resposta com muita simplicidade: isso só era possível porque não havia nenhuma alternativa em Cuba. Ninguém tinha mais nada para fazer em Cuba. Entre não fazer nada e ouvir Fidel, ouviam Fidel. Tenho dúvida se, de barriga vazia, gostavam do que ouviam.

Já pensaram: um presidente do Brasil falando por cinco horas na televisão? Ninguém iria assistir, porque o povo tem mais o que fazer.

O sistema de saúde era fantástico, até que alguém perguntou: como a saúde pode ser excelente num lugar em que as pessoas não têm o que comer? A esquerda perdeu a chance de ser politicamente correta dizendo que, em Cuba, não havia obesos...

Li, em algum jornal, que a última vitória de Fidel foi ter colocado o embargo cubano como tema central na eleição americana. Ora, esse argumento só se sustenta quando as pessoas ignoram que o dinamismo do capitalismo o leva rapidamente para onde está o lucro. Com Fidel fora, Cuba será um paraíso de lucros. Os capitalistas já estão cuidando disso. E os cubanos, certamente, viverão muito melhor.

Revolucionários voltavam de Cuba dizendo que o país era maravilhoso. Deliravam com a pobreza, a miséria, as casas e os carros caindo aos pedaços. Chamavam de beleza do socialismo. Quando questionados sobre os problemas, admitiam que, realmente, la revolución tinha uns probleminhas.

Poucos direitistas iam a Cuba, mas, mesmo os esquerdistas, depois de meia hora de elogios, se diziam chocados com um probleminha: a extensão da prostituição. Alguém inventou a anedota sobre a suposta genialidade retórica de Fidel. Quando confrontado com alguém que lhe disse: "Mas, comandante, em Cuba as universitárias são obrigadas a prostituir-se." Fidel teria respondido: "Mentira capitalista! No és que las universitarias tienem que ser prostitutas. La verdad és que en Cuba las prostitutas van a la Universidad."

Felizmente não teremos de conviver mais com agentes do Dops convocando na época um jovem professor da Universidade de Brasília (UnB) de quem haviam apreendido um livro que ele recebera pelo correio chamado Cuba: est il socialiste? Comparecendo ao Dops expliquei que o livro criticava o regime cubano e dizia que ele não passava de um autoritarismo barato. Cuba de socialista não tinha nada. O policial fez-me uma concessão. Disse que, como eu era professor da Universidade de Brasília, eu precisava saber das coisas. Ele ia liberar os livros. Ao outro livro nem prestou atenção, sorte minha. Chamava-se Manuel de Cryptographie.

Mudaram o Brasil e Cuba. Ainda bem.

Duros tempos em que Cuba chamava mais atenção da polícia do que a ciência de escrever em códigos. Mas também, naquele tempo, sem cartões corporativos, o açúcar da UnB era menos doce e o lixo era menos sujo.

E agora que não poderão mais pichar muros com as sete letras fatídicas: "Fora FMI!" O FMI hoje é um ator em busca de um papel. Aposentam-se os funcionários que têm tempo suficiente e enxugam os quadros porque o FMI não tem mais clientes. Os países que mais tomavam emprestado do FMI aprenderam as lições do próprio Fundo. Não gastar mais do que ganham, realisticamente.

Acho que o FMI é um caso único de burocracia autodestrutiva: acabou com os problemas que o mantinham vivo e hoje batalha para encontrar um novo papel.

O prato final da esquerda também se esvaziou. Acabou a dívida externa, temperada com as perdas internacionais.

Que horror vai ser a vida daqui para adiante.

Nixon estava certo quando disse que o caso Watergate consumiu muitas toneladas de papel na década de 1970, nos anos 80 talvez rendesse uns livros, nos 90, alguns artigos e nos anos 2000 seria apenas algumas notas de rodapé.

Destino parecido terão os quatro temas prediletos da esquerda: o comunismo virou o capitalismo mais dinâmico do mundo nos anos 2000.

Fidel não é mito. Caminha para virar nota de rodapé.

O FMI batalha para sobreviver. Os países sensatamente, seguiram a receita, pararam de dar lucros ao Fundo e, controlando a inflação, melhoraram a vida de seu pobres.

Para a esquerda, 1968 foi o ano do protesto. 2008 é o do desalento. Pela primeira vez a esquerda não tem mais nada para celebrar com sua crítica.

Em tempo: nunca fui a Cuba, achava perda de tempo. Daqui a algum tempo, talvez vá.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Onde a onça bebe água

Ao lado da ofensiva fiscalizatória e policial contra o desmatamento no Norte, o governo prepara um projeto de lei específico para o Pantanal, a ser enviado ao Congresso ainda no primeiro semestre. A idéia do Ministério do Meio Ambiente é redefinir as fronteiras da região, além de estabelecer o que pode e o que não pode ser explorado economicamente ali. Técnicos da pasta terão reuniões com os vizinhos Paraguai e Bolívia, países que abrigam parte do Pantanal.
No final do ano passado, a Assembléia de Mato Grosso -35% desse ecossistema fica no Estado- aprovou controversa legislação sobre o assunto, logo vetada pelo governador Blairo Maggi (PR).

Passo em falso
Tão logo o PMDB abriu mão da presidência da CPI dos Cartões Corporativos em favor do PSDB, Marconi Perillo (GO) anunciou que seria ele o escolhido. Chegou a marcar reunião noturna em sua casa. Diante da preferência geral por Marisa Serrano (MS), tratou de difundir a versão de que recusara o convite.

Caído
O líder do DEM no Senado, José Agripino (RN), quer indicar Demóstenes Torres (GO) como ponta-de-lança do partido na CPI. Veterano de outras comissões, Torres não manifestou nenhum entusiasmo com a comissão, que, em sua opinião, "não vai investigar nada".

Inflação
De um dirigente do PC do B, ávido por virar a página do uso do cartão pelo ministro do partido, Orlando Silva (Esportes): "Esse caso está encerrado. Ele comeu uma tapioca de R$ 8 e devolveu R$ 30 mil. Já tá bom".

Silêncio
A manifestação do PT ontem pela abertura da CPI dos cartões paulistas, em frente à Assembléia, atrasou por quase duas horas por falta de carro de som. O ato não chegou a reunir cem pessoas.
Distraído
Os governistas não escondiam ontem a irritação com o relator da CPI das ONGs, Inácio Arruda (PC do B-CE), que se absteve de votar o requerimento de convocação do "aloprado" Jorge Lorenzetti. A oposição aproveitou e emplacou o depoimento do churrasqueiro de Lula.

No telhado
José Sarney (PMDB-AP) já manifesta dúvidas quanto à decisão de se licenciar do mandato. Seu plano era que o segundo suplente, Salomão Alcolumbre, assumisse a vaga no Senado, mas o primeiro substituto, João Nova da Costa, está impondo resistência à idéia de pedir uma licença médica.

Light
O rebelde PSOL tem surpreendido por acompanhar o governo em algumas votações. Depois de apoiar a criação da TV Brasil, ajudou a aprovar ontem dois pedidos de crédito extraordinário para vários ministérios.

Me dê motivo
Uma das razões alegadas pela CUT para não assinar a carta de apoio a Carlos Lupi (PDT), questionado pela Comissão de Ética Pública, foi o excesso de bajulações ao ministro do Trabalho no texto. Mas há quem veja nisso apenas uma desculpa.

Público-alvo 1
Militantes tucanos passaram a receber a agenda de Gilberto Kassab (DEM) em e-mails enviados pelo diretório paulista do PSDB. Alckmistas correram para reclamar com dirigentes, pois rejeitam a aliança em torno da reeleição do prefeito.

Público-alvo 2
"É constrangedor receber tais mensagens do diretório. Isso contraria os anseios da militância que luta pela candidatura própria do na capital", diz a carta-protesto de um tucano.

Tiroteio
"O Estado não se mexe para tirar da ilegalidade a segunda atividade econômica do Pará. Se continuarem tratando as madeireiras como caso de polícia, vai todo mundo preso."
Do deputado federal ZENALDO COUTINHO (PSDB-PA), sobre as operações da Polícia Federal e do Ibama contra a extração ilegal.

Contraponto

Menos, menos
Durante reunião, dias atrás, da comissão especial criada para propor mudanças no rito das medidas provisórias, o deputado Roberto Magalhães (DEM-PE) lembrava de debates anteriores sobre o tema, que de tempos em tempos retorna à pauta do Congresso Nacional.
-Na legislatura anterior, havia um deputado do Ceará muito atuante nessa área, mas por algum motivo que desconheço ele acabou não se reelegendo...
O colega João Almeida (PSDB-BA) explicou:
-Ora, Roberto, foi justamente por causa disso que ele não conseguiu se reeleger: era muito atuante...

Obama, Tocqueville e a ilusão americana

Francisco de Oliveira

Obama, com seu terninho correto que faz par com o tailleur de Hillary Clinton, é tão parecido com sua rival quanto o PT com o PSDB

TOCQUEVILLE ESTÁ entre os mais reputados teóricos da democracia, e seu livro clássico sobre a democracia na América em nada se parece com os tratados enfadonhos e formais sobre a forma de governo inventada pelo gregos da época clássica. Trata-se de investigação sobre os fundamentos, eu diria, sociológicos, da democracia nos EUA; nosso Sérgio Buarque de Holanda fez, com o também clássico "Raízes do Brasil", a explicação de por que a forma democrática é quase inviável em Pindorama.
Mais de um século depois, o belicista Churchill cunhou outro paradoxo, plagiando Tocqueville: a democracia é o pior de todos os regimes, salvo todos os outros. O velho leão britânico somente aprenderia a não incentivar guerras coloniais -"remember" a Guerra dos Bôeres- depois que o nazismo ameaçou liquidar a velha Albion e submeter o mundo ocidental a uma nova idade das trevas.
Barack Obama, parece, será o indicado pelos democratas para a disputa da Casa Branca, desbancando a chata da Hillary, coisa que talvez se defina logo no próximo dia 4. Para os leitores de Tocqueville, talvez sua eleição à mansão sem estilo da avenida Pensilvânia pareça realizar os prognósticos do nobre francês. Mas aqui entra o famoso paradoxo de Tocqueville, segundo o qual a ampla democratização torna banal a participação dos cidadãos e desinteressante a democracia.
O forte absenteísmo dos próprios norte-americanos às suas eleições presidenciais confirmaria o pessimismo tocquevilleano. Em termos schmittianos, a democracia de massas é não-agônica, onde não se decide nada. Não falta ao paradoxo de Tocqueville, como é óbvio, um certo desdém aristocrático, que o autor francês disfarça todo o tempo.
Uma crítica de direita se alinharia apressadamente ao paradoxo, desqualificando imediatamente a eleição do primeiro negro à Presidência dos EUA. Uma crítica pela esquerda vê o problema de outro ângulo: o paradoxo de Tocqueville não decorre da banalização da democracia pelo predomínio das massas, mas é um produto da colonização da política pela economia. Em outras palavras, o capitalismo, em sua fase globalitária, torna inútil a política e irrelevante a participação dos cidadãos. Nos EUA, é certo que decisões como a invasão do Iraque foram até mesmo planejadas no Salão Oval, mas antes o celerado Bush filho teve que pedir permissão a Alan Greenspan, o ex-todo-poderoso presidente do Fed; aliás, esse senhor atravessou os dois mandatos de Clinton e entrou pelo mandato de Bush adentro, somente renunciando um ano e meio atrás, e os norte-americanos nunca votaram nele para coisa alguma. E o Senado norte-americano, que ratifica as indicações presidenciais, faz-lhe uma argüição que é tão contestadora quanto os programas de Silvio Santos. Isso é a colonização da política pela economia.
Entre nós, mesmo a própria democratização brasileira, de que o PT foi co-autor importante, é hoje irrelevante: em lugar da transformação prometida pelos longos anos da "invenção democrática", o PT e Lula transformaram-se em fiadores do capitalismo globalitário no Brasil. Vejam-se, como já se salientou aqui mesmo nesta Folha, os lucros do sistema bancário brasileiro e o tratamento do social: meros R$ 8 bilhões para o Bolsa Família, o ai-jesus de Lula e do lulo-petismo, e R$ 160 bilhões de juros da dívida pública interna. Ou em 2007, os R$ 20 bilhões do lucro dos quatro maiores bancos contra os R$ 21 bilhões de todo o Orçamento social de Lula (incluindo-se seguridade social, Bolsa Família et al).
Tomara que Obama desminta o paradoxo de Tocqueville; tomara que suspenda imediatamente o odioso embargo contra Cuba, aproveitando inclusive a oportunidade da retirada de Fidel da linha de frente do governo cubano; tomara que retire as tropas do Iraque, terminando de vez com esse desastre anunciado; tomara que retome a linha de um Jimmy Carter, não apoiando as ditaduras e o descarado intervencionismo gringo; tomara que inaugure uma linha próxima do New Deal rooseveltiano e detenha o empobrecimento das classes populares norteamericanas e a crescente desigualdade; tomara que um desastre como o Katrina não possa outra vez expor a olho nu a produção desapiedada da pobreza, escondida no charme da outrora francesa Nova Orleans. Tomara. Mas que é improvável, é. Ele é tão parecido com a Hillary, com seu terninho correto que faz par com o tailleur da ex-primeira-dama, quanto o PT com o PSDB. Tocqueville ri na tumba?

Caminhos do roubo

Jânio de Freitas

Tudo sugere haver funcionários qualificados da Petrobras merecedores de inclusão na primeira linha de suspeitos

ALÉM DE desmentir na Argentina a única e breve informação que dera no Brasil, esta para negar a presença de dados importantes nos equipamentos roubados da Petrobras, José Sérgio Gabrielli deixou clara a falta de segurança na empresa que preside. Mais ainda, porém, a falta ou insuficiência de medidas posteriores para impedir ocorrências como o terceiro roubo, conhecido na sexta-feira passada.
Sobre a precariedade da proteção aos estudos sigilosos da Petrobras bastaria, ao menos por ora, a constatação de que a Poliporto, onde os contêineres em trânsito e seu conteúdo ficam depositados por dias, não tem dispositivos de segurança que registrem ataques à sua inviolabilidade. Diante disso, não pode surpreender que estudos sigilosos sejam deixados em equipamentos informáticos mandados para lá e para cá, desacompanhados.
Ainda que a imprevidência, se for apenas imprevidência, atraia as atenções para a descoberta do local e circunstâncias dos roubos, algo não menos importante, ou mais, não deve ficar em segundo plano. E, muito menos, ser protegido por espírito corporativo, preocupação com imagem empresarial, ou lá o que seja na Petrobras. Tudo sugere que há funcionários qualificados da estatal merecedores de inclusão na primeira linha de suspeitos.
Quem organizou o roubo, tão exatamente dirigido contra determinado alvo, precisaria estar informado de que: 1- os computadores e componentes avulsos, que seriam entregues ao transporte, continham dados valiosos; 2- a ocasião em que sairiam ou saíram da sonda; 3- seu destino e, provavelmente, as etapas de transbordo e depósito.
Quem praticou o roubo estava informado: 1- do local onde encontraria o contêiner a arrombar; 2- da sua identificação.
No todo ou ao menos na primeira parte, essas etapas do roubo dependeriam de informações de dentro da Petrobras. Só o roubo comum, com escolha ao acaso do contêiner a arrombar, dispensaria informações internas. Mas o acaso precisaria repetir-se por três vezes. Acaso assim, até agora só se conhece o de deputados que invocam a loteria esportiva para explicar suas fortunas.

Eleitoral
A oposição pretende obter do Tribunal Superior Eleitoral o reconhecimento de que o programa Territórios da Cidadania, lançado por Lula com R$ 11 bilhões contra a pobreza em 958 municípios, é eleitoreiro e fere a proibição legal a iniciativas assim do Executivo em ano de eleições.
Nem precisaria propor a confrontação do programa com a lei. O sistema levado a muitos municípios, para transmitir em telões e alto-falantes o lançamento do programa por Lula, só pôde ter como motivo e finalidade a propaganda -em circunstâncias, dado o projeto, vedadas pela legislação eleitoral.

Valente
Lula, inflamado: "Não vamos fazer intervenção com a polícia, vamos visitar o Complexo do Alemão e a Rocinha". Dia 7. Cercado de guarda-costas e de polícia.

 

 

 

EMBALAGEM PARA SILICONADAS

 

 

 

 

 

ELIZABETH LOPES - Agencia Estado

FHC: Lula não deveria 'cuspir no prato que está comendo'

SÃO PAULO - O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) afirmou hoje que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) não deveria "cuspir no prato que está comendo". "O presidente Lula precisa olhar com mais respeito o povo e aqueles que o antecederam. Fica feio, todo dia ele cospe no prato que está comendo. Chega", disse FHC, no lançamento do livro Cultura das Transgressões, no Museu de Arte Moderna, em São Paulo.

As declarações de Fernando Henrique foram uma resposta ao presidente Lula que, ao comentar a mudança de patamar do Brasil de devedor para credor, disse que isso ocorreu porque seus antecessores foram "pé-frios", e ele tem sorte porque trabalha. "Isto (declaração de Lula) foi um insulto ao povo brasileiro que trabalhou para conseguir melhorar a situação (do País) e aos governos anteriores também", disse FHC. "Que ele (Lula) seja pé-quente eu acho ótimo, agora não precisa xingar os outros, tenha paciência."

Fernando Henrique também disse que não está preocupado tanto com os escândalos atuais, mas sim com os rumos do País. "É preciso ter indignação, é preciso que se crie um espírito mais afirmativo. O governo é governo e o presidente passa a mão na cabeça de todos que falharam, em vez de se distanciar para mostrar o certo e o errado. E ainda diz que não sabe de nada. Isso é grave", disse o ex-presidente.

A respeito de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) Mista dos Cartões Corporativos, FHC disse que existe uma acusação no atual governo e é preciso verificar. "Não houve acusação no meu governo", afirmou. E voltou a dizer que mesmo que tenha algo errado no passado é preciso que se apure. "Eu nunca sou solidário com falcatruas."

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

Governo Lula privilegia interlocutor

O novo salário mínimo, que passa a valer a partir de amanhã, é de R$ 412,40. Não é o ideal – nunca é – mas significa um aumento real de 3,7%. Trata-se do maior salário mínimo já pago na História do país.

Este reajuste é resultado de um acordo fechado entre as centrais sindicais e o governo em dezembro de 2006. E será enviado ao Congresso através de uma Medida Provisória.

Ou seja, mais uma vez o governo escolhe as centrais como interlocutor privilegiado, menospreza o Congresso e o confirma como mero carimbador de decisões que vêm da Presidência como prato feito.

Este comportamento do governo Lula vem se repetindo há tempos. Ano passado, quando o Congresso recusou o valor do salário mínimo, o presidente Lula reclamou, usando o mesmo argumento: os valores tinham sido acertados com as centrais em dezembro do ano anterior.

O governo Lula se esqueceu de combinar com o Congresso, foro constitucionalmente encarregado da elaboração de leis. E o aumento do salário mínimo tem que ser feito por lei.

Recentemente, o Congresso tentou acabar com o imposto sindical obrigatório: a Câmara extinguiu, o Senado restaurou, e o assunto está de volta à Câmara. As centrais sindicais reclamaram fortemente, argumentando que o assunto tinha sido acertado com o governo.

Mais uma vez, esqueceram de combinar com o Congresso, que estava votando a lei de regulamentação das centrais sindicais.

Esta semana, o governo decidiu apresentar ao país uma proposta de reforma tributária. Mostrou as linhas gerais do projeto aos líderes da base aliada, mas antes mesmo de discutir com os governadores, empresários e o Congresso, o presidente Lula discutiu pessoalmente a proposta com as centrais sindicais.

Os presidentes das centrais solicitaram que o governo modificasse o projeto, o governo aceitou, mas a reação foi tão forte, que o governo voltou atrás.

Agora, novamente o novo salário mínimo é anunciado antes de sua aprovação pelo Congresso, porque, segundo o governo, foi acertado com as centrais sindicais.

Nada contra o governo Lula cortejar as centrais sindicais. Afinal, o presidente começou sua vida como líder sindical, seu governo conta com mais de 200 sindicalistas exercendo cargos em ministérios, secretarias, conselhos de estatais etc.

Ora, há determinados assuntos que são de natureza política, e o foro político adequado para se discutir é o Congresso Nacional.

Podemos não gostar de sua composição, podemos fazer restrições à maioria dos deputados e senadores, mas num governo democrático digno do nome, o foro adequado para se aprovar decisões políticas é o Congresso Nacional.

O presidente Lula já demonstrou fartamente que não gosta de articulações políticas, não sabe fazer, não quis aprender. Atropela seus articuladores, negocia tudo e qualquer coisa, não mantém relações maduras com os partidos políticos. Nem com o seu, o PT. Tem em relação ao Partido dos Trabalhadores uma atitude paternal. São todos seus filhos.

Ao se recusar a discutir questões substantivas com o Congresso, o governo menospreza o Legislativo, transforma-o em estafeta de pratos feitos.

E o Congresso fica entregue a assuntos subalternos, como cargos, emendas, picuinhas nas comissões permanentes e nas comissões de inquérito.

Porta aberta para o fisiologismo – e, não raro, para grossa corrupção.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Do G1, em São Paulo, com informações da EPTV

Frentista atropelado deixa hospital e fala em saudade da família

Mulher contou que frentista classificou minutos sob carro como de 'muito horror'.
Estudante de 19 anos flagrado pelo circuito interno foi indiciado nesta semana.

O frentista Carlos Alaetes Pereira da Silva, atropelado no dia 11 deste mês em um posto de combustíveis de Ribeirão Preto, a 314 km de São Paulo, deixou no início da tarde desta quarta-feira (27) o Setor de Queimados da Unidade de Emergência do Hospital das Clínicas (HC).

Silva falou rapidamente com a imprensa. Ele agradeceu a Deus e ao atendimento do hospital, que considerou “ótimo”. “Agora, só quero conversar com a família e matar a saudade”, disse. Mais tarde, uma irmã do frentista disse ao G1 que ele já estava descansando em casa, seguindo recomendações médicas.

As câmeras do circuito interno do posto onde o frentista trabalha registraram o momento em que o carro de um estudante de 19 anos invade o local e atinge o homem. Silva sofreu traumatismo craniano, fraturas na face e queimaduras de terceiro grau. Ele passou por cirurgia de recomposição de pele no braço esquerdo e na coxa direita.

Minutos de horror

A esposa do frentista, Alexandra Regina Ribeiro Silva, disse que agora espera justiça. “Quero que ele pague, porque o que ele fez não se faz com ninguém. Era um ser humano que estava debaixo do carro”, disse.

Alexandra afirmou que seu marido descreveu o momento em que ficou debaixo do carro do estudante como “minutos de muito horror”. “Ele fica muito emocionado e chora muito quando toca no assunto. Ele disse que tinha de ficar tirando a cabeça debaixo do pneu, para que o carro não passasse em cima dele. Na opinião dele, foi uma crueldade muito grande”, afirmou.

O estudante flagrado pelo circuito interno foi indiciado nesta semana por tentativa de homicídio por dolo eventual e tráfico de entorpecente, já que foram encontrados no veículo seis frascos de um líquido identificado, segundo a polícia, como lança-perfume. A polícia aguarda, agora, um outro laudo que pode confirmar se o jovem usou o entorpecente.

Na semana passada, o Centro de Exames, Análises e Pesquisas da Polícia Civil de São Paulo divulgou ter encontrado uma taxa de 0,85 miligrama de álcool por litro no sangue do estudante na noite do acidente. O tolerável por lei é até 0,60 miligrama por litro.

O acusado prestou depoimento na manhã de segunda-feira (25) em uma delegacia de Ribeirão Preto. De acordo com a polícia, ele disse que foi vítima de trote na faculdade e que, por isso, acabou sendo levado a consumir bebida alcoólica. Ele também teria negado ser usuário de drogas. A polícia chegou a pedir a prisão preventiva do jovem, mas ela foi negada pela Justiça.

 

 

 

Ana Paula Scinocca, BRASÍLIA

''''Meu sonho é ter um emprego com carteira assinada''''

Ex-caseiro, Nildo agora vive de bicos

Quase dois anos depois de ter sido o pivô da queda do então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, o caseiro Francenildo Santos Costa diz não ter "arrependimento algum" de ter revelado o escândalo envolvendo o ex-homem forte do governo Lula.

Em março de 2006, Nildo, como é chamado, revelou ao Estado que Palocci freqüentava uma casa em Brasília onde era feita partilha de dinheiro entre amigos do ministro. "O único arrependimento que eu tenho na vida é o de não ter seguido o conselho da minha mãe de ir estudar", disse ontem, depois de saber que o procurador-geral da República, Antonio Fernando de Souza, denunciou Palocci, agora deputado federal pelo PT, pela quebra de sigilo funcional do caseiro. "Estou correndo atrás do prejuízo", afirmou. Nildo faz supletivo e cursa a 6ª série do ensino fundamental.

Nildo não é mais caseiro no Lago Sul. Vive de bicos, como o de jardineiro. "Meu sonho é ter um emprego bom com carteira assinada." E está fazendo o que pode para isso. "Já voltei a estudar e consegui limpar meu nome (junto ao Serviço de Proteção ao Crédito)." Ele sonha em abrir nova conta bancária. "Mas desta vez vai ser em outro banco", comenta, lamentando a quebra de seu sigilo em conta da Caixa Econômica Federal.

Aos 25 anos, Nildo carrega as seqüelas do episódio, que causaram a separação da mãe de seu filho de 8 anos e o distanciamento, ainda maior, do pai, Eurípedes Soares da Silva. À época em que o escândalo veio à tona, ele se afastou ainda mais do pai, que estava perto de reconhecê-lo como filho.

"A história toda só me afastou dele", afirmou em entrevista ao Estado no final da tarde de ontem. "Minha mulher foi embora porque teve medo de perseguição. Preferia ter aparecido morto com um tiro na cabeça do que ter tido meu sigilo revelado. Me senti violentado."

Mais maduro, reconhece que aprendeu muito com tudo. "Principalmente a ficar longe de político. Foi a primeira e última vez que trabalhei para político. A gente presencia muita coisa que não gostaria." Apesar disso, não descarta, quem sabe um dia, "daqui a 10 anos", se candidatar a algum cargo.

Nildo conta que o período mais difícil foi quando passou a ser motivo de "piada" na rua. "Todo mundo me chamava de Palocci." Seu sofrimento o fez pensar até em suicídio. Diz que não deseja "cadeia" para o ex-ministro, "até porque sabe que ele não vai pegar mesmo". "Espero alguma justiça." Sobre a indenização que pode vir a conseguir, não faz planos. "Sabe Deus quando poderá sair."

 

 

 

Novas regras no call center

O ministério da Justiça quer mudar as regras dos serviços de atendimento ao consumidor, o conhecido call center. Uma das propostas em discussão limita em 20 segundos o tempo de espera ao atendimento.

As centrais de atendimento ao consumidor foram criadas para de ser um canal direto entre o cliente a empresa, mas nem sempre cumprem este papel  um problema reconhecido também pelas empresas. O gerente de uma delas, Fernando Cunha, justifica: “Nosso problema é o sistema prever toda a gama de problemas que o cliente pode ter”.

Para cancelar um contrato com uma companhia telefônica, o auxiliar administrativo Rodrigo Tarquínio levou um mês. “Eles iam transferindo de um setor para outro dizendo que iam resolver o meu problema, e não resolviam. Era praticamente uma hora no telefone toda vez que eu ligava”, conta.

Problemas assim são registrados todos os dias, e por isso o ministério da Justiça decidiu estudar novas regras para o funcionamento dos chamados call centers. Com elas, o governo pretende que o serviço deixe de ser um motivo a mais de dor de cabeça para o consumidor.

Para começar o debate com órgãos de defesa do consumidor, fornecedores e agências reguladoras, o governo vai apresentar a seguinte proposta:

- o consumidor não terá que recontar a história toda vez que mudar o atendente
- o inicio do atendimento não poderá ser condicionado a digitação de informações, como códigos de assinante, CPF ou data de aniversário
- a ligação não poderá cair enquanto o consumidor não conseguir falar com o atendente
- o tempo de espera não poderá ultrapassar 20 segundos
- as centrais terão de funcionar 24 horas por dia, sete dias por semana
- o serviço terá de ser gratuito.

A primeira das quatro audiências públicas sobre o Serviço de Atendimento ao Consumidor acontece na tarde desta quarta-feira.

As novas normas devem entrar em vigor em julho, e segundo a secretária de Direito Econômico do ministério da Justiça, o objetivo é resgatar o principio que deu origem às centrais: “Em última análise, garantir que o consumidor brasileiro seja devidamente atendido por seus fornecedores”, resume Mariana Tavares.

O governo avalia que as medidas serão positivas tanto para clientes quanto para as empresas. Afinal, sabe quando o Rodrigo, o rapaz que foi mal atendido, pretende contratar novamente o serviço que gerou a reclamação? Nunca mais.

 

 

 

Arquivos secretos da Inquisição são abertos ao público

A exposição no Museu do Renascimento, em Roma, reúne documentos históricos produzidos entre 1600 e 1820.

Dois fatos históricos foram registrados neste 26 de fevereiro de 2008. O primeiro, no Vaticano. Pela primeira vez, foram abertos ao público os arquivos secretos da Inquisição: a operação oficial da Igreja Católica para julgar e punir os casos considerados ofensivos à fé religiosa.

A exposição no Museu do Renascimento, em Roma, reúne documentos históricos produzidos entre 1600 e 1820. Há dez anos, os originais foram postos à disposição apenas de pesquisadores que tinham que conseguir permissões especiais para manusear parte deles.

Entre as relíquias, estão as peças do julgamento de Galileu Galilei. O astrônomo italiano foi condenado pelo tribunal da Inquisição por defender, entre outras coisas, a teoria de Nicolau Copérnico de que a Terra gira ao redor do Sol e não o contrário, como pregava a Igreja Católica na época.  

Filarmônica de NY na Coréia do Norte

Um concerto da Orquestra Filarmônica de Nova York chamou a atenção do mundo todo. Nem tanto pelo repertório da apresentação, mas pelo lugar em que se deu o espetáculo.

Também, nesta terça-feira, um concerto da Orquestra Filarmônica de Nova York chamou a atenção do mundo todo. Nem tanto pelo repertório da apresentação. Mas pelo lugar em que se deu o espetáculo.

A Coréia do Norte, que o presidente dos Estados Unidos George Bush já acusou de integrar o que ele chamou de "Eixo do mal", ao lado do Iraque e do Irã.

Silêncio no teatro. E a emoção, quando a orquestra americana entra no palco norte-coreano. O maestro abriu o concerto com o hino da Coréia do Norte. E o hino dos Estados Unidos. Foi um momento histórico. Uma trégua em meio século de tensões.

A Coréia do Norte mantém uma ditadura comunista, isolando o país do resto do mundo. Há nove anos, o governo norte-coreano assumiu um compromisso com os Estados Unidos de abrir mão do programa armamentista. Não cumpriu o acordo e no governo Bush fez testes com armas nucleares.

No fim do ano passado, a Orquestra Filarmônica ensaiava, no teatro de Nova York, quando o presidente da orquestra recebeu o convite da Coréia do Norte. Zarin Metha foi autorizado pelo governo americano. Ele sabia da importância política do concerto em um país que sequer tem relações diplomáticas com os Estados Unidos.

A Filarmônica tocou "Um americano em Paris", de George Gershwin. O maestro lorin Maazel brincou: "Quem sabe, um dia, um músico vai compor a peça ‘Americanos em Pyongyang’”.

Uma mensagem de novos tempos, com a música do compositor tcheco Antonin Dvorak, "Sinfonia do novo mundo". E, por fim, uma música folclórica norte-coreana, que provocou mais emoção: cinco minutos de aplausos.

Caça ao tesouro

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Alemães procuram duas toneladas de ouro, que podem ter sido escondidas pelos nazistas, quando perceberam que iam perder a segunda guerra mundial.

A pequena cidade de Deutschneudorf na fronteira entre a Alemanha e a república tcheca virou o cenário para uma autêntica caça ao tesouro.

As máquinas escavam a terra em busca de uma caverna artificial onde estariam cerca de duas toneladas de ouro. Christian Hanisch achou a indicação deste depósito secreto nas anotações do pai dele, um ex-combatente da Luftwaffe, a força aérea nazista.

Aparelhos eletromagnéticos confirmaram que no local existem metais preciosos como ouro ou prata a 20 metros de profundidade.

Parte deste ouro teria vindo de um palácio em São Petersburgo, roubado pelos nazistas durante a invasão da União Soviética. 

Quando Adolf Hitler percebeu que chegara o no fim da segunda guerra mundial mandou esconder o ouro, as obras de arte e todos os outros objetos valiosos pilhados pelos nazistas, tesouros que os alemães hoje se esforçam para encontrar.

 

 

 

Zé do Quiabo

O melhor amigo do homem...

 

 

 

 

Yahoo! Not�cias

Alexandra Hudson

Reuters

Foto revela rosto do "verdadeiro amor" de Anne Frank

 Foto para a imprensa de Peter Schiff é exibida na Casa de Anne Frank em Hague. Schiff, conhecido por ser o grande amor da menina judia Anne Frank, durante o verão de 1940, nunca teve o seu retrato divulgado. Ambos morreram em campo de concentração .

Foto: AFP: Foto para a imprensa de Peter Schiff é exibida na Casa de Anne Frank em...

AMSTERDÃ (Reuters) - A foto de um menino com "olhos castanhos lindos" que Anne Frank chamava de meu "verdadeiro amor" no diário escrito enquanto se escondia na Holanda ocupada pelos nazistas começará a ser exibida em Amsterdã.

A imagem de Peter Schiff foi doada para o museu Anne Frank por seu ex-colega de escola Ernst Michaelis, que percebeu, após reler recentemente o diário da menina judia, que não havia fotos conhecidas de Schiff, contou uma porta-voz do museu na terça-feira.

A família de Frank fugiu da Alemanha nazista em 1933 e abrigou-se em Amsterdã. Durante a Segunda Guerra Mundial, os nazistas ocuparam a Holanda e, em 1942, começaram a deportar os judeus para os campos de concentração, fazendo com que a menina e sua família se escondessem.

Durante mais de dois anos, os Frank moraram em um anexo secreto de uma casa localizada à beira de um canal antes de seu esconderijo ser revelado e a família enviada para os campos de concentração.

Anne registrou em seus diários os anos que passou morando naquele local. Uma holandesa que ajudou a família encontrou-os escondidos no anexo depois da prisão de Anne e entregou-os para o pai dela, Otto Frank, que sobreviveu ao Holocausto.

Os textos ganharam fama mundial.

Ela escreve em uma passagem do diário: "Eu me esqueci de que ainda não lhes contei a história do meu verdadeiro amor."

"Peter era o menino ideal: alto, magro, bonito, com um rosto sério, sereno e inteligente", escreveu Anne a respeito do garoto de 13 anos de idade pelo qual se apaixonou em 1940, quando tinha apenas 11 anos.

Os dois se encontrariam na saída da aula e caminhariam de mãos dadas pelo bairro.

"Ele tinha cabelos escuros, olhos castanhos lindos, bochechas rosadas e um nariz encantadoramente pontiagudo. Eu era louca pelo sorriso dele, que lhe dava um ar infantil e maroto."

Peter morreu mais tarde em Auschwitz, ao passo que Anne morreu no campo de concentração de Bergen Belsen, em 1945.

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

Vai sobrar para a oposição

Às vezes, parece que a política brasileira habita vários universos paralelos. Depois, lá no final acontece uma pororoca, e as pessoas se surpreendem.

Os ingredientes da mais recente confusão são os seguintes:

1. Câmara e Senado reclamam fortemente do excesso de Medidas Provisórias, que trancam a pauta freqüentemente e impedem que o Legislativo exerça sua mais nobre função, a de legislar.

Os presidentes da Câmara e do Senado criaram uma força-tarefa para propor modificações na tramitação das MPs.

2. Orçamento da União não foi votado até agora. No próximo dia 29 extingue-se o mandato de todas as comissões permanentes do Congresso – e, portanto, também da poderosa Comissão Mista de Orçamento.

Novos membros serão escolhidos, e isto não se faz sem algum derramamento de sangue. No caso da Comissão de Orçamento, isto não significa que todo o trabalho volte à estaca zero, mas atrasa e muito a votação do Orçamento.

3. Enquanto não dispõe o Orçamento, o governo federal não pode gastar. Por isso, o Planalto ameaça retaliar, editando uma catarata de MPs para viabilizar despesas – pois o Orçamento ainda não foi votado.

4. Governo e oposição disputam ferozmente o comando da CPI Mista dos Cartões. O obstáculo maior ao entendimento é o deputado Henrique Fontana (PT-RS), líder do governo na Câmara. Fontana quer presidência e relatoria nas mãos da base aliada.

Mas os líderes no Senado e no Congresso, Romero Jucá e Roseana Sarney sugerem a entrega da presidência à oposição. Oposição oferece o nome de Jarbas Vasconcelos (PMDB-PE), que por ser dissidente, não é aceito pelo Planalto.

5. PMDB reúne sua bancada no Senado às 10h de hoje. O líder Waldir Raupp não quer entregar presidência nem à oposição nem a Jarbas e recomendou ao senador Neuto do Conto, que já estava se preparando para viajar a Santa Catarina, que não saia de Brasília – Neuto de Conto (PMDB-SC) é, até agora, o nome escolhido pela base aliada para presidir a CPI.

6. Oposição decidiu dar prazo até 14h de hoje para o governo escolher se entrega ou não um dos cargos da CPI à oposição. Caso contrário, será lido no plenário do Senado o requerimento para a instalação da CPI exclusiva.

Este resultado é politicamente desastroso para o governo, porque pode gerar uma nova CPI do fim do mundo (a CPI dos Bingos, que funcionou junto com a CPI dos Correios, no escândalo do mensalão).

Com isso tudo, o governo Lula acredita que terá ambiente para votar uma coisa tão importante e delicada, como é a reforma tributária, que exigirá doses de entendimento, articulação e de uma sofisticação política nunca antes praticada pela base aliada.

Ou os articuladores políticos do governo são de uma inocência a toda prova, ou o governo está de má-fé e apelou para a reforma tributária como uma “bode”, uma cortina de fumaça para gerar uma agenda positiva e abafar o noticiário negativo da farra dos cartões corporativos, das ONGs que recebem recursos vultosos, da situação do ministro do Trabalho, enfim, de tudo o que vem afetando negativamente a performance do governo.

O resultado da pororoca a gente conhece: se a reforma tributária fracassar, o governo ainda pendura a fatura na conta da oposição.


Recordar é viver - Sobre pelegos, pelegada e peleguismo

Em 19.10.2007 publiquei aqui no blog:

"Será o renascimento do peleguismo?

A Câmara dos Deputados aprovou projeto que legaliza a existência das centrais sindicais. Pelo acordo firmado com o governo, as centrais receberiam parte do imposto sindical obrigatório.

Vale a pena lembrar aqui. O imposto sindical é a cobrança de um dia de salário por ano, descontado de todos os trabalhadores formais e autônomos, sindicalizados ou não.

Esta montanha de dinheiro é assim distribuída: 60% para os mais de 7.500 sindicatos; 15% para as federações; 5% para as confederações, e 20% para o Ministério do Trabalho. (isso mesmo!).

Desses 20% do Ministério do Trabalho, o governo decidiu que metade iria para o financiamento das centrais sindicais.

O governo decidiu, mas esqueceu de combinar com o Congresso, inclusive com deputados do próprio partido do presidente da República.

Na madrugada de quinta-feira, a Câmara aprovou uma emenda ao projeto, extinguindo a cobrança obrigatória do imposto sindical.

E com votos do Partido dos Trabalhadores.

Para entender esta encrenca, precisamos recuar até a década de 70, quando surgiu no ABC paulista um novo sindicalismo, bastante diferente do sindicalismo pelego existente até então.

(Parênteses importante para falar sobre o pelego. Palavra bem conhecida dos gaúchos, pelego é uma manta de pele de carneiro colocada entre a montaria e a sela para proteger o lombo do animal. Na década de 50, quando o PTB se apossou do Ministério do Trabalho e passou a controlar os sindicatos operários, “pelego” passou a designar os dirigentes sindicais subservientes ao partido e ao governo, muitas vezes sustentados pelo Ministério do Trabalho, através de empregos públicos e favores de toda espécie. Sua ação se concentrava sobretudo na contenção das reivindicações sindicais, distribuindo em troca algumas benesses recebidas do governo.)

Os novos sindicalistas, liderados por Luiz Inácio da Silva, o Lula, eram contrários à cobrança do imposto sindical, à representação por categoria e à base territorial, entre outros componentes do modelo sindical da época.

O Partido dos Trabalhadores foi fundado por estes sindicalistas, membros das Comunidades Eclesiais de Base (da Igreja Católica) e intelectuais, muitos deles especializados em movimento sindical. Estes intelectuais contribuíram para a formulação do pensamento do PT a respeito do sindicalismo, incorporando todas as bandeiras dos sindicatos do ABC.

Portanto, a luta do PT contra o imposto sindical é uma bandeira histórica do partido, talvez um dos principais fundamentos da própria existência do PT. Por isso, foi com extremo constrangimento que muitos petistas votaram a favor da legalização das centrais sindicais.

No entanto, o fim da cobrança obrigatória do imposto sindical foi apoiado por deputados do PT, e acabou aprovado, por 215 a 161.

Mas os dirigentes das cinco centrais sindicais – CUT, Força Sindical, Nova Central Sindical, Central Geral dos Trabalhadores do Brasil (CGTB) e União Geral dos Trabalhadores (UGT) – reagiram e prometem dar o troco.

Os novos pelegos do sindicalismo brasileiro querem pressionar o Senado e ameaçam panfletar as fotos dos deputados que votaram a favor do fim do imposto sindical obrigatório.

Afinal, eram recursos “carimbados”, provenientes do salário dos trabalhadores. Dinheiro certo, sem precisar fazer o menor esforço.

Legalizar centrais sindicais financiando-as com imposto sindical é retroceder pelo menos 50 anos. É constituir um movimento sindical totalmente atrelado ao Estado, tutelado e sustentado pelo Ministério do Trabalho.

Em vez de centrais sindicais, centrais pelegas.

É a volta da pelegada.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Ficha técnica

O alegado "perfil técnico" que Dilma Rousseff favoreceria em suas indicações, em oposição ao fisiologismo praticado pelo PMDB, não se sustenta no caso de Bernardo Figueiredo de Oliveira, subchefe da Casa Civil que a ministra pretende emplacar como diretor-geral da Agência Nacional de Transportes Terrestres.
No primeiro mandato, pelas mãos de José Dirceu, Oliveira foi diretor-administrativo-financeiro da Valec Engenharia, Construções e Ferrovias S/A, empresa controlada pela União. Ali, teve as contas de 2004 rejeitadas e foi multado pelo TCU, juntamente com outros dois dirigentes. Ele responde a outros quatro processos, todos relativos à sua passagem pela Valec.

Lista
As razões do TCU para reprovar as contas da Valec foram: critérios subjetivos no julgamento de licitação, contratação verbal de aluguel de veículos e um repasse de R$ 2 milhões ao Estado do Maranhão para a realização de estudos que, de acordo com o tribunal, deveriam ter sido feitos pela própria empresa.

O lobista
A Polícia Federal apura suspeita de intermediação do lobista Sérgio Sá, investigado na Operação Navalha, no fechamento de convênios do programa Luz para Todos em Goiás. A PF tem a informação de que Sá se reuniu com o governador Alcides Rodrigues (PP) em novembro de 2006 para tratar do tema. Ligado às empreiteiras Gautama e Engevix, ele deve ser indiciado na própria semana.

Plano B
Carlos Lupi já tem saída caso a pressão da Comissão de Ética Pública por seu afastamento da presidência do PDT se torne incontornável. Com a indicação do primeiro vice, Vieira da Cunha, para líder da bancada na Câmara, o ministro do Trabalho poderia se afastar formalmente do comando da sigla e deixar em seu lugar o secretário-geral, Manuel Dias, sobre o qual tem total ascendência.

Aplicada
Kátia Abreu (DEM-TO) reclamou: não dava para acompanhar o datashow da reforma tributária que Guido Mantega (Fazenda) apresentou ontem à oposição. Como o ministro não levou cópia da apresentação, a senadora foi se sentar bem na frente, para copiar tudinho.

Inexpugnável
A base aliada de José Serra (PSDB) na Assembléia conseguiu ontem, pela terceira vez, adiar a votação do requerimento de convocação do secretário da Fazenda, Mauro Ricardo Costa, para que dê explicações à Comissão de Finanças sobre os gastos com cartões de despesa do governo paulista.

No mercado
Esnobada por seu próprio partido, Luiza Erundina (PSB) mantém conversas com PPS, PSDB e DEM em torno de um possível acordo para a sucessão paulistana. "Até agora, só o bloquinho não quer saber dela", diz um dirigente partidário, referindo-se ao grupo do qual a sigla da ex-prefeita faz parte.

Para azedar
A direção do PT de Minas se reunirá no próximo dia 15 a fim de "discutir" a idéia de aliança com o PSDB na eleição em Belo Horizonte. Os dirigentes regionais planejam lançar um pré-candidato, nem que seja só para constar, e assim complicar os planos do prefeito Fernando Pimentel e do governador tucano Aécio Neves.

Jeitinho
O Etco (Instituto Brasileiro de Ética Concorrencial) e o iFHC realizam hoje em SP, às 18h30, o lançamento do livro "Cultura das Transgressões no Brasil", coordenado por Fernando Henrique Cardoso e Marcílio Marques Moreira este às voltas com o caso que envolve o ministro Lupi. Será no MAM, parque do Ibirapuera.

Tiroteio
"Ganhamos o primeiro round: derrubamos o Marcílio Marques Moreira."
Do deputado PAULO PEREIRA DA SILVA (PDT-SP) sobre a saída do ex-ministro da presidência da Comissão de Ética Pública; ele questionava Carlos Lupi por acumular a pasta do Trabalho e a presidência do PDT.

Contraponto

A caráter
Prefeito do pequeno município paranaense de Carambeí, Osmar Rickli chegou na manhã de ontem a Brasília para uma visita ao Congresso. Mas os seguranças barraram o tucano, que estava acompanhado de um casal vestido com roupas típicas da Holanda, país de origem de parte expressiva dos imigrantes de sua região.
-Precisamos fazer uma consulta, explicou o funcionário da Câmara, que então passou a falar pelo rádio.
-Mas eu sou prefeito!, ponderou Rickli.
Para seu alívio, a resposta veio logo em seguida:
-Ok, está liberado. É que, com esse pessoal vestido assim, a gente achou que era a turma do "Pânico na TV"!

Mónica Bérgamo

Retrato falado

A Secretaria Nacional de Direitos Humanos está traçando o perfil dos que estão hoje em seu programa de proteção de crianças e adolescentes quando têm que mudar de nome e de cidade para se proteger de graves ameaças nos lugares em que vivem. Das 204 crianças que são hoje atendidas, 99 são de Minas Gerais, 42 de São Paulo e 35 do Rio de Janeiro, além de outras do Espírito Santo e de Pernambuco. Do total, 74% são negras e pardas.

PÉ NA ESTRADA
O grande número de crianças de Minas é explicado pelo fato de o Estado ter muitas estradas, onde é comum a exploração sexual seguida de ameaça.

ORIGEM
O tucano Andrea Matarazzo conversou com diplomatas italianos sobre a possibilidade de ser candidato ao Senado da Itália, na vaga reservada aos italianos que moram na América do Sul. Ele considera "difícil" participar da eleição mas não descarta totalmente a idéia.

JÁ ERA
A conversa com os diplomatas sinaliza que o PSDB de SP considera a candidatura de Geraldo Alckmin à prefeitura irreversível. É que Andrea era provável candidato a vice, pelo partido, caso Alckmin não concorresse e os tucanos fizessem aliança com Gilberto Kassab, do DEM, na cabeça de chapa.

MEUS PARABÉNS
O ministro José Gomes Temporão (Saúde) mandou uma carta para João Roberto Marinho dando parabéns à TV Globo pela abordagem do problema da dengue na programação. A emissora veiculou campanha publicitária e ainda colocou os participantes do "BBB" vestidos de Aedes aegypti, quando foram então proibidos de entrar na piscina da casa.

Dilma pede "menos fígado" no caso Lupi

FELIPE SELIGMAN

Ministra afirma que polêmica sobre ministro levantada por Comissão de Ética requer "racionalidade" porque "não é questão trivial"

Sepúlveda Pertence, novo presidente da comissão, disse que novas denúncias do caso serão analisadas na próxima reunião, em março

A ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, afirmou ontem que a polêmica sobre o ministro Carlos Lupi (Trabalho) levantada pela Comissão de Ética Pública da Presidência deve ser avaliada com "menos fígado"e mais "racionalidade".
No final do ano passado, a comissão viu "conflito de interesses" no fato de Lupi ocupar, simultaneamente, a presidência do PDT e o cargo de ministro, determinando um prazo de dez dias para que ele decidisse entre um ou outro. Sem resposta, a comissão recomendou ao presidente Lula a demissão de Lupi. Lula ainda não tomou nenhuma decisão sobre o caso.
"Acredito que essa questão do ministro Lupi tem que ser avaliada com muita tranqüilidade. Com menos fígado e mais racionalidade", disse a ministra, ao sair de um encontro na CNI (Confederação Nacional da Indústria), onde apresentou um balanço parcial do Programa de Aceleração do Crescimento. "O governo está fazendo uma avaliação bastante circunstanciada porque não é uma questão trivial. Estamos avaliando se de fato [a situação de Lupi] fere a ética ou não."
A comissão é um órgão da Presidência e existe exatamente para avaliar questões como a do ministro Lupi.
Para a ministra, no entanto, tal avaliação não cabe somente à comissão. "Tanto não cabe que ela [a comissão] remeteu essa questão ao presidente."
Ela também afirmou que "um ministro não pode ser demitido só por denúncias".

Convênios
Nas últimas semanas, reportagens mostraram que o Ministério do Trabalho assinou vários convênios com entidades ligadas ao partido de Lupi. Na semana passada, a Folha noticiou que ao menos 12 convênios assinados pelo Trabalho autorizaram a destinação de R$ 50 milhões a entidades e pessoas ligadas ao PDT.
A Folha também mostrou que entidade ligada à Força Sindical, a Confederação Nacional dos Trabalhadores Metalúrgicos, pleiteava convênio na pasta para recolocar mão-de-obra em São Paulo a um custo quase 100% maior do que o gasto pelo governo paulista. Já reportagem do "Globo" de ontem mostrou que asilo em Catanduva (SP) fez convênio com o Trabalho para qualificar jovens. O curso não foi dado.
Ontem, o presidente da comissão, Sepúlveda Pertence, afirmou que novas denúncias contra Lupi serão analisadas na próxima reunião, em março. Ele assumiu o cargo na segunda, com a saída de Marcílio Marques Moreira. O ex-presidente negou que sua atitude tenha relação com o mal-estar vivido entre ele e Lupi.

Quando o atraso vira vantagem

Paulo Rabello de Castro

Nosso atraso industrial foi tão grande que acabou por nos beneficiar com a acumulação de reservas de US$ 188 bilhões

QUANDO UM país se atrasa em sua evolução econômica, os reflexos são amplamente percebidos: a renda dos cidadãos encurta, enquanto crescem exponencialmente os compromissos da nação com seus credores. O Brasil, como país altamente endividado, lutou por décadas para superar o atraso em relação a outros países. No meio do caminho, o processo de industrialização deu para trás, embora tenha ocorrido um fenômeno curioso: o atraso, de certo modo, virou vantagem.
Nos últimos anos, crescendo menos de 3% ao ano, com a renda per capita praticamente estagnada e a classe média tendo seus salários achatados, foi-se adiando tudo o que o Brasil iria produzir ou importar a mais, nas diversas frentes industriais. A infra-estrutura do país, idem. Só não deixou de crescer o país do interior, do agronegócio, apesar de crises sucessivas de endividamento agrícola e repactuações de débitos bilionários pelos governos. Nossas importações seguiram contidas, enquanto a base de exportações tradicionais continuava em expansão. O agronegócio hoje propicia ao Brasil cerca de US$ 45 bilhões de saldo positivo líquido, por ano, em sua balança externa. Especializamo-nos como exportadores de commodities agrícolas e minerais e estamos fazendo saldos constantes na balança comercial brasileira, por conta do crescimento acelerado de outras economias mundiais, em contraste com nosso baixo crescimento histórico.
A China é um desses casos de expansão explosiva, absorvendo nossos produtos básicos. Tem crescido a uma taxa média de 9% ao ano nas duas últimas décadas e consome nosso minério de ferro, nossos produtos agrícolas e até os talentos especializados dos competentes pilotos da antiga Varig, exportados também às centenas. Não admira, portanto, que os saldos comerciais de um país que pouco cresceu tenham finalmente zerado a dívida líquida do setor externo brasileiro.
Enfim, nosso atraso industrial foi tão grande que acabou por nos beneficiar de modo imprevisível ao propiciar acumulação de reservas de US$ 188 bilhões. Mas será que já dá para comemorar? Pensando bem, em que mesmo o Brasil melhorou?
Ainda anteontem, noticiou-se um novo saldo externo negativo, fruto da reaceleração recente da atividade econômica. Nada alarmante, por enquanto, porém refletindo como foi circunstancial o tão festejado progresso das contas externas. O risco-país, em cerca de 275 pontos de "spread", também exprime uma residual desconfiança dos investidores, mesmo tendo a dívida externa 100% coberta por reservas. De fato, o Brasil de hoje não faz os cálculos certos sobre o porquê conseguiu chegar a esse ponto de equilíbrio relativo; não é segredo a política de juros elevadíssimos que mantém contraída a demanda interna e que faz crescer a dívida pública em reais.
Se quisesse capitalizar a bonança externa, o Brasil teria que apressar o passo em direção a muito mais poupança e investimento. O Brasil poupa parcos 19% do PIB, contra 48% na China ou 28% no vizinho Chile. O que o governo brasileiro ainda consegue investir é avançando sobre a renda privada com uma pesada carga de tributos. Se a próxima reforma tributária (mais uma!) não tiver o objetivo de frear a gula do leão, o aumento da poupança nacional permanecerá adiado. Continuaremos comemorando o equilíbrio das contas externas à custa do crescimento mirrado e da dívida interna permanente.


 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

Aécio-Ciro, uma chapa impossível?

BRASÍLIA - Seria viável uma chapa Aécio Neves-Ciro Gomes, para as eleições presidenciais de 2010? Só por milagre, mas milagres, às vezes, acontecem. Primeiro, o governador de Minas precisaria deixar o PSDB, onde pontifica sem ressalvas a candidatura José Serra. A solução seria passar-se para o PMDB, mas qual a reação dos tucanos?

De pouco adiantaria exigirem, por analogia, a cassação do mandato de Aécio, porque além do entendimento de que a decisão do Supremo Tribunal Federal vale apenas para mandatos legislativos, caso bandeando-se para o PMDB a fim de disputar a eleição presidencial, ele precisaria renunciar ao governo mineiro seis meses antes da eleição, ou seja, em abril.

Acresce ser o PMDB um enigma. Quem garante que o partido, acolhendo o governador, fará dele o seu candidato? Tem muita gente contra, não apenas os partidários das candidaturas Roberto Requião e Nelson Jobim. Para desembarcar numa aventura, Aécio Neves pensará duas vezes, lembrando-se de que seu avô, Tancredo Neves, quase viu desfeitos seus sonhos presidenciais ao fundar o PP, deixando o PMDB, que era "o partido do Arraes". Por uma vacilada do governo militar, que criou dificuldades ao funcionamento do novo partido, Tancredo voltou atrás e reintegrou-se na antiga legenda, onde depois obteve a consagradora indicação.

O reverso da medalha também é cheio de espinhos e escarpas. Alguém pode ter certeza de que Ciro Gomes aceitaria lugar subalterno, disputando a vice-presidência? O ex-governador do Ceará e ex-ministro da Fazenda e da Integração Nacional é candidato a presidente da República. O raciocínio que valeria para Aécio Neves, de poder contar com o apoio do presidente Lula, vale também para Ciro Gomes, até com mais ênfase, porque integra a base parlamentar do governo, pelo Partido Socialista.

Mesmo assim, quer dizer, apesar desses obstáculos, tem gente insistindo em que a saída para os atuais detentores do poder encontra-se na chapa Aécio-Ciro. O presidente Lula já deu sinais de que o candidato não precisará necessariamente provir do PT. Antes de qualquer companheiro ele percebeu a fragilidade de seu partido em termos de nomes de peso para concorrer à sua sucessão.

Além disso, contribuiu para aplainar ainda mais a base parlamentar oficial. Por certo encontrará dificuldades variadas que talvez não supere, se quiser impedir o PT de concorrer com nome próprio, mas sempre valerá a pena prever o segundo turno, diante da evidência de que nem Dilma Rousseff, nem Marta Suplicy, nem Tarso Genro e nem Patrus Ananias alcançariam os dois primeiros lugares.

Em suma, e apesar do anacronismo de certos observadores, insistindo em que é cedo e que muita água passará sob a ponte, tanto o presidente Lula quanto os líderes partidários e os possíveis candidatos já se preparam. Preferem ficar com o provérbio árabe de que bebe água limpa quem chega primeiro na fonte. Quem sabe a salvação do governo de coalizão hoje no poder repouse mesmo na dobradinha Aécio-Ciro?

Apenas um adendo, na questão sucessória: caso vá ficando demonstrado que ninguém tira a vitória de José Serra e dos tucanos, conforme as pesquisas, engrossará a corrente do terceiro mandato, que nem o Lula conseguirá conter. Se quiser, é claro.

Surpresa agradável

Não há como negar que a performance de Garibaldi Alves na presidência do Senado vem constituindo grata surpresa, até para os céticos que nele não faziam fé. O senador pelo Rio Grande do Norte entrou com o pé direito quando tomou posse e, depois, ao inaugurar os trabalhos da presente sessão legislativa. Protestou contra as incursões do Executivo e do Judiciário nas prerrogativas do Legislativo e vem estimulando seu colega presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia, a também opor-se à enxurrada de medidas provisórias editadas pelo governo.

É possível que ainda neste primeiro semestre o Congresso vote emenda constitucional limitando o poder de o Palácio do Planalto legislar e restringindo as medidas provisórias exclusivamente a casos de urgência e relevância. E sem a inadmissível cláusula do trancamento das pautas de Câmara e Senado enquanto não apreciadas em prazo específico. O governo não está gostando nem um pouco, em especial a ministra Dilma Rousseff, mas deputados e senadores, desta vez, parecem dispostos a enfrentar reações.

Mantendo o mesmo tom de comportamento até o final do ano, Garibaldi se transformará no grande eleitor para sua sucessão no biênio 2009-2011, de fundamental importância por conta da sucessão presidencial e das eleições gerais de 2010. Pode ser que decida concorrer ao governo do Rio Grande do Norte, que já ocupou, mas, se preferir descer da presidência do Senado para o plenário, terá se transformado num ponto de referência.

Cuidado com os tucanos

O presidente Lula declarou a disposição de não intrometer-se nas eleições municipais de outubro, ou seja, não subirá em palanque algum, sequer dos companheiros. Tem motivos, porque em boa parte das capitais estaduais e das grandes cidades os diversos partidos da base de apoio do governo estarão se enfrentando na escolha dos prefeitos.

Mesmo assim, o presidente tem sido alertado por amigos de que mais valeria criar algumas desavenças em seu pano de fundo do que deixar o caminho livre para os tucanos. Uma vitória de Geraldo Alckmin em São Paulo serviria para tornar ainda mais difícil a sucessão presidencial de 2010, tendo em vista que no aceso da disputa José Serra e o hoje candidato inarredável acabarão se acertando.

Por tudo isso, aguardam os petistas de São Paulo que o presidente abra pelo menos uma exceção e se engaje na campanha de Marta Suplicy para a sucessão de Gilberto Kassab. O sinal de sua concordância estaria na promessa de que, derrotada, a ex-prefeita retornaria ao Ministério do Turismo.

Obama lidera todas as pesquisas

Arquivo

WASHINGTON - O senador democrata Barack Obama recebeu ontem o apoio formal do antigo concorrente Christopher Dodd, aumentando sua força antes das primárias do dia 4, no Texas e em Ohio. "Ele está pronto para ser presidente e eu estou pronto para apoiá-lo nessa campanha", afirmou Dodd em uma entrevista coletiva com Obama.

Senador pelo Estado de Connecticut, Dodd desistiu da disputa pela indicação dos democratas no começo de janeiro, depois de obter a sexta colocação no caucus (assembléia de eleitores) de Iowa, a primeira prévia do partido.

Dodd disse que esse é "o momento de os democratas unirem forças para derrotar os republicanos" e defendeu que democratas apóiem a candidatura do senador por Illinois. "Eu não quero uma campanha dividida aqui, e corremos esse perigo", afirmou, deixando subentendida uma sugestão pela retirada da candidatura de Hillary Clinton.

Durante a entrevista, Obama disse que a campanha "esquentou" nas últimas semanas, referindo-se às constantes trocas de farpas entre sua equipe e a da ex-primeira-dama. O democrata afirmou que repreendeu seus assessores e esperava que a senadora fizesse o mesmo. "Vamos manter um tipo de campanha que, ganhando ou perdendo, teremos orgulho no final", propôs o pré-candidato.

O anúncio do apoio de Dodd foi feito horas antes do último debate televisionado entre Obama e Hillary Clinton. A senadora precisa ter um bom desempenho nas primárias da semana que vem para ganhar força e permanecer na corrida. Desde fevereiro, Hillary sofreu 11 derrotas consecutivas para Obama, que a cada dia ganha mais força e mais apoio de importantes figuras do Partido Democrata.

Segundo o jornal The Washington Post, na segunda-feira, durante um café da manhã com a imprensa, Harold Ickes, conselheiro de campanha de Hillary, afirmou: "Acho que se perdermos no Texas e em Ohio, a senhora Clinton terá de tomar a decisão se continua ou não (na campanha)."

Uma pesquisa divulgada ontem pelo The New York Times/CBS News afirmou que a base de apoio a Obama está aumentando. Segundo a pesquisa, atualmente, o senador tem grande apoio de homens brancos, da classe média e liberais  grupos nos quais Hillary tinha a liderança há duas semanas. A pesquisa também aponta que, pela primeira vez, Obama passou na frente de Hillary, e agora 54% dos eleitores democratas querem ele como o candidato nomeado do partido, contra 38% de Hillary.

Outra pesquisa do USA Today/Gallup, de segunda-feira, mostra um resultado semelhante: 51% para Obama contra 39% para Hillary. Uma feita pela CNN Opinion Research Corp., mostra uma disputa apertada entre os dois candidatos no Texas, onde Obama tem 50% das intenções de voto e Hillary 46%  a margem de erro para esse resultado é de 3,5 pontos porcentuais para mais ou para menos. Em Ohio, pesquisas indicam que Hillary lidera com pouca vantagem.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

Lula reúne todos os ministros e líderes do PMDB

Presidente busca ‘acerto de ponteiros’ com partido

Joel Saget

 

Em meio a ameaças do PMDB de “criar problemas” para o governo no Congresso, Lula convocou a cúpula do maior partido do consórcio governista para uma reunião. Será na tarde desta quarta-feira (27), no Planalto. Foram chamados os cinco ministros da legenda, os líderes na Câmara e no Senado, o presidente Michel Temer (SP) e o senador José Sarney (AC).

 

Será, nas palavras de um auxiliar de Lula, uma conversa de “acerto de ponteiros.” O governo tem pela frente pelo menos três batalhas legislativas que considera importantes: a crise dos cartões corporativos, a votação do Orçamento da União e a tramitação da proposta de reforma tributária. E não admite que seu aliado mais musculoso vá ao ringue com a cara de um inimigo.

 

A convocação dos ministros não foi gratuita. O presidente deseja como que recordar ao PMDB que sua representação na Esplanada é um reconhecimento do governo ao tamanho de suas bancadas. Os peemedebistas controlam as pastas da Defesa (Nelson Jobim), da Saúde (José Gomes Temporão), da Agricultura (Reinhold Stephanes), da Integração Nacional (Geddel Vieira Lima) e das Minas e Energia (Edison Lobão).

 

Não é pouca coisa. Mas a superação da atmosfera de animosidade depende da confirmação dos nomes indicados pelo PMDB para estatais penduradas no organograma do setor elétrico. São três as pendências principais:

 

1] Lívio Rodrigues de Assis, atual diretor do Detran do Pará, foi indicado pelo deputado Jader Barbalho (PMDB-PA) para a presidência da Eletronorte. Porém, a Agência Brasileira de Inteligência levantou uma ficha que não recomenda a nomeação. Empresas das quais o candidato já foi sócio têm pendências com a Receita e respondem a processos judiciais. Segundo a direção do PMDB, Lívio teria encaminhado ao ministro Edison Lobão “certidões negativas” que indicariam que seu nome está, hoje, limpo. O partido mantém a indicação.

 

2] José Antonio Muniz Lopes, ex-presidente da Eletronorte, foi apadrinhado por José Sarney, que deseja vê-lo acomodado na cadeira de presidente da Eletrobras. A ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) torceu o nariz. E descobriu-se que Muniz Lopes foi condenado pelo TCU, em 2003, a restituir às arcas da Eletronorte R$ 27,8 milhões. Dinheiro referente “ao faturamento maior na aquisição de insumos aplicados na obra de construção da linha de transmissão Caxipó/Jauru (MT).” O PMDB argumenta que Muniz Lopes recorreu da condenação. O recurso encontra-se pendente de julgamento. Deveria ter sido analisado na semana passada. Mas foi adiado para a sessão do tribunal prevista para esta quinta-feira (28). Confia-se na reversão da decisão. O Planalto quer ver para crer.

 

3] Jorge Zelada foi apontado pelo PMDB para a diretoria Internacional da Petrobras. Articulado pelos deputados Fernando Diniz (MG) e Eduardo Cunha (RJ), o nome foi referendado por toda a bancada peemedebista da Câmara. Haverá reunião do Conselho Administrativo da estatal nesta quinta-feira (28). E o partido dá como certa a efetivação do nome. Na mesma reunião, a Petrobras deve criar uma nova diretoria –de Biocombustíveis—para acomodar o engenheiro Alan Kardec, protegido do ex-ministro Walfrido dos Mares Guia (PTB).

 

Um dos convidados para a reunião com Lula, o deputado Henrique Eduardo Alves (RN), líder do PMDB na Câmara, vai ao Planalto tomado de otimismo. “Será quase uma assembléia do partido, com todos os seus ministros, líderes e seu presidente. Não fomos informados da pauta. Mas creio que será positiva.” Quanto aos cargos do setor elétrico, o deputado diz que a decisão sobre o "espaço" destinado ao PMDB “está tomada”. Segundo ele, Lula delegou a Edison Lobão autonomia para acertar os detalhes.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Serra: 'Poupatempo' sob suspeita

O Tribunal de Contas de São Paulo analisa contratos da empresa de saneamento Tejofran no Poupatempo, que agiliza pagamento de multas, emissão de carteiras de identidade etc. Envolvida em supostas irregularidades do filho do governador Mário Covas, o inefável Zuzinha, a Tejofran venceu licitação em Bauru e recorreu em outra, promovida pela Prodesp, a empresa de processamento de dados de São Paulo.

Público e privado

Outra polêmica no Poupatempo é a terceirização na emissão de documentos públicos para empresas particulares.

Doador generoso

A Tejofran, de Antônio Dias Felipe, que é conselheiro da Fundação Mário Covas, doou R$ 244 mil à campanha tucana em 2006.

Oba, oba

Já não se fazem comunas como antes: Alice Portugal (PCdoB-BA) está entre os deputados que mais torraram verba de gabinete, no recesso.

Anistia, oportunismo e demagogia

Como no recente 50° Congresso da União Nacional dos Estudantes, quando indenizou "em domicílio" dois ex-presidentes da UNE, a Comissão de Anistia do Ministério da Justiça planeja outra demagogia às custas do contribuinte: na ida do seu presidente à Associação Brasileira de Imprensa, nos 100 anos da ABI, devem ser anunciadas indenizações milionárias a "figurões" do jornalismo, ex-"perseguidos da ditadura".

Investidores

Do genial Millôr Fernandes sobre indenizações a anistiados: "(...) então eles não estavam fazendo uma rebelião, mas um investimento."

Vida de gado

Dilma Rousseff não é a ministra mais educada, mas trabalha, e muito: tem na cabeça todo o governo e, exigente, faz a Casa Civil virar noite quase sempre. Seu chefe de gabinete, Telton Correia, coitado, tira muitos figurões da cama, altas horas, só para checar informações.

Sinceridade é tudo

De hipocrisia Lula não morre: defendeu ontem que "não se combate crime com porrada". Para ele, basta passar a mão na cabeça dos companheiros aloprados, invariavelmente demitidos "a pedido".

Bela porcaria

Após sete anos, o governo do PT nem aprendeu a fazer relatório. É uma caríssima porcaria o "balanço do PAC" em 2007, incluindo CD, enviado a políticos pelo sub da Casa Civil, Marcos Lima. Da página 152 pula para a 160 e sete estão de cabeça para baixo. Tudo bem, ninguém lê mesmo...

Injustiçada

A funcionária do Ibama Maria de Fátima Piau Ferreira, que teria desviado mais de R$ 1 milhão no Ibama, pagando até plástica, processou o órgão em 2003 para ganhar incorporação salarial. Consta que desistiu.


 

 

 

Maurício Savarese

UOL Últimas Notícias

Múmia de 200 anos é encontrada no Mosteiro da Luz em São Paulo

SÃO PAULO (Reuters) - Uma múmia e um esqueleto de cerca de 200 anos foram descobertos recentemente em paredes do Mosteiro da Luz, disse nesta terça-feira o capelão do local. Segundo o padre, operários encontraram os restos, provavelmente de freiras, quando combatiam cupins.

"Havia rastro dos cupins, e os técnicos entraram nas paredes de dentro do museu para ver o que tinha lá. Foi uma grande surpresa, não sabemos há quanto tempo a múmia e o esqueleto estavam ali", disse à Reuters por telefone o padre Armênio Rodrigues Nogueira, responsável pela Mosteiro da Luz.

Encontrados há algumas semanas, os restos foram mantidos em sigilo pelo mosteiro, que entregou a múmia e o esqueleto ao Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan). O material depois será investigado por arqueólogos e antropólogos ligados ao Museu de Arte Sacra, segundo a assessoria da Arquidiocese de São Paulo.

O ambiente no qual o material foi encontrado será esterilizado, lacrado e desumidificado para evitar riscos à preservação, completou a assessoria da arquidiocese, que informou que até 1822 as freiras que habitavam o local eram enterradas ali.

O processo de mumificação, no entanto, não faz parte de nenhum rito católico.

O mosteiro foi fundado e construído em 1774 por frei Antonio de Sant'Anna Galvão, que no ano passado foi santificado no Brasil pelo papa Bento 16. A Igreja Católica paulistana considera o prédio como o mais importante monumento arquitetônico colonial do século 18 na cidade.

O Museu de Arte Sacra, onde foram encontrados a múmia e o esqueleto, é protegido por paredes de taipa e fica na área do mosteiro, que é habitado pelas chamadas Irmãs Concepcionistas. Elas se dedicam exclusivamente à oração e ao trabalho e pouco saem dali.

 

 

 

Por Elisabeth O'Leary

Reuters

Espanha se diz "perplexa" com posição de política de bispos

MADRI (Reuters) - O governo espanhol disse ao Vaticano que está "surpreso e perplexo" pelas críticas expressas por bispos espanhóis que aconselharam os fiéis católicos sobre como votar na eleição de março, informou a mídia no domingo.

O enviado de Madri a Roma queixou-se com o Vaticano depois de os bispos terem exortado os eleitores espanhóis a votar em partidos que não negociem com os guerrilheiros do grupo basco ETA.

Trata-se, aparentemente, de uma farpa lançada contra o governista Partido Socialista, cujas conversações de paz com o ETA fracassaram em 2006.

"Queremos melhorar nossa relação com a Santa Sé", disse a jornalistas o ministro das Relações Exteriores, Miguel Angel Moratinos.

"Mas há muitos católicos na Espanha que não vão entender muito. Trata-se de uma hierarquia fundamentalista e neoconservadora que nem sequer representa o sentimento da maior parte dos católicos da Espanha."

Os bispos também criticaram a legalização dos casamentos homossexuais e a redução do peso da religião nas escolas, todas essas medidas promovidas pelos socialistas dentro de sua campanha de modernizar o país, nominalmente católico mas que já é mais liberal em termos sociais.

Duas pesquisas separadas publicadas pelo El País e a ABC indicam que os socialistas continuam na liderança nas intenções de voto para a eleição de 9 de março, mas sua vantagem em relação ao conservador Partido Popular (PP) caiu para entre 3,4 e 3,8 pontos percentuais na última semana de janeiro.

Já a pesquisa realizada entre 14 e 24 de janeiro atribuíra aos socialistas uma vantagem de 5,8 pontos percentuais.

Contudo, a postura conservadora adotada pela igreja pode acabar reforçando a liderança de Zapatero nas pesquisas de opinião, angariando para ele o apoio especialmente dos jovens espanhóis, que, historicamente, são socialmente liberais e não frequentam a igreja.

A Igreja Católica é amplamente associada ao establishment conservador, por razões históricas: o apoio dado ao exército do ditador de direita Francisco Franco durante a Guerra Civil e a maior parte do governo franquista subsequente.

De la Rúa pode ser primeiro ex-presidente argentino julgado por corrupção

EFE

Buenos Aires, 26 fev (EFE) - A decisão de um juiz argentino de processar Fernando de la Rúa pelo pagamento de subornos a senadores abre as portas à possibilidade de julgar um ex-presidente por crime de corrupção pela primeira vez na história da Argentina.

Tanto De la Rúa como os outros nove suspeitos processados parecem "muito comprometidos" com o escândalo, ocorrido em 2000 e cuja investigação está em condições de ser elevada a julgamento oral e público, afirmaram hoje à Agência Efe fontes judiciais.

Os advogados do ex-governante (1999-2001) disseram que vão recorrer do processo emitido nesta segunda-feira pelo juiz do caso, Daniel Rafecas, cuja decisão foi baseada em uma testemunha "arrependida" que confessou ter entregado alguns dos pagamentos ilegais.

De la Rúa, que em dezembro de 2001 renunciou à Presidência do país em meio a uma grave crise econômica que gerou uma revolta social, foi processado pelo crime de "suborno ativo" para conseguir a aprovação de uma polêmica lei de reforma trabalhista.

Em novembro passado, o "arrependido" ex-secretário parlamentar Mario Pontaquarto confirmou em uma acareação judicial com o ex-presidente que De la Rúa habilitou o pagamento de subornos a senadores, acusação negada pelo ex-chefe de Estado.

Após reconhecer que ainda sente "vergonha por ter participado de algo tão assombroso como pagar suborno para sancionar uma lei", o ex-funcionário considerou que, além dos processados, "há mais" pessoas envolvidas no escândalo.

Já estão sob processo os ex-senadores do Partido Justicialista (PJ, peronista, atualmente no poder) Emilio Cantarero, Alberto Tell, Augusto Alasino, Ricardo Branda e Remo Costanzo, assim como o ex-legislador José Genoud, da União Cívica Radical, legenda à qual pertence De la Rúa.

Também estão sendo processados o ex-titular da Secretaria de Inteligência do Estado (Side, serviço secreto) Fernando de Santibáñez, o ex-ministro do Trabalho Alberto Flamarique e Mario Pontaquarto.

Santibáñez, Flamarique, Genoud e Pontaquarto são acusados de ter oferecido o pagamento de uma soma de dinheiro a Cantarero, Alasino, Costanzo, Tell e Branda para que os legisladores, então da oposição, aprovassem uma lei de reforma trabalhista impulsionada pelo Governo.

Segundo Jorge Kirschenbaum, um dos advogados de De la Rúa, o juiz Rafecas "se baseia em indícios" e "não há prova direta" que incrimine seu cliente no delito de "suborno agravado", que as leis locais punem com até seis anos de prisão.

"Incorporamos uma enorme quantidade de provas que desvinculam totalmente De la Rúa dos fatos investigados" e o magistrado as "ponderou equivocadamente", por isso "outros juízes revogarão o processo", acrescentou o advogado.

Mas fontes judiciais com acesso à causa lembraram que "no primeiro lance da investigação há nove processos ditados em 2005 e confirmados em segunda instância apenas três meses depois pela Câmara Federal".

"Só ficava pendente a situação de De la Rúa, sobre o qual há o mesmo nível de provas que o reunido para o resto dos processados, pelo que tudo parece indicar que a Câmara confirmará esta resolução e a causa irá a julgamento oral", acrescentaram.

De acordo com a acusação do promotor do caso, os então senadores peronistas receberam no total US$ 4,3 milhões "para que, através de seu apoio, fosse alcançada a sanção do projeto de lei que foi aprovado pela Câmara Alta em 26 de abril de 2000".

A investigação judicial foi reativada em fevereiro de 2003, quando Pontaquarto confessou que ele mesmo retirou da sede da Side US$ 5 milhões e os distribuiu entre os senadores com o sinal verde do Governo de Fernando de la Rúa.

 

 

 

UOL EconomiaUOL Economia

Isabel Versiani

Mesmo com fim da CPMF, arrecadação bate novo recorde

 

O crescimento foi de 20%, em termos reais, frente a igual período de 2007. Na comparação com dezembro, no entanto, houve queda de 5,14% .

Os dados, divulgados pela Receita Federal do Brasil nesta terça-feira, são corrigidos pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA).

A arrecadação do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF) cresceu 89,27% em relação a janeiro de 2007, para R$ 1,162 bilhão. A alíquota do IOF foi elevada em janeiro como forma de compensar parcialmente o fim da arrecadação da CPMF, estimada em cerca de 40 bilhões de reais ao ano.

A alíquota da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) do setor financeiro também foi aumentada, de 9% para 15%, mas essa alteração só passará a valer a partir de abril, após período de noventena.

O governo ainda arrecadou em janeiro R$ 875 milhões em CPMF. O montante diz respeito ao tributo que incidiu sobre as movimentações bancárias realizadas nos últimos dias de dezembro, mas que só foi cobrado dos correntistas no primeiro dia útil de janeiro. Em janeiro de 2007, as receitas com a CPMF haviam somado R$ 3,045 bilhões.

 

 

 

UOL Últimas Notícias

Lula: "Se porrada educasse, bandido saía da cadeia santo"


 

 

 

Opinião e Noticia

Miguel Valadares

Raízes da cleptocracia brasileira

A tomada de consciência do adiantado estado de corrupção na vida brasileira coincidiu com a anedota que se perdeu ao longo do tempo. Sobrou apenas a moral do caso esquecido: depois de passar uma temporada no Brasil, uma senhora voltou para Portugal e, quando lhe perguntavam, como estavam indo os brasileiros, respondeu na bucha: "Aquilo lá está que é uma roubalheira só". Começavam a se tornar explícitas, e até com aceitação social, nos negócios e na política, práticas que causavam estranheza.

A intransigência oposicionista comprometeu, no retorno à democracia depois do Estado Novo, a bandeira da moralidade pública e facilitou a chegada de candidatos que se apresentavam com o slogan "rouba mas faz". Roubar passou a ser mais importante que a capacidade de fazer. O roubo se tornou o subproduto de uma prática que veio a ser tolerada pelo eleitor e contribuinte por sobreviver impunemente.

O regime constitucional de 1946 a 1964 viveu o contraste entre a intolerância e a eficiência (incluído o roubo), mas não lhe garantiu durabilidade. Havia uma crise política latente naquela República que nasceu velha. A primeira República estava carcomida pelo anacronismo representativo e o jogo de empurra das oligarquias, mas as seguintes não melhoraram a identidade democrática a ponto de moralizarem os costumes, a administração e a sociedade.

Com a democracia, o contraste entre maneiras diferentes de governar e roubar passou a girar em torno da opção eleitoral entre roubar e fazer. Não era explícita a opção, mas o eleitor entendia. Prevaleceu a certeza de que a corrupção viera para ficar. Com o fim da eleição direta, a moralidade se retirou em protesto.

No segundo retorno à democracia, com a explosão do eleitorado (multiplicado por cinco) desde a ultima eleição direta (1960), foram-se as precauções éticas. O primeiro presidente (após os militares) eleito pelo voto direto foi tirado do poder sem ajuda de voto, num rompante ético, mas não se providenciou a tranca para a porta arrombada. E assim chegamos ao mais longo e extenso levantamento de irregularidades na vida pública, já no século 21, quando a frase da portuguesa entrou em circulação como moral de fábula política. O Congresso caprichou na quantidade de escândalos que abalaram a confiança dos cidadãos mas não trouxeram cuidado na hora de votar. Depois da temporada do mensalão e do caixa 2, o eleitorado continuou incapaz de extrair dos fatos a lição moral. O saldo aproveitável é apenas a confiança dos cidadãos na democracia, mesmo com o Congresso tendo de se contentar com a mais baixa cotação de toda a história brasileira.

Dizia Aluízio Salles, personagem da noite carioca, que a generalização do roubo na vida brasileira indicava a existência de uma verdadeira mania brasileira de roubar. A seu ver, caracterizava-se um caso de cleptomania. Daí à cleptocracia foi apenas um pulo. Até para votar matéria de interesse público, deputados e senadores negociam vantagens, nomeações, verbas e prestigio que captem votos populares nas eleições.

A cidadania começa esboçar uma consciência de culpa ao querer saber como foi possível a inversão de valores nessa proporção. Quer saber como se conciliou o funcionamento normal das instituições com os costumes capazes de demolir qualquer regime. Processa-se na vida brasileira a indagação de cada cidadão a respeito do que fez e do que deixou de fazer para que a sensação coletiva chegasse a esse ponto de desconforto moral.

Que motorista, ao ser parado por transgressão das normas do trânsito, resiste à tentação de passar ao guarda que lhe pediu documentos uma recompensa monetária? É equívoco admitir que, por morar numa comunidade pobre, alguém possa fazer ligação clandestina, chamada de "gato", para ter luz sem precisar pagar. Repete-se a ligação clandestina no caso de utilizar sem pagar a televisão por assinatura. São da mesma espécie criminosa as cópias piratas de DVDs e CDs que concorrem deslealmente (por não pagar impostos e direitos autorais) com empresas que operam dentro da lei. O espírito criminoso que divulga senhas de acesso a programas decomputador nos sites de hackers também contribui para desacreditar os homens e as instituições.

Restaurantes que se apropriam de um pedaço das calçadas, onde armam mesas e servem os clientes, desrespeitam os pedestres que por ali passam, idosos e deficientes físicos. As calçadas também não fazem exceção a motoristas que deixam de procurar garagens e estacionam os veículos no espaço dos pedestres. As pequenas transgressões não se limitam a cidadãos sem espírito público. Não é raro qualquer um assistir a um motorista de veículos policiais estacionar irregularmente como se estivesse dispensado de observar as normas de trânsito. Um levantamento completo de pequenas transgressões da vida diária ajudaria na formação de uma consciência de responsabilidade pública do cidadão. Cada cidadão, além de pagar impostos e observar a lei, passaria a cobrar dos outros cidadãos, e dos políticos principalmente, um novo padrão de conduta.

Este é um Brasil que parece estar longe no tempo mas, por força da opinião pública, poderá se antecipar desde que ninguém se esconda atrás das pequenas transgressões e queira, farisaicamente, exigir dos outros um comportamento exemplar, de que se dispensa.

 

 

 

Opinião e Noticia

Rua Nascimento Silva, 107

Zuza Homem de Mello

Zuza Homem de Mello

As comemorações dos 50 anos da bossa nova estão pipocando sob a forma de artigos nos jornais, especiais pela televisão, exposições, espetáculos programados e eventos a serem montados. Mais bossa nova em 2008 é ótimo para quem não agüenta essa bobajada ouvida na maioria das emissoras, que, além de nos conduzir aos confins de um inferno sonoro, ilude grande parte da juventude levando-a a acreditar ser essa a única música brasileira.

Mas, afinal, por que em 2008? O que ocorreu em 1958 para que se comemore com tanta festa? Foi a gravação de "Chega de Saudade", uma das composições da dupla de compositores Tom Jobim e Vinicius de Moraes, então recém-formada.

Ambos já tinham uma primeira fornada de sua histórica parceria, as canções para o musical "Orfeu da Conceição". O espetáculo fora levado ao Teatro Municipal do Rio de Janeiro em setembro de 1956 e dele resultou um disco gravado em estúdio, um LP ainda de 10 polegadas, com os temas da peça, como "Se Todos Fossem Iguais a Você", o de maior sucesso. Tom e Vinicius já se conheciam antes de 1956, ano em que foram oficialmente apresentados um ao outro pelo crítico Lucio Rangel. Foi de fato a partir desse reencontro que vieram a se tornar parceiros.

A segunda fornada surgiu das canções compostas especialmente para o célebre disco "Canção do Amor demais", um LP então de 12 polegadas gravado entre março e abril de 1958, em que a figura principal não eram os dois autores, mas a estrela do disco, que está na foto da capa, Elizeth Cardoso. Editado pela Festa, pequena gravadora dirigida por Irineu Garcia e especializada em poesia, o disco contemplava uma das maiores cantoras de todos os tempos. Tão idolatrada que era chamada "A Divina".

Afirmar que Elizeth Cardoso não era cantora de bossa nova é correto, mas não é significativo. O importante é que em duas faixas podia ser percebido nitidamente o estranho modo de tocar do violonista convocado pelo arranjador Tom Jobim, o baiano João Gilberto, conhecido apenas no meio musical do Rio. Uma dessas faixas era "Outra Vez", samba-canção de Tom Jobim gravado por Dick Farney quatro anos antes, e a outra, a inédita "Chega de Saudade".

Nunca se ouvira antes no Brasil, nem em gravações no exterior com violonistas brasileiros como Laurindo de Almeida, um violão como aquele. Nada se parecia com aquele violão de João.

O diretor da gravadora Odeon, Aloísio de Oliveira, ficou tão impressionado que se empenhou em gravar um disco com o próprio João Gilberto. Um disco em que João não apenas tocasse violão, mas também cantasse. Uma vez aprovada a idéia, João teve condições de realizar duas ações que não conseguira na gravação com Elizeth.

Primeira: cantar como ele tinha sugerido em vão à cantora. João tentara convencer Elizeth que dividisse frases da melodia à sua maneira. Como se atrevera ele, um violonista, a mudar o modo de cantar da grande Elizeth? Quando chegou sua vez de gravar "Chega de Saudade", João dividiu-a como achava que devia ser. E ainda: fugiu completamente do estilo interpretativo do cantor que mais admirava, Orlando Silva, para cantar de uma maneira que já era conhecida no jazz como "cool". No "cool jazz" o músico tocava seco, com o mínimo de vibrato, abolindo os arroubos, como se estivesse tocando para si mesmo e não para os outros. No Brasil havia muito poucos que cantavam cool e um deles era Fafá Lemos. Mas Fafá nem era cantor, era violinista. Músicos como Chet Baker cantavam cool, cantoras como Chris Connor cantavam cool, mas cantores em geral, como Sinatra ou Tony Bennett, jamais imaginavam cantar cool.

A outra ação de João Gilberto foi seguramente a mais marcante. Ele interferiu decisivamente no modo do baterista de tocar samba, segundo Roberto Menescal que assistiu à gravação. Até que o disco fosse gravado houve muitos ensaios, desentendimentos com a gravadora e com o arranjador  Tom Jobim , tentativas, adiamentos, tudo por causa das imposições de João. Além de exigir um microfone para seu violão, ele fez questão de convocar dois percussionistas, nenhum muito conhecido, aliás. Juquinha deveria tocar levemente com vassourinhas, em vez de baquetas, apenas na caixa da bateria. O outro, Guarani Lustosa, deveria dar batidinhas numa caixeta em certos momentos determinados por João. "Aqui, aqui e ali", explicou.

Assim João valorizava os tempos fracos, realçando batidas que já existiam nos tamborins do samba, mas não eram tão destacadas. Com essa iniciativa, aliada ao evidenciado modo de tocar violão, o mesmo do disco de Elizeth, João criou uma nova forma de ritmar o samba. E mais ainda: com o modo de cantar, dividindo diferente e adotando uma atitude cool, João elevou a gravação de "Chega de Saudade", realizada a 10 de julho de 1958, a um destino histórico. Duração: um minuto e 59 segundos. Sem repetição da primeira nem da segunda parte, terminando em "fade out".

O som que se ouve nesse disco, lançado pouco tempo depois pela Odeon, ainda um 78 rotações conhecido como bolachão, é o som que daria uma guinada nos rumos da música popular. Era uma outra bossa na canção brasileira. Nela havia uma forma poética moderna (a de Vinicius de Moraes), uma forma de composição moderna (a de Tom Jobim), uma harmonia com acordes alterados (por Tom Jobim e João Gilberto), uma forma nova de interpretação de voz e violão (de João Gilberto) e uma nova batida no modo de ritmar o samba (também de João Gilberto) que seria no exterior a marca registrada dessa bossa. Esse admirável conjunto de elementos novos, pela primeira vez reunidos e editados sob a forma de um registro sonoro, representa a mais significativa e radical revolução jamais ocorrida na história da canção brasileira. É uma data.

"Chega de Saudade" com João Gilberto causou uma reação espantosa quando ouvida por músicos e por futuros músicos pelo Brasil afora. Foi um momento inesquecível quando ouviram o disco pela primeira vez. Mudou o rumo da vida de vários deles.

Mesmo sem ter como avaliar tal repercussão, o diretor da Odeon animou-se a gravar um segundo disco, ainda em 1958, outro bolachão. Em 10 de novembro João Gilberto entrava no estúdio para gravar pela primeira vez algo ainda mais surpreendente, "Desafinado".

Reconhecendo as inovações na melodia e harmonia dessa música os autores Tom e Newton Mendonça antecipavam na letra a resistência dos ouvidos mais reacionários: "Se você insiste em classificar/ meu comportamento de antimusical/ eu mesmo mentindo devo argumentar/ que isto é bossa nova/ isto é muito natural". Repetiam o processo habitual de dar nome aos bois quando se introduzia novidade na música brasileira, como em 1946 nos versos de Humberto Teixeira: "Eu vou mostrar pra vocês/ como se dança o baião". Vale lembrar que os lados B desses dois discos tinham ambos composições de João: o baião "Bim bom" e um tipo de bolero, "Oba-la-lá". Quanto ao estilo, João nada havia mudado nas quatro gravações. Econômicas e decisivas.

Em dezembro de 1958, o disco "Chega de Saudade" começou a fazer sucesso em São Paulo, principalmente em razão das execuções freqüentes na cadeia das Lojas Assumpção e em um programa de rádio, "O Pick-up do Picapau" (Walter Silva) pela Rádio Bandeirantes. O novo estilo iniciava sua carreira para a consagração. Tanto que no ano seguinte a Odeon decidiu fazer um LP com João Gilberto em cujo texto, no verso da capa, Antonio Carlos Jobim descreve João com a mesma expressão da letra de "Desafinado: "João Gilberto é um baino (sic), 'bossa-nova' de vinte e sete anos."

Fora também a solução encontrada pelo diretor-social do Grupo Universitário Hebraico do Brasil, Moyses Fuks, quando teve que nomear um show com rapazes da classe média do Rio. Enfeitiçados pelo violão de João Gilberto, Roberto Menescal, Carlinhos Lyra, Ronaldo Bôscoli, Chico Feitosa, entre outros, se reuniam freqüentemente no apartamento dos pais de Nara Leão, em Copacabana, para cantar suas composições. O cartaz do Hebraico anunciava: "Hoje, Sylvinha Telles e um grupo bossa-nova". Nem os rapazes do show sabiam que assim estavam sendo batizados. Ronaldo Bôscoli, o inteligente jornalista que tinha espaço na revista "Manchete", agarrou a idéia no ar. Em 27 de outubro de 1968, Tom me afirmaria: "Aí começou aquele negócio de chamar aquilo de bossa nova, que era um nome mais ou menos curto."

O disco "Chega de Saudade" foi um marco na história, o primeiro disco de uma nova bossa na canção brasileira, o primeiro da bossa nova.

Zuza Homem de Mello - Leia aqui sobre a vida de Zuza Homem de Mello

 

 

 

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Ipojuca Pontes
 
A teoria marxista da revolução proletária: uma utopia
 
Resumo: O tal partido revolucionário do proletariado expropriou o proletariado do poder político, a burocracia apropriou-se do partido revolucionário e dos meios de produção e impediu qualquer progresso no sentido do dito socialismo.
 

“Em princípio não renunciaremos nunca e nem podemos renunciar ao terror. O terror é uma das formas de ação militar que pode ser útil e até indipensável em um determinado momento do combate, ante determinado estado das tropas e determinadas circunstâncias”.

(Lenin, “Por onde Começar?”, maio de 1901)

Este é um tema complexo, que pode ser abordado de várias maneiras. Eis uma síntese das idéias que se combinam na teoria marxista da revolução proletária

Inicialmente, a de que o caráter opressor da sociedade capitalista, assentada, segundo Marx, em uma economia baseada na exploração do homem pelo homem, sujeita a crises cíclicas e com tendência ao declínio. Uma economia que não pode ser reformada e que deve ser suprimida.

Em segundo lugar, a definição de que a luta de classes é o motor da História, pois a Historia, desde os primórdios da civilização, nada mais tem sido do que o relato da luta de classes; que o sujeito revolucionário fundamental, o proletariado, jamais obterá uma melhoria global e definitiva em suas condições de vida e trabalho a não ser pela supressão do capitalismo. Pelos seus interesses históricos objetivos e pela sua força social, a classe operária foi definida por Marx como o sujeito revolucionário fundamental, capaz de emancipar-se e a toda a humanidade.

Outro aspecto da teoria marxista revolucionária é o que se refere ao Estado da sociedade capitalista, que Marx definiu como um aparato de dominação a serviço da burguesia, que não pode ser reformado, transformado ou utilizado pelo proletariado. Tem que ser destruído pela revolução proletária, que construirá outros organismos – administração pública, órgãos policiais, Forças Armadas e aparelhos ideológicos do Estado – que permitirão o exercício do poder pelos trabalhadores e conduzirão à passagem do capitalismo ao socialismo. Esse novo Estado foi definido por Marx como “ditadura revolucionária do proletariado”, do mesmo modo que no capitalismo o Estado é uma “ditadura da burguesia”.

Outra questão central na teoria marxista da revolução proletária é a necessidade da construção de um partido revolucionário que introduza, desde fora, no proletariado, a consciência de classe, pois, sozinho, ele é incapaz de adquirir essa consciência.

Posteriormente, a obra de Lênin implementou, de forma decisiva, a teoria marxista do Estado e do partido.

Finalmente, temos a concepção de Marx do que seria a sociedade comunista: uma sociedade sem classes, sem Estado, sem divisão social do trabalho, onde este deixaria de ser um meio de ganhar a vida para tornar-se uma fonte de realização dos indivíduos.

A teoria marxista da revolução proletária define, assim, como necessidade objetiva a supressão da sociedade capitalista, a ser realizada por uma revolução proletária, dirigida por um partido revolucionário, que daria origem a um Estado de novo tipo e iniciaria a construção da sociedade socialista, preâmbulo da sociedade comunista.

Após mais de 150 anos do Manifesto Comunista, esse projeto não se tornou viável nos países capitalistas. Pelo contrário, o comunismo ruiu onde quer que tenha sido implantado pela força das armas, restando Cuba para demonstrar o que, segundo a doutrina marxista, não é o comunismo. E mais: nos países capitalistas o modo de produção não marxista foi sedimentado e a classe operária – apontada como sujeito revolucionário fundamental – obteve sensíveis e constantes melhorias em suas condições de vida e trabalho, está organizada em sindicatos e nunca teve perspectivas revolucionárias, apesar da insistência do partido da classe operária e de seus militantes de classe média predominantemente urbana.

Todavia, o fato mais inquietante e questionador das idéias de Marx e seus epígonos é o de que, onde quer que o capitalismo tenha sido momentaneamente suprimido – sempre pela força das armas e não pela força dos argumentos da doutrina – não se seguiu o regime de democracia operária imaginado por Marx e nem, pelo menos, um processo de construção do socialismo que tenha avançado em direção a ele. O tal partido revolucionário do proletariado expropriou o proletariado do poder político, a burocracia apropriou-se do partido revolucionário e dos meios de produção e impediu qualquer progresso no sentido do dito socialismo. Em lugar da liberdade e da fonte de realização dos indivíduos, foram erigidos os gulags e os hospitais psiquiátricos.

 

 

 

 

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Ipojuca Pontes
 
Collor à Presidência?

 
Resumo: O fato concreto é que Collor, no último ano de governo, estonteado pela furiosa união esquerdista disposta a arrancar-lhe o poder, e impotente diante da saraivada de acusações, terminou  segundo Rosane, sua ex-esposa  nos terreiros de macumba implorando em rituais macabros a proteção dos babalorixás.

Numa dessas revistas semanais de São Paulo (todas as revistas semanais, no Brasil, são paulistas), ganhou pouco destaque a matéria anunciando que Fernando Collor está montando equipe de assessores para disputar as eleições presidências de 2010. O repórter Rudolfo Lago (Isto É, 28/02/2008), tratando o ex-presidente com acentuada dose de descrédito (que ele bem merece, de resto), informa que desta vez Collor vai deixar os “marajás” de lado e se candidatar à Presidência da República empunhando a bandeira (opaca) do parlamentarismo como o novo sistema de governo capaz de redimir politicamente a nação.

Neste sentido, o senador Collor de Mello, depois de estratégica licença de quatro meses, viajou por todos os Estados e manteve reuniões com políticos locais para pedir apoio à emenda de sua autoria, ora em tramitação na Comissão de Constituição e Justiça do Senado Federal, que estabelece o regime parlamentarista na vida política brasileira. Nos encontros, para vender seu peixe, o ex-presidente repassou aos políticos regionais cópias de cartilha ressaltando as maravilhas do parlamentarismo, bem como de programa de rádio, objetivando divulgar as vantagens do regime parlamentar em contraposição ao presidencialismo, que, diz Collor, “é, no Brasil, sinônimo de crise”.

Para avançar em tão redentora tarefa, segundo a revista, o ex-presidente conta com uma equipe de dois auxiliares: o diplomata aposentado Marcio Coimbra, seu cunhado e ex-chefe da Casa Civil do governo impedido, e ainda o general da reserva Sávio Costa, oficial da área de inteligência que organizava, a cada final de semana, o espetáculo burlesco da “descida da rampa”, presságio (simbólico) do que viria ocorrer mais tarde.

Na foto da revista semanal Collor aparece mais gordo, vestido com esmero, caprichosamente penteado e com o pendão nacional às costas. Em suma: o homem posa de político maduro e responsável, quem sabe predestinado a recolocar o país nos eixos. Só que a sua nova bandeira, o parlamentarismo, não comove ninguém, salvo os formalistas de praxe. Por dois motivos elementares: primeiro, porque a utópica “constituição cidadã” do Dr. Ulysses já enterrou o país numa estranha espécie de parlamentarismo sem primeiro-ministro, onde o Congresso, por força de conchavos (mensalões), concede suas imensas responsabilidades ao arbítrio presidencial; segundo porque, na prática, o exercício do sistema parlamentarista nunca evitou crise política em qualquer lugar onde se instalou.

O apelo do parlamentarismo é, no Brasil, um mito repudiado em dois plebiscitos. Mas, por conta da luta travada pelo poder político, os profissionais do ramo vez por outra retornam com a panacéia de puro teor formalista, visto que neste terreno (minado) o problema não é de forma, mas, sim, de conteúdo. Para assumir o poder, por exemplo, o notório Jango aceitou o regime parlamentarista e, no outro dia, já estava tramando contra ele.

No histórico, sai parlamentarismo, entra presidencialismo, sai presidencialismo, entra parlamentarismo  mas o cerco sobre a democracia e a soberania política do indivíduo se faz cada vez maior. Pois o imbróglio é que, com ou sem governo constituído por um gabinete e ministros de Estado, a nação vive sempre subordinada aos interesses de grupos ideológicos afeitos à crença da supremacia do governo sobre a sociedade.

Outra meizinha cultivada para os males da vida política nacional é o federalismo, forma de governo pela qual vários estados se reúnem numa só nação, sem perderem sua autonomia fora dos negócios do interesse comum. Mas, bem examinada a questão, parlamentarismo e federalismo não passam de formas de governo que, se idealmente podem diminuir aqui e ali as imperfeições do sistema presidencialista, na prática não alteram o predomínio ideológico e partidário dos grupos que se apossam do poder.

Voltando à vaca fria: bom moço, diante do iminente processo de cassação do então presidente do Senado, o alagoano Renan Calheiros, o ex-presidente achou oportuno arrumar as trouxas e licenciar-se. “Isso é assunto que não me interessa”  teria dito Collor que, mesmo não se interessando pela questão, ordenou que o suplente Euclides Mello (um primo) votasse contra a cassação do antigo presidente do Senado, considerado pela generalidade da opinião pública como um político corrupto. Mais que isso, o ex-presidente determinou que o suplente Euclides votasse pela cobrança da famigerada CPMF, um imposto que atingia de modo perverso o bolso da população mais pobre.

O que teria ocorrido com Collor de Mello? No final da década de 1980, com a queda do muro de Berlim, a derrocada da União Soviética e, no Brasil, o fracasso do pusilânime governo Sarney (que emplacou uma inflação de 3% ao dia), ele representou sem sombra de dúvida uma fulgurante esperança política para milhões de brasileiros que o elegeram. Num espaço conturbado pela corrupção e pelos conchavos políticos, Collor representava sangue novo, estava amparado no bem-sucedido programa conservador de Margareth Teatcher e vendia, para os seus eleitores, coragem, audácia e disposição.

O fato concreto é que Collor, no último ano de governo, estonteado pela furiosa união esquerdista disposta a arrancar-lhe o poder, e impotente diante da saraivada de acusações que culminaram com a denúncia da compra ilícita de uma modesta Fiat, terminou – segundo Rosane, sua ex-esposa  nos terreiros de macumba implorando em rituais macabros a proteção dos babalorixás.

Para se manter no cargo, o ex-presidente não precisava chegar a tanto. Bastava ter denunciado ao país a tramóia, na capital paulista, em junho de 1990, do Foro de São Paulo, cujo objetivo era detoná-lo da presidência e, depois, levar a comunalha – sob a batuta de Lula e Fidel Castro – ao poder. Mas Collor, coitado, arrogante, além de fechar o SNI pensava que o comunismo fora derrotado.

Hoje, virou assecla de Lula.

Formas de luta para a tomada do Poder

Carlos I.S. Azambuja

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Resumo: A luta armada, como princípio do marxismo-leninismo, é inerente aos partidos comunistas de todo o mundo, e apenas uma questão de oportunidade.

“Onde existir um governo que tenha subido ao poder por alguma forma de consulta popular, fraudulenta ou não, e mantenha pelo menos uma aparência de legalidade constitucional, é impossível a implantação da luta armada, por não estarem esgotadas as possibilidades de luta cívica”

(“Che” Guevara)

Sabe-se que o marxismo-leninismo não vincula o movimento revolucionário a nenhuma forma particular de luta e que desenvolve diferentes formas e métodos de atuação. Cada vez mais levam em conta que a escolha dos meios para libertar o país e a sociedade não mais dependem exclusivamente do proletariado e de seus aliados, o que lhes impõe a necessidade de dominar todas as formas de luta.

A teoria revolucionária engendrada pelo marxismo-leninismo não exclui nenhuma forma de luta, quer pacífica, quer armada, uma vez que cada tipo de luta depende apenas do nível de consciência e de organização das massas e da correlação das forças sociais e políticas.

A única questão é determinar quando e em que situação é necessário recorrer a uma ou outra forma de luta.

Aventureirismo perigoso e inconseqüente, é como os comunistas definem o recurso à luta armada antes que as condições objetivas e subjetivas estejam amadurecidas, tornando sua utilização inoportuna e inconseqüente.

A luta armada, como princípio do marxismo-leninismo, é inerente aos partidos comunistas de todo o mundo, e apenas uma questão de oportunidade. Segundo Lênin, “a classe revolucionária, para realizar sua tarefa, deve saber dominar todas as formas ou aspectos, sem a mínima exceção, as atividade social, e deve estar preparada para a mais rápida e inesperada substituição de uma forma de luta por outra”.

Aqueles que conduzem a luta contra os partidos comunistas devem ter presente que a ciência do marxismo ortodoxo descarta como ambíguos os raciocínios que admitem a possibilidade dos comunistas assumirem o poder, numa sociedade burguesa, pela via evolutiva, assegurando sua hegemonia na economia, na cultura, nas Forças Armadas, na educação e na própria Igreja, dispensando uma transformação revolucionária da sociedade, a destruição das estruturas do Estado-burguês e a implantação da ditadura do proletariado.

A resistência da burguesia em ver-se despojada do poder político e econômico, e de seus bens, é que importa a necessidade da luta armada, como ficou claro em diversas conferência internacionais comunistas sobre a tática.

O surgimento de condições em que o proletariado através de sua vanguarda, o Partido Comunista, seja capaz de impor à burguesia a transformação do poder político e econômico sem resistência e sem recurso à violência contra-revolucionária, é acreditado apenas pelos inocentes-úteis, os companheiros de viagem, os oportunistas, os acomodados, os omissos e os desinformados.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Alvo certeiro

Entre as armas de que dispõe para reagir à demora na nomeação de seus indicados para o setor elétrico, o PMDB tem uma especialmente dirigida a Dilma Rousseff, maior foco de resistência ao avanço do partido sobre os cargos. A votação, pelo Senado, da indicação de Bernardo Figueiredo Oliveira para ocupar a diretoria-geral da ANTT (Agência Nacional de Transportes Terrestres) será usada para mandar um recado à ministra. Oliveira, subchefe de Articulação da Casa Civil, foi escolhido por Dilma para substituir Eliseu Resende Filho no comando da agência reguladora. A sessão em que seu nome será submetido ao plenário do Senado ainda não está marcada.

A calhar
Como a aprovação de Bernardo Oliveira desalojaria o filho de um senador do DEM, se o PMDB levar a sério sua ameaça de vingança contará com o apoio providencial da oposição para derrotar o governo em plenário.

Boa vizinhança
Talvez avisado da articulação velada dos peemedebistas, o indicado para a ANTT cumpre, desde a semana passada, um périplo pelos gabinetes dos senadores. Chega, se apresenta e pede apoio à nomeação.

Em campo
O presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), entrou na negociação para tentar convencer seu partido a ceder à oposição a presidência da CPI dos Cartões Corporativos. Acha que a criação de duas comissões idênticas, ambas com a participação de senadores, seria desmoralizante para a Casa.

Lá e cá
Caso levem adiante a tática de replicar no Senado a investigação dos cartões, DEM e PSDB podem indicar os membros para a CPI mista. Assim não melindrariam deputados oposicionistas ávidos por espaço na comissão.

Protecionista
Pepe Vargas (PT-RS) enviou ao relator da CPI mista dos Cartões, Luiz Sérgio (PT-RJ), requerimento sobre os gastos do Planalto, via contas "tipo B" e cartões corporativos, com vinhos importados. Além de mirar o governo FHC, o deputado está interessado na economia de sua base eleitoral, na região de Caxias do Sul, maior produtora nacional.

Chamada
O presidente da CPI das ONGs, Raimundo Colombo (DEM-SC), costura acordo com o relator, Inácio Arruda (PC do B-CE), e Sibá Machado (AC), comandante do PT na comissão, para aprovar requerimentos represados. O DEM quer que PSDB e PDT façam seus membros na CPI aparecerem nas reuniões.

Agora vai
Relegada ao esquecimento, a CPI das ONGs espera ressurgir das cinzas na esteira do caso da contratação da Finatec, fundação ligada à UnB, por prefeituras. Integrantes da comissão avisam: o enrosco da Finatec não é o maior entre os já apurados.

Meio-termo
A resistência de boa parte dos deputados a que a sede da TV Pública seja no Rio caminha para a seguinte solução de compromisso: sede em Brasília, escritório geral de produção no Rio e, eventualmente, centros de produção em alguns Estados.

Fermento
Pesquisa do PC do B concluída na semana passada aponta liderança do tucano José Castelo em São Luís, com 32%. Mas nos últimos dois dias o rol de pré-candidatos se ampliou: o ex-governador José Reinaldo (PSB) e o deputado Gastão Vieira (PMDB), aposta dos Sarney, colocaram-se na disputa da capital maranhense.

Faísca
A liberação do anticoncepcional Contracep pela Anvisa colocou em rota de colisão os governos federal e paulista. O Estado acusa o ex-ministro do Esporte Agnelo Queiroz, diretor da agência, de atuar pela volta da comercialização do medicamento. "Ele pode entender de futebol. De remédio, ele não sabe nada", afirma Tania Lago, da secretaria da Saúde.

Tiroteio
Marx estava errado: o verdadeiro ópio do povo é a economia.
Do ex-governador paulista CLÁUDIO LEMBO (DEM), comentando a elevada aprovação ao governo Lula num cenário de resultados econômicos positivos e partidos políticos "completamente desativados".

Contraponto

Mocinho

Com a ajuda de um tradutor, Arlindo Chinaglia (PT-SP) comandou um "tour" de deputados dos EUA pela Câmara brasileira na quarta-feira passada. No plenário, onde o grupo se demorou mais, o presidente da Casa tentou quebrar o gelo elogiando a aparência de um dos visitantes, um senhor de meia-idade, alto e grisalho.
-Você parece o Henry Fonda, comentou, simpático.
Percebendo o espanto do parlamentar diante da comparação com o famoso ator, que teve longa carreira até morrer em 1982, aos 77 anos, Chinaglia emendou:
-É claro que eu estou me referindo ao Henry Fonda do começo de carreira, não do final...

Eliane Cantanhede

Amizade colorida

"O PSDB e o PT não precisam ser inimigos declarados por toda a vida", disse o tucano Aécio Neves ontem sobre sua amizade colorida com o petista Fernando Pimentel, que gerou um candidato único à sucessão de Pimentel na prefeitura de BH.
Os dois não têm mesmo nada a perder com o apoio conjunto a Márcio Lacerda (PSB), a terceira via, porque nem o PSDB nem o PT tinham candidatos. A aliança em torno do PSB foi uma saída honrosa, além de um investimento.
Se não têm nomes para 2008, Aécio e Pimentel queimam etapas para 2010, ambos como pré-candidatos. Aécio, a presidente; Pimentel, a governador. Um por todos, todos por um -e contra São Paulo.
Lula é a principal força eleitoral, mas não tem sucessor. E José Serra é o principal candidato, mas não tem ainda força eleitoral. Falta-lhe a unidade do PSDB, e a aliança com o DEM pode implodir no confronto Alckmin-Kassab em São Paulo.
Lula tentou encher a bola de Dilma Rousseff, mas ela não voou até agora. Ciro Gomes voltou a desfilar e a dar opiniões por aí, mas ninguém acredita que o PT assimile apoio a um candidato de fora.
Do outro lado, Serra, por ser de São Paulo, ser o favorito e ser acusado de queridinho da mídia, acaba sofrendo o efeito diametralmente oposto: São Paulo é muito mais fiscalizado e criticado do que Minas; quem sai na frente muito cedo apanha por muito mais tempo; e a mídia não perde uma boa chance de demonstrar independência.
Enquanto, por baixo, petistas e tucanos arrancam estrelas e penas uns dos outros, por cima, Lula e Aécio, muy espertos, antes de muy amigos, se preservam e estão obviamente acertando um pacto de não-agressão. No mínimo. Aécio, como o próprio Serra, corre o risco de ficar sonhando com o coração de Lula, que já tem dono. O resultado pode ser dor de cotovelo, além de um bom banho nas urnas.

Claudio Weber Abramo

Os donos da informação

O episódio dos cartões exibe uma grave vulnerabilidade do país: a falta de obrigação do poder público de divulgar informações de que dispõe

TENDO TOMADO o espaço político nas últimas semanas, o assunto dos cartões, por si só, não justifica CPI. Trata-se de um meio de pagamento como qualquer outro. O que mereceria investigação parlamentar são as condições de controle a que despesas de modo geral são submetidas no Brasil, não apenas no governo federal, mas também nos Estados e municípios.
Quais estruturas de controle existem? As justificativas para compras são razoáveis? Os bens e serviços adquiridos foram fornecidos conforme as especificações? Os custos estão dentro de margens aceitáveis? Há indicadores de desempenho de projetos e programas? Qual é a incidência percentual de irregularidades?
Caso houvesse interesse na questão mais ampla, se obteria a resposta de que, no Brasil, as condições de prevenção e controle são heterogêneas e geralmente precárias.
No plano federal, alguns ministérios têm controles melhores do que outros. Princípios básicos de acompanhamento são aplicados desigualmente, em boa parte porque a Controladoria Geral da União, o órgão de controle interno do governo, não tem autoridade sobre os ministérios.
Desde a sua criação, no governo Fernando Henrique Cardoso, a CGU sempre foi uma repartição da Presidência da República (leia-se Casa Civil). Embora tenha experimentado considerável ampliação de escopo no governo Lula, essa subordinação funcional e política prejudica seu desempenho. Uma CPI do controle precisaria recomendar a desvinculação desse organismo da Presidência e sua transformação em instrumento de Estado, e não de governo.
Seja como for, é indiscutível que, ainda que deficientes, os controles do governo federal são muito melhores do que os da média dos Estados, para não mencionar os municípios, cuja maioria nem sequer conta com alguma espécie de controle interno. Disso sabem muito bem (pois são protagonistas do descontrole) tucanos, democratas, petistas e o resto. No quintal de cada um, as coisas são em geral muito piores do que no plano federal.
O episódio dos cartões serviu também para exibir uma das mais graves vulnerabilidades brasileiras, que é a ausência da obrigação formal de o poder público exibir as informações que detém. Sem informação, não há possibilidade de controle social. Quando a informação é publicada, tanto a imprensa quanto grupos de interesse específicos (como ONGs), assim como a oposição, se tornam capazes de exercer certa vigilância. Foi o que aconteceu com os cartões, cujos demonstrativos são publicados no Portal da Transparência mantido pela CGU. Por isso puderam ser examinados pela repórter Sônia Filgueiras, de "O Estado de S. Paulo", originando a matéria que desencadeou o caso.
Não há nada semelhante nos Estados. Em particular, não há nada parecido em São Paulo, que, por sua riqueza, teria a obrigação de dar exemplo. Na tentativa de dar a entender que as coisas são diferentes do que de fato são, o secretário de Fazenda do Estado, sr. Mauro Ricardo Machado Costa, declarou à imprensa que as informações relativas à execução do Orçamento paulista seriam públicas, sendo o acesso condicionado apenas a um pedido (embora não haja qualquer sinalização nesse sentido na página de internet da secretaria).
Ato contínuo, em 12 de fevereiro a Transparência Brasil endereçou ofício ao secretário em que solicitava o fornecimento da inteira base de dados do sistema de acompanhamento financeiro do governo do Estado desde que o sistema existe. Até a presente data, o secretário não respondeu.
Em outro episódio recente, a Transparência Brasil enviou a todos os governos estaduais e das capitais, bem como às respectivas Procuradorias Gerais, ofício solicitando informações sobre o volume de precatórios devidos em cada uma dessas circunscrições. Apenas meia dúzia respondeu. Entre estas, a Procuradoria do Maranhão não para fornecer os dados, mas para requisitar esclarecimentos a respeito de por que queríamos a informação, como se isso fosse da conta deles.
A prática dos hierarcas brasileiros de escamotear informação do público é incompatível com o que se exige do poder público no século 21. Em São Paulo, como no Maranhão e no resto do país, é evidente que o comportamento tem a finalidade de evitar que os atos dos governantes sejam avaliados. Em vez de tratarem a informação como bem público, no máximo usam-na para fazer autopromoção.
Contra isso, é urgente regulamentar tanto o direito constitucional de acesso à informação quanto o dever de publicidade, conforme prometeu duas vezes o presidente da República durante a campanha eleitoral de 2006, uma delas em entrevista a esta Folha. Projeto de lei nesse sentido encontra-se desde aquele ano parado na Casa Civil, sem que se tenha notícia de por que a promessa do presidente não é cumprida.

Brasil vira credor com "ajuda de Deus", diz Lula

FELIPE SELIGMAN e ANA CAROLINA DANI

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que precisou de uma "ajudinha de Deus" para o Brasil "deixar de ser devedor e virar credor internacional".
"Eu acredito que todos nós temos competência, mas precisou uma ajudinha de Deus para que as coisas pudessem dar certo", afirmou ao discursar no lançamento do programa Território da Cidadania.
Lula também aproveitou seu programa semanal de rádio, "Café com o Presidente", para comemorar o fato de o Brasil ter "zerado" a dívida externa, prevendo para 2008 um crescimento de "mais de 5%".
"O Brasil deu um passo extremamente importante para se transformar, definitivamente, em um país levado a sério no mundo financeiro", disse. "É como se, na casa da gente, a gente recebesse o salário e, no final do mês, quando pegasse o pagamento, a gente tivesse certeza que tinha mais dinheiro no nosso holerite do que a gente tinha para pagar."
Para o presidente, tal situação representa um "ponto de equilíbrio" que "nos dá tranqüilidade para enfrentar uma crise americana". Na realidade, o que o BC anunciou na semana passada foi que os ativos que o governo e o setor privado possuíam no exterior ao final de janeiro já superavam o valor de todo o endividamento contraído em outros países.
"Até agora a crise americana não chegou aqui, não vai chegar, e, se chegar, nós estamos preparados para enfrentá-la. É tudo o que o brasileiro precisa: tranqüilidade, seriedade, para que a gente recupere os 20 e poucos anos que a economia brasileira não mereceu o respeito internacional."
Sobre o crescimento da economia, Lula diz acreditar que Brasil deverá surpreender as avaliações de economistas, cujas previsões não ultrapassam 5%. "Eu acredito e respeito muito as avaliações dos economistas do Banco Central e de todos os institutos, mas eu acredito que as condições estão dadas para que a gente possa crescer mais do que isso."

Meirelles cauteloso
O presidente do BC, Henrique Meirelles, disse ontem, em Paris, que a condição de credor externo, obtida pelo Brasil na semana passada, não é suficiente para conseguir o "investment grade", mas ressaltou que o processo de consolidação da economia brasileira é favorável à classificação.
Segundo ele, o "investment grade" é o resultado de uma melhora global dos fundamentos da economia brasileira e "não será um ou outro índice que vai determinar a classificação das agências de rating".
Para Meirelles, o Brasil tem hoje um conjunto de condições favoráveis. "O peso da dívida pública total líquida sobre o PIB tem caído, temos uma inflação consistente com a trajetória de metas, uma balança comercial sólida, um setor externo competitivo e uma economia em crescimento fundada sobre o tripé aumento do emprego, renda e crédito."

 

 

 

Reinaldo Azevedo

Mistérios de Minas  – O mito de um país sem oposição

Vocês devem ter lido ontem o que segue no Estadão On Line.
Por Eduardo Kattah, da Agência Estado. Volto depois:
O governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), voltou a defender nesta segunda-feira, 25 a articulação para uma aliança entre petistas e tucanos na eleição municipal em Belo Horizonte. Ele classificou como "natural" o eventual entendimento entre PT e PSDB na capital mineira. A costura do acordo vem sendo capitaneada por Aécio e pelo prefeito Fernando Pimentel (PT) em torno de um candidato de consenso. O governador de Minas Gerais disse também, que PT e PSDB não precisam ser inimigos declarados "toda a vida".
"Se amanhã nós, que já temos identidade em tantas questões, em especial na área econômica, a partir da nova compreensão que o PT vem tendo, quem sabe podemos estar juntos na construção de um grande projeto futuro. Em Minas Gerais, estamos conversando. Em Belo Horizonte estamos conversando", afirmou. O nome colocado como possível representante no eventual palanque único é o do atual secretário de Estado de Desenvolvimento Econômico, Márcio de Araújo Lacerda, filiado ao PSB e ligado ao ex-ministro e deputado Ciro Gomes (PSB-CE).
"Nós estamos vendo hoje um desaguadouro natural de entendimentos, de parcerias, que ajudaram a melhorar a questão da saúde pública, que vêm ajudando a melhorar a questão da segurança, que vêm enfrentando a questão viária de Belo Horizonte, para citar apenas alguns aspectos. Então, é um desdobramento a meu ver natural", disse o governador. "Na verdade, ao longo dos últimos anos, o prefeito e eu temos tido uma relação de extraordinária cooperação".
Segundo ele, esse aliança pode oxigenar a vida política do País e ser seguida em outros estados."Eu não acho que eu tenha que indefinidamente estar no campo oposto. Há figuras do PT com as quais eu tenho identidade", afirmou o governador. Questionado se teria interesse em apoio do presidente Lula nas próximas eleições presidenciais, Aécio Neves respondeu: "Eu não ousaria isto. Eu sou candidato a fazer um grande segundo governo em Minas Gerais".
Aécio, porém, tem procurado minimizar os interesses pessoais em torno da aliança e sua possível repercussão em 2010. "Quem deve conduzir estas questões, até para avaliar a possibilidade concreta da sua consolidação, da sua efetivação, são as lideranças partidárias. Essa é uma questão que deve ser tratada pelos partidos políticos daqui por diante", disse.

Comento
Cedo ou tarde, acontecerá uma depuração partidária. E não será estranho se setores do PSDB acabarem migrando para o PT. No melhor dos mundos para os petistas, os tucanos desaparecem. Caso se pensasse numa mecânica, vamos dizer, geográfico-ideológica, buscar-se iam as identidades entre a chamada direita do PT e a esquerda do PSDB, certo? Mas é disso que se trata? Digamos que Pimentel, por exemplo, seja, com efeito, a direita petista. Aécio seria a “esquerda” tucana? Ora, nem de brincadeira, não é? Nem que fosse para fabricar uma piada. Logo, o busílis é bem outro.

A resposta para o tal entendimento de Belo Horizonte — ou de Minas — está na fala final do governador: “Quem deve conduzir estas questões, até para avaliar a possibilidade concreta da sua consolidação, da sua efetivação, são as lideranças partidárias. Essa é uma questão que deve ser tratada pelos partidos políticos daqui por diante". Claro, claro. Afinal, seria tratada por quem?

Sob a aparência de modernidade, estamos falando de um retorno a uma prática velha — de certo modo, na contramão do que acontece hoje em dia no mundo, até na democracia mais importante do planeta: a americana. Faz-se um esforço danado para engajar mais os cidadãos na política institucional. Acima, fala-se do contrário: o entendimento entre os dois partidos — por enquanto circunscrito a Minas — seria uma coisa de profissionais.

Compreendo: as chamadas “bases” petistas não gostam dessa aproximação (ver abaixo). As tucanas, ainda que menos militantes, idem. Aécio e Pimentel estão pedindo que não atrapalhem. Dada a formulação, política vira coisa importante demais para ser tratada por amadores. Trata-se de um jogo de especialistas — sem “povo”, mesmo que seja aquela fatia militante que se interessa por política institucional.

O nome que aparece como “consenso” em Belo Horizonte não é nem petista nem tucano: Márcio de Araújo Lacerda é cirista — da turma de Ciro Gomes, que cobriu Aécio de elogios em recente entrevista. Não preciso dizer o que acho disso, não é? Esse “entendimento”, claro, não é “tucano”, “petista” ou “cirista”: é, antes de tudo, lulista. Mas é evidente que beneficia o partido mais estruturado e que ocupa todos os lugares de poder efetivo no estado, na burocracia e suas ramificações — estatais e fundos de pensão: o PT.

Um bom caminho para o Brasil pode estar na extinção do PSDB? É uma hipótese a ser considerada. Seus “liberais” poderiam migrar para o DEM. O esforço de Aécio caminha nesse sentido: parece ser uma articulação contra São Paulo apenas, mas é mais: a seção paulista do partido, que também está dividida, carrega a memória do esforço modernizante do estado com o qual o PT mantém uma relação ambígua: adotou parte do ideário e até avançou um pouco; em outros aspectos — no tamanho do estado, por exemplo, e na sua interferência na vida dos cidadãos —, houve um recuo tremendo. Para extinguir o PSDB, é preciso atingir duramente essa “memória”.

Vejam que curioso: se a questão fosse de geografia ideológica, bem simplória, será que Serra não ficaria melhor no papel de Aécio? Não é ao governador de São Paulo que se atribuem alguns descontentamentos com a política macroeconômica, por exemplo, o que o aproximaria de setores do petismo? Pois é. Acontece que o tema não é mais esse. A aproximação entre petistas e tucanos, em Minas, opõe, como se vê, os “profissionais” aos “amadores”; é uma volta aos tempos, acreditem, pré-1964: trata-se de uma decisão de caciques.

Quando Aécio diz que as divisões de São Paulo não podem ter reflexos no resto do Brasil e que as conversas são atribuições dos partidos, não está apenas fazendo um movimento interno contra Serra; a fala exclui da política as bases das duas legendas. Elas atrapalhariam o, como vou chamar?, “bem do Brasil”. Ah, sim, não custa lembrar: Geraldo Alckmin, que sustenta a sua candidatura à Prefeitura na premissa oficial de que um partido como o PSDB não pode abrir mão de disputar uma eleição, funciona como a seção aecista em seu estado: e o aecismo, onde está o “radicalíssimo” Geraldo, vejam só, é o caminho mais próspero para a hipotética fusão PSDB-PT.

E há nisso tudo algumas coisas bem interessantes. Se um dia boa parte do PSDB for mesmo tragada pelo PT — há muita gente falando nisso, não é? —, dá até para imaginar o não-ideológico Aécio junto aos hoje petistas. Talvez até Geraldo Alckmin ficasse bem vendendo seu “choque de gestão” com a estrelinha verde e azul no peito... Mas alguém vislumbra um Serra aplaudido pelas hostes do PT? Teria o governador de São Paulo se tornado, sob certo ponto de vista, muito “ideológico” para um partido tão “pragmáticos”? Chegará o dia em que Lula vai dizer: “Xiii, companheiro, esse Serra me parece muito esquerdista”.
 
Uso da máquina  - Presidente dá largada a roteiro de visitas

Por Lisandra Paraguassú, no Estadão:
A primeira parada do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para lançar o Territórios da Cidadania será Quixadá, no Ceará. Até sexta-feira, a lista de viagens inclui ainda Rio, Fortaleza e Aracaju. É apenas o início de uma romaria que deve se intensificar nos próximos meses, como o próprio presidente anunciou.
“Esta semana eu começo a viajar”, declarou Lula durante o lançamento do Territórios, ontem. Em seguida, o presidente defendeu as viagens: “Alguns se incomodam até porque esses ministros viajam tanto. Vocês têm que viajar porque, se ficarem em Brasília, é uma desgraceira só. Tem que viajar o Brasil. Os problemas estão no Brasil e a solução está indo lá.”
Segundo Lula, é preciso cuidar da “parte administrativa”. “Mas todo mundo sabe que, se a gente quiser mapear e resolver o problema, a gente tem que viajar esse País”, completou.
Por enquanto, apenas no mês de março estão programadas visitas a nove cidades diferentes. Em abril, outras quatro devem receber o presidente - parte do mês ele fica fora, em viagens ao exterior. Para maio, estão previstas três viagens nos dez primeiros dias do mês. Boa parte desses deslocamentos ocorrerá para lançamento de obras do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) e inaugurações, que ficarão restritas a partir de julho por conta das eleições municipais de outubro.

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

A República sindicalista – e pelega

A quebra de braço entre a Comissão de Ética Pública e o ministro do Trabalho Carlos Lupi caminha perigosamente para um final melancólico.

Ontem, o presidente da Comissão de Ética Pública desistiu e jogou a toalha: renunciou à presidência.

Em 23 de dezembro do ano passado, a Comissão solicitou ao presidente Lula que demita o ministro Lupi, mas o presidente faz cara de paisagem até hoje.

Com isso, Lupi continua afrontando a Comissão  e a ética: aparelha o Ministério do Trabalho com indicados do PDT, repassa verbas polpudas a ONGs ligadas ao PDT e, arrogantemente, declara: “daqui não saio, daqui ninguém me tira”.

Agora, o novo presidente da Comissão de Ética, o ex-ministro do STF Sepúlveda Pertence, deu a Lupi dez dias para responder por que continua desrespeitando as determinações da Comissão.

A argumentação do ministro e seus aliados, incluindo aí sindicalistas, alguns senadores e o próprio ministro José Múcio é a de ser presidente de partido em outros países credencia à ocupação de cargos públicos, não o contrário.

Mas este não é o entendimento da Comissão de Ética Pública no Brasil. Ou bem se respeita o entendimento da Comissão, ou ela não tem nenhuma razão de existir.

Aliás, Sepulveda Pertence declarou que, se o ministro se recusar a sair, e se o presidente da República não o demitir, só restará aos membros da Comissão de Ética decidir, em caráter individual, se permanecem ou não na Comissão.

É difícil que a ética saia vencedora neste caso. Todas as seis centrais sindicais decidiram cerrar fileiras para defender a permanência de Lupi no Ministério, sendo que cinco delas entregaram ao presidente Lula uma carta apoiando Carlos Lupi e atacando o ex-presidente Marcílio Marques Moreira.

Este é um governo cheio de sindicalistas, um governo em que os sindicalistas têm enorme força. Agora, por exemplo, antes mesmo de discutir a reforma tributária com governadores e Congresso, o próprio presidente Lula recebeu no Planalto os sindicalistas para apresentar a eles o projeto de reforma.

Os sindicalistas solicitaram  e o presidente concordou  a retirada de um ponto importante da reforma: a redução da contribuição previdenciária dos patrões.

Uma das melhores iniciativas do projeto de reforma, pois propiciaria um aumento de empregos  está muito caro dar emprego formal no Brasil  foi bombardeada pelas centrais sindicais.

Afinal, o papel de uma central não é defender a criação de novos empregos, mas garantir a permanência dos benefícios de quem já tem emprego.

Com isso, antes mesmo de ver o projeto discutido por empresários, políticos e toda a sociedade, o presidente Lula já atendeu à imposição de seus velhos companheiros.

Portanto, será uma surpresa se o presidente da República decidir enfrentar a pelegada e demitir o ministro do Trabalho.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Da EFE

Hillary e Obama discutem por foto do senador em traje somali

Foto de 2006 mostra Obama usando um turbante e uma túnica branca.
Os dois pré-candidatos à Presidência trocaram acusações pela divulgação da imagem.

Os pré-candidatos democratas à Presidência dos Estados Unidos Hillary Clinton e Barack Obama se enredaram nesta segunda-feira (25) em uma nova disputa, desta vez pela distribuição de uma foto na qual o senador aparece vestido de traje típico somali.

A foto, tirada em 2006 durante uma viagem de Obama ao Quênia, o país natal de seu pai, mostra o senador por Illinois usando um turbante e uma túnica branca.

O site de notícias conservador "Drudge Report" publicou a foto e indicou que ela foi divulgada por membros da campanha de Hillary, que fazia um discurso sobre política externa em Washington.

Há alguns meses circula um falso boato, divulgado em e-mails, de que Obama é muçulmano, algo que o senador desmentiu várias vezes.

A equipe de Obama reagiu com irritação perante a fotografia e disse que a campanha da senadora por Nova York "se envolveu na manobra mais vergonhosa, ofensiva e com a intenção de causar mais medo que vimos no seio de qualquer partido nestas eleições".

Por sua parte, a diretora de campanha da ex-primeira-dama, Maggie Williams, afirmou que se Obama "quer denunciar que uma foto na qual aparece com o traje típico somali cria divisões, deveria sentir vergonha. Hillary Clinton usou o traje típico de países que visitou e essas fotos foram publicadas em muitos lugares".

Debate

Os dois pré-candidatos democratas se verão frente a frente nesta terça-feira (26) em Ohio, em um debate que será o 19º desde que começou a campanha eleitoral, e que acontecerá exatamente uma semana antes das primárias nesse estado e no Texas, consideradas chave para decidir quem será o candidato definitivo.

À medida que a campanha cresceu em intensidade, os dois aspirantes trocaram cada vez mais farpas, mas em seu último encontro tête-à-tête, em um debate há uma semana no Texas, mantiveram um tom cordial e Hillary afirmou que "aconteça o que acontecer, estarei muito orgulhosa de ter estado aqui com Barack Obama".


 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

Suspense diante da reforma

BRASÍLIA - Caso não tenha sido outro rebate falso, o governo encaminha esta semana ao Congresso o tão esperado e sempre adiado projeto de reforma tributária. Por certo não será o que cada segmento da vida nacional esperava, já que todos, isoladamente, sempre imaginam benesses para eles e sacrifício para os demais. Mesmo assim, ou por isso mesmo, pode tratar-se de um bom começo, na medida em que todos venham a receber um pequeno refrigério, mesmo se sabendo pretenderem muito mais.

Os empresários, no mínimo, verão parcialmente desonerada a folha de pagamento de seus empregados, mas estes não receberão mais contas para pagar, ou seja, o governo deixaria clara a disposição de não reduzir a multa por demissões imotivadas, rejeitando, também, o parcelamento em doze vezes do décimo-terceiro salário e das férias remuneradas, artifício que os faria desaparecer em poucos anos.

Alguns impostos seriam reunidos, de forma a desburocratizar o processo fiscal, ao tempo em que estados e municípios passariam a receber alíquotas um pouquinho maiores do que as atuais. A cobrança nos centros consumidores, em vez dos produtores, alcançaria alguns tributos.

É cedo para qualquer conclusão, já que a equipe econômica continuava trabalhando no texto, no fim de semana que passou. Mudanças sempre podem acontecer, de acordo com o sistema de pressões tão comum nesses períodos, mas duas evidências sobressaem: os bancos serão um pouco mais apertados e o Congresso, mesmo dispondo da prerrogativa de desfigurar o projeto, através da maioria governista, já estaria de acordo em preservar suas linhas básicas. Para nós, aqui de fora, resta fazer como São Tomé: ver primeiro para acreditar depois...

Sem rolo compressor

Enganam-se quantos imaginam que PT e PMDB, além dos penduricalhos de sempre, indicarão marionetes para integrar a CPI mista dos cartões corporativos. Parece óbvio que as ovelhas negras desses partidos ficarão de fora, ou seja, a base parlamentar do governo não colocará azeitona na empada da oposição. Ficarão de fora deputados e senadores do PT e do PMDB identificados como dissidentes.

Mesmo assim, não haverá como se imaginar um bando de cabras participando dos trabalhos de investigação das denúncias de corrupção e, por isso, tudo abafando e blindando. Apesar de comprometidos com o governo e decididos a poupar o presidente Lula e seus familiares de acusações específicas, os governistas da CPI terão nome e futuro zelar. As eleições municipais estão próximas e nem tão distantes assim parecem as eleições de 2010, para a renovação dos mandatos parlamentares.

Experiências anteriores sempre mostraram surpresas. Se as consciências não falarem, falará pelo menos a expectativa de futuro de cada um. Por essas e outras é que PSDB e Democratas, estrilando como é de seu dever, aguardam com certa ansiedade o início dos trabalhos. Nem só o presidente e o relator constituem a alma de uma CPI.

Ainda sem flores nos canteiros

Semana passada o presidente Lula começou a cumprir a determinação de visitar canteiros de obras do PAC, ajudando a impulsionar os projetos e sensibilizando a opinião pública. Daqui por diante, informam seus auxiliares, será sempre assim, ao menos nas semanas em que não estiver no exterior.

O problema é que, como em todos os canteiros, eles não começam pela coleta das flores, das verduras e dos legumes. Preparar a terra, extirpar ervas daninhas e regar constituem etapas anteriores e necessárias. São iniciativas que raramente aparecem, apesar de imprescindíveis.

Visitá-las dá pouco ibope, além de gerar um certo desconforto para o visitante, dada a impressão de pouco haver sido realizado, apesar do contrário. Mesmo assim, trata-se de uma decisão do presidente, até para servir de estímulo a obras que poderiam estar mais adiantadas.

Programa Territórios e Cidadania terá recursos de R$ 13 bi

BRASÍLIA - No ano em que os municípios vão escolher seus novos prefeitos, o governo federal quer marcar presença nas áreas rurais e nas cidades mais pobres do País. No lançamento do programa Territórios da Cidadania, ontem, no Palácio do Planalto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou investimentos de R$ 11,3 bilhões para os municípios e garantiu que o governo vai cumprir a meta do programa "Luz para Todos", de alcançar mais 2 milhões de famílias.

Lula anunciou ainda que vai viajar muito pelo País, por dois motivos: porque só assim é possível conhecer os problemas do País e porque ficar tempo demais em Brasília "é uma desgraceira só". O Territórios da Cidadania é o primeiro grande pacote de programas do governo Lula para as zonas rurais.

Apenas este ano, 958 municípios, em todos os estados, com uma população que chega a 24 milhões de pessoas, receberão os investimentos de 15 ministérios e 3 secretarias especiais, indo desde a construção de escolas até estradas e crédito para agroindústria.

Acusado de ser lento nos programas de reforma agrária e de ter desestimulado os movimentos sociais com a farta distribuição do Bolsa-Família no interior, o governo pretende agora estimular as economias locais justamente em áreas onde beneficiários da bolsa, assentados, quilombolas e indígenas são a maioria da população.

"Queremos que a agroindústria chegue junto com a energia elétrica, com a estrada para escoar produção, com assistência técnica, e sejam capazes de tirar essas comunidades da estagnação econômica", afirmou o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel.

Mais luz

A luz, que hoje ainda falta a quase 12 milhões de pessoas, de acordo com dados do próprio governo, já deveria ter chegado a todas as zonas rurais pelo planejamento inicial do programa "Luz para Todos". A pouco mais de sete meses das eleições municipais, Lula disse que a promessa vai virar realidade: "Este ano vamos cumprir a meta do Luz para Todos", afirmou.

"Qual é o problema do Luz para Todos? O problema é que nós trabalhamos com o número do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), que é nossa referência. Mas, na hora que o pessoal sai a campo, a gente percebe que tem muito mais gente sem luz do que está nas estatísticas do IBGE. Já descobrimos mais 1,7 milhão de pessoas que não têm luz. É mais um compromisso, até 2010, para a gente acabar com tudo isso".

Parte das ações do Territórios da Cidadania é justamente a chegada da energia elétrica a municípios. Assim como água potável, saneamento e estradas. Mesmo São Paulo, que vai participar com dois territórios  o Vale da Ribeira e o Pontal do Paranapanema , precisa ainda de ligações de energia e saneamento.

Apenas no "Luz para Todos" estão previstos R$ 3,5 bilhões este ano. Os projetos de todo o programa, no entanto, só estão previstos para começar em abril. "Essa política que o Cassel anunciou aqui, eu posso dizer para vocês que é o segundo grande passo para a gente acabar com a pobreza", disse o presidente.

"Quando me apresentaram o Territórios, eu me convenci de que tínhamos conseguido elaborar o mais extraordinário programa de atendimento de políticas de oportunidade combinadas com políticas sociais que já tínhamos preparado no Brasil".

Bolsa-Família

O presidente quer que o Territórios seja a solução de renda para muitas famílias que hoje dependem do Bolsa-Família para viver. Mas Lula se recusa a falar em uma "porta de saída". "Eu não tenho pressa de acabar com o Bolsa-Família. Vai acabar no dia em que a sociedade brasileira, junto com todos nós, conseguir construir as políticas de distribuição de renda para que o povo não precise mais dessa política do governo", afirmou.

O Bolsa-Família foi justamente um dos critérios para escolha das áreas a serem atendidas. Quanto mais famílias, maior a possibilidade de entrar na lista. Os 60 territórios concentram 21% das famílias do programa, assim como 40% dos assentados da reforma agrária e 24% dos agricultores familiares do País.

Questionado se não havia risco de o programa ser considerado eleitoreiro, já que era lançado em ano de eleições municipais, o ministro do Desenvolvimento Agrário chegou a se irritar: "Estamos falando de combate à pobreza. Misturar isso com eleições seria uma pequenez injusta, uma mesquinharia", afirmou Cassel.

Governador defende aproximação do PSDB com PT

BRASÍLIA - O governador de Minas Gerais, Aécio Neves, disse ontem em Brasília que a aproximação entre PSDB e PT para as eleições municipais em Belo Horizonte mostra que é possível o diálogo e alianças futuras entre os dois partidos. Para Aécio, sua aproximação com o prefeito de Belo Horizonte, Fernando Pimentel, que é do PT, "não deveria assustar, deveria alegrar". Segundo ele, esta aproximação faz parte de um processo de transição.

"O Brasil precisa viver uma fase mais madura. Precisamos buscar alianças onde existe identidade. Acho que esse possível entendimento, algo em curso na terceira capital do País, onde eventualmente o PSDB e o PT poderão estar juntos em torno de um projeto para as cidades, pode ser uma sinalização", completou.

Segundo ele, esse aliança pode oxigenar a vida política nacional e ser seguida em outros estados. "Não acho que eu tenha, indefinidamente, de estar no campo oposto. Há figuras do PT com as quais tenho identidade", afirmou Aécio.

Após almoço com o ministro da Fazenda, Guido Mantega, Aécio manifestou o desejo de que setores do PT possam apoiar, no futuro, um eventual governo do PSDB. "Estamos mostrando, a partir de Minas Gerais, que é possível que haja diálogo. É natural que o PSDB tenha candidato. É natural que o PT tenha candidato em 2010 (ano de eleições presidenciais). Mas por que, em torno de algumas propostas, não podemos estar juntos no Congresso?", questionou.

"Da mesma forma que eu vim aqui hoje (ontem) mostrar que a proposta de reforma tributária é importante para o País, quem sabe setores do PT poderão apoiar algumas propostas de um futuro governo do PSDB", afirmou. "Se amanhã nós, que já temos identidade em tantas questões, em especial na área econômica, a partir da nova compreensão que o PT vem tendo, quem sabe podemos estar juntos na construção de um grande projeto futuro. Em Minas Gerais, estamos conversando. Em Belo Horizonte, estamos conversando".

Questionado se teria interesse em obter o apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva nas próximas eleições presidenciais, em 2010, respondeu: "Eu não ousaria isto. Sou candidato a fazer um grande segundo governo em Minas Gerais".

O governador afirmou que na, disputa eleitoral, prefere se aliar aos "construtores". Disse que quer ser uma "ponte" para alianças. Sem citar nomes, garantiu que existem muitos "dinamitadores" de pontes. "Eu serei uma peça de construção. No Brasil, já existem dinamitadores de pontes suficientes. Prefiro me aliar aos construtores de pontes para que, quem sabe, tenhamos condições de construir um grande projeto para o País".

Segundo Aécio, há muitos candidatos à Presidência, mas faltam projetos "claros". Questionado se ele ganharia a disputa no PSDB de uma vaga para concorrer ao Planalto, caso haja polarização com o governador de São Paulo, José Serra, respondeu: "Ninguém será candidato com viabilidade à Presidência se a candidatura não tiver um mínimo de naturalidade. Candidatura é uma construção coletiva. Não é uma manifestação de vontade pessoal de quem quer que seja".


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Canecão e Petrobras dá rolo

O Tribunal de Contas da União pediu ontem informações ao Ministério da Cultura sobre patrocínio de R$ 8,5 milhões da Petrobras, através da Lei Rouanet, à casa de shows Canecão, supostamente obtido com a criação de nova firma para não pagar R$ 5,4 milhões de dívidas com o INSS. A UFRJ tenta retomar há anos o terreno da União que o Canecão ocupa.

Gregolin deve ser demitido

O ministro Altermir Gregolin, titular da Secretaria de Aqüicultura e Pesca, vai ser "fisgado": Lula pediu ao presidente do PT, Ricardo Berzoini, três nomes para substituí-lo. Ele cometeu "irregularidade administrativa" com o cartão corporativo. Mas o anzol de Berzoini, com nomes catarinenses, é curto. O PMDB, que não engole Gregolin, quer o deputado federal Flávio Bezerra (PMDB-CE), que não aceita ser vice de petista no órgão.

De fininho

Altemir Gregolin foi o primeiro ministro do governo Lula cujos gastos com cartão de crédito escandalizaram o País. Mas foi ficando, ficando...

Em campanha

Tarso Genro (Justiça) marcou para amanhã uma reunião que pretendia discreta com os deputados Michel Temer (SP) e Henrique Alves (RN), da cúpula do PMDB, sobre a sucessão de Lula. Quer ser o candidato do PT.

Briga no Senado

O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), representou no Ministério Público contra Mozarildo Cavalcanti (PTB-RR). Acusa-o de falsificar documento para que a filha fosse nomeada ao cargo de juíza.

Diálogo de alto nível

26.02.08 - Diálogo de alto nível.JPG

O pessoal do Itamaraty teve dificuldades de traduzir trechos do diálogo do presidente Lula, semana passada com Cristina Kirchner (Argentina) e Evo Morales (Bolívia). Após reclamar que o cocaleiro chegara atrasado, Lula começou sua intervenção assim, sem a menor cerimônia:
- Você já me f(*) na questão da Petrobras  eu perdoei, mas não esqueci  e agora quer me sacanear de novo, desviando o gás para a Argentina?
Evo Morales não respondeu, apenas sorriu. Ficou tão encabulado quanto os tradutores cuja missão era facilitar o diálogo bilateral de alto nível.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

‘Prioridade agora é reforma tributária’, diz Lula

Presidente traçou estratégia em reunião com líderes

Deseja evitar a disputa de ‘governo contra oposição’

Sobre CPI, pediu que direção seja definida nesta 3ª

 

  Fábio Pozzebom/ABr
Em reunião reservada com os líderes de sua tropa no Congresso, Lula esboçou, na noite desta segunda-feira (25), os planos políticos do governo para os próximos meses. Pôs em segundo plano o debate sobre a CPI dos Cartões. Elegeu como prioridade a aprovação no Congresso, ainda em 2008, da proposta de reforma tributária.

 

Estiveram no gabinete de Lula o ministro José Múcio (Coordenação Política), os líderes do governo na Câmara e no Senado –deputado Henrique Fontana (PT-RS) e senador Romero Jucá (PMDB-RR)— e a líder do Planalto no Congresso, Roseana Sarney (PMDB-MA). Ouviram do presidente uma recomendação: “Precisamos criar um ambiente político favorável à reforma tributária.”

 

Nas palavras de Lula, a proposta deve ser tratada como “reforma de Estado, de interesse do país”, não como “disputa de governo contra oposição” ou “de governador contra prefeito.” Ele próprio, segundo disse, está de mangas arregaçadas. Nesta segunda, reuniu-se com líderes sindicais. Na quarta, deve receber em Brasília um grupo de cerca de 200 empresários.

 

A pedido de Lula, Fontana, Jucá e Roseana participarão, às 9h30 desta terça-feira (26), da reunião que o ministro Guido Mantega terá, no prédio da Fazenda, com os presidentes do PSDB e do DEM –Sérgio Guerra (PE) e Rodrigo Maia (RJ), respectivamente. Os dois se farão acompanhar dos líderes de seus partidos na Câmara e no Senado.

 

No encontro, a proposta de reformulação do sistema de cobrança de tributos, que o governo planeja entregar ao Congresso na quinta-feira (28), será apresentada não como peça fechada, mas como ponto de partida para uma negociação que resulte em aperfeiçoamentos.

 

“O governo teve a preocupação de incluir no projeto, pelo menos nos pontos essenciais, sugestões de mudanças que têm um razoável grau de maturação na sociedade”, disse Henrique Fontana, depois da reunião com Lula. “Mas é evidente que o projeto está sujeito a aperfeiçoamentos. Qualquer um de nós tem opiniões formadas sobre a questão tributária.”

 

A encrenca da CPI dos cartões corporativos do governo foi discutida no encontro dos líderes com Lula como tema lateral. Abordou-se o impasse gerado pela reivindicação do PSDB e do DEM, que “exigem” a presidência da comissão. A posição de Lula é conhecida. Acha que deve ser respeitado o regimento do Congresso. Ou seja, os governistas PMDB e PT, donos das maiores bancadas, têm o direito de indicar o presidente e o relator da comissão.

 

Lula disse, porém, que não cabe a ele decidir a refrega. Pediu aos líderes que resolvam o problema, junto com o ministro José Múcio. Acertou-se que a palavra final será dada em reunião a ser realizada nesta terça. Jucá e Roseana defendem um acerto com a oposição. Receiam que o impasse leve à instalação de duas CPIs para investigar o mesmo tema –uma mista, com deputados e senadores, e outra exclusiva do Senado.

 

Fontana e Múcio alinham-se com Lula. O líder petista teve o cuidado de escorar sua posição numa pesquisa. Levantou todas as CPIs realizadas nos oito anos da gestão tucana de Fernando Henrique Cardoso. Foram 29 três mistas, 21 da Câmara e cinco do Senado. “Só uma, a CPI da Nike, na Câmara, teve relator da oposição, o deputado Aldo Rebelo (PCdoB-SP)”, diz Henrique Fontana. “A reivindicação da oposição, portanto, não faz o menor sentido”, conclui.

 

O líder de Lula na Câmara oferece uma noção de como o governo pretende lidar com a investigação dos cartões: “Essa CPI tem uma importância diminuta. Assinei o requerimento porque era importante deixar claro que não há medo de investigar. Mas disse que essa é uma CPI desnecessária. Há outras estruturas do Estado, como o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União, que teriam melhores condições de verificar eventuais abusos. Vamos levar a CPI com serenidade, seriedade e profundidade. Mas ela vai seguir o seu caminho e vamos discutir a reforma tributária e as demais necessidades do país.”

 

A julgar pelo entendimento firmado pelas legendas oposicionistas, a investigação dos cartões pode não ser marcada pelo signo da “serenidade”. Reunidos nesta segunda, os líderes do PSDB e do DEM acertaram o seguinte: prevalecendo o impasse em relação ao comando da CPI mista, a oposição exigirá do presidente do Congresso, Garibaldi Alves (PMDB-RN), a instalação da CPI exclusiva do Senado. E o governo será forçado a conviver não com uma CPI, mas com duas.

 

“Não vejo como não instalar a CPI mista. Os deputados querem”, diz José Agripino Maia, líder do DEM. “Mas vamos exigir também a instalação da CPI do Senado. Se o governo quer assim, não tem problema. Teremos duas CPIs.” E quanto à reforma tributária? “A reunião que teremos com Guido Mantega não significa nenhum tipo de compromisso”, diz Agripino.

 

Acha possível que o Congresso a reforma em 2008? “Muito difícil”, diz Agripino. “Há enorme dissenso. O que Goiás quer, São Paulo não quer. O que o Rio grande do Norte deseja, não coincide com os anseios do Rio Grande do Sul. Seria necessário um comando nítido do governo, que não existe. Além disso, precisamos descobrir os gatilhos escondidos no meio da proposta.”

 

Lula espera obter mais boa vontade do PSDB, à frente de governos estaduais do peso de São Paulo (José Serra) e Minas Gerais (Aécio neves). Não por acaso, Mantega reuniu-se nesta segunda com Aécio, que saiu da reunião elogiando a proposta oficial. Esboça-se a mesma dicotomia que permeou o debate da CPMF. A acidez do DEM tende a ser temperada por uma disposição do PSDB para o entendimento.

Palocci denunciado por quebra de sigilo do caseiro

  Folha
O procurador-geral da República Antonio Fernando de Souza encaminhou ao STF uma
denúncia contra o ex-ministro Antonio Palocci (PT-SP). Acusa-o, agora em termos formais, de ter ordenado a quebra do sigilo bancário do caseiro Francenildo Costa. A denúncia foi à mesa do ministro Gilmar Mendes, relator do caso, na última sexta-feira (22).

 

Caberá ao plenário do Supremo decidir se converte ou não a denúncia do Ministério Público em ação penal. Não há, por ora, data prevista para o julgamento. A violação do sigilo de Francenildo, que mantinha conta na Caixa Econômica Federal, ocorreu em 2006, depois de o caseiro ter revelado que Palocci freqüentava a “mansão do lobby”.

 

Assim ficou conhecida a casa alugada, em Brasília, por amigos e ex-assessores de Palocci ao tempo em que fora prefeito de Ribeirão Preto. Ali, negócios e pernas trançavam-se numa atmosfera incompatível com a sobriedade que Palocci exibia à frente da pasta da Fazenda. Era o ministro mais festejado de Lula. Freqüentava o noticiário como opção presidencial do PT.

 

Levada às páginas dos jornais e revistas como evidência de que o detrator de Palocci era uma voz remunerada, a movimentação bancária de Francenildo se revelaria, depois, legal. Tinha origem lícita. Viera de um desconhecido pai biológico do caseiro. Acionada, a Polícia Federal atribuiu ao então ministro a ordem para que os dados do caseiro fossem “pescados” nos computadores da CEF. O gesto custou a Palocci o cargo de ministro e a eventual candidatura à presidência.

 

O caso corre no STF porque Palocci elegeu-se deputado no pleito de 2006. E congressistas, como se sabe, dispõe de prerrogativa de foro. Não há, por ora, certeza quando à inclusão na denúncia de outros dois personagens do “caseirogate”: Jorge Mattoso, ex-presidente da CEF que teria cumprido a ordem do ministro; e Marcelo Netto, ex-assessor de imprensa da Fazenda, apontado como suspeito de ter vazado os dados protegidos por sigilo bancário.

 

Afora a nova encrenca, Palocci é protagonista de um outro processo. Refere-se à sua gestão como prefeito de Ribeirão Preto. O Ministério Público local o acusa de fraudar licitações e de receber propinas. Neste caso, o ex-ministro ganhou, dias atrás, um “presente”. Rogério Buratti, seu ex-assessor e principal acusador, desdisse tudo o que dissera aos promotores e à CPI dos Bingos. Palocci e seus advogados não tiveram nem tempo de comemorar a boa nova.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Mudança de rota

O PT dá a largada em abril para as eleições municipais com um seminário nacional em Brasília, sob o inevitável impacto do que ocorreu há quatro anos.
Primeiro, não estabelecerá metas como em 2004, quando projetava levar até mil prefeituras e acabou com 400. "Desta vez, não vamos estabelecer ultimato para nós mesmos", diz o presidente do partido, Ricardo Berzoini. A segunda mudança ocorrerá na política de alianças. Haverá indicações sobre aliados preferenciais, mas sem qualquer tentativa de forçar acordos locais espelhados na base de apoio a Lula imposição que, no entender dos petistas, teria contribuído para o estouro, em 2005, do escândalo do mensalão.

Ressurreições
Velhas figuras do mensalão voltarão a dar as cartas em seus partidos nas eleições municipais deste ano. José Janene é um dos tesoureiros do PP. Jacinto Lamas permanece no diretório nacional do PR, legenda que continua sob as ordens de Valdemar Costa Neto.

Macio 1
O DEM decidiu encarar a eleição municipal como um pleito local, sem apostar fichas nas críticas a Lula. A ênfase do partido será no desempenho dos prefeitos Gilberto Kassab (São Paulo) e César Maia (Rio) e na exposição de líderes emergentes como ACM Neto, candidato em Salvador, e Onyx Lorenzoni, na disputa em Porto Alegre.

Macio 2
"O Lula não é um ator na eleição de 2008", diz o presidente do DEM, Rodrigo Maia. O partido sabe do risco que é para seus candidatos bater de frente com um presidente com quase 70% de aprovação. Radicalização, só nos debates do Congresso.

Com lupa
O Ministério Público paulista distribuiu comunicado a promotores eleitorais pedindo atenção especial aos contratos fechados por prefeituras a partir de janeiro e o acompanhamento de gastos oficiais com propaganda e até com despesas de celulares e combustíveis.

Radical
Ex-prefeita de Fortaleza, Maria Luiza Fontenele vai reeditar este ano sua campanha pelo voto nulo na eleição da capital cearense.

"El Sucatón"
O atraso de uma hora e meia de Evo Morales para o encontro que teve com Lula no sábado se deveu a uma pane no avião que levava o presidente boliviano à Argentina. A aeronave, cedida pelo presidente da Venezuela, Hugo Chávez, teve de voar baixo e lentamente para evitar maiores problemas.

Criatividade
Preocupado em evitar que vingue a proposta dos presidentes da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP), e do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), de mudar o modo de votação de medidas provisórias, o governo busca saídas originais. Uma idéia em debate interno prevê que uma MP deixaria de trancar a pauta por decisão da maioria dos parlamentares.

Endureceu
A Casa Civil mudou a versão preliminar do projeto de lei restringindo o fumo em locais fechados, que o Ministério da Saúde elaborou e pretende mandar para o Congresso em breve. O texto final será mais claro nas punições a estabelecimentos que não respeitarem a proibição.

Social
Lula só deve participar do final da reunião de hoje em que centrais sindicais discutirão a reforma tributária com o ministro Guido Mantega (Fazenda). Mais do que ouvir as reivindicações, o presidente quer acertar a data de um jantar prometido já há algum tempo aos sindicalistas.

Mutirão
Presidente da Assembléia paulista, Vaz de Lima (PSDB) realizou um levantamento de todos os projetos que estão prontos para ir a voto e distribuiu aos líderes partidários. Desde o dia 7, quando a Casa voltou do recesso, apenas uma matéria passou pelo crivo do plenário.

Tiroteio
"É um desrespeito tentar criar uma emissora por medida provisória."
Do senador JARBAS VASCONCELOS (PMDB-PE), antecipando que votará contra a MP que cria a TV Brasil, assim como fez com a emenda constitucional que prorrogava a CPMF.

Contraponto

Com vara curta

Durante visita à Amazônia quando presidente, FHC recebeu do assessor Fábio Lepique a sugestão de alisar o pelo de uma onça considerada extremamente dócil. Daria uma bela foto, argumentou o auxiliar. O tucano descartou a idéia, mas os fotógrafos cobraram:
-A onça, presidente, põe a mão na onça!
FHC cedeu. Só que a balbúrdia da comitiva irritou o animal, que num bote quase atingiu a mão do presidente. A foto foi destaque em toda a mídia.
-Pensei que ia voltar para Caraguatatuba, de onde nunca deveria ter saído, lembra Lepique, hoje subprefeito do bairro paulistano de Vila Mariana.

"Flexissecuridade" e Estado social

Luiz Carlos Bresser Pereira

O que está ocorrendo desde os anos 1980 não é propriamente crise do Estado social, mas transformação

DESDE OS anos 1980, está em discussão a crise do Estado social, porém o que está ocorrendo não é propriamente crise, mas transformação. De um lado, a decisão da Nokia de transferir para a Romênia uma fábrica que empregava 3.000 pessoas na Alemanha e as reformas trabalhistas que os países europeus realizaram para baratear sua força de trabalho e evitar deslocalizações desse tipo mostram que o Estado social está sendo desafiado. De outro lado, porém, o aumento da carga tributária nos países europeus mais avançados, principalmente no Reino Unido, para financiar o aumento dos gastos sociais do Estado, especialmente nas áreas da saúde, da educação e da previdência, significa que o Estado social está se fortalecendo.
O nome dessa mudança aparentemente paradoxal foi dado pelos países escandinavos, sabidamente os países que melhor lograram combinar o desenvolvimento econômico capitalista com o atendimento das demandas socialistas de maior igualdade ou justiça social.
Chama-se "flexissecuridade" e se define por uma redução dos direitos trabalhistas, particularmente dos obstáculos à demissão de pessoal, combinada com um aumento compensatório da segurança do trabalhador e de seus salários indiretos por meio do aumento da carga tributária e dos gastos sociais.
A onda ideológica neoliberal dos últimos 30 anos tinha como objetivo a volta ao Estado liberal a uma forma de Estado que não assegurava direitos trabalhistas nem fornecia serviços sociais gratuitos a toda a população. A tentativa fracassou no segundo ponto, já que o tamanho do Estado medido em termos de carga tributária em relação ao PIB aumentou, ao invés de diminuir; e só foi bem-sucedida no primeiro porque as condições da concorrência internacional vêm obrigando os países ricos a flexibilizar os salários diretos. Por meio da flexibilização, esses países aumentam sua competitividade internacional e diminuem as taxas de desemprego. Mas, em compensação, adotam políticas que aumentam o tempo do seguro-desemprego, e, mais amplamente, todos os serviços sociais e científicos, tornando gratuita ou quase a saúde pública, a educação e os demais gastos voltados para o consumo coletivo e igualitário. Um governo na Europa estará mais à direita ou à esquerda à medida que essa compensação for menor ou maior.
Entre os países ricos, a "flexissecuridade" ocorreu principalmente nos europeus porque tinham um Estado social a defender. Nos Estados Unidos, não havia muito a reduzir em termos de direitos trabalhistas e não houve aumento da despesa social. No Brasil, ainda que tenhamos desde os anos 1940 um razoável índice de proteção ao trabalho (melhor do que nos Estados Unidos), não houve redução dos direitos trabalhistas, porque os salários aqui crescem no médio prazo menos do que a produtividade devido às migrações internas que implicam uma oferta ilimitada de trabalho. As migrações internas aqui fazem o papel da imigração nos países ricos. Os gastos sociais, por sua vez, não baixaram; pelo contrário, aumentaram, porque a construção do Estado social por meio do aumento dos gastos sociais foi a forma acordada na transição democrática para corrigir em parte os baixos salários e a distribuição desigual da renda existente no país. Aqui, como na Europa, o Estado social é uma conquista democrática.

 

 

 

Folha Online

Com Associated Press, Efe e France Presse

Após ser eleito presidente, Raúl promete manter socialismo em Cuba

Raúl Castro promete manter socialismo depois de ser eleito presidente de Cuba

Raúl Castro prometeu manter a economia cubana "dentro do socialismo" e fez uma série de referências a seu irmão Fidel Castro durante discurso de posse neste domingo, após ser escolhido pela Assembléia Nacional como novo Chefe de Estado de Cuba.

O general de 76 anos já exercia interinamente o cargo há cerca de 19 meses, devido aos problemas de saúde de irmão, que culminaram em sua renúncia na última terça-feira e o início do processo de "renovação" da cúpula de poder cubana.

Considerado favorito para suceder Fidel, Raúl tornou-se o virtual novo presidente quando encabeçou a uma lista única de candidatos apresentada à Assembléia, que ratificou a cédula e o elegeu novo mandatário da ilha.

Aos "agoureiros internacionais da morte da revolução", Raúl disse que começou a apontar suas propostas de mudança, em discurso de 26 de julho de 2007, como parte de um "debate crítico dentro do socialismo".

Ele pediu autorização do Parlamento para continuar consultando Fidel sobre "as decisões de especial transcendência para o futuro da nação", especialmente as relacionadas à defesa, à política externa e ao desenvolvimento social e econômico.

Raúl ressaltou que "só o Partido Comunista garantia segura da unidade da nação cubana pode ser digno herdeiro da confiança depositada pelo povo em seu líder", e acrescentou que "Fidel está aí, como sempre".

Raúl prometeu "eliminar proibições" na ilha, mas reconheceu o legado de seu irmão, que ficou mais de 49 anos a frente do poder.

"Nas próximas semanas, começaremos a eliminar as [proibições] mais simples, já que muitas delas tiveram como objetivo evitar o surgimento de novas desigualdades em um momento de escassez generalizada", declarou durante seu discurso de posse. Ele não detalhou quando e quais serão as proibições que serão anuladas.

O general também afirmou que vai rever o tamanho do Estado cubano, tendo por objetivo tornar sua gestão "mais eficiente".

Repercussão

O discurso de Raúl confirma alguns dos prognósticos de analistas políticos, que consideram o irmão de Fidel Castro mais pragmático e o possível artífice de mudanças na direção de alguma abertura política e econômica na ilha socialista, desde a Revolução Cubana de 1959, em que os Castro derrotaram o ditador Fulgêncio Batista.

Nesta segunda-feira, a União Européia ofereceu a Raúl Castro "um diálogo político construtivo" para "melhorar e aprofundar questões de interesse comum".

Marcelo Katsuki/Arte Folha

"A Comissão Européia está disposta a seguir trabalhando com o governo cubano, em coordenação com nossos sócios da União Européia, para melhorar e aprofundar questões de interesse comum, como o meio ambiente e as mudanças climáticas", disse o comissário europeu de Desenvolvimento, Louis Michel.

Michel deverá viajar para Havana no dia 6 de março, em uma visita de dois dias que oferecerá "a oportunidade de fazer avançar o diálogo da União Européia com o governo cubano".

Nos Estados Unidos, representantes da comunidade dos cubanos exilados lamentaram a vitória. "Raúl Castro governa Cuba junto a Fidel Castro há 49 anos. Não vemos nada de novo, somente a continuidade do regime", afirmou Janisset Rivero, do Diretório Democrático Cubano.

"Somente vamos ver as mudanças em Cuba quando liberarem os presos políticos, quando forem legalizados os partidos políticos e forem convocadas eleições livres, não esta farsa eleitoral", acrescentou.

'Há possibilidade e potencialidade de mudanças em Cuba, mas essas mudanças têm que nascer de dentro do país', disse Tom Shannon, chefe da diplomacia dos EUA para América Latina.

Ele acrescentou que os EUA não devem mudar sua política baseada no embargo iniciado em 1962.

"Viva Fidel"

Um dos mandatários mais próximos a Fidel, o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, foi o primeiro chefe de Estado a enviar uma felicitação ao novo presidente de Cubano.

"Raúl sempre esteve ali, praticamente invisível, mas trabalhando o mais possível, fiel à revolução, ao povo cubano e fiel até a medula ao seu irmão mais velho, Fidel Castro", disse Chávez, em um programa de televisão.

"Fidel, camarada, vai aqui um abraço, você segue sempre sendo o comandante Fidel. Viva Raúl, viva Fidel, viva Cuba!", acrescentou o presidente venezuelano, pedindo a seus seguidores e membros do gabinete uma salva de palmas para Raúl.

 

 

 

Guerra do Iraque 'custa mais de US$ 3 tri', diz Stiglitz
Joseph Stiglitz
Livro de Stiglitz será lançado nesta semana
 
A guerra do Iraque poderá custar aos contribuintes americanos mais de US$ 3 trilhões (cerca de R$ 5,1 trilhões), segundo o prêmio Nobel de economia Joseph Stiglitz.

No livro A guerra de US$ 3 trilhões - O custo real do conflito no Iraque (em tradução livre), a ser lançado nesta semana, Stiglitz e a co-autora Linda J. Bilmes investigam os números por trás da guerra e os prejuízos para a sociedade.

"Quando fomos à guerra, o governo Bush disse que iria custar entre US$ 50 bilhões e US$ 60 bi. Na época, um economista da Casa Branca (Larry Lindsey), disse que o custo poderia chegar a US$ 200 bi. Ele foi demitido e sua declaração considerada "bobagem". O custo estimado hoje é que exceda US$ 3 trilhões", disse Stiglitz em entrevista à BBC.

Para dar a dimensão deste custo, Stiglitz explica que apenas um sexto da quantia seria suficiente para, por exemplo, resolver todos os problemas de seguridade social nos Estados Unidos pelos próximos 50 a 75 anos.

"Atualmente os Estados Unidos dão US$ 5 bilhões de ajuda à África por ano. Isso representa 10 dias de guerra no iraque. Se incluirmos os outros custos seriam 7 a 8 dias. Isso contra um ano de ajuda à África."

"Pelo custo de duas semanas de guerra, poderíamos acabar com o analfabetismo no mundo", estima Stiglitz.

Conflitos anteriores

O livro ainda compara este conflito com outros, anteriores, em que os Estados Unidos estiveram envolvidos.

"Esta é a segunda maior guerra dos Estados Unidos, depois do Vietnã, e a segunda maior em custos, depois da 2ª Guerra Mundial. Mas quando vimos o custo por soldado, este é ainda maior no Iraque."

Segundo o economista, o custo de cada soldado na 2ª Guerra, em que 16,3 milhões de soldados americanos lutaram por quatro anos, foi de menos de US$ 100 mil (em valores ajustados para 2007), enquanto que a guerra do Iraque vem custando US$ 400 mil por soldado.

Stiglitz explica que, nesta guerra, uma das diferenças que contribui para o aumento do custo é que, normalmente, o número de soldados feridos em uma guerra corresponde a duas vezes o número de mortos, mas nesta guerra, segundo o economista, o número de feridos chega a 15 para cada soldado morto.

Muitos desses ferimentos são problemas que os Estados Unidos terão que bancar pelos próximos 50 anos, e isso acrescenta ao custo da guerra, diz Stiglitz.

"Uma das razões para escrever o livro é uma tentativa de mostrar o que está acontecendo", disse o economista à BBC.

"A devastação é grande", afirma. "Em uma em cada cinco famílias com um soldado deficiente, uma pessoa terá que pedir demissão do emprego para cuidar dele", diz.

Desaquecimento econômico

Para o Nobel de economia, a guerra do Iraque também tem participação no desaquecimento da economia americana e na possível recessão.

Segundo Stiglitz, o custo da guerra é muito alto e, para "esconder" esse custo, o governo americano relaxou as políticas de monitoramento e regulamentação, estimulando uma bolha de consumo, principalmente no mercado imobiliário.

"Estávamos com dinheiro emprestado, comprando tempo, e este tempo agora acabou. Estamos agora diante de uma desaceleração da economia e, possivelmente, uma recessão."

"A guerra também fez com que o preço do petróleo aumentasse muito. Isso é dinheiro jogado pelo ralo. Esse foi um dos grandes problemas dessa guerra para a economia. Antes da guerra, o preço era de US$ 23 a US$ 25 o barril de petróleo, e as bolsas de futuro acreditavam que a cotação permaneceria estável pela próxima década. Agora o preço do barril chega a US$ 100  principalmente por causa das incertezas provocadas pela guerra."

Ao responder se os americanos teriam uma atitude diferente em reação à guerra se soubessem o custo de antemão, Stiglitz acredita que a resposta é sim.

"Se soubessem que teriam que pagar uma conta de US$ 3 trilhões com um resultado incerto  talvez haja paz no Oriente Médio, mas talvez não  eles diriam: 'Será que não podemos pensar num modo melhor de fazer isso?'."

 

 

 

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Fausto Wolff

Tenho medo

 

 

 

 

Acabo de ler a notícia de que o governo do senhor Silva, que não conheço e nem sei de quantas pessoas é composto, tem a aprovação de 52% da população, mesmo que, todos sabem, não funcione. Em vôo solo, o senhor Silva tem o apoio de 61,2%. Um leitor amigo enviou-me algumas frases das quais eu riria algum tempo atrás. Muita gente que, como eu, também riria, está se suicidando.

"Falar de doença mental não deve ser difícil para ninguém (...) Sabemos que o problema não atinge apenas os que já foram identificados como pessoas com algum problema de deficiência, porque a dura realidade é que todos nós temos um pouco de louco dentro de nós. Todos nós. Quem não acreditar, é só fazer uma retrospectiva do seu comportamento pessoal nos últimos dez anos." (Lula, ao assinar o Estatuto do Idoso perante uma delegação de idosos, em 1/10/2003. Agência Estado.)

"Estou vendo aqui companheiros portadores de deficiência física. Estou vendo o Arnaldo Godoy sentado, tentando me olhar, mas ele não pode porque é cego. Estou aqui à tua esquerda, viu, Arnaldo? Agora você está olhando para mim..." (Radiobrás, 27/06/2003.)

"Não adianta ter um bando de generais e de soldados". (No Clube do Exército, em 15/12/2003. Informativo do Exército.)

"Não é mérito, mas, pela primeira vez na história, a República tem um presidente e um vice-presidente que não têm diploma universitário. Possivelmente, se nós tivéssemos, poderíamos fazer muito mais." (Primeira Leitura, 13/09/2003, e Radiobrás.)

"Cheguei à Presidência para fazer as coisas que precisavam ser feitas e que muitos presidentes antes de mim foram covardes e não tiveram coragem de fazer." (Folha de S.Paulo, 30/10/2003.)

"Estou otimista, porque estamos reduzindo as taxas de interesse dentro do Brasil." (Na Cúpula das Américas, 13/01/2004. Tasa de interés significa, em espanhol, taxa de juros. Taxas de interesse não significa nada em língua alguma. O Estado de S. Paulo, 13/01/2004.)

"Vou fazer um desafio para que vocês aprendam a vender mais do que reclamar." (Em 27/01/2004, aos empresários que o acompanhavam durante visita à Índia. Vários jornais.)

"Há males que vêm para o bem". (Ao agradecer ao presidente da Rússia pelo apoio às investigações sobre o acidente de Alcântara, quando morreram 19 técnicos. Vários jornais.)

"Aprendi a contar até dez, apesar de só ter nove dedos, que é para não cometer erros. Um erro em qualquer outro governo é mais um erro. No nosso, não pode acontecer." (Lançamento do Plano Safra para a Agricultura Familiar, em 24/07/2003. Vários jornais.)

"Não tem geada, não tem terremoto, não tem cara feia. Não tem Congresso, não tem Judiciário. Só Deus será capaz de impedir que a gente faça este país ocupar o lugar de destaque que ele nunca deveria ter deixado de ocupar." (Em discurso na Confederação Nacional da Indústria.)

"Tem lei que pega e tem lei que não pega. Essa do Primeiro Emprego não pegou." (www.estadao.com.br)

"O bom de ser governo é do dia em que você é eleito até a posse. Depois, é só problema." (Discurso em 24/03/2004.)

"Por que em vez de perguntar você não enche a boca de castanha?" (A uma repórter que perguntava, em 5/02/2004, sobre a saída de Henrique Meirelles do Banco Central. Vários jornais.)

"Se fosse fácil resolver o problema da fome, não teríamos fome."

"Deus pôs os pés aqui (no Brasil) e falou: 'Olha, aqui vai ter tudo. Agora, é só homens e mulheres terem juízo que as coisas vão dar certo'". (Na abertura da Expo Fome Zero, em 10/02/2004. Radiobrás.)

"Será o maior programa social já visto na face da Terra." (No Pará, sobre o Bolsa-Família, em 26/02/2004. FolhaOnLine, 27/02/2004.)

"Sou filho de uma mulher que nasceu analfabeta." (No Dia Internacional da Mulher, 8/03/2004. Radiobrás e vários jornais.)

"Estou com uma dor no pé, mas não posso nem mancar, para a imprensa não dizer que estou mancando num encontro com os companheiros portadores de deficiência". (Encontro com atletas paraolímpicos, em dezembro de 2003. Unifolha, 02/12/1002, e Tribuna da Imprensa, 04/12/2003.)

"Todos vocês vão competir a uma vaga para Antenas (sic)? E quem é que acha que vai ganhar? Levante a mão aí para ver". (Unifolha, 02/12/2003.)

"Um brinde à felicidade do presidente Al Assad". (O presidente sírio não se levantou nem ergueu a taça porque os muçulmanos não ingerem bebidas alcoólicas. Tribuna da Imprensa, 04/12/2003.)

Ouço um tremor de terra. Talvez. Não! Funciona! É coisa de Prêmio Nobel. Um coiso, um homem, um programa, venda do Brasil, subvenção para as multinacionais, dinheiro para os bancos, aumento de impostos e o resto para o mínimo. Para a maioria, pó de tijolo, cocô e rato morto. 
  


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Lula quer viver em Pernambuco

Após concluir seu mandato, em 2010, o presidente Lula pretende fixar residência em Pernambuco, conforme segredou a vários políticos aliados, como o senador José Sarney e o presidente do PMDB, deputado Michel Temer (SP). A manifestação de intenção do presidente faz ressurgir a suspeita de que ele cogita disputar uma vaga para o Senado pelo Estado onde nasceu. Mas, antes, terá de mudar o domicílio eleitoral.

Rumo à praia

Ao mencionar a vontade de se mudar, Lula diz que tem conversado com sua mulher sobre isso e que gostaria de morar no litoral pernambucano

Popularidade

O governador Eduardo Campos afirma, com base em pesquisa, que Lula é mais popular em Pernambuco do que em qualquer outro Estado.

Vizinhos simpáticos

Pesquisa desta semana em Pernambuco mostra que Lula é aprovado por 76,2% dos entrevistados, dos quais 33,8% recebem Bolsa-Família.

Uma pausa

Oficialmente, Lula não cita projetos eleitorais para depois de 2010, mas o ex-ministro José Dirceu acha que ele voltará presidente eleito em 2014.

O famoso quem

O ex-Portal da Transparência é tão transparente que muitos usuários de cartões corporativos nem sobrenome têm. Como um tal Wellington, que gastou R$ 3.619 no Observatório Nacional. Vendo estrelas, talvez.

Rebimboca

Além de abastecida, a frota de vinte carros da segurança de Lula em São Bernardo (SP) tem que estar nos trinques. O Planalto vai gastar R$ 48,5 mil em pintura, lanternagem e guaribadas diversas. Ô turma barbeira...

Calaboca

Ainda ecoa no Planalto o "passa-fora" da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil) no deputado Beto Albuquerque (PSB-RS), na reunião do conselho político. Ele tentou interromper Dilma e levou um calaboca humilhante.

Sem educação

Há cinco meses a caneta de Lula não se mexe para sancionar ou vetar o projeto de 2001 do deputado Cezar Schirmer (PMDB-RS), regulamentando a profissão de supervisor educacional, que já tramitou em todas as instâncias. O presidente do Senado pode promulgá-lo.

Pensando bem...

...agora no governo não é mais "sabe com quem está falando?", mas "veja com que cartão estou pagando!".

 

 

 

http://www.maryvillano.blogspot.com/

Que tal viajar para Boquete?


Esse texto que chegou até a mim pela Web é especial, não pelo seu conteúdo, mas pela forma como veio. Em vez de caracteres no corpo do e-mail, essa curiosa matéria do repórter Paul Yanovic chegou até minha caixa de entrada na forma da imagem de uma página escaneada de revista, com direito a pequenas fotos dos lugares citados e tudo mais. Como todo texto engraçado e obscuro vindo da Internet, é claro que a imagem não mostrou o nome da revista e eu nunca ouvi falar desse repórter. Conclusão da história: não sei dizer pra vocês se a matéria é verdadeira ou não, mas o importante é que ainda podemos dar boas gargalhadas com os nomes de lugares em diversos países que, na nossa língua, pegaria mal morar por lá...

Se nós, brasileiros, nos orgulhamos de ter Pau Grande  a cidade fluminense onde nasceu Garrincha , o mesmo não ocorre com muitos outros povos. Existem, mundo afora, cidades com nomes pra lá de comprometedores, de Bicha até Boquete. Confira uma turnê pelos lugares mais dúbios do planeta.

Boquete - o nome é muito estranho, mas trata-se de um belo lugar no Panamá, que mistura praia, montanha, esportes radicais e uma vegetação das mais ricas. Boquete, definitivamente, vai deixar você sem fôlego.

Bosta - Ela até que é bonitinha e limpinha. Mesmo assim, essa praia da Ilha Grande Bernera, na Escócia, ganhou esse nomezinho séculos atrás. Faz sentido: mesmo no verão, a temperatura da água não passa de 13º C.

Bunda - Mergulhar desse penhasco, no sul da Austrália, não é tarefa para bundões. Além da altura de 65 metros, há também outro perigo a vencer: os tubarões lá embaixo, loucos para dar uma dentada na retaguarda alheia.

Busseto - Foi nessa cidadezinha italiana que nasceu o compositor Giuseppe Verdi. Ela fica na Emilia-Romanha, região onde se produz um vinho espumante delicioso, o lambrusco  perfeitos para refrescar os passeios Busseto adentro!

Pica - Você adoraria dar de cara com Pica se estivesse no norte do Chile. Trata-se de uma vila incrustada num paradisíaco Oásis, em pleno Atacama  o deserto mais árido do mundo. Nesse caso, Pica vai bem pra qualquer um.

Chupa - Quer entrar numa fria? Vá pra esse lugar na Carélia, província do Norte da Rússia. Lá, o maior divertimento é criar bonecos de neve. O que o pessoal faz quando cansa de brincar com gelo? Chupa...

Foda - Na verdade, esse fim de mundo se chama Foda Bla. Fica no interior da Libéria, país do oeste africano açoitado pela miséria e por guerras civis. Viver lá é uma tarefa que faz jus ao nome.

Cagar - o nome completo desse morrete onde Judas perdeu as botas (e tomou um scoth) é Cagar Feosaig. Fica perdido no meio das Highlands escocesas. Se for pra lá, leve uma revista ou livro: ler é o melhor que há pra se fazer em Cagar.

Racha - Nada como se divertir na racha. Essa pequena ilha da Tailândia é quente, úmida e pequena. O que mais você quer?

Bicha - Morar nesse vilarejo é coisa pra macho, apesar do nome. Ele fica em Kosovo, um lugar perdido na ex-Iugoslávia, onde imigrantes albaneses e nativos sérvios saíram na porrada nos anos 90.

 

 

 

 

 

Zoo

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Arnaldo Jabor

A irresistível sedução do terceiro mandato

Um país é como uma pessoa. Tem traumas infantis, tiques nervosos, tem doenças genéticas e até venéreas. Há pessoas expansivas, transparentes, ingênuas. Há pessoas dissimuladas, que disfarçam bem suas perversões. Um país pega os cacoetes de seus políticos que, por sua vez, usam os cacoetes antigos do país e isso vai numa corrente viciosa, fazendo a história andar, tortamente, através de acasos, de acidentes de percurso, de neuroses tradicionais, muito além de "relações de produção" ou de "blocos históricos".

Lula sabe usar muito bem nossa ignorância política, fingindo até participar dela, logo ele, um Maquiavel do ABC, como acabou de fazer na defesa de Chávez, o fascista da Venezuela, misturando ditadura com parlamentarismo, de propósito, para confundir a "massa".

O governo Lula tem a destreza de usar toda nossa deficiência mental, os vícios antigos que a Colônia nos legou, para seu proveito. A ignorância do povão analfabeto e a desinformação confusa da classe média são seus principais instrumentos de poder. Somos um povo que reclama, mas sem massa crítica, com rasa formação política.

A estranha ideologia do lulo-sindicalismo está corrompendo o Legislativo e a opinião pública sem mexer, claro, na superestrutura financeira do País ? Lula agindo como um Napoleão III do sertão. Ele se coloca como que "acima" da política, essa coisa "menor", pairando num "bonapartismo molenga" que trabalha na desmoralização da democracia representativa. Isso é uma sopa no mel para corruptos e vagabundos aliados (nunca a voracidade corrupta do Atraso foi tão grande como agora) e uma preparação para um lento "chavismo light".

Como sabemos, o PMDB é a cara do Brasil. O Brasil é um PMDB. E nesse mar, com seus partidinhos periféricos, Lula navega em direção ao terceiro mandato.

A "grande aliança", que abençoa todos os vícios do Parlamento, teve um efeito desmobilizador das oposições. Quanto mais vergonhoso o Parlamento, melhor para ele. Lula lucra com episódios como o de Renan no Senado.

Não é que a oposição (O vago PSDB e o pálido DEM?) foi destruída por um ataque direto. Não. Ela está sendo desossada, engolida por uma maré venenosa de alianças corruptas, de conformismo, de obediência, de oportunismos atendidos. A oposição sumiu como uma pedra que afunda no meio de um terreno que apodrece em volta.

O lulo-sindicalismo cria aos poucos uma moleza na sociedade civil que, como não há crise econômica, vai perdendo a clareza de opiniões. É o chamado "efeito desalento": a sensação de que tudo é "assim mesmo no Brasil", que não adianta reclamar nem denunciar nada. Todo o espírito reformista que houve no período FHC (sabotado pelo PT implacavelmente), e mesmo o ar de militância popular que o primeiro Lula ainda tinha, tudo virou uma sopa morna de "fracassomania" que está deprimindo o País, de volta aos velhos tempos do "isto não tem mais jeito". O governo Lula nos anestesia politicamente. Assistimos, por exemplo, impotentes, à recauchutagem de todo o esquema de corrupção do Ministério das Minas e Energia, do escândalo Gautama (lembram?), pois o PMDB não pode ficar fora de um orçamento de 260 bilhões de reais para os próximos dois anos. Esperam passar um tempo e voltam todos.

Outra descoberta do lulo-sindicalismo é o "efeito da confusão proposital de informações". Como é difícil a leitura da complexidade administrativa do País, nada se explicita para a população. Na crise aérea tem sido assim, na listagem real das obras do governo, de projetos administrativos. A idéia de reformar, essencial no País, é jogada para ???córner, e os portos, estradas, gargalos, burocracia, tudo fica intocado, dissimulado pelo marketing, com ministros anunciando obras nem começadas (transposição do Rio São Francisco, por exemplo), nada sendo feito, mas tudo sendo anunciado, pois descobriram, maravilhados, que mesmo sem sair coisa alguma do papel, basta a divulgação. Listem-me, por favor, obras concretas do governo, além do Bolsa-Cabresto. Onde está o PAC? Como não há crise econômica, a pasmaceira política da população tem uma sensação de "normalidade".

O governo Lula tem o álibi de ser um governo "do povo". Assim ele pensa, assim pensam os empregados públicos na máquina, assim pensam os intelectuais dualistas. O discurso oficial ideológico é um sarapatel de idéias. É uma cepa herdada (resistente a antibióticos) de um autoritarismo leninista, que cruzou com o germe do sindicalismo oportunista, com o stafilococus do populismo pós-getulista, formando um novo tipo de micróbio que, com a baixa imunidade da democracia representativa, se espalha de forma letal.

Em cima desse álibi, tudo pode ser justificado: o "mensalão" foi chato, mas "os fins justificavam os meios, pois assim funciona o sistema burguês", a morte dos prefeitos foi "inevitável" para o bem do Partido, as alianças mais sujas são um "mal necessário" e vejo até uma certa volúpia revolucionária (quase sexual) em se aliar com o oposto do que se proclama, volúpia visível por exemplo, com Lula e Edir Macedo unidos e o súbito ardor indignado de Lula defendendo Chávez contra o "rei", pois o rei teria conotações de ancien regime, ecos franquistas, apesar do infinito progresso e felicidade da Espanha atual.

Creio que neste discurso de Lula se inicia uma nova etapa, em direção a uma provável tentativa de terceiro mandato, apesar de todas as ???denegações que, como sabemos, são o avesso da afirmação de um desejo. Claro que Lula não é o psicopata da Venezuela, mas dá para ver indícios de que as frestas da democracia serão usadas para, aos poucos, com jeitinho brasileiro, se atingir a continuidade. O PMDB está aí para isso. É difícil acreditar que o DNA dos sindicalistas se modifique e abra mão da estabilidade nos nichos onde se infiltraram. Sem oposição visível, é difícil imaginar que Lula resista a essa tentação. Ainda há três anos.

 

 

 

Diogo Mainardi

Massa e kebab

"Para Elias Canetti, o populacho revanchista que
incendiou o Palácio de Justiça em Viena serviu
como um prenúncio do nazismo. Para mim, a
massa bestializada que foi assistir ao espetáculo
de Claudia Leitte em Copacabana provou apenas
que eu preciso sair menos de casa"

Lula e Isaiah Berlin. Os dois nomes foram citados juntos, lado a lado, ombro a ombro, no mesmo parágrafo de um editorial de O Estado de S. Paulo. É sempre espantoso quando um encontro desses acontece:

– Isaías, apresento-lhe Lula. Lula, este é Isaías, o filósofo. Isaías, tente explicar ao Lula o significado do conceito "liberdade negativa". Não, Lula: liberdade negativa não é o abuso da liberdade, é o contrário. Isaías, tente explicar novamente, por cortesia. Não, Lula: "As pessoas escrevem o que querem e ouvem o que não querem" não pode ser considerado um exemplo de liberdade negativa. Acho melhor a gente ir embora, Lula. O Isaías prefere ficar sozinho. Sim, Lula, o Isaías está morto.

No último domingo, testemunhei outro encontro inusitado: Claudia Leitte e Elias Canetti. Fui jantar com meus filhos num restaurante árabe de Copacabana. Meio de transporte: bicicleta. Um filho na cadeirinha dianteira, outro filho na cadeirinha traseira. No caminho de volta para casa, fomos imersos pela gigantesca onda humana que acabara de assistir a um espetáculo da cantora Claudia Leitte, na Praia de Copacabana. Imediatamente, pensei em Elias Canetti. Ele relatou que o evento decisivo de sua vida ocorreu em 15 de julho de 1927, quando foi arrastado por uma horda de arruaceiros que depredou e incendiou o Palácio de Justiça em Viena. Toda a sua obra foi inspirada pelo episódio. Em particular, o romance Auto-da-Fé e o tratado Massa e Poder. Eu senti uma inquietude similar à de Canetti no último domingo, quando fui arrastado pelas centenas de milhares de pessoas que debandaram depois do espetáculo de Claudia Leitte, com meus filhos na bicicleta e a barriga cheia de homus e kebab.

Onda humana. Eu nunca uso figuras de linguagem. Nesse caso, ela cabe: Canetti identificou onze símbolos que representam as massas. Um desses símbolos é o mar. A massa de espectadores de Claudia Leitte era representada por um símbolo que não chegou a ser contemplado por Canetti: o Smirnoff Ice. Para Canetti, o populacho revanchista que incendiou o Palácio de Justiça em Viena serviu como um prenúncio do nazismo. Aquela gente estava pronta para seguir o primeiro demagogo sanguinário que aparecesse. Para mim, a massa bestializada que foi assistir ao espetáculo de Claudia Leitte em Copacabana, formada por uma gente embriagada, barulhenta, porca, feia e de pernas curtas, provou apenas que eu preciso sair menos de casa. O que demonstra de uma vez por todas – como se isso fosse necessário – que eu jamais serei um Elias Canetti.

Tenho bastante intimidade com Elias Canetti. Li suas memórias e sei praticamente tudo sobre ele, de seu nascimento até sua morte. Sim, Lula, o Elias também está morto. A partir de agora, vou me dedicar ao estudo da vida e da obra de Claudia Leitte. Ela pode ser um prenúncio dos desastres do nosso tempo.

 

 

 

http://www.antenaparanoica.blogger.com.br/

De Maximiliano Vega, do Santa Maradona
Traduzido por Nonato Albuquerque


Blogueiros
regras para se ter um maneiro

1] Perder todo contato com a realidade e convencer a ti mesmo que tens algo importante e fundamental que dizer em um blog.

2] Escrever 10 posts diários. Verificar as estatísticas de teu site a cada 10 minutos.

3] Sentir-se menosprezado porque os milhões de leitores nunca chegam. Culpar a demora do Google em indexar teu blog.

4] Lincar blogs populares na esperança de que eles te adicionem de volta e, assim, gerar tráfego.

5] Verificar as estatísticas a cada 5 minutos. Sentir-se indignado com os deprimentes números. Culpar o contador gratúito que usas, que é pouco confiável.

6] Sentir-se menosprezado porque apesar de tua mágica prosa e tua graciosa imaginação, teu blog é abertamente ignorado pela comunidade blogueira. Enojar-te ainda mais ao comprovar que ninguém te acessou.

7] Escrever centenas de post em modo "draft". O mundo não merece teu talento.

8] Comentar em outros blogs na esperança de fazer-te conhecido. Sentir-se menosprezado porque outros não fazem o mesmo no teu blog.

9] Ficar nervoso ao dar-se conta que escrever algo medianamente interessante e diário é notavelmente complicado.
10] Ler bons blogs para acalmar os nervos. Desejar secretamente escrever tão bem como eles mas insistir em que podes fazer melhor que eles.

11] Criar um novo 'template' para o blog enquanto chega a inspiração de volta.

12] Escrever um post atacando as mulheres que colocam suas fotos seminuas. Ficar indignado pelos extremos aos quais chegam algumas só para incrementar audiência. Lamentar não ser mulher para fazer o mesmo.

13] Sentir-se molestado porque outros blogs logram mais comentários por post que o teu, apesar de que a qualidade dos outros é notavelmente inferior.

14] Escrever um 'post-manifesto' sobre o mal que faz a internet e como tu estás tratando de melhorá-la. Ameaçar deixar de escrever o blog pois "uma andorinha só não faz verão".

15] Sentir-se menosprezado ao comprovar que teus leitores (todos os 4) têm permanecido indiferentes ante tua ameaça.

16] Sentir-se indignado de que a maioria dos visitantes do teu blog sejam de 'robots de spam' e gente buscando pornografia.

17] Escrever um post sobre as curiosas palavras de busca com as quais alguém chegou a teu blog.

18] Sentir-se molestado porque algum contador te deu 1/2 estrela, quando claramente teu blog merecia 5. Escever um post argumentando que neste estado de coisas é impossivel continuar blogueiro.

19] Secretamente, ficar aliviado de que o Bloggerman haja escrito uma dica sobre teu blog, pois isso tem impulsionado o tráfego em uns 700%

20] Ficar contente porque finalmente conseguistes uma média de 10 comentários por post.

21] Odiar-se porque, desses 10, oito são teus.

22] Escrever um post saudando o autor do comentário de número 500.

23] Arquivar no 'rascunho' ao comprovar que ainda falta um bom tempo para que isso aconteça.

24] Escrever um post no qual dizes que recebes muitos e-mails e que se há muita dificuldade em respondê-los com prontidão.

25] Perguntar-se a quem estavas tratando de enganar com esse último post.

26] Depois de três semanas escrevendo no blog, escrever um post de despedida, argumentar cansaço e uma necessidade de imperativa de ausentar-se da internet para reflexões.

27] Voltar depois de dois dias. Argumentar que recuperou as forças e não pode viver sem a internet, o blog e, principalmente, teus leitores.

28] Voltar à dica número 1

 

 

 

Lauro Jardim

RADAR ON-LINE

Mesa-redonda improvisada

Ricardo Stuckert/PR

Lula e Pelé: papo de torcedor entre o corinthiano e o santista

Na segunda-feira, em pleno gabinete presidencial, houve uma espécie de mesa-redonda improvisada de mais ou menos uma hora – enquanto isso, os convidados da cerimônia que lançou a Timemania esperavam no salão. Além de Lula, o bate-papo reuniu Pelé, o ministro Orlando Silva e o presidente da CBF, Ricardo Teixeira. Lá pelas tantas, Lula queixa-se da situação do Corinthians. E Pelé manda esta: "Lula, estive outro dia na Fifa e eles elogiaram muito o Corinthians estar entre os quinze". Lula não entendeu: "Entre os quinze, Pelé? Estamos na segunda divisão". E o santista Pelé, rápido, emendou fazendo o gol: "Sim, Lula, entre os quinze: o XV de Jaú e o XV de Piracicaba...".


 

 

 

 

ISTOÉ - Independente

ELIANE LOBATO

Decepcionada com Lula

LEANDRO PIMENTEL/AG. ISTOÉ

LETÍCIA SABATELLA

Ligada aos movimentos sociais, a atriz fala do bate-boca com Ciro Gomes e diz que os avanços do governo têm sido lentos

Há alguma coisa em Letícia Sabatella que sugere a rara combinação entre sabedoria e fé. Quando defende uma posição política, a atriz é quase inflexível, embora nunca arrogante, e pode beirar o niilismo sem perder a esperança. Seu ideal é romântico: quer um mundo totalmente justo. Sua prática é moderna: tal e qual uma Angelina Jolie que obriga a imprensa mundial a falar sobre sua causa, as crianças em situação de risco, Letícia também usa a mídia para dar visibilidade a movimentos sociais. Viveu entre índios, caminhou com os semterra e foi ao sertão apoiar o bispo dom Luís Cappio, que fez greve de fome contra a transposição das águas do rio São Francisco. Acabou em todas as revistas, jornais, tevês e sites batendo boca com o deputado Ciro Gomes (PSB-CE), que tem opinião contrária sobre o projeto das águas. Como escreveu o jornalista Elio Gaspari, é irrelevante concordar com suas opiniões para apreciar as suas atitudes. “Vive-se melhor enquanto hou- ver gente disposta a ir ao Nordeste ou à praça do bairro para sustentar aquilo em que acredita”, disse ele. Linda aos 36 anos, a mineira que escolheu morar no Rio leva uma vida discreta. É mãe em tempo integral da adolescente Clara, da união com o ex-marido Ângelo Antônio, e namora o também ator Miguel Lunardi. Atualmente, protagoniza a novela Desejo proibido, da Globo, e estréia como cineasta com o documentário Os palhaços sagrados da tribo krahô. Nesta entrevista à ISTOÉ, ela se mostra decepcionada com Lula (a quem, no momento, não daria seu voto de novo) e, ao relativizar as contradições com Ciro Gomes, solta um desconsolado “fazer o quê?” Com imagem de boa moça, poderia aumentar a conta bancária fazendo comerciais, mas ela prefere ganhar menos dinheiro e jamais induzir ao consumo de produtos que desconhece ou, pior, não aprova. Atitudes como essa fizeram com que se sentisse “de outro planeta”.

ISTOÉ – Você e Ciro Gomes discutiram por causa da transposição das águas do rio São Francisco. O que ficou do episódio?
Letícia – Durante o debate (no Senado), e mesmo na carta aberta que ele me enviou e eu respondi (ambas publicadas no jornal O Globo), não aceitei um tom pessoal para a discussão. Mas nessa discussão e, principalmente, dentro do ritual de um debate no Senado Federal, tenho claro o que ele ali representava. Assim como eu também não estava ali posando de celebridade. Eu era uma cidadã, representando um movimento de direitos humanos, e ele, um deputado defendendo um projeto, introduzido por ele quando ministro da Integração. Nós, do Movimento Humanos Direitos, defendemos, junto com outros movimentos sociais, os projetos alternativos que democratizam a distribuição e o uso da água. São posições políticas contrárias, fazer o quê? Pensamos de modo diferente o modelo de desenvolvimento do País, mas, sinceramente, não só não concordo com a forma como ele defende seu projeto como não gostei da forma como Ciro tratou dom Cappio e os movimentos que ele representa. Fosse ele meu irmão, agiria da mesma maneira.

ISTOÉ – O que você conclui destes debates?
Letícia – Ainda não terminei de tirar as minhas conclusões. Agi movida por um sentido de urgência, mas já vinha observando uma imobilidade geral em relação às grandes obras do PAC e suas conseqüências ambientais e socioculturais. Observei isso em especial nas minhas visitas às aldeias krahô. Ninguém soube – a não ser as tribos e os movimentos sociais – das reuniões em que vários líderes punham-se contrários ao desmatamento, às monoculturas extensivas e à quantidade de barragens que estão alagando terras indígenas e comunidades ribeirinhas. Entendi o porquê do gesto extremo de dom Cappio. Quando pediram o apoio do MhuD (ONG Movimento humanos Direitos), eu me prontifiquei a ir visitá-lo.

ISTOÉ – Por quê?
Letícia – Para ouvir o que ele queria dizer. Ele precisava ser escutado. Estava pondo sua vida em jogo para que todos soubessem o que estava acontecendo. O Exército iniciara as obras para a transposição antes que uma profunda análise e amplos debates envolvendo a população fossem feitos para que se soubesse qual deveria ser o melhor projeto para o semi-árido. Isso não aconteceu como deveria e a transposição foi imposta como a única e melhor solução. A greve de fome que ele fez foi o que provocou uma maior mobilização e culminou com o debate no Senado. Acredito que a transposição, por mais monumental que seja, é a ponta de um iceberg e creio que o debate sobre qual modelo de desenvolvimento queremos para nosso país deve continuar.

CARDO STUCKERT/AG. ISTOÉ

“Não concordo com a forma como Ciro defende seu projeto e não gostei da forma como ele tratou dom Cappio"

ISTOÉ – Tem falado com dom Luís Cappio? Como está ele?
Letícia – A última vez que o vi foi no Senado, em Brasília. Fico feliz porque ele está vivo e continuando sua missão ainda mais forte. Ninguém sai de um jejum de 23dias sem estar mais fortalecido espiritualmente. É um ritual muito poderoso de determinação e aprofundamento.

ISTOÉ – Já pensou em se candidatar a algum cargo político?
Letícia – Não, nem...

ISTOÉ – Você se sente diferente por se expor dando apoio a movimentos populares?
Letícia – Quando me envolvo com uma causa cidadã, me uno a grupos com os quais partilho da mesma filosofia. Nunca defendi, ainda, nada sozinha. Uno-me aos cidadãos, aos movimentos que precisam de apoio. Sei que o nome de artistas, intelectuais, reforça na mídia a causa dos pobres. Hoje em dia dou este apoio através do MhuD.

ISTOÉ – O envolvimento ideológico provoca mais simpatia e solidariedade ou, ao contrário, é alvo de preconceito?
Letícia – Há 18 anos, me mudei para o Rio para fazer meu primeiro trabalho em televisão. Na mesma época, conheci o Betinho (sociólogo Herbert de Souza). Isso aconteceu quando eu quis fazer alguma coisa para ajudar as crianças de rua que ficavam na porta da Globo, no Jardim Botânico. Ficava incomodada vendo-as vender balas. Meu trabalho me abriu tantas portas e eu pensava em oferecer uma contrapartida, quem sabe algum trabalho ligado à arte? Ainda ajo assim, de várias formas procuro contribuir para uma sociedade mais justa. Não esperava reconhecimento. Tenho condições de oferecer, não quero cuidar só de mim e da minha família. Nunca sofri preconceito por fazer isso. Acho que apostaram em mim como atriz, me deram oportunidades boas demais para falar a verdade. Talvez eu incomode alguém por fazer isso, mas recebo muito mais carinho e muito mais apoio – e ajudo a transferir este carinho a quem está mais distante, necessitando ser ouvido.

ROOSEWELT PINHEIRO/ABR
"Não tínhamos muita certeza do que seria o Lula e o PT governando o País. Sei que é necessário pressão para mudar o foco do Estado”

ISTOÉ – Você acha que falta engajamento político e ideais na sociedade atual?
Letícia – Eu procuro respeitar o tempo e a consciência de cada um. Já me senti pressionada a fazer comerciais, por exemplo, e foi difícil assumir a decisão que a minha consciência me exigia (não anunciar produtos comerciais), a despeito do que todos diziam a minha volta. Eu parecia mesmo ser uma criatura de outro planeta, mas tive este insight, como se tivesse uma velinha acesa na minha consciência, delicada luz. Cada um tem a sua luzinha, a sua consciência, e tem de prestar contas a si mesmo, inevitavelmente. Nesse aspecto, todos somos sozinhos. Não sei se faltam ideais, porque eu convivo com pessoas com fortes ideais – outras, à sua maneira, fazem trajetórias distintas. Respeito, não fico julgando.

ISTOÉ – Sua decisão de não fazer mais comerciais é irrevogável?
Letícia – Acho que sim. Fico em paz com isso.

ISTOÉ – Você mudou sua opinião a respeito do presidente Lula?
Letícia – A resposta é complexa. Não deixo de ter esperança, é o que resta literalmente. Todos são passíveis de erros e acertos e, mesmo com boas intenções, somos capazes de ceder a pressões. A gente sabe da pressão que o poder econômico impõe ao Estado – e todos os governos se deparam com uma dificuldade gigantesca para mudar o quadro social brasileiro. Os avanços têm sido lentos, não que não existam. Neste governo, houve avanços. O que assusta é quando soa o alarme de um possível retrocesso, pois o preço é muito alto. Não tínhamos muita certeza do que seria o Lula e o PT governando este país, mas era o caminho mais sólido para uma transformação. O que sei é que é extremamente necessário e legítimo que haja pressão da sociedade civil para mudar o foco de interesse do Estado. Sempre foi assim: depende do Lula, do governo e do povo brasileiro.

ISTOÉ – Votaria no Lula de novo? Faria campanha para ele novamente?
Letícia – Neste momento, não posso dizer que votaria.

ISTOÉ – E o PT, ainda é o partido do seu coração?
Letícia – O PT, quando era um partido de oposição, era uma ponte forjada pelos movimentos populares, seu quadro era composto por pessoas importantes na história da construção de uma democracia. Mestres intelectuais prestavam assessoria através dos movimentos sociais. Enquanto os movimentos tiveram este respeito – e nunca é tarde para recuperar –, víamos o PT cumprindo sua missão histórica.

ISTOÉ – Você já disse que não bebe, não fuma, não consome drogas, não come carne vermelha e não ingere açúcar. São decisões ligadas à opção por uma vida mais saudável ou a questões de consciência?
Letícia – Sou capaz de comer carne ou peixe hoje em dia, de beber um pouco também, mas não gostaria de ficar sempre dependente e ter de comer carne todos os dias. Acho pesada a indústria da carne, a monocultura da soja ou o modo como tratam a natureza e os animais.

ISTOÉ – Consta que você nunca fez intervenções cirúrgicas, aplicações de botox ou implante de silicone. Descarta totalmente essas possibilidades?
Letícia – Nunca fiz cirurgia plástica, nunca fiz nenhuma cirurgia, graças a Deus. Prefiro deixar aberta a possibilidade de usar algum recurso como o botox. Mas quero preservar minhas expressões, sou uma atriz, nada de exageros.

ISTOÉ – O que costuma fazer para preservar a beleza?
Letícia – Ginástica, caminhadas e, às vezes, nada... Alimentação legal, aqui em casa não entram mais agrotóxicos. Uso protetor solar e hidratante nos cabelos.

ISTOÉ – Você está namorando?
Letícia – Eu e o Miguel Lunardi estamos namorando há dois anos e meio, ele é um anjo. É inteligente, superamigo, carinhoso, adora conversar, é gentil e discreto, um cavalheiro. Eu o amo.

ISTOÉ – Como está a Clara na adolescência?
Letícia – A Clara é uma pessoa linda, linda, linda. Tem uma observação, autêntica e personalíssima, sobre os acontecimentos. Acompanhar o seu desabrochar é, para mim, uma honra e um privilégio. Não gostaria de perder isso por nada neste mundo. É minha melhor amiga em todos os momentos. Temos brigas, claro. E acho até saudável. O Miguel, que estuda muito psicanálise, quando assiste, vez ou outra, a alguma discussão entre nós duas, fica admirado com a inteligência e a postura que ela está desenvolvendo.

ISTOÉ – Você escolheu morar no Rio. Acha aceitável a convivência com a violência? De quem seria a culpa pelo estado de vulnerabilidade total a que todos os cariocas se submetem?
Letícia – O Rio é lindo, as pessoas daqui são maravilhosas. Vim para cá pelo meu trabalho e fiz amigos queridos aqui. Todos sofremos com a violência, gerada pela desigualdade social. Aqui, ficou mais claro para mim quanto a reforma agrária e uma melhor distribuição de bens, de água inclusive, são urgentemente necessárias.

 

 

 

ISTOÉ - Independente

MÁRIO SIMAS FILHO

Alckmin será candidato

Tucano prepara estrutura de campanha, já fabricou adesivos e irá disputar a Prefeitura de São Paulo

ROBERTO CASTRO/AG. ISTOÉ

CANDIDATO Alckmin acredita que a aliança com o DEM possa vir só no segundo turno

Quando dois ou mais tucanos ligados a Geraldo Alckmin estão reunidos, o governador paulista, José Serra (PSDB), é chamado de Dona Flor. Que fique muito claro: não se trata de uma referência pejorativa. A metáfora com a personagem de Jorge Amado, que desfilava pelas ruas de Salvador de braços dados com seus dois maridos - um de cada lado - tem um significado exclusivamente político. A não ser que consiga convencer o prefeito Gilberto Kassab (DEM) a abrir mão de postular a reeleição, Serra terá que entrar na disputa eleitoral paulistana com um candidato em cada braço. Respaldado em números de pesquisas pré-eleitorais, Alckmin decidiu que não atenderá aos apelos do governador e de Fernando Henrique Cardoso e irá disputar a Prefeitura de São Paulo. Já está inclusive montando sua estrutura de campanha. "É claro que a manutenção da aliança com o DEM é importante para o PSDB e para o País, mas essa parceria não precisa necessariamente ocorrer desde o primeiro turno da eleição municipal", tem dito Alckmin a interlocutores tanto do PSDB como do DEM. Não se trata, porém, de uma avaliação unânime. "Temos que buscar desde o início do processo eleitoral a manutenção da aliança. Isso se constrói com o tempo. Qualquer lançamento de candidatura precipitado pode representar uma perda irreparável", adverte Walter Feldman, secretário municipal de Esportes. "Se Alckmin e Kassab saírem candidatos, quem poderá se beneficiar é a ministra do Turismo, Marta Suplicy, possível candidata do PT", completa.

ROGÉRIO ALBUQUERQUE/AG. ISTOÉANDRÉ DUSEK/AG. ISTOÉ

ALIADOS Serra ainda espera uma composição com o prefeito Kassab (acima)

Instalado confortavelmente em um escritório na zona sul de São Paulo, Alckmin tem conversado uma vez por mês com o governador José Serra, a maior parte das vezes por telefone, e pelo menos uma vez por semana com o governador de Minas Gerais, Aécio Neves, principal entusiasta de sua candidatura no PSDB. O ex-governador divide sua agenda entre a medicina e a política. Como médico, além de dar aulas em três universidades (Metropolitana de Santos, Santo Amaro e São Caetano), tem ministrado sessões de acupuntura pelo SUS três vezes por semana. Como político, optou por não conceder entrevistas e, quando questionado em algum evento público sobre sua candidatura, adota uma postura mineira: "Essa é uma decisão que precisa ser conjunta e não uma manifestação de vontade pessoal", afirma. Trata- se, na verdade, de uma discrição com data marcada. No final de janeiro, Alckmin combinou com o presidente nacional do PSDB, senador Sérgio Guerra (PE), que a única concessão que fará diz respeito à data do anúncio oficial de sua candidatura. Em novembro do ano passado, ele planejava colocar a campanha nas ruas logo depois do Carnaval, mas concordou em adiar o anúncio para a primeira quinzena de abril. Até lá, Serra e FHC lideram a tentativa de costurar de alguma maneira a manutenção da aliança com o DEM ainda no primeiro turno. "Temos que pensar também em 2010 e a manutenção da aliança política com o DEM precisa necessariamente passar por 2010", diz Feldman. "Não vou correr o risco de ficar sem disputar a eleição municipal apenas em razão da promessa de vir a disputar o governo paulista em 2010. Se entregamos a Prefeitura de São Paulo para o PT, corremos o risco de criar um adversário muito difícil de ser batido daqui a dois anos", disse Alckmin a Serra há cerca de 15 dias.

Mais do que discursos ou frases de efeito, o exgovernador arregaçou as mangas. Tem corrido diversos diretórios do partido e procura mobilizar os militantes. Nesses encontros, diz que em 2006 poderia ter derrotado o presidente Lula na eleição presidencial, caso tivesse obtido mais seis pontos no primeiro turno. E afirma que esses pontos teriam sido viáveis caso o partido estivesse mais empenhado em sua campanha. Em uma sala vizinha a que costuma ocupar, há algumas caixas contendo adesivos com os dizeres "Alckmin 2008". Sobre sua mesa, ao lado de um notebook, Alckmin mantém uma agenda com um adesivo na capa. Trata-se de uma peça da campanha eleitoral de 1986, quando se elegeu deputado federal pelo PMDB. "Há mais de 20 anos conquisto votos. Tenho uma história", diz o ex-governador aos interlocutores, que têm a atenção despertada pelo antigo material publicitário.

 

 

 

 

ISTOÉ - Independente

ALAN RODRIGUES - Pará
 
Este homem sabe onde estão os cadáveres do Araguaia
CLÁUDIO GATTI/AG. ISTOÉ
REVELAÇÕES “Eu não tenho o direito de levar para a sepultura os dados que tenho e que sei”

O militar que preparou o ataque final à Guerrilha do PCdoB rompe um silêncio de 35 anos, revela segredos do combate e indica o local de um suposto cemitério clandestino

Aos 73 anos, ele é vaidoso. Não sai de casa antes de fazer sessões de levantamento de peso, se lambuzar de fartas porções de protetor solar 60, mexer e remexer os cabelos tingidos de loiro. Ao chegar ao portão, ele empluma o corpo, despede-se da mulher, uma jovem de 26 anos, e do filho de cinco, dá meia dúzia de ordens, em tom de confidência, e sai para a caminhada com dois seguranças armados. Sebastião Rodrigues de Moura é mineiro de São Sebastião do Paraíso, mas é popularmente conhecido como “Curió” – um pássaro brigador. Qualquer desinformado que cruze o caminho deste senhor de olhar triste e passos cadenciados pelas ruas da cidade que leva seu próprio nome, Curionópolis, e da qual ele é prefeito pelo terceiro mandato, não saberá jamais que este homem é uma espécie de lenda na Amazônia. Curió virou mito encarnado no codinome “Dr. Luchini”, o mais temido militar brasileiro que se embrenhou na selva amazônica no início dos anos 70 para pôr fim a um movimento de jovens idealistas que buscavam convencer colonos a transformar o País numa pátria socialista. Conhecida como Guerrilha do Araguaia (1972/1975), foi a maior ação militar do País depois da Segunda Guerra Mundial. O combate colocou de um lado quatro mil soldados das forças de segurança contra cerca de 70 insurgentes. Quase todos os guerrilheiros foram mortos – mas apenas um corpo foi encontrado até hoje. A batalha aconteceu às margens dos rios Araguaia e Tocantins, na fronteira dos Estados do Pará e Tocantins, e deixou um rastro de barbárie, sangue e terror.

CLÁUDIO GATTI/AG. ISTOÉ

Curió virou mito para muitos, justamente porque foi ele e sua tropa que aniquilaram os guerrilheiros do Partido Comunista do Brasil (PCdoB) depois de duas derrotas vexatórias impostas a duas expedições militares em 1972. Ao final da Guerrilha do Araguaia, havia 59 guerrilheiros, dez posseiros e três militares mortos. Dezenas de pessoas foram torturadas. Como os militares protegem como segredo de Estado tudo o que se refere ao Araguaia, a história desse confronto segue repleta de perguntas sem respostas. Onde estão as ossadas dos guerrilheiros? Os corpos foram decapitados? Os cadáveres, incinerados? Eles estão em valas comuns? Um militar chegou a dizer que participou de uma Operação Limpeza, na qual os guerrilheiros mortos foram jogados, um a um, de helicóptero, pela imensidão da Floresta Amazônica. Essa informação é correta? O homem na fotografia ao lado tem as respostas. Curió era major do Centro de Inteligência do Exército (CIE) e foi o autor do mais completo dossiê de arapongagem sobre a guerrilha. Chamado de relatório 01 da Operação Sucuri, ele precedeu o combate que exterminou a guerrilha.

No domingo 10 de fevereiro, embalado por duas latas de Coca Zero, depois de traçar uma galinhada, Curió deu as primeiras pistas para perguntas que se transformaram em mistério. Após 35 anos, sua versão lança a oportunidade de esclarecer os destinos de mortos e desaparecidos da Guerrilha do Araguaia. Outros detalhes irão fazer parte de um documentário e um livro que sairão em breve (promessa, aliás, que já conta 20 anos). “Tenho 73 anos de idade cronológica, 45 de idade física e psicológica e 32 de idade mental”, disse ele à ISTOÉ. “Eu não tenho o direito de levar para a sepultura os dados que tenho e que eu sei.”

Curió começa sua imersão no passado revelando que, com o cerco dos militares, os guerrilheiros foram empurrados para um recuo no Castanhal dos Ferreira. De lá, eles se dirigiram para a região da Palestina (ver mapa). Neste local, no Natal de 1973, iniciou-se a fase final do combate na qual as forças do governo mataram mais de 20 guerrilheiros antes do Réveillon. “O pessoal dos direitos humanos fica procurando corpos em Xambioá (base militar), mas muitos corpos estão enterrados na Palestina, que na época era uma vila com uma rua de terra”, revela. Contra essa declaração, existe o fato de que sua comprovação custaria caro. Daquela vila, a 286 quilômetros de Belém, nasceu uma cidade que hoje conta com 7.500 habitantes. E para revirar o solo seria preciso demolir casas e esburacar ruas.

O segredo contado por Curió, contudo, ganha força graças a uma revelação feita na semana passada à ISTOÉ pela ex-guerrilheira Criméia Almeida. Segundo ela, foi justamente nessa região que, em 2001, a comissão dos familiares dos mortos e desaparecidos políticos tentou investigar a existência do que seria o cemitério clandestino da Guerrilha do Araguaia. Mas não se conseguiu porque o grupo recebeu ameaças de morte. “Estivemos na região rural dessa cidade, onde moravam alguns guerrilheiros, mas não pudemos pesquisar porque, além de ser muito difícil o acesso, fomos ameaçados pelos moradores”, diz Criméia, uma das poucas sobreviventes e parente de um dos mortos. Há sete anos, a comissão não levou o caso ao Ministério Público por dois motivos: primeiro, foi à Palestina informalmente. Depois, não conseguiu nenhuma evidência – um caso que muda completamente a partir de agora com o depoimento de Curió à ISTOÉ. “O Estado tem de dar uma resposta a isso”, cobra a ex-guerrilheira.

Um fato surpreendente na história contada por Curió e que, de acordo com ele, causa urticária entre seus pares de farda é o reconhecimento que ele faz da bravura de alguns militantes. “Queria ter enterrado a guerrilheira Sônia com honras militares”, conta. “Ela foi a melhor combatente dos comunistas. Aliás, as mulheres eram muito melhores do que os homens”. Sônia era o codinome de Lúcia Maria de Souza, morta pela tropa de Curió com uma saraivada de balas espalhadas pelo corpo. Antes de tombar, Sônia – que estava ferida com um tiro na perna – manteve o seguinte diálogo, segundo revela agora Curió:

– Qual o seu nome?
– Guerrilheira não tem nome, tem causa.

ARTE: FERNANDO BRUM

Este homem sabe onde estão os cadáveres do Araguaia
O militar que preparou o ataque final à Guerrilha do PCdoB rompe um silêncio de 35 anos, revela segredos do combate e indica o local de um suposto cemitério clandestino

Logo em seguida, o corpo de Sônia foi metralhado e abandonado no Igapó do Taboão, como era conhecida a área. “Deixei o corpo dela para trás porque eu estava ferido, ela tinha me acertado com um tiro no braço e atingido o rosto do Lício (comandante da tropa). Tínhamos que buscar socorro”, lembra. Além do corpo de Sônia, que ele admite ter deixado para trás, Curió revela que muitos outros guerrilheiros tiveram seus corpos dilacerados pelos animais da selva. “Muitos dos combates aconteceram à noite. Quando chegávamos de manhã, alguns corpos estavam comidos, às vezes não tinham nem mais cabeça”, conta.

Curió revela que a traição de militantes foi fundamental para acabar com a guerrilha. Ele aponta o dedo para o ex-presidente do PT e deputado federal José Genoino (SP). “Ele traiu seus companheiros. Genoino foi preso como um mensageiro dos guerrilheiros e, sem ninguém encostar nele, contou tudo: quem era quem no comando, revelou sobre os três destacamentos de guerrilheiros (chamados de unidades de combate pelo PCdoB).” E mais: “abriu” os codinomes e as armas que usavam seus 20 companheiros e suas funções, deu detalhes do relacionamento da guerrilha com a população e entregou os depósitos de mantimentos construídos na mata. “Tudo está anotado numa folha de papel. Quero ver ele falar que a letra não é dele”, desafia. Procurado em quatro ocasiões por ISTOÉ, Genoino não respondeu aos recados e telefonemas. Segundo Curió, foram as informações dele que municiaram a Operação Sucuri, a fase do extermínio da guerrilha.

CLÁUDIO GATTI/AG. ISTOÉ
VAIDADE Aos 73, casado com Vera Aguiar, 26 anos

Ex-lutador de boxe, filho de barbeiro, Sebastião Curió resolveu vestir farda depois de assistir a um primo ser carregado como herói pelas ruas de sua cidade natal assim que chegou da Segunda Guerra, na qual serviu na Força Expedicionária Brasileira (FEB). Curió agora acredita que seus depoimentos mudarão a história do Araguaia. “Muitas pessoas ficarão surpresas com os documentos que apresentarei mostrando os erros que ocorreram dos dois lados, tanto do Exército quanto dos guerrilheiros”, antecipa. Ele pode não estar blefando. Ao afirmar que possui documentos reveladores sobre a guerrilha, Curió põe em xeque a versão oficial do Alto Comando das Forças Armadas que afirma que toda a papelada foi queimada e que não existe nenhum arquivo sobre o período. “Não duvido que ele tenha esses documentos. Muitos militares privatizaram essas informações”, acredita Nilmário Miranda, ex-secretário nacional dos Direitos Humanos.

Quando imerge nos erros da tropa, que perderam dois combates, Curió admite que os militares só conseguiram sucesso na terceira etapa da guerra, a Operação Sucuri, porque os guerrilheiros tinham um poder de fogo muito aquém do dos militares. Ele avalia que o erro estratégico dos inimigos foi acreditar na vitória no segundo recuo das tropas militares. “Eles conheciam a floresta e a tropa militar colecionava muitos erros, como movimentar 300 homens ao mesmo tempo, roupas inadequadas, combatentes não adestrados e falta de rádios de comunicação. Até homens da guarda palaciana, que nem sabiam o que era selva, estavam lá”, conta Curió. As revelações do ex-militar acontecem depois de a Justiça ter ordenado ao governo a abertura dos arquivos da guerrilha. Como até o momento o Ministério da Defesa insiste em ignorar o despacho legal, aos parentes dos desaparecidos da ditadura militar o depoimento de Curió parece ser a única esperança para se encontrar, finalmente, a verdade.

 

 

 

wálter nunes, murilo ramos e david friedlander

Contratos sob suspeita

A investigação da Finatec, uma fundação de Brasília usada para driblar licitações, chega a um nome: o empresário Luís Lima, que negociava com governos do PT acordos milionários para sua empresa

CERCO
A PM do Distrito Federal vigia o prédio da Finatec para evitar a saída de documentos. Abaixo, cópia da planilha interna da Finatec que mostra o repasse de dinheiro recebido de prefeituras para consultorias privadas

Virou um caso de polícia, mas no começo a Fundação de Empreendimentos Científicos e Tecnológicos (Finatec), ligada à Universidade de Brasília (UnB), tinha objetivos nobres. Ela foi criada em 1992 por 12 professores da UnB para captar recursos para o desenvolvimento da pesquisa científica e tecnológica. Sua inspiração era o bem-sucedido exemplo de instituições tradicionais como a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp), que há 40 anos dá apoio à pesquisa científica em São Paulo.

Até 20 dias atrás, desconhecida fora dos meios universitários, a Finatec seguia uma rotina discreta. Ela saltou para as páginas dos jornais depois que uma investigação do Ministério Público do Distrito Federal concluiu que seu dinheiro estava sendo gasto em finalidades nada acadêmicas. Dos cofres da Finatec saíram R$ 389 mil para mobiliar – com artigos como um saca-rolhas de R$ 859 e lixeiras de R$ 1 mil – o apartamento do reitor da UnB, Timothy Mulholland.

Depois que a Justiça decretou intervenção na Finatec, afastando os cinco diretores, e sua sede foi cercada por policiais militares para evitar a retirada às pressas de documentos, mais irregularidades e desvios ocorridos na fundação começaram a ser revelados. Na semana passada, ÉPOCA teve acesso a uma série de documentos da investigação do Ministério Público do Distrito Federal e de uma auditoria em um contrato da Finatec com a Prefeitura de São Paulo, que vigorou entre 2003 e 2004. Nesse período, a Prefeitura era comandada pela atual ministra do Turismo, Marta Suplicy (PT). A principal peça desses documentos é uma planilha de controle da Finatec, com uma relação de contratos firmados pela fundação entre 2001 e 2005. Os principais contratos foram assinados com prefeituras e governos administrados pelo PT.

Da leitura dos papéis emergem aspectos mais mercantis que científicos, até agora inéditos, da Finatec. Eis os principais deles:

A Finatec estaria sendo usada como uma espécie de fachada por empresas de consultoria para fechar contratos com órgãos públicos, sem precisar disputar concorrência. Aproveitava-se uma brecha na legislação, que permite a contratação de fundações ligadas a entidades de ensino sem a necessidade de licitação pública.


No papel, a contratada sem licitação era a Finatec. Na prática, parte do dinheiro ia parar nas empresas de Lima

Essa brecha foi aproveitada pelas empresas Intercorp Consultoria Empresarial e Camarero & Camarero Consultoria Empresarial Ltda., pertencentes ao casal Luís Antônio Lima e Flávia Maria Camarero. Segundo a planilha em poder do MP, dos R$ 50 milhões em contratos com órgãos públicos amealhados pela Finatec entre 2000 e 2005, R$ 22 milhões foram destinados a pagamentos à Intercorp e à Camarero & Camarero.

Segundo testemunhas ouvidas pelo MP e ex-consultores da Finatec entrevistados por ÉPOCA sob a condição de não serem identificados, a ponte com as administrações petistas era feita por Luís Lima, de 42 anos. Gaúcho de Osório, ele foi consultor da administração do PT na Prefeitura de Porto Alegre. Como voluntário, participou da equipe que preparou a transição de governo de Fernando Henrique Cardoso para Lula. Com essas credenciais, segundo o MP, Lima, um sujeito discreto que não gosta de aparições públicas, se aproximava de governos estaduais, prefeituras de capitais e de grandes cidades e firmava contratos milionários.

No papel, a contratada, para prestar assessoria em programas de modernização gerencial, era sempre a Finatec. Mas quem recebia pagamentos na ponta, pelos serviços realizados, era a Intercorp e a Camarero & Camarero. Além da Prefeitura de São Paulo, comandada por Marta Suplicy, fizeram pagamentos à Intercorp e à Camarero & Camarero, por meio da Finatec, as prefeituras de Fortaleza, Vitória, Recife, Nova Iguaçu e Maringá e o governo do Piauí – todos comandados pelo PT.

Apesar dos pagamentos em somas milionárias, há indícios de que pelo menos uma parte desses contratos não foi cumprida na íntegra. Em São Paulo, a gestão de Gilberto Kassab (DEM) anulou um contrato de R$ 12,2 milhões fechado na época de Marta Suplicy. De acordo com a administração de Kassab, o acerto foi cancelado porque houve irregularidades na contratação e nos pagamentos à Finatec. O serviço supostamente produzido pela fundação não foi sequer aproveitado. Agora, a Prefeitura de São Paulo quer entrar na Justiça para reaver o dinheiro.
A Finatec recebeu R$ 357.600 para montar um escritório da Prefeitura de São Paulo em Brasília

A Finatec foi contratada em 2003 para melhorar a gestão da secretaria que coordena o trabalho das 31 subprefeituras do município de São Paulo. Dos R$ 12,2 milhões previstos no acerto, a Prefeitura pagou R$ 9,3 milhões até 2004 – dos quais R$ 4,49 milhões foram parar no caixa do consórcio Intercorp/Camarero & Camarero. José Serra (PSDB) assumiu a Prefeitura no ano seguinte, suspendeu o pagamento dos R$ 2,8 milhões que faltavam e submeteu o trabalho da Finatec a um pente-fino.

Um relatório produzido pelos corregedores da Prefeitura paulistana, ao qual ÉPOCA teve acesso, é demolidor. Ele afirma “que houve negligência dos agentes municipais que atestaram a execução dos serviços”. Pelo contrato, a Finatec seria remunerada por horas trabalhadas. Quando o critério adotado é esse, os manuais de administração pública ensinam que os responsáveis devem avaliar com máxima atenção as prestações de contas. O objetivo é garantir que a empresa contratada não tente cobrar por tarefas não executadas.

De acordo com os corregedores, não houve esse cuidado no contrato da Prefeitura de São Paulo com a Finatec. A fundação não informava quantos consultores usava para cada tarefa, não fornecia seus nomes e também não explicava onde o serviço tinha sido executado. Sem isso, a Prefeitura não tinha como conferir se o número de horas cobrado correspondia ao serviço realmente prestado. Mesmo assim, a Prefeitura liberava sem nenhuma contestação os pagamentos à Finatec.

O relatório da corregedoria menciona também o “uso político-partidário” do produto fornecido pela Finatec. A evidência, dizem os corregedores, é um “plano de ação” elaborado para organizar a comunicação entre os órgãos do governo Marta Suplicy. Segundo os corregedores, o plano de ação da Finatec propunha o seguinte: “Reunir em programa de mala direta os endereços, por regiões, de todos os filiados dos partidos da base do governo e de militantes do movimento social identificados com o governo”. Seria criado também um “boletim periódico (pela internet e pelo correio)”, para abastecer o público aliado com informações e orientações.

Qual é a razão de tudo isso? Segundo os corregedores da Prefeitura, a Finatec afirmava, em seus documentos, que a base de apoio da prefeita Marta Suplicy precisava estar informada “sobre a orientação político-administrativa e a estratégia, os números, dados comparativos, indicadores e as motivações políticas da administração, para que tenha elementos para divulgar e defender o governo”.

ACUSAÇÕES
Auditoria da gestão Serra/Kassab na Prefeitura de São Paulo aponta irregularidades no contrato de Marta Suplicy com a Finatec

Os corregedores afirmam que o serviço da Finatec, além de caro, sem controle e politicamente enviesado, foi malfeito. Com base no depoimento de 23 funcionários das subprefeituras, os corregedores concluíram que o trabalho desenvolvido pela Finatec não foi implementado e não teve nenhum efeito prático. “O trabalho realizado se mostrou irrelevante”, afirma o relatório. “Os serviços prestados pelas subprefeituras e suas atividades são idênticos àqueles realizados antes da assinatura do contrato em exame.”

Numa atividade bizarra para uma fundação de apoio à pesquisa científica, a Finatec também foi contratada em 2003, por R$ 357.600, para montar um escritório de representação da Prefeitura de São Paulo em Brasília. O contrato foi assinado pelo ex-secretário municipal Rui Falcão, hoje deputado estadual pelo PT. Em um relatório de atividades encaminhado à Prefeitura, a Finatec informa que coube ao escritório providenciar a locação de dois veículos para uma visita de Marta Suplicy a Brasília em 14 de outubro de 2003. Nesse dia, ela se reuniu com o presidente Lula e o então chefe da Casa Civil, José Dirceu, entre outros compromissos. Esse escritório foi desativado pela gestão Serra/Kassab.

Procurada por ÉPOCA, Marta Suplicy não quis se manifestar. O vereador paulistano Antônio Donato Madorno (PT), secretário de Subprefeituras por ocasião da contratação da Finatec, diz que o relatório dos corregedores da Prefeitura é um produto político. “Eu nunca fui ouvido por essa corregedoria. Ela foi usada como instrumento de perseguição política pelo José Serra (sucessor de Marta na Prefeitura e atual governador de São Paulo)”, afirma Donato Madorno. “Temos documentos para comprovar que os serviços foram prestados. Eles desenharam as estruturas das subprefeituras, que passaram a incorporar funções de outras secretarias, como Saúde e Educação.”

E a Intercorp, a empresa que segundo o Ministério Público era subcontratada às escondidas pela Finatec? “Desconheço”, diz Donato Madorno. E Luís Lima, o sujeito que o Ministério Público suspeita ser a ponte com as administrações do PT? “O Luís Lima eu conheço”, afirma Donato Madorno. “Ele aparecia como quadro da Finatec. Participava de reuniões. Nada especial.”

Pela descrição de ex-diretores e funcionários da Finatec, feita em depoimentos prestados ao Ministério Público, Luís Lima desempenhava um papel bem mais ativo. Seria ele o responsável por conseguir os contratos da Finatec junto às prefeituras. Ele tinha também um escritório para ele e a mulher em um dos prédios da Finatec, no campus da UnB. “Os valores dos contratos eram superestimados, supostamente para permitir a distribuição de porcentuais para agentes públicos, para Luís Lima e, provavelmente, para alguns dirigentes da Finatec”, afirmou uma testemunha em depoimento ao Ministério Público.

Como em São Paulo, pipocaram em outros Estados suspeitas acerca dos contratos da Finatec, em que a Intercorp e a Camarero & Camarero aparecem como destinatários dos pagamentos. No Espírito Santo, o Tribunal de Contas do Estado apontou duas irregularidades no contrato com a Prefeitura de Vitória: ausência de projeto básico e disparidade de preços em relação ao volume de horas de serviços prestados. A contratação da Finatec foi finalizada três meses depois da posse do prefeito João Coser (PT), que chegou a remanejar dinheiro do orçamento das secretarias de Saúde e Educação para fazer o acerto. Segundo a assessoria de imprensa da Prefeitura de Vitória, são comuns alterações desse tipo no orçamento no primeiro ano de uma gestão. O contrato rendeu à Finatec R$ 3,5 milhões, dos quais R$ 1,4 milhão foram pagos à Intercorp.

No Piauí, a passagem da Finatec também levantou suspeitas. Assim que tomou posse, em 2003, o governador Wellington Dias (PT) contratou a fundação para a elaboração de um projeto de reforma administrativa e para a elaboração de um plano de cargos e salários do funcionalismo público. Em um único dia, 3 de abril de 2003, o governo declarou a dispensa de licitação para contratar a Finatec, aceitou o plano de trabalho, assinou o contrato e juntou os comprovantes de publicação no Diário Oficial. A rapidez, incomum no serviço público, levou o Tribunal de Contas do Estado (TCE) a abrir dez processos para investigar a contratação. A secretária de Administração do Piauí, Regina Sousa, nega as acusações. “O TCE acatou a defesa apresentada pelo governo, e as contas foram aprovadas”, afirma a secretária.

De acordo com o Ministério Público, a contabilidade da Finatec é um problema antigo. Desde 1999, as contas da fundação não são aprovadas. Em junho de 2007, depois de duas renúncias consecutivas em diretorias da entidade, os promotores resolveram investigar o que estava ocorrendo lá dentro. Primeiro, constataram a atuação em áreas sem qualquer relação com pesquisas científicas. “Encontramos planos até para a construção de um shopping center. Isso é esdrúxulo”, afirma o promotor público Ricardo Souza, responsável pela investigação. No curso da apuração, Souza deparou com contratos firmados com prefeituras e a planilha em que aparecem os registros dos valores repassados às empresas de Luís Lima. O promotor Ricardo Souza afirma que a Finatec não poderia ter subcontratado as empresas de Lima. “Causou-me espanto. Há uma recomendação expressa para que as fundações não façam subcontratações”, diz Souza. “Por que essas empresas foram escolhidas para gerir contratos milionários? Houve um claro direcionamento.”

INDÍCIO
O promotor Ricardo Souza investiga a Finatec. Ao lado, cópia de uma nota fiscal que registra um pagamento da fundação à Camarero & Camarero

Em um único dia de 2003, o governo do Piauí dispensou licitação, aprovou o plano da Finatec e firmou contrato

Segundo o advogado da Finatec, Francisco Queiroz Caputo Neto, a subcontratação não é irregular nem onera os cofres. A Finatec, por meio de sua assessoria de imprensa, afirma ter feito parcerias com a Intercorp porque era Lima quem tinha um programa de reforma administrativa para atender às prefeituras. Procurado por ÉPOCA, Luís Lima disse que seu acordo com a Finatec tem cláusulas de confidencialidade que os impedem de dar entrevistas.

Todas essas explicações não respondem a algumas dúvidas: se a Finatec não tinha o conhecimento necessário para assessorar as prefeituras, por que foi contratada por elas? Se a tecnologia pertencia a Luís Lima, por que ele e suas empresas não se submeteram ao processo de concorrência pública? Quando a lei abriu a possibilidade de dispensa de licitação na contratação de fundações ligadas a universidades, o objetivo era ajudá-las a captar mais recursos públicos para pesquisas científicas. No caso da Finatec, a ciência por trás dos contratos com as prefeituras ainda está longe de ser bem explicada.

Fotos: Rafael Hupsel/Folha Imagem, Joedson Alves/AE, Kid Júnior/Diário do Nordeste, Guga Matos/JC Imagem,
Edson Chagas/Jornal A Gazeta/AE, Gustavo Miranda/Ag. O Globo e Leonardo Wen/Folha Imagem Anderson Schneider/ÉPOCA


 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Do G1, com informações do Jornal Nacional

Na Argentina, Lula diz que é hora de o Brasil voltar a se endividar

Presidente comemorou que país deixou de ser devedor e passou a ser credor internacional.
Presidente da Petrobras disse que Brasil não repassará gás da Bolívia a país vizinho.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (22) em Buenos Aires, na Argentina, que é hora de o Brasil voltar a se endividar porque precisa de investimentos em infra-estrutura.

“Precisamos aproveitar agora, uma situação, se não privilegiada, mas melhor, temos que começar a nos endividar, não para gastar dinheiro à toa, mas para gastar em infra-estrutura, para facilitar o desenvolvimento da América do Sul”, disse Lula, após ser homenageado pelo Congresso argentino.

Na Argentina, o presidente comemorou o fato de que, desde a quinta (21), o país deixou de ser devedor e passou a ser credor internacional, isto é, o Brasil tem mais reservas do que o valor da dívida externa.

Com a presidente Cristina Kirchner, Lula assinou uma declaração conjunta, com 17 itens. São acordos em diversas áreas, incluindo energia nuclear e fabricação e manutenção de aviões.

Gás da Bolívia

Depois da solenidade, o presidente da Petrobras, Sergio Gabrielli, falou aos jornalistas. Reafirmou que o Brasil não abre mão de receber os 30 milhões de metros cúbicos de gás da Bolívia, a que tem direito por contrato.

O governo boliviano havia solicitado à empresa brasileira que repassasse parte do gás que abastece o país à Argentina. Gabrielli disse ainda que a Petrobras é sensível aos problemas energéticos da Argentina e pode ajudar de outras maneiras.


"São termos e possibilidades técnicas que devem ser avaliados por Brasil e Argentina", disse. Ele afirmou ainda que não teme retaliações do governo do país vizinho.

À tarde, o presidente Lula esteve na Prefeitura de Buenos Aires. Das mãos do prefeito Maurício Macri, ele recebeu o título de visitante ilustre da cidade.


 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Da Reuters

Artista que pinta com pênis vai concorrer a prêmio máximo na Austrália

'PICASSO' não usa pincéis convencionais.
O artista Tim Patch já pintou os retratos de Bush e da rainha da Inglaterra.
(Foto: David Gray/Reuters)
Foto: David Gray/Reuters
O artista australiano Tim Patch, que se autodenomina 'Pricasso', pinta o retrato de Alan Length com o seu pênis, em foto de arquivo. Patch avisou que agora vai colocar suas obras para concorrer no prêmio máximo dado aos artistas do país: Archibald Prize. A organização do evento, em Sydney, disse esperar 700 retratos na disputa, que terá o seu ganhador anunciado em março. Clique aqui para ver mais obras do australiano

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Da France Presse

Estátua de João Paulo II é inaugurada em Cuba

Foto: Adalberto Roque/AFP
O cardeal Tarcisio Bertone inaugura a estátua de João Paulo II que levou de presente para Santa Clara, em Cuba. (Foto: Adalberto Roque/AFP)
Foto: Adalberto Roque/AFP
Estátua de João Paulo II é inaugurada em Santa Clara. A estátua foi levada de Roma pelo secretário de Estado do Vaticano, o cardeal Tarcisio Bertone. (Foto: Adalberto Roque/AFP)
Secretário de Estado do Vaticano, Tarcisio Bertone, levou estátua como presente.
Ela foi inaugurada após uma missa em Santa Clara.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

ONG: serviços 'vagos' e caros

A direção da ONG Centro de Gestão e Estudos Estratégicos diz que "não há nada a esconder", mas são "vagos e imprecisos" os serviços que presta ao Ministério de Ciência e Tecnologia, segundo o senador Raimundo Colombo (DEM-SC), presidente da CPI das ONGs. Criada por ex-dirigentes do Ministério de Ciência e Tecnologia, a CGEE recebeu mais de R$ 118 milhões do... Ministério de Ciência e Tecnologia.

E daí?

Investigado pela CPI das ONGs, o CGEE - Centro de Gestão e Estudos Estratégicos garante que não é ONG, mas "organização social". Ah, bom.

Sintomas

O CGEE gastou, só em 2006, R$ 10 milhões em "consultoria". Para o senador Raimundo Colombo, há "sintomas" de irregularidades.

Contrato de gestão

Para Lucia de Melo, a presidente o CGEE é "organização social" e tem contrato de gestão com o Ministério de Ciência e Tecnologia.

Dinheiro recusado

O ministro Carlos Lupi (Trabalho) se espantou com um fato inusitado: o Instituto de Qualificação Databrasil, ligado à Força Sindical, comunicou que desistiu dos convênios de R$ 16 milhões, assinados no final do ano.

Amnésia salvadora

Só faltou o ex-secretário de Antonio Palocci na prefeitura de Ribeirão Preto (SP), Rogério Buratti, dizer que além de desconhecer propina para o chefe, não se chama Celso nem é devoto de Santo André.

Pensando bem...

...o ex-secretário de Antonio Palocci em Ribeirão Preto recuou nas acusações porque sabe que o Buratti é mais embaixo.

 

 

 

Justiça Federal de SP alerta para falsos e-mails

São Paulo - A Justiça Federal de São Paulo alertou hoje que não realiza nenhuma intimação via correio eletrônico. O aviso partiu depois que alguns cidadãos de Araraquara, a 273 quilômetros da capital paulista, informaram à Justiça que receberam e-mails falsos com o brasão da República, pedindo o comparecimento no órgão federal. A orientação aos munícipes é para não abrir o e-mail suspeito, nem clicar no link anexado. Segundo a Justiça, ao clicar no ícone da mensagem, a vítima tem os dados clonados pelos criminosos virtuais, como senhas de contas bancárias e de cartões de crédito. O Ministério Público Federal (MPF) da cidade abriu uma investigação para apurar os fatos. (AE) 

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Renata Lo Prete 

TV Planalto

O governo já admite que a sede da TV Brasil deverá ficar em Brasília, e não no Rio de Janeiro, como era de seu desejo. "São 26 Estados contra. O lobby é muito forte", afirma o deputado Walter Pinheiro (PT-BA), relator da medida provisória que cria a emissora, aprovada na terça-feira pela Câmara. Uma emenda nesse sentido será votada na semana que vem.
No entanto, a atual estrutura de equipamentos e servidores da TVE fluminense, apresentada pelo governo como argumento para preferir o Rio, ficará onde está. Se a emenda for aprovada, o mais provável é que se aumente a estrutura da emissora em Brasília, para adequá-la à condição de sede nacional.

No Rio
Personagem do caso dos cartões corporativos, Orlando Silva vai abrir um escritório regional do Ministério do Esporte no Rio de Janeiro. Os 12 funcionários contratados temporariamente para o Pan de 2007 serão efetivados. A justificativa é a candidatura do município para sediar as Olimpíadas de 2016.

Geladeira
Governo e oposição negociam um roteiro para a CPI mista dos cartões: fazer um diagnóstico do uso e das regras via material do TCU e só depois disso convocar Orlando Silva, Altemir Gregolin (Pesca), Matilde Ribeiro (ex-Igualdade Racial).

Antecedentes
Ao descobrir que Djalma Rodrigues de Souza é pupilo de Severino Cavalcanti (PP-PE), o ministro Edison Lobão (Minas e Energia) tratou de desconvidá-lo para ocupar a Secretaria de Petróleo e Gás, aquela que o ex-presidente da Câmara chamava, todo cobiçoso, de "diretoria que fura poço".

Viu a uva
Tarso Genro não perde a chance de vender o Pronasci. Ontem, o ministro da Justiça e presidenciável petista deu palestra sobre o plano de segurança na Festa da Uva, em Caxias do Sul.

Veja bem
Na divulgação, hoje, do balanço trimestral, a direção da Caixa Econômica Federal deve enfatizar suas ações sociais, como empréstimos com pequeno retorno para pessoas de baixa renda. É uma tentativa de justificar a queda nos lucros em 2007.

Troco
O Ministério das Relações Exteriores aceitou da Bolívia a doação de terreno vizinho à casa do embaixador em La Paz, avaliado em U$ 2 mi, como parte do pagamento da dívida do país com o Brasil.

No smoking
A Nova SB, de João Roberto Costa, foi a única agência brasileira selecionada pela OMS para realizar campanha contra o tabaco que terá veiculação mundial.

Simples assim
Descartada a candidatura de Luiza Erundina, o PSB reforçou sua proposta aos petistas: quer a pasta do Turismo em troca do apoio à ministra Marta Suplicy na sucessão paulistana.

Siameses
Após o acordão entre o Campo Majoritário e a Mensagem para compor a direção do PT, as alas estão perto de um acerto no Rio. Alessandro Molon, ligado a Tarso Genro, disputaria a prefeitura da capital. Benedita da Silva, ligada a José Dirceu, sairia para o Senado em 2010.

Frente
PSDB, PT e PSOL precisaram selar uma rara união ontem para derrubar a resistência da bancada evangélica da Assembléia paulista e aprovar projeto que cria o Dia do Orgulho Gay (17 de maio) e da Visibilidade Lésbica (29 de agosto) no Estado.


Tiroteio
"Com Matilde Ribeiro, Lula seguiu seu roteiro básico: fritou, descartou e, agora, passa a mão na cabeça."
Do presidente do DEM, deputado RODRIGO MAIA (DEM-RJ), sobre o presidente, segundo quem a ex-ministra da Igualdade Racial, que usou o cartão corporativo para compras pessoais, não cometeu "delito".

Contraponto

Liberou geral
Depois de constatar que tinha ido por água abaixo o plano de votar, na manhã de ontem, os destaques da medida provisória que cria a TV Brasil, Henrique Fontana (PT-RS) deixou o plenário praguejando.
-Assim não dá!-, protestava o líder do governo.
Ao ver o colega passando, o vice-líder Walter Pinheiro (PT-BA), que relatou a MP na Câmara, puxou-o de lado para lembrar o ritmo de trabalho de seus pares:
-Não adianta. A gente precisa aprender de uma vez por todas que, às quintas-feiras, as sessões no Congresso não são deliberativas, e sim li-be-ra-ti-vas!

PAÍS ANUNCIA QUE "ZEROU" DÍVIDA EXTERNA

NEY HAYASHI DA CRUZ

Em meio à crise financeira global, BC antecipa anúncio de que ativos brasileiros no exterior superam dívidas em US$ 4 bi

Fato inédito na história do país, Meirelles vê "marco expressivo" que sinaliza maior estabilidade da economia brasileira

Na tentativa de mostrar que o Brasil está bem preparado para enfrentar as turbulências do cenário internacional -e que, por isso, mereceria mais confiança do mercado financeiro e de agências de classificação de risco-, o Banco Central anunciou ontem que o país "zerou" sua dívida externa pela primeira vez na história.
Segundo o BC, os ativos que governo e setor privado possuíam no exterior ao final de janeiro já superavam o valor de todo o endividamento contraído em outros países. Isso significa que o Brasil seria capaz de pagar toda a dívida externa usando só as aplicações que tem no exterior, o que sinaliza menor dependência dos fluxos internacionais de capital.
Em tese, mesmo que o país deixasse repentinamente de receber dólares do exterior, um calote na dívida externa poderia ser evitado utilizando-se recursos que governo e empresas já possuem atualmente.
Segundo relatório publicado pelo BC na internet, em janeiro os ativos brasileiros no exterior superavam a dívida externa em cerca de US$ 4 bilhões, revertendo o quadro observado até dezembro do ano passado, quando, ao contrário, o endividamento era maior do que as aplicações em US$ 4,4 bilhões.
Ainda de acordo com o texto, "diante de um cenário internacional caracterizado por aumento considerável na incerteza, pela volatilidade dos mercados financeiros e a desaceleração da atividade econômica, a melhoria desses indicadores tende a mitigar, embora sem anular por completo, o impacto de eventos externos adversos".
Originalmente, os dados da dívida externa de janeiro seriam divulgados pelo BC apenas na semana que vem, mas a publicação de alguns dados foi antecipada. Coincidentemente ou não, um dia antes desse anúncio circulavam no mercado financeiro rumores sobre a possível melhora na nota atribuída ao Brasil por agências de classificação de risco -para alguns analistas, o fim da dívida externa líquida pode ajudar o país a receber essa nota mais alta, o "grau de investimento", um atestado de bom pagador que pode trazer mais investimentos.
Por meio de nota, o presidente do BC, Henrique Meirelles, comemorou: "É um marco expressivo de nossa história. Essa melhora significa que estamos superando gradativamente um longo período caracterizado por vulnerabilidades e crises".
Um dos itens que mais pesaram na redução da dívida externa líquida foi o aumento das reservas internacionais, principal ativo brasileiro no exterior. No final de 2002, essas reservas estavam em US$ 16,3 bilhões, e a dívida externa líquida era de US$ 165 bilhões.
De 2003 para cá, porém, o crescimento da economia mundial ajudou a impulsionar as exportações brasileiras, que ser tornaram grande fonte de divisas do país. Aproveitando essa elevada entrada de capital, o BC passou a comprar dólares no mercado de câmbio para reforçar as reservas em moeda estrangeira, que, no final do mês passado, já haviam chegado a US$ 187,5 bilhões.
Além disso, parte dos dólares adquiridos também foi usada para antecipar o pagamento de várias parcelas da dívida externa. Em 2005, foram pagos com dois anos de antecedência US$ 15,5 bilhões que o Brasil devia ao FMI (Fundo Monetário Internacional). Quase US$ 10 bilhões em títulos emitidos após a renegociação do calote da dívida externa decretado nos anos 1980 também foram pagos 19 anos antes de seu vencimento naquele ano.
Um ano depois, em 2006, o governo também quitou sua dívida de US$ 2,6 bilhões com o chamado Clube de Paris, nome dado a um grupo informal de países desenvolvidos que, ao longo da segunda metade do século 20, concedeu empréstimos a países em dificuldades financeiras. Com isso, acabaram de ser pagos todos os compromissos assumidos após a renegociação da moratória.

Três ministros não justificam gastos de viagem

Longe da possibilidade de controle público por meio do Portal da Transparência, os ministros Marta Suplicy (Turismo), Jorge Félix (Segurança Institucional) e Luiz Dulci (Secretaria Geral) preferem pedir reembolsos de suas despesas de viagem ou de trabalho em vez de usar o cartão corporativo. Questionadas, as três pastas não fornecem detalhes de locais, valores e agenda referentes aos gastos, que somaram mais de R$ 13 mil em 2007.
A CGU (Controladoria Geral da União) considera que reembolsos deveriam ser usados em situação extraordinária. O correto é usar cartão, que existe para essa finalidade e facilita a fiscalização e a detecção de irregularidades, como a compra em free shop da ex-ministra Matilde Ribeiro (Igualdade Racial).
As prestações de contas dos ministros ficam arquivadas nas respectivas pastas. A Folha procurou a assessoria dos ministérios com os maiores valores de reembolsos e mais de dez forneceram justificativas.
Marta teve R$ 7.089,25 restituídos. Sua assessoria informou na semana passada que são reembolsos de "hospedagem em viagens oficiais no território nacional". Informou que é feita uma prestação de contas, mas, até o fechamento desta edição, os dados não foram enviados.
A assessoria de Félix informou que a restituição de R$ 4.165,00 se refere a "hospedagem, transporte, passagem aérea e refeições a serviço" e "obedeceram aos procedimentos legais exigidos".
A assessoria de Dulci pediu prazo para levantar e repassar os dados sobre os R$ 1.824,23 restituídos, mas informou apenas que as despesas "foram em atividades de trabalho, de acordo com as normas em vigor".

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

Governadores na mira do TSE

Dos sete ministros do Tribunal Superior Eleitoral, três já votaram a favor da cassação do mandato do governador de Santa Catarina, Luiz Henrique da Silveira (PMDB), acusado de uso indevido dos meios de comunicação, propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e abuso de poder econômico.

Reeleito em 2006, o governador conta com padrinhos poderosos, entre os quais se destacam, segundo relatos da imprensa catarinense, a filha do presidente Lula, que mora no estado; o atual presidente do banco estadual, petista ligado à senadora Ideli Salvati, e, segundo alguns, o próprio presidente da República.

A situação do governador é dramática. Embora o TSE jamais tenha cassado o mandato de um governador do Sul ou do Sudeste, Luiz Henrique pode muito bem vir a ser o primeiro.

Mas pode não ser o único. Luiz Henrique pode estar apenas puxando a fila. Outros seis governadores tiveram seus mandatos contestados e poderão vir a ser cassados.

São eles os governadores de Tocantins, Sergipe, Rondônia, Maranhão, Paraíba e Alagoas.

Os governadores de Tocantins, Marcelo Miranda (PMDB), e de Sergipe, Marcelo Déda (PT), também são acusados de uso indevido dos meios de comunicação, propaganda eleitoral antecipada, abuso de poder político e abuso de poder econômico.

Tudo de acordo com a Lei Eleitoral (Lei nº 9.504, de 1997) e a Lei das Inelegibilidades (Lei Complementar nº 64, de 1990).

O governador de Rondônia, Ivo Cassol (PPS), é acusado de compra de votos por meio de cabos eleitorais chamados de “formiguinhas”. (Meigo, não é mesmo?)

O governador da Paraíba, Cássio Cunha Lima (PSDB), responde a acusação de distribuição de dinheiro a cabos eleitorais, por meio de uma fundação. Cássio Cunha Lima foi cassado duas vezes pelo TRE da Paraíba, e hoje segura-se na cadeira de governador graças a uma liminar concedida pelo Tribunal Superior Eleitoral.

O governador do Maranhão, Jackson Lago (PDT), por sua vez, é acusado de se beneficiar da distribuição de cestas básicas e kits salva-vidas pelo então governador José Reinaldo Tavares.

Finalmente, o governador de Alagoas, Teotônio Vilela Filho (PSDB), teve seu mandato contestado pelo adversário derrotado, João Lyra (PDT).

Em vários desses casos, tratava-se de reeleição do governador que, pelo visto, usou e abusou do cargo para se reeleger.

Por isso mesmo, a decisão do TSE pode servir de agumento para aqueles que defendem a extinção da reeleição.

Agora, tendo em vista que suas Excelências já estão no governo há um ano e dois meses, vamos torcer para que o julgamento final no Tribunal Superior Eleitoral seja um pouco mais ágil.

(Alô, ministro Marco Aurélio, atual presidente do TSE!
Alô, ministro Carlos Ayres Brito, próximo presidente do TSE!)

Como diz a própria propaganda da Justiça Eleitoral veiculada na TV, estamos de olho.


 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

É ou não é o terceiro mandato?

BRASÍLIA - Define-se o futuro depois de assentada a poeira da euforia dos companheiros pelo excepcional desempenho do presidente Lula e do governo na pesquisa CNT-Sensus. Nem o maior dos marqueteiros, de caso pensado, faria melhor do que a pesquisa fez, sem querer. Agora de modo definitivo, fica óbvio que o PT não tem e não terá candidato próprio em condições de chegar ao segundo turno das eleições presidenciais de 2010.

Por maiores méritos pessoais de que disponham Patrus Ananias, Dilma Rousseff e Tarso Genro, nenhum deles chega sequer aos 5% das preferências populares, em consultas induzidas. Nas espontâneas, então, nem aparecem. Reunindo as duas pontas da equação, o resultado é um só. Para manter o poder, apenas uma saída se apresenta ao PT e penduricalhos: o terceiro mandato. Seria uma barbada a recondução do Lula.

A pergunta surge obrigatória. Vão entregar o ouro ao bandido? Largarão as nomeações, as benesses, as ONGs fajutas, os cartões corporativos e o controle do governo? Nem que as vacas comecem a voar.

Insistir em nomes do partido, como os referidos e outros, equivalerá a mergulharem no poço sem fundo da frustração. Custaram tanto a subir a rampa do Palácio do Planalto e agora serão despejados pela porta dos fundos?

Pode o presidente Lula não considerar a hipótese, coisa de que muitos duvidam, mas outra saída não haverá. Só ele garantiria mais alguns anos de poder para seus atuais detentores. Com o adendo de que outras forças partidárias cederiam ao imperativo indisfarçável, mesmo docemente constrangidas. Nem o PMDB, nem o PR, nem o PTB e sucedâneos teriam opção, porque mesmo deglutindo as migalhas caídas da mesa do banquete petista ficarão melhores do que diante da vitória de um tucano. Até Ciro Gomes tem dito que contra o Lula não disputa.

Como se daria a mais nova e contraditória metamorfose, expressa na mudança radical das regras do jogo, feita para preservar seu resultado? São várias as alternativas, ainda que uma sobressaia: a aprovação de emenda constitucional acabando com a reeleição e estendendo os mandatos presidenciais para cinco anos. Nesse caso, o apagador seria passado no quadro-negro, começando tudo de novo, ou seja, todos os brasileiros poderiam disputar a nova presidência da República, inclusive ELE.

Abre-se uma cortina de fumaça para a viabilização desse golpe. Uma crise nacional, de verdade ou forjada, levaria o Congresso a alterar a Constituição. Mesmo a frio, sem crise, se a maioria governamental funcionar a contento, não haveria problema. Para não falar no mote popular de que em time que está vencendo não se mexe.

Na verdade falamos de golpe. Outro nome não há, num país que já viu tantos, sempre como solução para grupos ocuparem ou preservarem o poder quando não confiam nas eleições. Alguém imagina pruridos ou constrangimento por parte dos que gozam as delícias do domínio da coisa pública como se fosse coisa privada? Quem reagiria de maneira ordenada?

Não serão as elites nem o empresariado, tendo em vista o excepcional funcionamento da economia, que a todos atende. Os bancos estão aí mesmo para não deixar ninguém mentir. A grande imprensa sempre encontraria um jeito de acomodar-se à truculência. Os militares cumprem a lei, e se ela for mudada de acordo com as regras constitucionais baterão continência.

As centrais sindicais faz muito perderam a independência. As igrejas continuarão voltadas para a vida eterna, uma, e para o bem-estar de seus pastores, outras. O funcionalismo público não se mexerá, caso aquinhoado a tempo com a satisfação de parte de suas reivindicações. O MST? Nem pensar. As massas? Essas vão bem, obrigado, até contribuindo para o desemprego por não desejarem abrir mão do bolsa-família. Da classe média não se fala, há muito em rota batida para o desaparecimento.

Numa palavra, a conspiração encontrava-se em marcha lenta e acaba de receber boa dose de combustível, nos números da pesquisa CNT-Sensus. Quem viver, verá...

Acertou na mosca

Esta semana, excepcional intervenção da senadora Ideli Salvatti, líder do PT, deixou sem ação e sem palavra seus colegas da oposição. Ela perguntou, da tribuna do Senado, se depois da revogação da CPMF foi reduzido o preço de algum produto maior ou menor, necessário ou supérfluo. Ora, se os produtores deixam de recolher 40 bilhões de imposto aos cofres públicos, o natural seria uma redução nos custos da produção e a conseqüente baixa nos preços. Nada aconteceu. Pelo contrário, o feijão aumentou 230%, só para ficar num exemplo.

Conforme a senadora, a extinção da CPMF vem-se revelando uma reforma tributária às avessas. Serviu apenas para aumentar a margem de lucro das empresas. Quem lucrou com essa transferência de renda?

O empresáriado brasileiro.Quando é para aumentar os preços,é rápido,quando é para favorecer o povo.Abraços,PT...saudações...

O fumante número um

Decidiu o governo encaminhar ao Congresso projeto de lei proibindo o fumo em qualquer local fechado do território nacional. Vai ser difícil fiscalizar a casa da gente, mas, em locais públicos, acabou. Os restaurantes e bares não poderão mais manter sequer os chiqueirinhos, mesas localizadas ao lado da cozinha e dos banheiros, onde ainda se pode fumar. Áreas especiais, nunca mais.

A pergunta que se faz é se, da noite para o dia, o Palácio do Planalto será considerado local aberto. Porque o presidente Lula continua fumando feito uma chaminé. Adora cigarrilhas, que obviamente não utiliza em solenidades formais, mas não evita sequer em longas entrevistas com a imprensa, quanto mais no interior de seu fechadíssimo gabinete. E no Aerolula. Em certas situações, até mesmo um de seus ajudantes-de-ordem tem sido flagrado segurando o cigarro, para S. Exa. dar uma fumadinha escondido, voltando-se para trás em sua cadeira.

Não constitui crime alguém fumar. Muito menos o presidente da República, porque o cigarro, entre os mil males que causa, possui ao menos a virtude de aliviar tensões. Jamais se condenará o Lula por fumar, mas poderá responder, no futuro, por haver endossado a perseguição desmedida aos fumantes. A transformação de todos em réprobos, cidadãos de segunda classe. Nada mais natural do que proibir o fumo nos aviões, nos ônibus e nos trens.

Mesmo nas repartições e estabelecimentos de uso continuado da população. Mas nos locais de lazer, até nos aeroportos e nas rodoferroviárias, por que, se existirem locais específicos? Dizem que o então presidente Bill Clinton pensou em baixar um decreto proibindo o fumo em todo o território dos Estados Unidos. Desistiu para não desmoralizar-se.

O farisaísmo em torno do fumo é ostensivo. Se o cigarro faz mal, e faz, se mata muita gente, e mata, então só existe uma solução eficaz: proíbam de funcionar as fábricas de cigarros. Interditem o comércio de cigarros. O problema é que, em matéria de impostos, o comércio e as fábricas ocupam o primeiro lugar na geração de renda para os cofres públicos. Sem os pulmões dos viciados talvez até se reduzisse drasticamente o número de cartões de crédito corporativos. Agora, perseguir os fumantes é que não pode. Ou então que comecem perseguindo o fumante número um do País...

Petrobras privatizada

De vez em quando um desses ferrabrases salvados do governo Fernando Henrique tenta enfiar ainda mais a faca na soberania nacional. Privatizaram o subsolo, vendendo a Vale do Rio Doce, o éter, através da doação das telecomunicações, as estradas, as ferrovias, os portos, os bancos estaduais e quanta coisa a mais? Até a floresta amazônica encontra-se em leilão no exterior, pelo oferecimento de imensas glebas, arrendadas por 40 anos, renováveis por mais 40.

Mesmo assim, os urubus permanecem sobrevoando a carniça, aliás, sem que o governo Lula se digne a uma palavra sequer em defesa do patrimônio nacional. Investem sobre o Banco do Brasil, a Caixa Econômica e outras instituições, mas a bola da vez está sendo a Petrobras.

Pois são uns bobos. Ignoram que a Petrobras já se encontra privatizada, por iniciativa de Fernando Henrique Cardoso. Ou não foram adquiridos na bolsa de Nova York e adjacências 67% das ações preferenciais da empresa? É verdade que não tem direito a voto, permanecendo o governo da União com 51% das ações que servem para eleger os diretores, mas, pelo jeito, a proposta de mudança não demora. Além do que as ações preferenciais, o nome está dizendo, tem preferência na distribuição dos lucros.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

CPI investiga ONG de 118 milhões

A CPI das ONGs deve quebrar os sigilos bancário e fiscal da ONG Centro de Gestão e Estudos Estratégicos, que desde 2001 recebeu mais de R$ 118 milhões, a maior parte do Ministério da Ciência e Tecnologia. O requerimento para quebrar os sigilos é do próprio presidente da CPI, senador Raimundo Colombo (DEM-SC). Evando Mirra, ex-presidente do CNPq, órgão do Ministério de Ciência e Tecnologia, foi fundador da ONG.

Celso Daniel, falecido: no paraíso

Ao abrir o inventário, Bruno Daniel, irmão do prefeito assassinado de Santo André (SP), Celso Daniel, descobriu a existência de contas bancárias em paraísos fiscais, mas com o detalhe particularmente petista: o falecido assinou cheques depois de morto. Bruno, exilado em Paris temendo pela sua vida, receberá dia 4 o passaporte de refugiado político e planeja uma entrevista coletiva explicando a razão do asilo

Lobão reempossado

Foi uma derrota de Dilma Rousseff (Casa Civil) a decisão do presidente Lula de transferir a Edison Lobão a escolha dos dirigentes das estatais. E "uma segunda posse" do ministro de Minas e Energia, segundo segredou a um amigo o ministro José Múcio (Relações Institucionais).

Maior bronze

Na Comissão de Direitos Humanos do Senado, Paulo Paim (PT-RS) se derramou em elogios ao senador negro que disputa a presidência dos EUA. Mas chamou Barack Obama todo o tempo de "senador Bahamas".

É dos nossos

Projeto do deputado petista Jailson Lima (SC) concede título de cidadão honorário catarinense a Lula, "pelos investimentos que nenhum outro fez no Estado". A filhota Lurian e o genro do presidente concordam.

Melancia no pescoço

O deputado Maurício Rands (PE) virou chacota: espalhou outdoors no Recife exaltando a condição de líder do PT como se fosse grande coisa. Foi para compensar a perda da indicação para disputar a prefeitura.

 

 

 

Folha Online

SÉRGIO RIPARDO
Editor de Ilustrada da Folha Online

Comentário: "Big Brother" apela para sadismo e põe saúde de participantes em risco

O sadismo virou a nova arma da Globo para elevar o ibope do "Big Brother Brasil". Na prova do líder desta semana, uma participante chegou a desmaiar após ser colocada em uma cabine e ficar sob a mira de sensores de movimento. Juliana passou mal, ficou inconsciente e teve de ser socorrida, às pressas, pelos seus colegas de confinamento. A Globo evitou dar detalhes sobre a situação de saúde da jornalista santista.

Diante do clima de tédio que se instalou nas últimas semanas, Boninho, diretor do programa, desconta sua irritação transformando a casa em um inferno. A produção cria diversas tarefas a serem cumpridas pelos participantes ao longo do dia. O reality show parece disposto a colocar até a integridade física dos participantes sob risco. Foi o que mostrou o desmaio de Juliana. Qual será o próximo passo? Afogá-los na piscina? Ou atirar ovos neles, como Boninho já confessou, em um vídeo, já ter feito com prostitutas na rua?!

Reprodução/Globo
Juliana é carregada depois de desmaiar durante a prova do líder do "BBB 8"
Juliana é carregada depois de desmaiar durante a prova do líder do "BBB 8"

No começo do programa, a professora de inglês Thatiana tomou um porre durante uma festa e levou vários tombos, chegando a sangrar a perna. Rir da desgraça alheia é um artifício antigo da comédia pastelão. Mas só conseguimos rir porque temos a certeza de que a vítima vai continuar viva. No caso do "Big Brother", até onde vai o limite da responsabilidade da emissora? É só olhar para as diversas ocorrências policiais envolvendo ex-BBBs. Eles ficam famosos do dia para a noite, saem da casa dando autógrafos, posando para revistas, dando diversas entrevistas. De repente, voltam ao anonimato, são substituídos por uma nova safra de "brothers" e "sisters". Não é à toa que alguns acabam se envolvendo em brigas, alcoolismo, consumo de drogas, egolatria, depressão ou um desespero para se manter sob os holofotes.

É raro encontrar uma reação institucional aos abusos cometidos pelo reality show. O discurso comum é a conivência, inclusive de boa parte da mídia. Quem ousa questionar os métodos da Globo? Na última quarta-feira (20), os vereadores de Porto Alegre (RS) aprovaram uma moção de protesto contra a emissora "por fazer apologia ao uso de bebidas alcoólicas por meio do "Big Brother". A vereadora Maristela Maffei (PC do B), autora do requerimento, sustentou que "em um contexto nacional onde existem diversas campanhas contra o consumo abusivo de álcool, é inadmissível que um meio de comunicação poderoso incentive esta prática como algo natural".

Questionada na época pela Folha Online, a Globo orientou o repórter a procurar o Ministério da Justiça, que cumpre apenas a praxe de registrar queixas de telespectadores incomodados com o conteúdo exibido. No ministério, a assessoria se mostrou surpresa com a solicitação dos dados pela reportagem e ainda indagou o motivo de se publicar a existência de reclamações contra o programa. Diante do desmaio de Juliana na "cabine assassina" de Boninho, não custa nada alertar: por favor, crianças, não coloque o gatinho nem o cachorro nem o papagaio da família dentro do microondas.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

Senado foi reduzido a palco de 'gangues rivais'

Wilson Dias/ABr

 

Mário Couto (PSDB-PA): “Vossa excelência é safado.”

Gilvam Borges (PMDB-AP): “Vagabundo. Irresponsável. Incompetente.”

Couto: “Safado.”

Borges: “Amanhã, a máscara cai. Acabou a palhaçada.”

 

Por muito pouco os senadores Couto e Borges não saíram no braço na tarde desta quinta-feira (21). O segundo chegou a empurrar o primeiro, que se preparava para responder com um tapa no instante em que entrou em cena a turma do “deixa disso”, comandada por Kátia Abreu (DEM-TO) e Demóstenes Torres (DEM-GO). Assinantes do UOL podem assistir aqui a um trecho do princípio da refrega.

 

Restou na atmosfera uma certeza: o vetusto Senado, Casa dos congressistas mais velhos, concebida para preservar o equilíbrio e o bom senso, tem entre os seus membros indivíduos pessoas que se consideram um ao outro “vagabundo” e “safado”.

 

O que é o Parlamento? É a melhor alternativa ao conflito que civilização foi capaz de inventar. E o que levou Couto e Borges a se portarem como combatentes de gangues rivais? O caso dos cartões de crédito corporativos.

 

Em discurso insosso, pronunciado desde a tribuna, Borges tachara a oposição de “irresponsável.” Dissera que a tática oposicionista de trasnformar o Senado em "banca de tapioca" não dera resultados. Como evidência, mencionara o crescimento da popularidade de Lula.

 

Nas pegadas de Borges, foi à tribuna o contendor Couto. Disse que o colega não tem autoridade para pedir silêncio à oposição. “Só quem pode me calar são os mais de um milhão de eleitores que me mandaram para o Senado.” E exibiu um maço de folhas com a lista de escândalos ocorridos no governo desde Collor. Ressaltou que a “corrupção” praticada sob Lula ocupa seis páginas. “Um recorde”.

 

Abespinhado, Borges prometeu responder ao colega em novo discurso, a ser feito nesta sexta-feira (22). “Vossa Excelência estará aqui amanhã?”, perguntou. E Couto: “Vou viajar para o meu Estado.” Borges aconselhou: “É melhor adiar a viagem.”

 

Ao descer da tribuna, dedo em riste, Couto marchou na direção de Borges. Deu-se, então, o rififi. Acorreram Kátia, primeiro; Demóstenes, depois; e os seguranças do Senado, na seqüência.

 

Evitou-se que a contenda fosse resolvida nos punhos. E foi bom que isso ocorresse. Torça-se, porém, para que a refrega prossiga, que tenha desdobramentos, que gere conseqüências, que mobilize toda oposição e o governo, que produza inimizades eternas. Desde que do confronto resulte a elucidação do mistério dos cartões. Tudo o que o país deseja, no momento, é saber o que se esconde sob a “tapioca”. A de Lula e a de seus antecessores.

 

Que os socos e os insultos sejam substituídos pela investigação e pela exposição dos fatos.

STF breca processos com base na Lei de Imprensa

Em decisão liminar (provisória), o ministro Carlos Ayres Britto, do STF, suspendeu a eficácia de 20 dos 77 artigos da Lei de Imprensa. Na prática, a decisão interrompe a maioria dos processos ou das condenações judiciais que tenham como base essa lei.

 

O despacho de Ayres Britto foi motivado por ação protocolada no Supremo, há dois dias, pelo PDT. Assina-a o líder do partido na Câmara, deputado Miro Teixeira (RJ). No texto da ação, o PDT requer a revogação de toda a Lei de Imprensa. Argumenta que, baixada em 1967, sob a ditadura militar, essa lei se confronta com a Constituição de 1988. Miro mencionou na ação os processos movidos pela Igreja Universal contra jornais e jornalistas.

 

“A atual Lei de Imprensa não parece mesmo serviente do padrão de democracia e de imprensa que ressaiu das pranchetas da nossa Assembléia Constituinte de 1987/1988”, anota Ayres Britto em sua decisão. “Bem ao contrário, cuida-se de modelo prescritivo que o próprio Supremo Tribunal Federal tem visto como tracejado por uma ordem constitucional (a de 1967/1969) que praticamente nada tem a ver com a atual.”

 

Leia aqui a íntegra da decisão do ministro. Ela vale até que o mérito do processo seja levado a julgamento no plenário do STF, composto por 11 ministros. Algo que nao tem data para acontecer.

 

 

 

Yahoo! Not�cias

EFE

Americano saca US$ 2 milhões de conta de homem com mesmo nome

Nova York, 20 fev (EFE)- Um morador do bairro nova-iorquino de Brooklyn (Estados Unidos) foi acusado de roubo por sacar mais de US$ 2 milhões de uma conta bancária, depois que o banco o confundiu com outra pessoa com o mesmo nome.

A Promotoria de Brooklyn informou hoje que o acusado, um vendedor de 48 anos, alegou em sua defesa que faz alguns meses que tentou advertir aos responsáveis do Commerce Bank de que ele não tinha US$ 5,8 milhões em sua conta.

No entanto, segundo o acusado, as autoridades do banco responderam que se ele se chamava Benjamin Lovell não se tratava de nenhum erro e que se quisesse podia retirar os fundos que havia em sua conta.

A Promotoria de Brooklyn disse que o banco confundiu o homem, que gastou parte dos fundos sacados, com outra pessoa com o mesmo nome que trabalha para uma companhia de gestão de propriedades.

Segundo a acusação, Lovell chegou a sacar mais de US$ 2 milhões e deu parte do dinheiro a seus amigos, comprou jóias e investiu recursos em diferentes iniciativas que não tiveram muito sucesso.

AFP

Deputado israelense culpa homossexuais por terremotos


              Deputado israelense culpa homossexuais por terremotos. 'O Talmud nos ensina que uma das causas dos terremotos é a homossexualidade', disse Shlomo Benizri, um dos 12 deputados do partido Shass, referindo-se ao livro que reúne a tradição oral religiosa judaica.  
              Foto:/AFP
Foto: AFP: Deputado israelense culpa homossexuais por terremotos. 'O Talmud nos ensina que uma das causas dos...

JERUSALÉM (AFP) - Os homossexuais são responsáveis pela onda de terremotos que atingiu Israel nos últimos meses, porque Deus advertiu que não se deve "menear" os genitais indevidamente, disse nesta quarta-feira no Knesset (Parlamento) um deputado israelense ortodoxo.

"O Talmud nos ensina que uma das causas dos terremotos é a homossexualidade", disse Shlomo Benizri, um dos 12 deputados do partido Shass, referindo-se ao livro que reúne a tradição oral religiosa judaica.

O Knesset legalizou o homossexualismo em 1988 e nos anos seguintes diversas leis passaram a reconhecer os direitos dos homossexuais.

"Deus disse que sacudiria o mundo 'para despertar-vos se menearem vossos genitais' onde não tenham que fazê-lo", afirmou Benizri em uma comissão parlamentar que estuda medidas para proteger o país dos tremores.

Israel sofreu uma série de terremotos nos últimos meses, o último deles na sexta-feira passada, de 5 graus na escala Richter.

O Vale do Jordão, o Mar Morto e, mais ao sul, o deserto de Arava e o Mar Vermelho se encontram sobre a falha sírio-africana, local de freqüente atividade sísmica.

Lua vista em diferentes fases, durante o eclipse que ocorreu da noite de quarta e madruga de quinta-feira (21). O fenômeno pôde ser observado de todo o território brasileiro. O próximo eclipse lunar total acontece apenas em 21 de dezembro de 2010. Informações dão conta de que poderá ser visto a olho nu em grande parte das Américas, além de África e Europa.
Lua vista às 00h12 de quinta-feira (21). Entre a noite de quarta e a madrugada de quinta ocorreu um eclipse lunar total, o primeiro de 2008.
Eclipse lunar total, o primeiro de 2008, visto do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, nesta quarta-feira. O fenômeno pode ser observado de todo o território brasileiro.
Eclipse lunar visto de Uberaba (MG). Entre a noite de ontem e a madrugada desta quinta-feira ocorrerou um eclipse lunar total, o primeiro de 2008, que pôde ser visto em todo o país.
Lua vista às 23h52 de quarta-feira (20). O eclipse lunar foi visto em quase todo páis pôde ser observado de todo o território brasileiro. No eclipse total, a Lua, na maioria das vezes, assume uma intensa coloração vermelha, como a do entardecer, por cerca de 90 minutos.
Lua cheia parcialmente coberta vista do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo, na noite desta quarta-feira. Entre a noite de hoje (20) e a madrugada da quinta-feira (21) ocorrerá um eclipse lunar total, o primeiro de 2008. O fenômeno pode ser observado de todo o território brasileiro. No eclipse total, a Lua, na maioria das vezes, assume uma intensa coloração vermelha, como a do entardecer, por cerca de 90 minutos.
Eclipse parcial do sol visto desde Auckland, na Nova Zelândia, hoje, quinta, 07 de fevereiro. Durante o fenômeno, que pôde ser visto na Nueva Zelânda e em algumas partes da Austrália, 53 por cento do sol foi coberto pela sombra da lua.

 

 

 

RODRIGO GALLO, rodrigo.gallo@grupoestado.com.br

72% dos paulistanos compram piratas

Maioria é freguês do pirata

Uma pesquisa divulgada ontem pela Federação do Comércio de São Paulo (Fecomércio) aponta que mais de 60% dos consumidores da Capital compram produtos piratas com freqüência  principalmente CDs de músicas, DVDs e programas de computador. Ao considerar todas as pessoas que adquirem esse tipo de item, mesmo de forma ocasional, o número é ainda maior: vai para 72,6%.

A entidade entrevistou 900 pessoas em São Paulo para chegar aos resultados e constatou que 84% dos entrevistados afirmaram que compram produtos irregulares por conta dos preços mais baixos.

É o caso da estudante de arquitetura Raquel Ferreira, 23 anos. 'Preciso de programas de computador para fazer plantas e desenhos, e são softwares caros. Alguns chegam a custar mais de R$ 500', disse. 'Para não ficar sem estudar, prefiro comprar pirata, que custa no máximo R$ 15. Roubo é cobrar tão caro pelo programa, ainda mais em um País com R$ 380 de salário mínimo.'

De acordo com a Fecomércio, 15,3% dos consumidores disseram que preferem os piratas por conta da comodidade de compra, afinal, há camelôs e vendedores ambulantes atuando em praticamente todas as ruas comerciais da Capital. Além disso, 33,7% das pessoas afirmam gastar entre R$ 10 e R$ 30 com itens piratas por mês.

A assessora econômica da Federação, Julia Ximenes, afirma que o problema da pirataria não afeta apenas CDs e DVDs, mas também equipamentos eletroeletrônicos, como videogames e tocadores de MP3. 'O comércio de eletroeletrônicos tem apresentado um desempenho fraco, mesmo com a queda de preços. A concorrência com os piratas é desleal', afirmou.

Segundo ela, 80% dos entrevistados constataram que os itens piratas custam cerca de metade do preço dos oficiais.

Dados do Conselho Nacional de Combate à Pirataria (CNCP), ligado ao governo federal, aponta que os produtos irregulares também causam a perda de dois milhões de empregos em todo o País.

Relatório da Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD) aponta que, entre 2000 e 2005, houve uma queda de 28,7% no comércio de CD, DVD e VHS de música no Brasil: as vendas passaram de 94 mil para 37,7 mil. Boa parte do problema é atribuído à circulação de mercadorias piratas.

Comércio

Um dos 'diferenciais' do mercado paralelo de CDs e DVDs pode ser considerada a agilidade dos supostos comerciantes em colocar produtos novos no mercado. Na região central de São Paulo é comum encontrar filmes à venda que nem sequer chegaram aos cinemas, assim como ocorreu com o título nacional Tropa de Elite: DVDs piratas com versões da obra começaram a circular na Capital meses antes de seu lançamento oficial.

Muitos consumidores alegam que, se não fosse pela oferta de mercadorias irregulares, dificilmente teriam acesso à obra por causa do preço  que realmente é bem mais barato. A versão simples do recém-lançado DVD Transformers, por exemplo, é oferecido a R$ 39,90 na Americanas.com. Alguns camelôs que atuam nas proximidades da Santa Casa de São Paulo, no Centro, vendem o mesmo filme por R$ 4  caso o consumidor leve três discos, paga apenas R$ 10, com garantia de troca.

Esse dado, aliás, também foi considerado no levantamento realizado pela Fecomércio. 'Pela pesquisa, descobrimos que 55% dos entrevistados que tiveram problemas com os itens piratas conseguiram trocar o produto com defeito por outro', disse Julia Ximenes.



 
 

 

 

 

Renata Lo Prete 

Via alternativa

Aposta de José Gomes Temporão, a transformação de hospitais em fundações estatais empacou no Congresso, em grande parte por oposição do PT.
Para fazer o projeto andar, o ministro da Saúde busca exemplos regionais adotados por administrações petistas, mais pragmáticas que a bancada do partido. Os governos da Bahia e de Sergipe, além da Prefeitura de Nova Iguaçu (RJ), já abraçaram o modelo. "Isso cria um clima favorável na opinião pública, principalmente depois que os primeiros resultados aparecerem", diz Temporão. Entre as mudanças que a nova lei federal traria estão maior agilidade para contratar e demitir e flexibilidade na hora de fazer licitações.

Plano B
Temporão reúne sua equipe hoje num seminário para discutir como salvar ao menos parte do PAC da Saúde, seriamente comprometido pelo fim da CPMF.

Obstáculos
José Antônio Muniz Lopes, candidato de José Sarney (PMDB-AP) para a presidência da Eletronorte, já recebeu um "nada consta" em duas investigações da Abin. Ainda está em curso uma terceira, relativa a multa aplicada a ele pelo TCU.

Cizânia
Nem se sabe se os governistas permitirão ao PSDB presidir a CPI dos Cartões Corporativos, mas os tucanos já lutam entre si pela vaga. Estão no páreo Marisa Serrano (MS), Marconi Perillo (GO) e Cícero Lucena (PB).

Unidos
Com o mapa da votação da medida provisória da TV Brasil na mão, a direção da emissora concluiu que a polêmica em torno de sua criação passou ao largo da base governista: sete partidos aliados votaram 100% a favor. No PMDB, apenas dois de 76 deputados foram contrários.

Dispersos
O combate à criação do canal não foi bandeira capaz de unir a oposição como a CPMF. O PSOL votou todo a favor. PPS e PV deram apenas um voto cada contra. E o DEM, que fez o maior carnaval contra a medida, registrou quatro votos a favor.

Não gosto
Deputados dos EUA em visita à Câmara estranharam o grande crucifixo pendurado atrás da Mesa Diretora. Perguntaram a Arlindo Chinaglia (PT-SP) se aquilo não violava o princípio do Estado laico. Com a ajuda de um tradutor, o presidente concordou: "Respeito quem defende, mas sou absolutamente contra. Há muita gente que gosta de transformar Deus em cabo eleitoral".

Blue chip
Caravana que inclui os ministros Márcio Fortes (Cidades) e Geddel Vieira Lima (Integração Nacional), padrinho do prefeito João Henrique (PMDB), desembarca hoje em Salvador para marcar a entrada do PP na administração local. Entre o carlismo e o petismo, o partido de Fortes ficou com Geddel, hoje o papel que mais se valoriza na política baiana.

O mínimo
Aliados e oposicionistas planejam tirar da frente três MPs que trancam a pauta da Câmara e aprovar projetos nas áreas de saúde e segurança na primeira semana de março. "Os deputados candidatos a prefeito precisam mostrar alguma coisa na eleição", explica um líder.

No peito
Da governadora do Pará, Ana Júlia (PT), no lançamento de programa para proteger espécies amazônicas ameaçadas de extinção: "Vamos continuar a
operação contra o desmatamento ilegal, nem que eu tenha de andar de colete à prova de bala".

Uma dúzia
Além da nora, Cláudio Alvarenga tem um genro empregado no TCE paulista, o que eleva para 12 o número de parentes de conselheiros na folha de pagamento do tribunal. Embora o procurador-geral de Justiça, Rodrigo Pinho, tenha arquivado os inquéritos para apurar nepotismo no órgão, os conselheiros agora prometem afastar os familiares em dois meses.

Tiroteio
"Às vésperas de uma CPI, o presidente usa retórica demagógica para desqualificar o Legislativo. O PT também deveria se preocupar."
Do líder do PSDB na Câmara, JOSÉ ANÍBAL (SP), sobre Lula, segundo quem o papel do Congresso Nacional é legislar e investigar, enquanto o governo "existe para trabalhar".

Contraponto

Sem resposta
Os vereadores de Carapicuíba, município da Grande São Paulo, discutiam no final do ano passado o Orçamento da cidade para 2008 quando o petista Isaac Reis, do bloco de oposição ao prefeito, pediu a palavra:
-Eu quero fazer um apelo ao plenário para que todos nós votemos contra esse projeto!
O governista Wilson Marcelino (PV) desafiou:
-Eu voto contra, desde que o senhor diga agora o nome de cada um dos 37 ministros do governo Lula!
Reis rebateu com outra provocação:
-Eu digo, vereador, desde que o senhor me responda por que os kamikaze usavam capacete!

Ex-secretário muda versão e diz que Palocci é inocente

VERIDIANA RIBEIRO

Rogério Buratti, que trabalhou com ex-ministro em Ribeirão, retira acusações

Ao Ministério Público, à polícia e à CPI dos Bingos ele disse que Palocci recebia propina mensal de empresa na sua gestão como prefeito

Ex-secretário de Governo de Antonio Palocci Filho (PT) na Prefeitura de Ribeirão Preto, Rogério Tadeu Buratti decidiu retirar todas as acusações que fez em 2005 contra o então ministro, entre elas a de que Palocci teria recebido da empreiteira Leão Leão propina mensal no valor de R$ 50 mil em sua segunda gestão como prefeito, entre 2000 e 2002.
O recuo do ex-secretário de Palocci está registrado no 14º Tabelião de Notas de São Paulo, onde ele prestou declarações extrajudiciais, conforme noticiou "O Estado de S. Paulo".
No documento, de 28 de junho de 2007, ele afirma ser mentira também a declaração que fez à Polícia Civil e à Promotoria de que o "mensalinho" pago pela Leão Leão serviu para financiar o Diretório Nacional do PT. Promotores, o delegado seccional que cuidou do caso, Benedito Antonio Valencise, e Palocci, por meio de seu advogado, disseram que desconheciam o documento.
O depoimento de Buratti aconteceu em 19 de agosto de 2005, na delegacia seccional de Ribeirão Preto. Na época, a polícia e o Ministério Público Estadual investigavam um suposto esquema de desvio e lavagem de dinheiro público envolvendo fraudes no serviço de varrição e coleta de lixo em Ribeirão Preto. No mesmo mês, Buratti compareceu à CPI dos Bingos no Senado e ratificou as declarações sobre o "mensalinho" pago a Palocci.
Agora, no documento que registrou no tabelião, Buratti diz que, na ocasião do depoimento, as autoridades o submeteram a um "ritual de execração pública" e fizeram com que ele se sentisse "moralmente destruído, desmoralizado perante seus filhos e familiares". A pressão, segundo ele, o fez mentir.
"Uma coisa é ele falar que se sentiu pressionado, a outra coisa é o conteúdo daquilo que ele falou na ocasião", disse o promotor de Justiça Tiago Cintra Essado, um dos que participaram das investigações que culminaram na denúncia de Palocci à Justiça -as investigações correm no STF (Supremo Tribunal Federal) porque o ex-ministro, hoje deputado federal, tem foro privilegiado.
Para Valencise, a atitude de Buratti foi "uma piada de mau gosto". "Ele foi um caminho para as investigações, mas a chave de tudo foram as provas que nós encontramos. Havia notas falsas na empresa [Leão Ambiental], ordens de serviço falsas na prefeitura que eram usadas no esquema. Se você me conta que tem um carro roubado em um local, eu vou lá e encontro o carro e depois você me diz que estava mentindo, isso não pode ser verdade."
A reportagem não conseguiu ontem contatar Buratti nem seu advogado, Roberto Telhada. O advogado de Palocci, José Roberto Batochio, disse que desconhecia as novas declarações de Buratti. Ele afirmou que conversou por telefone com Palocci na manhã de ontem sobre o caso. "A reação dele foi de muita surpresa", disse.
Dois dias antes de prestar o depoimento no qual fez acusações contra Palocci, Buratti havia sido interrogado e indiciado em inquérito policial. Teve sua prisão temporária decretada foi levado ao CDP (Centro de Detenção Provisória). No dia seguinte, em 18 de agosto, Buratti foi visitado por promotores e concordou em contribuir com as investigações, sob a perspectiva de ser beneficiado com a delação premiada.
Naquela ocasião, Buratti foi conduzido do CDP à delegacia seccional de Ribeirão algemado, vestindo roupa alaranjada de presidiário, na presença da imprensa, situação considerada por ele humilhante. O promotor Sebastião Sérgio da Silveira, também responsável pelas investigações, diz que Buratti nunca sofreu pressão.
"O fato de ele ficar vestido de presidiário só tinha importância porque ele era uma pessoa influente na sociedade. A gravidade do fato está no objetivo de todos aqueles atos, que era realmente constranger o cidadão, o que é lamentável, porque a busca por provas tem que obedecer a Constituição", criticou Jorge Marcos Souza, presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) em Ribeirão.

Palocci diz que ignorava recuo de ex-assessor

O deputado Antonio Palocci (PT-SP) disse ontem que tomou conhecimento do recuo de Rogério Buratti por meio da imprensa. Ele disse que não sabia que ele tinha registrado o documento em cartório em junho de 2007.
"Soube ao mesmo tempo que vocês", disse Palocci. Indagado pela Folha se havia ficado surpreso, o ex-ministro da Fazenda apenas riu. Ele disse que vai falar sobre o caso ainda nesta semana.
A empresa Leão Leão, envolvida nas investigações por ter vencido licitação para os serviços de varrição pública e coleta do lixo em Ribeirão Preto, disse por meio de sua assessoria que desconhecia as declarações de Rogério Tadeu Buratti ao 14º Tabelião de Notas da capital.
No depoimento dado em 2005 à Polícia Civil, Buratti acusou a empresa de pagar "mensalinho" de R$ 50 mil a Antonio Palocci Filho na segunda gestão do petista como prefeito de Ribeirão. Para a empreiteira, a retratação só "vem confirmar o que a empresa alegou durante todo o período do inquérito: que não havia nenhuma das irregularidades apontadas".
O delegado seccional de Ribeirão Preto, Benedito Antonio Valencise, que presidiu as investigações da Polícia Civil na ocasião, disse que a nova versão de Buratti não influencia o resultado final das investigações, que segundo ele apontam para Palocci como chefe do esquema de fraudes e desvio de dinheiro: "Ele foi um caminho para as investigações, mas a chave de tudo foram as provas que nós encontramos. Havia notas falsas na empresa, ordens de serviço falsas na prefeitura que eram usadas no esquema".

Lula omite razão para secretário virar ministro

Um anúncio equivocado do presidente Lula levou as cerca de mil pessoas que lotaram o salão nobre do Planalto a ovacioná-lo na posse do novo ministro da Igualdade Racial.
No discurso, Lula disse que assinara medida provisória transformando a secretaria em ministério: "Eu mandei uma medida provisória transformando a em ministério", disse Lula, que teve sua fala interrompida por gritos eufóricos dos presentes em sua maioria da secretaria e do movimento negro.
Uma hora e meia após o fim do evento, o Planalto revelou que a MP só altera o cargo do titular de secretário especial para ministro de Estado. A função, o tamanho e o orçamento da secretaria não mudam.
O que Lula não disse é que a MP foi feita para que Edson Santos não precisasse renunciar ao mandato de deputado. Pela Constituição, não perde o mandato de deputado ou de senador aquele que assumir o cargo de ministro de Estado antes, Santos seria apenas secretário especial.
O secretário nacional de Segurança Pública, Antonio Carlos Biscaia, primeiro suplente de deputado federal pelo PT do Rio, deve deixar o cargo nos próximos dias para assumir a vaga na Câmara: "Ainda vou conversar com o ministro Tarso Genro, mas ficaria inviável não retomar o mandato. Perderia a minha vez".

Lei de Imprensa

EDITORIAL

Proposta de revogar o texto, remanescente do período autoritário, é ocasião para um amplo debate na sociedade

MAIS DE 40 anos depois de ter sido promulgada, em pleno regime militar, a Lei de Imprensa sobrevive numa espécie de limbo jurídico e faz sentido a iniciativa do deputado Miro Teixeira (PDT-RJ), tomada nesta terça-feira, de requerer sua revogação ao Supremo Tribunal Federal.
Muitos dispositivos da Lei de Imprensa já foram invalidados na prática. Desde a entrada em vigor da Carta de 1988, já estavam felizmente relegados ao museu de aberrações do autoritarismo os aspectos mais violentos dessa lei. Previa-se, por exemplo, a prisão de jornalistas responsáveis pela publicação de "notícias falsas que perturbem a ordem" e o fechamento de jornais que estimulassem "a subversão da ordem política e social".
Também a jurisprudência recente fez letra morta de alguns dos 77 artigos que compunham o caudaloso documento. Não mais se leva em conta, assim, o teto de até 200 salários mínimos para indenização por dano moral, arbitrada agora caso a caso.
Eis um exemplo, aliás, das delicadas questões que se abrem com a proposta de uma revogação total da Lei de Imprensa. Se é necessário prover o cidadão de instrumentos para coibir os abusos de que for vítima por parte de um órgão jornalístico, não deixa de haver riscos para a liberdade de imprensa quando se abre a possibilidade de estipular, sem limites legais, indenizações que inviabilizem, na prática, a própria existência econômica de um meio de comunicação.
Extinta a atual Lei de Imprensa, seria o caso de substituí-la por outro documento? Valeria seguir apenas o Código Penal nos delitos tipificados como injúria, calúnia e difamação para enquadrar os eventuais delitos cometidos por jornalistas no exercício de sua profissão?
Há opiniões divergentes sobre o assunto. Se são maiores, evidentemente, as responsabilidades de quem se dirige ao grande público, também a própria natureza da atividade tende a aumentar os riscos de constrangimento penal imerecido a quem a exerce de boa-fé.
O próprio deputado Miro Teixeira é autor de anteprojeto regulando sucintamente um ponto que a revogação da Lei de Imprensa deixaria sem cobertura jurídica: o direito de resposta. Mesmo aqui, o desenvolvimento das tecnologias de comunicação dá margem a discussões que, no Brasil e em outros países, mal começam a ser feitas. Como assegurar direito de resposta a uma reportagem inverídica no YouTube, por exemplo? Poderia o blog de um polemista individual ser regido pelas mesmas leis que disciplinam uma grande rede de televisão?
O assunto merece consideração minuciosa da sociedade. Trata-se não só de oferecer ao cidadão mecanismos que o protejam de potenciais danos causados pelos meios jornalísticos, mas também de garantir-lhe plenamente o acesso à informação. Décadas depois do fim da ditadura, não são poucos, nem desarticulados, os que ainda se empenham em restringi-lo.

 
 
 
 
 
 
 
 
 
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Vasconcelo Quadros Brasília

Mais um suplente problemático

Empresário rural e grande produtor de grãos no Mato Grosso, o homem que vai ocupar a vaga deixada pelo senador Jonas Pinheiro  enterrado ontem em Santo Antônio do Leverger  Gilberto Flávio Goellner tem pendências com a Justiça, mas seu principal problema está na parceria com o governo federal na área de pesquisa de algodão.

Ex-presidente da Fundação Mato Grosso, entidade criada em Rondonópolis pelos líderes do agronegócio, Goellner chegou a ser acusado pela Polícia Federal, em 2000, pelo desvio de sementes geneticamente modificadas através de pesquisas desenvolvidas em parceria com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa). O escândalo envolvia como principal personagem o governador do Mato Grosso, Blairo Maggi, dono das fazendas onde as sementes haviam sido desviadas à época. Os dois integravam a fundação que, à época, era presidida pelo futuro senador.

Transgênico

As variedades de sementes transgênicas de algodão eram resultado de vários anos de pesquisa bancada pelo governo e desenvolvidas pela Fundação Mato Grosso e Embrapa. Funcionários das fazendas confirmaram à polícia o desvio e o plantio às pressas, para consumar o que a polícia investigou como roubo, e o escândalo acabou resultando num acordo envolvendo os dirigentes da Fundação Mato Grosso e a Embrapa. Eles pagaram à estatal R$ 2,5 milhões de indenização pelo desvio e o assunto foi encerrado na esfera administrativa. O inquérito da Polícia Federal foi encaminhado à Justiça, ainda sem decisão.

No início de 2007, esse mesmo escândalo ajudou a derrubar a indicação do deputado Odílio Baltinotti (PMDB-PR) para o Ministério da Agricultura. Balbinotti também integrou a diretoria da Fundação Mato Grosso.

- Foi tudo um mal entendido e já está resolvido. Eu era presidente da Fundação Mato Grosso e fizemos o transgênico para a Embrapa para plantar no Estado, mas houve uma confusão. Depois pagamos os royalties para não ficar desconfiança e a coisa foi resolvida  explicou, ontem, Goellner.

Na página do Superior Tribunal de Justiça, o futuro senador aparece também como parte em três processos que estão em andamento na área cível: dois deles são sobre dívidas contraídas como um empresário e uma empresa de importação, convertidos em títulos de crédito cobrados na justiça, e no terceiro, que envolve o falido Banco de Santos, ele é vítima. O empresário garante que "foi logrado" pelo banco, mas diz que as outras pendências estão resolvidas, embora continuem tramitando.

- São coisas sem importância e que ainda estão pendentes por causa da morosidade da justiça no julgamento. Não fiz nada errado. Tenho uma vida ilibada - garante.

Posse em 30 dias

Gaúcho de Não-Me-Toque, 61 anos de idade, engenheiro agrônomo, o futuro senador deverá tomar posse dentro dos próximos 30 dias. Embora o presidente do Congresso, Garibaldi Alves, tenha se encontrado com ele ontem durante o velório de Jonas Pinheiro, nada foi conversado sobre a convocação. Um dos mais clássicos exemplares da bancada ruralista e situado entre os maiores produtores de grãos do país, o futuro parlamentar é amigo e aliado político do governador Blairo Maggi, Goellner integra também o grupo de produtores que mais tem dado dor de cabeça ao Ministério do Meio Ambiente em decorrência das queimadas e derrubadas de matas para plantio extensivo de soja no Mato Grosso.

- É preciso verificar a origem das queimadas. O Ibama e o Incra não têm estrutura para fiscalizar  diz o empresário, um crítico da "ideologização" dos debates envolvendo meio ambiente e segurança alimentar.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Da Associated Press

Professora é condenada por abusar de adolescentes nos EUA

Foto: Polícia de Clinton/Reprodução
A professora Allenna Ward, de 24 anos, que foi condenada por manter relações sexuais com jovens nos Estados Unidos (Foto: Polícia de Clinton / Reprodução)
Ela manteve relação sexual com cinco garotos.
A professora, de 24 anos, foi condenada a seis anos de prisão.

Uma ex-professora do ensino médio foi condenada a seis anos de prisão nesta terça-feira (19) por ter mantido relações sexuais com cinco garotos adolescentes.

As autoridades dizem que Allenna Ward, de 24 anos, abusou dos jovens (com idades entre 14 e 15 anos) em Laurens, na Carolina do Sul (nos Estados Unidos), em diversas ocasiões num motel, num parque e num restaurante.

"Peço desculpas do fundo do meu coração", afirmou Ward perante os juízes.

A polícia iniciou a investigação no ano passado, após diretores da escola terem encontrado um bilhete que teria sido escrito pela professora a um dos garotos.

"Sinto que a Justiça foi feita", disse a irmã de uma das vítimas ao final do julgamento. "Estamos satisfeitos que isso acabou."

 

 

 

Folha Online

MAURÍCIO SIMIONATO
da Agência Folha, em Campinas

Padres pedem discussão sobre o celibato

A CNP (Comissão Nacional dos Presbíteros) deve publicar daqui a duas semanas texto intitulado "Subsídios para reflexão", no qual pede a abertura de discussões em torno da obrigatoriedade do celibato de padres na Igreja Católica.

Com o fim da obrigação, os religiosos casados ou ex-casados também poderiam ser ordenados padres.

A abertura de discussão em torno do tema foi sugerida por alguns padres durante o 12º ENP (Encontro Nacional de Presbíteros), que ocorreu de 13 a 19 de fevereiro no mosteiro de Itaici, em Indaiatuba (102 km de São Paulo). Pelo menos 430 padres de todo o país participaram do encontro.

De acordo com o presidente eleito da CNP (Comissão Nacional de Presbíteros), padre Francisco dos Santos, "o que está se propondo é que se reflita sobre novas formas de ministério [sacerdócio], que não seja apenas o celibatário".

Ele disse não haver consenso em torno do celibato, mas que a maioria dos padres defende a sua continuidade na igreja.

"Não estamos propondo o fim do celibato, mas que sejam estudadas novas formas. Quais seriam essas novas formas é exatamente sobre o que queremos refletir", disse o presidente da CNP.

A CNP é vinculada à CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil).

No que depender do Vaticano, a proposta deve ficar no papel. Na abertura do encontro, há oito dias, o prefeito da Congregação para o Clero, no Vaticano, cardeal dom Cláudio Hummes, 73, defendeu o celibato, em discurso aos padres.

"O celibato não deve ser vivido como mera imposição, mas na fé, como um dom de Deus que acolhemos num gesto de resposta de amor, um dom exigente, mas com potencial de grandes frutos de santificação", disse o cardeal, cuja função no Vaticano é cuidar da formação e da disciplina de padres.

O ex-presidente da CNP padre José Pietrobom Rotta disse que o texto "Subsídios para reflexão" será encaminhado aos padres do país para que haja uma "reflexão" sobre diversos temas, entre eles o do celibato.

"Esse texto é um subsídio de reflexão que nós vamos encaminhar aos padres e ainda não está pronto. Teremos isso publicado em 15 dias, pois ainda é um texto que está sujeito à revisão", disse.

O padre disse que o texto "Subsídios para reflexão" não é deliberativo. "Estamos apenas propondo que se reflita sobre isso, além de outros temas. Não estamos propondo uma solução porque ainda não a temos."

O padre Geraldo Martins Dias, assessor de imprensa da CNBB, disse que a proposta de discussão visa "possibilitar outras formas de ministério ordenado, que não seja apenas a do presbítero celibatário".

"Uma coisa é querer acabar com celibato. Outra coisa é abrir uma discussão para que hajam outras formas de ministério ordenado, ou seja, outro tipo de padre, convivendo também com o celibatário. Hoje, a única forma de ministério ordenado é o presbítero celibatário", disse.

O padre citou como exemplo, a possibilidade de padres poderem optar por se casar ou de um padre que já é casado e pretenda voltar ao sacerdócio.

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Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

O país da corrupção

BRASÍLIA - De quando em quando vale deixar as primeiras filas da sala do cinema, de onde vemos com perfeição os detalhes dos pedaços da tela dispostos à nossa frente para, lá nas últimas filas, conseguirmos uma visão de conjunto. A mais recente pesquisa da CNT-Sensus presta-se a essa observação. O presidente Lula alcançou 68% de popularidade, e o governo, 52% de aceitação, como ótimo ou bom.

Enquanto isso, vai explodindo o escândalo mais recente, dos cartões de crédito corporativos, com 11.510 funcionários grandes e pequenos do Executivo autorizados a praticar qualquer tipo de despesas em seu favor pessoal ou para benefício dos interesses daqueles a que servem, com ênfase para familiares até do presidente da República. Deste e do antecessor. Uma lambança digna dos capítulos anteriores, dos sanguessugas que superfaturavam ambulâncias para municípios e da ação da quadrilha com cabeça no Palácio do Planalto e nas altas esferas do PT, criando o mensalão para comprar o voto de deputados.

Só isso? Nem pensar. A disputa por diretorias de empresas estatais, entre os partidos políticos, conduz ao raciocínio linear de que autorizar bilhões de despesas com obras públicas, para empreiteiras, e dispor do poder de liberar essas quantias, revela a prática do recolhimento de vultosas comissões para os privilegiados dirigentes e seus padrinhos.

Não foi sequer o PC Farias que inventou essas operações, dirão os acomodados, acrescentando vir essa roubalheira dos tempos do Império. Tem razão, mas é bom registrar que as operações sofisticaram-se tanto a ponto de obstar a ação da polícia e da Justiça.

A coisa pública foi transformada em coisa privada, como se fosse normal para aquele que puder, funcionário público ou empresário, cidadão comum ou desempregado, meter a mão e locupletar-se do erário e do próximo. E nem falamos, até agora, da vergonha que tem sido o aparecimento de milhares de ONGs fajutas, de fancaria, criadas à sombra do partido do governo e adjacências, sustentadas por dinheiro público, sem prestar contas de seus gastos. São bilhões, todos os anos, fluindo para o bolso de falsos benfeitores da sociedade, ainda que existam ONGs sérias e de relevantes serviços prestados.

O que espanta e assusta é o fato de que o povo continue dando seu aval a governantes que, no mínimo, toleram esse pantanal, quando não o estimulam ou dele não se beneficiam. Não se trata de denegrir os "companheiros", pela primeira vez no poder, que apenas confirmam aquele mote popular de que quem nunca comeu melado costuma lambuzar-se. Antes deles foram os tucanos, atrás vinham peemedebistas. A registrar emerge o fato de que a corrupção transformou-se em regra geral. Quem pode, aproveita, com o beneplácito da sociedade.

Pode ser simples a explicação: de tanto ver vitoriosa a roubalheira, a maioria passou a admirá-la e praticá-la. Como num sistema de vasos comunicantes, a corrupção estendeu-se a todas as camadas sociais. Quem contratou um pintor de paredes sabe que, com as exceções de sempre, o profissional vai misturar água na tinta para dali a pouco tempo seus serviços venham a ser novamente exigidos. Um cidadão que leva o carro a uma oficina mecânica, grande ou pequena, pode ter a certeza de que o defeito foi sanado, mas um gatilho instalou-se em outra parte do motor, de modo a precisar voltar mais ou menos como funcionaria o moto-perpétuo, se existisse.

O exemplo vem de cima, das exorbitantes taxas bancárias que levam a atividade a faturamentos jamais vistos, até os produtores de gêneros de primeira necessidade, como o leite, servido com soda cáustica. Ou os remédios, obra-prima de laboratórios que fariam a felicidade do Al Capone, se ele tivesse tido a idéia de controlá-los. Se puder, o produtor rouba no peso e nas especificações do pacote de feijão, assim como o usuário de um telefone fixo ou celular se verá envolvido por sedutoras promessas de prêmios miraculosos, caso admita mais um adendo em sua conta mensal.

É claro que tudo acontece pela falência do poder público, incapaz de obstar tanta bandidagem, seja por incapacidade, seja por estarem seus agentes atolados até o pescoço na flexibilização de seus deveres.

Torna-se necessário descer mais a fundo nesse poço infinito. Qual a causa de tanta corrupção? A impunidade, para começar. Se os outros podem, porque não poderá o cidadão comum, se em vez de punido, o corrupto é exaltado e seguido como um vencedor?

O modelo repousa na origem. Substituiu-se a ética pela livre competição. Vale tudo para afastar o colega do lado, o vizinho de porta ou o companheiro de jornada, mesmo mantidas certas normas corporativas, que apenas fazem confirmar o princípio maior. Para os céticos, a Humanidade sempre funcionou assim, em graus diferentes.

Convenhamos, porém, estar o Brasil outra vez dando lições para o mundo. Mudar o próprio, quer dizer, o mundo, nem Jesus Cristo, aliás, de uns tempos para cá servindo para justificar novos tipos de roubalheira. Ou não vemos montes de "bispos" virarem milionários através de promessas que misturam doações com a vida eterna?

Saída não há, para essa trágica fase em que nos encontramos. Nem PT, nem PSDB, muito menos PMDB ou outras siglas que nos assolam. São manifestações periféricas de algo bem mais profundo, já que não prosperariam se não houvesse campo fértil.

Falta-nos uma corporação, uma categoria social ainda não contaminada, pois todas se viram dominadas pela corrupção ou pela impotência. Chamar os militares de novo, para repetirem a ditadura? Felizmente não dá mais. Apelar para as igrejas, a Católica envolta no retrógrado conservadorismo dos novos tempos de Bento XVI? As evangélicas, acima referidas como as modernas cavernas do Ali Babá e do Ali Babão?

Acreditar no Ministério Público pleno de jovens idealistas que com o tempo vão aderindo ao sistema? Vale o mesmo para a Justiça. A Polícia Federal, que dia a dia parece amalgamar-se mais aos adversários que deveria combater? Dos partidos políticos não haverá que repetir outra vez estarem servindo de trampolim para a falência generalizada. O Congresso, coitado?

As centrais sindicais desapareceram, o MST constitui-se no portal da violência inconseqüente, assim como as elites empresariais puxam a fila do que de pior acontece no País. A imprensa, mero apêndice das decisões do poder econômico? Também não dá para a inteligência da universidade, com reitores capazes de locupletar-se no barro que só se forma pela anuência dos professores. Sequer os artistas seriam capazes de constituir uma força unida, tanto faz se escritores, poetas, pintores, atores e escultores, todos empenhados na deletéria competição que os divide entre realizados e fracassados.

Quem quiser que responda, mas, em termos de instituições nacionais em condições de virar o jogo, só mesmo as torcidas do Flamengo e do Corinthians. Mas o que fariam depois de deixarem a emoção dos estádios?

Jefferson arrola Lula, Aécio e FHC como testemunhas

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva encabeça a lista de 33 testemunhas que o ex-deputado Roberto Jefferson (PTB-RJ) indicou para serem ouvidas em sua defesa prévia no processo do mensalão, apresentada terça-feira à Justiça. No documento, além de Lula, são arrolados como testemunhas outros nomes de peso na política, como o da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff, o do governador de Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), e o do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Jefferson se declara inocente dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro, dos quais é acusado. Ele teve o mandato cassado por causa das denúncias e é um dos 40 réus no inquérito criminal que corre no Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o mensalão, o suposto esquema de mesada para que parlamentares da base aliada votassem propostas de interesse do governo.

No documento apresentado à Justiça, Jefferson afirma que os R$ 20 milhões repassados do PT para o PTB, quando era presidente do partido, eram parte de um acordo para as eleições municipais de 2004 e não se destinavam a pagar apoio a projetos no Congresso.

"Não se trata, portanto, como dito na denúncia, de propina. É recurso lícito, fonte de arrecadação prevista em lei e destinada à eleição municipal de 2004", alega o texto. "Com o governo federal iniciado com a eleição vitoriosa de 2002, de que fazia e faz parte o PTB, suas bancadas, na Câmara e no Senado, desde então sempre votaram e conformaram sua base parlamentar de apoio. E isso é conceitual e rudimentar na prática parlamentar e política, que aqui se quer criminalizar. Mas crime não é".

Segundo sua defesa, não há "nada incomum, estranho ou ilícito" de Jefferson, "então líder do PTB na Câmara, defender e votar a favor da reforma da Previdência - como pregava desde a Constituinte - e da indispensável e urgente reforma tributária".

Certidões

O ex-deputado alega que, segundo a denúncia, "ficou comprovado o pagamento periódico a parlamentares para votar projetos de iniciativa ou interesse do presidente da República, por parte inclusive de ministros, co-réus neste estranho e incompleto processo criminal".

Ele afirma ter alertado o presidente sobre o mensalão antes de o escândalo estourar. Jefferson anexou ao processo certidões do Planalto que provariam que, mesmo depois de avisado, Lula não solicitou que fosse aberta investigação sobre os fatos. "Com surpresa, como evidenciam os documentos anexos, informa-se por certidão que nada foi localizado a respeito", diz o texto da defesa.

Por fim, a defesa solicita que as testemunhas sejam arroladas e seja garantida sua presença. A lista inclui vários deputados federais e ex-ministros. Por lei, pessoas indicadas como testemunhas em processos judiciais são obrigadas a comparecer. O presidente, por ter foro privilegiado, pode marcar data e hora do depoimento.

 

 

 

Dora Kramer

Assim não é como lhe parece

O presidente Luiz Inácio da Silva pode estar apenas mal informado, mas pode ser também que esteja mal intencionado quando confere ares de naturalidade democrática à ofensiva orquestrada pela Igreja Universal do Reino de Deus contra os jornais Folha de S. Paulo e Extra e contra a agência A Tarde, da Bahia.

Todos eles, em particular a Folha, com reportagens de Elvira Lobato, publicaram material investigativo sobre as atividades que resultaram na formação de um império empresarial e de comunicação comandado por Edir Macedo, dito bispo da Universal.

“Se a Igreja Universal utilizou o Poder Judiciário, ela está utilizando um dos pilares da democracia”, disse o presidente da República, cujo vice, José Alencar, pertence ao partido (PRB) que dá sustentação parlamentar à igreja, o negócio original mediante o qual Edir Macedo começou a construir seu imenso patrimônio.

Proposital ou involuntariamente, não está claro, o presidente confunde as coisas e acaba por usar os mesmos argumentos da ditadura que levaram o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC à intervenção nos anos 80 e puseram seu presidente à época, Luiz Inácio da Silva, alguns dias na prisão. As Leis de Segurança Nacional e de Greve serviram de embasamento jurídico para o ato, eram “pilares da ditadura”.

A Lei de Imprensa invocada agora, no auge do furor judicante da tropa mobilizada pelo dito bispo País afora, é outro pilar de sustentação, não da democracia, como acredita - ou diz acreditar - o presidente, mas do arcabouço remanescente do autoritarismo.

Ao pleitear as indenizações e punições previstas nessa legislação e por diversas vezes já consideradas em tribunais superiores desproporcionais às previstas para os cidadãos em geral no Código Penal e outros dispositivos, a Universal visa mais que a obter reparação. Quer instituir um padrão de intimidação aos veículos de comunicação.

Daí a impropriedade de o presidente da República associar-se ao mau combate. Abstrair-se de discernir entre o que seja recurso natural à Justiça e tentativa de fazer daquelas ações em curso um combate à liberdade de imprensa e, por conseqüência, um ataque ao direito da sociedade de se informar sobre a construção de um império político, comercial, religioso e de comunicação.

Assim como não é “normal” - como já disse Lula - que o presidente da Venezuela, Hugo Chávez, imponha o fim das atividades de uma rede de televisão privada que exerce sua obrigação crítica sob o argumento do fim da licença de concessão, não é democrático que um empresário tente restringir investigações sobre suas atividades. Mais inaceitável ainda que o chefe de uma nação na vigência das liberdades empreste seu prestígio a esse ato.

Melhor proveito o presidente faria de sua alta popularidade se a usasse para, por exemplo, se aliar à luta do deputado Miro Teixeira em prol da revogação da Lei de Imprensa e esclarecer a população sobre o ganho à coletividade.

Não só a ele, que dispõe da prerrogativa da exceção da verdade na Lei de Imprensa, que impede o processado de produzir provas sobre a veracidade de suas afirmações e nutre notório desconforto com a atuação da imprensa, não parece interessar o enterro do entulho. Ao Parlamento também.

Há dez anos, o senador Jefferson Péres conseguiu aprovar no Senado um projeto revogando a Lei 5.250, de 1967. O assunto foi para a Câmara e lá dorme até hoje sem padrinho, pois aos políticos a Lei de Imprensa serve como instrumento de exceção, já que trata jornalistas e veículos de comunicação como inimigos da Nação.

Exatamente como fazia a ditadura com os cidadãos em geral, quando os submetia aos ditames da Lei de Segurança Nacional, e aos trabalhadores em particular, quando subtraia seu direito à reivindicação salarial mediante a Lei de Greve.

Toma lá

Dois anos depois, está explicado porque o então ministro da Fazenda, Antonio Palocci, não processou Rogério Buratti quando foi acusado por ele de corrupção na Prefeitura de Ribeirão Preto.

Na ocasião, Palocci disse que achava impróprio processar alguém sendo ministro, mas tampouco falou em processo depois de sair do ministério. Agora Buratti recua, se retrata e fica evidente a combinação. Se houvesse a certeza do perjúrio, o caminho natural de Palocci teria sido provocar judicialmente a retratação.

Erro de pessoa

Lula defendeu Matilde Ribeiro. “Não cometeu nenhum delito, só falhas administrativas.” Nessa versão, ela saiu porque o presidente disse que não valia a pena ela ficar “sendo massacrada”.

Muito cavalheiresco. Mas ela saiu mesmo porque, se ficasse tendo comprovadamente desviado dinheiro público para compras particulares, os massacrados seriam Lula e a defesa do governo no uso dos cartões corporativos.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

PMDB aposta em Aécio, com Lula

É muito forte a possibilidade de o PMDB fazer do governador de Minas, Aécio Neves, seu candidato a presidente em 2010, e com apoio do presidente Lula. Dificilmente Aécio disputará pelo PSDB, que está sob controle do governador José Serra, candidato declarado. O governador mineiro acha que esta é a sua vez, lembrando que 2010, ano da eleição, será o centenário do avô, Tancredo Neves. Para ele, está escrito.

Lula insiste

O presidente Lula também insiste na transferência de Aécio Neves para o PMDB, sempre que o encontra. A última vez foi há duas semanas.

Desequilíbrio

José Dirceu acha que Aécio Neves poderia desequilibrar a eleição de 2010, como vice de José Serra. Por isso o PT quer tê-lo como aliado.

Entendimento

Entusiasta da aliança Lula-Aécio, Delfim Netto patrocina reunião decisiva do governador com Michel Temer, presidente do PMDB, próxima semana.

Gesto decisivo

O primeiro passo para a aliança foi de Aécio Neves, que deve apoiar a reeleição do prefeito petista de Belo Horizonte, Fernando Pimentel.

Lula: advogado quer impeachment

O advogado Paulo Magalhães e a ONG Brasil Verdade ingressam em Mato Grosso, nesta quinta (21), com ação popular contra o presidente Lula, sua mulher, d. Marisa, e mais 16 beneficiados pelos cartões corporativos, além de ecônomos da Presidência. O objetivo do é obter um impeachment judicial, "para não depender da vontade" do Congresso. A ação também pede o ressarcimento dos cofres públicos.

Lurian será ré

Além da primeira-dama, serão réus da ação a filha do presidente, Lurian, e os pilotos do AirForce 51, que são portadores de cartões corporativos.

Assim caminha a revolução

Como Lênin, Mao e Guevara, em breve Fidel Castro será apenas um pôster na parede. Ou a ilustração de camiseta.

A Justiça decide

Lula disse que Matilde Ribeiro "não cometeu crime". Ele ignora que o Código Penal chama de peculato o desvio, para proveito próprio, de valor de que tem posse em razão do cargo. Dá cadeia de até 12 anos.

Nem aí

O governo Lula nem respondeu à Organização dos Estados Americanos (OEA), que aguarda explicações do Brasil, desde 2004, para julgar ação de aposentados contra a obrigação de recolher para Previdência.

Reforma política

Apesar de ter marcado sua saída temporária do Planalto para 31 de março, o presidente Lula já investe pesado na reforma do palácio: até agora já foram empenhados mais de R$ 2 milhões.

Zarattini: eu, não

O deputado Carlos Zarattini (SP) confirma a piada que circulou sobre a internação de Aloizio Mercadante na festa de aniversário do PT ("O senador fez cesariana, tirou o rei da barriga"), mas nega ser seu autor.

 

 

 

http://www.tvcanal13.com.br/

NBC mostra Osama bin Laden ao falar de Barack Obama

O Globo

Esta não é a primeira vez que os nomes do terrorista e o do senador são confundidos na imprensa
 
O canal NBC News cometeu uma gafe na noite de segunda-feira que apimenta ainda mais a disputa democrata pela indicação do partido da oposição à eleição presidencial de 4 de novembro. Quando um apresentador da emissora americana falava do senador Barack Obama foi um efeito no fundo da tela com a imagem do terrorista Osama bin Laden.

"Esse erro é indesculpável", disse na terça-feira Jeremy Gaines, porta-voz da MSNBC, dona da emissora.

O incidente ocorreu quando Chris Matthews, que estava apresentando o programa "Hardball", comentou sobre o controvertido uso que Obama faria, durante a campanha, de frases atribuídas a outros políticos.

Imediatamente, a equipe que assessora Obama entrou em contato com a NBC News. O próprio Matthews se desculpou no ar pela troca de imagens. Quando o programa foi exibido novamente horas depois, ainda na segunda-feira, a foto de Bin Laden foi substituída por uma de Obama.

A emissora não identificou publicamente o funcionário do departamento gráfico que cometera o erro.

Esta não é a primeira vez que os nomes do terrorista e o do senador são confundidos na imprensa. No ano passado, a CNN se desculpou por exibir uma matéria sobre a caçada ao líder da Al-Qaeda com a chamada "Where's Obama?" (Onde está Obama?).

Até mesmo o ex-candidato republicano Mitt Romney já andou escorregando quando falava, durante a campanha, sobre terrorismo: "Na verdade, olhe para o que Osam... é... Barack Obama disse ontem", comentou o empresário em outubro do ano passado.
 

Pastor convoca fiéis para maratona de sexo

Um pastor americano da Flórida chamou os seguidores casados para um desafio: fazer sexo todos os dias por um mês. Segundo a Sky News, o chamado seria uma variação da abstinência sexual por um mês.

De acordo com o site Ananova, Paul Wirth, líder da Igreja Relevante, de Ybor City, afirma que pretende diminuir a alta taxa de divórcios através da maratona. "Quando somos solteiros, estamos procuramos sempre por sexo, mas na vida de casado, por algum motivo, as relações diminuem com o tempo."

A Igreja se descreve como casual, contemporânea e cristã. Seus serviços são destinados a "profissionais urbanos e jovens famílias." O pastor Wirth usou recentemente o filme Shrek Terceiro para explicar "o que acontece quando confiamos em Deus".  

 

NOTÍCIA PARA ALEGRAR SEU DIA !!! 
 
SORRIA,SEUS PROBLEMAS ACABARAM
 
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http://www.cartaocorporativo.com/

 

 

 

MARIA CLARA CABRAL

Câmara inicia reforma de 96 apartamentos ao custo de R$ 307,6 mil cada um

A Câmara iniciou uma reforma em 96 apartamentos funcionais que servem para uso dos deputados, mas se encontram abandonados. A média de gasto com cada imóvel é de R$ 307,6 mil custo total de R$ 29.538.489. Iniciada em janeiro, a previsão é que a obra termine em até um ano.
A licitação prevê, além de banheira em cada apartamento, triturador de alimentos e sistema de aquecimento solar. Para protegê-los, todas as fachadas serão cobertas com painéis metálicos móveis. O sistema elétrico será refeito, inclusive as luminárias. Ainda está previsto um sistema de cabeamento para antena coletiva, TV a cabo e telefonia, que também servirá para internet, entre outros.
"O valor não está dentro dos padrões. Mas é claro, se você quiser mármore em tudo, o preço vai ficar muito alto", diz Alexandre Langer, dono de imobiliária. A Câmara discorda que os gastos estejam elevados e diz que eles serão compensados depois com a economia em auxílio-moradia R$ 3.000 por deputado.
A Casa dispõe de 432 apartamentos, de 225 m2, construídos há mais de 35 anos e que nunca foram reformados. Desses, 207 estão vazios por falta de condições de uso. São gastos R$ 10,6 milhões por ano com 295 deputados que recebem o auxílio-moradia.

 

 

 

Folha Online

Com France Presse

Veja frases que marcaram a carreira política de Fidel Castro

A carreira política de Fidel Castro é marcada por frases carismáticas que caracterizam a história recente da América Latina. Veja algumas delas:

Outubro de 1953: "Condenem-me, não importa, a história me absolverá", durante julgamento depois do frustrado ataque ao quartel de Moncada.

30 outubro de 1955: "Em 1956 seremos livres ou seremos mártires", em Nova York.

1956: "Se saímos, chegamos; se chegamos, entramos; se entramos, triunfamos", no México, antes de zarpar com o iate Granma.

Dezembro de 1956: "Agora, sim, ganhamos a guerra!", em Cinco Palmas, leste de Cuba, frase que disse a Raúl quando viu que lhes restavam somente sete fuzis depois do desembarque do Granma para iniciar a insurreição.

5 de junho de 1958: "Quando esta guerra acabar, começará para mim uma guerra muito maior e mais longa: a guerra que vou lançar com eles. Me dou conta de que esse vai ser meu destino verdadeiro", de uma carta a Celia Sánchez em Sierra Maestra.

8 de janeiro de 1959: "Não nos enganemos achando que adiante tudo será fácil; talvez tudo seja mais difícil", durante sua entrada triunfal em Havana, depois de derrubar a ditadura.

4 de março de 1960: "Pátria ou Morte!", primeira vez que pronuncia a palavra de ordem em ato de luto pelas vítimas do atentado ao barco francês "La Coubre", ancorado em Havana.

16 de abril de 1961: "É isso que eles não podem nos perdoar, que estejamos aqui, sob seus narizes, e que tenhamos feito uma revolução socialista debaixo dos narizes dos Estados Unidos (...) Esta é a revolução socialista e democrática dos humildes, com os humildes e para os humildes", durante o funeral das vítimas do bombardeio que foi o prelúdio da invasão à Baía dos Porcos.

Junho 1961: "Pela revolução, tudo; contra a revolução, nada", mensagem a intelectuais.

2 de janeiro de 1963: "Se o que pretendem os imperialistas para que haja paz é que deixemos de ser revolucionários, não deixaremos de ser revolucionários, jamais dobraremos a nossa bandeira", depois da crise dos mísseis.

14 de novembro de 1965: "Com o imperialismo não queremos paz de qualquer tipo".

15 de outubro de 1976: "Quando um povo enérgico e viril chora, a injustiça treme". Pronunciamento na Praça da Revolução, no ato de luto pelas 73 vítimas do atentado de 6 de outubro de 1976 contra um avião cubano.

12 de outubro de 1979: "As bombas podem matar os famintos, os doentes, os ignorantes, mas não podem matar a fome, as doenças, a ignorância", na ONU.

1º de maio de 1980: "Os que não têm coragem, os que não querem se adaptar ao esforço, ao heroísmo da revolução que vão embora, não os queremos, não precisamos deles", durante o êxodo de Mariel.

7 de julho de 1985: "Esta dívida não é apenas impagável, pois, além dos mais, é uma dívida incobrável", sobre a dívida externa latino-americana.

1º de janeiro de 1989: "Socialismo ou morte! Marxismo-leninismo ou morte!".

Setembro de 1991: "Jamais me aposentarei da política, da revolução ou das idéias que tenho. O poder é uma escravidão e sou seu escravo".

26 de julho de 1993: "O socialismo devia ser aperfeiçoado, mas jamais devia ser destruído; jamais se devia presentear o imperialismo ianque com a hegemonia mundial como se presenteou, sem disparar um tiro".

24 de dezembro de 1993: "A imprensa tem a missão primordial de defender a revolução. Defender a revolução é defender o socialismo".

20 de julho de 1996: "Os homens passam, os povos ficam; os homens passam, as idéias ficam".

29 setembro 2001: "Somos e seremos contra o terrorismo e contra a guerra", depois dos atentados nos Estados Unidos.

6 de março de 2003: "Agora compreendo que meu destino não era vir ao mundo para descansar ao final da vida".

24 de março de 2005: "Cada vez me sinto mais atraído pelas idéias de Marx, Engels e Lênin". 
 

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O repórter fotográfico das DesNotícias flagrou o momento exato da queda de Fidel

 

 

 

HIERÁRQUIA RELIGIOSA

Quatro mães católicas estão tomando chá. A primeira, querendo impressionar as outras, diz:
- Meu filho é padre. Quando ele entra em qualquer lugar todos se levantam e dizem: "- Boa tarde padre!!!"
A segunda não fica para trás e comenta:
- Pois o meu filho é bispo. Quando ele entra em uma sala, com aquela roupa, todos param o que estão fazendo e dizem: " - Sua bênção bispo!!!"
A terceira, calmamente acrescenta:
- Pois o meu é cardeal. Quando entra em uma sala, todos se levantam, beijam o seu anel e dizem: "- Sua benção Eminência!!!"
A quarta mãe permanece quieta. Então, a mãe do cardeal, só para provocar, pergunta:
- E o seu filho, não é religioso??
A quarta mãe responde:
- Meu filho tem 1,90 cm de altura, é bronzeado, tem olhos verdes, pratica musculação e trabalha como stripper. Quando ele entra em uma sala todo mundo olha e diz: "- MEEUUUUUU DEEEUUUSSSS



 

 

 

Reinaldo Azevedo

 “Um dia, vieram para levar o Diogo; como não sou Diogo, não me incomodei...”

Tenho escrito aqui, com certa freqüência, às vezes em tom de quase galhofa, sobre o capeta, não é? Para não criar divisões religiosas, trato do rabudo na esfera da linguagem. Digo que ele nos impede de distinguir o mal do bem, o vicio da virtude. Embaralha tudo e, se for preciso, leva o indivíduo a tomar uma coisa pelo seu oposto, como em 1984, de George Orwell. Outra arte do chifrudo é perverter a essência das coisas, amesquinhando-as, rebaixando-as. Por exemplo: recorrer à Justiça é do bem; a litigância de má-fé é do capeta; apelar a um tribunal, no estado de direito, é uma prerrogativa de todos; usar, no entanto, os tribunais como mero instrumento de perturbação do adversário ou inimigo já é artimanha do coisa ruim.

Lula foi indagado a respeito da cascata de ações — 56!!! — que fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus (IURD) movem contra a Folha. Apedeutakoba não teve dúvida, fazendo-se de acaciano, mas sendo profundamente luliano: “A liberdade de imprensa pressupõe a imprensa escrever o que quiser, mas pressupõe também que a pessoa que se sinta atingida vá a Justiça para provar a sua inocência. Não pode ter liberdade de imprensa se apenas um lado achar que está certo". Achou que era pouco e resolveu ser mais claro: “O dia em que a Folha de S. Paulo se sentir atingida pela Igreja Universal ela vai processar a Igreja Universal. O dia em que a Igreja Universal se sente atingida pela Folha, vai processar a Folha. E assim a democracia vai se consolidando no Brasil".

Afirmei no texto de ontem sobre esse assunto que as ações da Universal contra a Folha e as agressões rasteiras que a VEJA vem sofrendo estão amarradas num mesmo espírito e são expressões de um mesmo movimento: um cerco à imprensa. Se suas pegadas forem perseguidas, chega-se fácil a uma visão de mundo que tem uma matriz: o petismo. É ali que está consolidado o ânimo de “enfrentar” a mídia considerada “inimiga”, “reacionária”, “golpista”. Dada a fala de Lula, é inescapável concluir que, no fundo, ele acha que a Folha fez por merecer. O que ele diz sobre o direito de recorrer à Justiça é o exemplo mais acabado de um bem pervertido. Ninguém questiona o direito de a tal seita recorrer aos tribunais; o que se está caracterizando é a manobra intimidatória.

Como é mesmo? Cría cuervos y te sacarán los ojos. Vocês se lembram? Esse mesmo expediente já foi usado contra Diogo Mainardi: indivíduos que nem sequer tinham sido citados em colunas suas, obedecendo a uma orientação, fizeram com ele rigorosamente o que se vê aí: ações individuais em cascata. Não se escreveu uma linha a respeito. Desconfio até que alguns dos que percebem agora o absurdo da situação talvez se divertissem um tanto à época, não é mesmo? A exemplo de Lula, é possível que tenham pensado: “Esse Diogo mereceu”.

Não faz tempo, relembrei aqui o texto do teólogo protestante Martin Niemöller (1892-1984) sobre o nazismo:

“Um dia, vieram e levaram meu vizinho, que era judeu. Como não sou judeu, não me incomodei. No dia seguinte, vieram e levaram meu outro vizinho, que era comunista. Como não sou comunista, não me incomodei. No terceiro dia, vieram e levaram meu vizinho católico. Como não sou católico, não me incomodei. No quarto dia, vieram e me levaram. Já não havia mais ninguém para reclamar.”

Pois é. Perversão da lei que pega Diogo também pode pegar Folha de S. Paulo e o resto da imprensa. Quando ele foi vítima, nós gritamos; o resto silenciou. Agora é a vez da Folha. E nós continuamos a gritar.

Em nome da liberdade de imprensa!
No combate à escória que pretende arrastar para a sua imundice a reputação de pessoas de bem.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Até o Borba

Na extensa lista de nomes que o PMDB pretende emplacar em cargos do setor elétrico há espaço até mesmo para uma indicação de José Borba (PR), que renunciou ao mandato de deputado para não ser cassado no escândalo do mensalão. Refeito do tombo, o ex-líder da bancada apresentou Cylon Rosa, executivo da empreiteira Tractebel, para a diretoria de Construção de Furnas. Não deve rolar porque os peemedebistas do Senado estão mais adiantados na campanha para instalar nesse posto o funcionário de carreira Antônio de Pádua, apadrinhado por Valdir Raupp (RO). Mas Borba não é fraco. Seu pleito obteve o apoio do presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP).

Quero o meu 1
Parlamentares petistas foram em peso à casa de Chinaglia, na noite de anteontem, para cobrar de José Múcio cargos que teriam sido prometidos ao partido. O ministro das Relações Institucionais ficou de levar uma comissão para falar diretamente com Lula.

Quero o meu 2
A bancada se queixou tanto do PMDB, que "já levou o que pediu", quanto da ministra Dilma Rousseff, que, no entender dos deputados, estaria atropelado indicações dos correligionários para emplacar nomes de seu círculo pessoal.

Tô fora
Deputados e prefeitos de Minas que se reuniram ontem com José Alencar faziam de tudo para aparecer nas fotos ao lado do vice. Até que os repórteres iniciaram uma rodada de perguntas sobre cartões corporativos. Não sobrou ninguém por perto.

Abre-alas
Entre os primeiros depoentes que a oposição pretende escalar para a CPI dos Cartões estão os ministros Paulo Bernardo (Planejamento) e Jorge Hage (CGU). "O governo tem de explicar por que não agiu, se desde 2004 é alertado sobre irregularidades pelo TCU", diz Carlos Sampaio (PSDB-SP).

Quem?
O deputado licenciado Edson Santos (PT-RJ) circulou incógnito pela Câmara ontem. Quase ninguém se deu conta de que estava ali o novo ministro da Igualdade Racial, indicado depois da queda de Matilde Ribeiro.

Padrão
Quem teve acesso a documentos da CPI das ONGs acredita que a malversação de recursos identificada na Finatec, ligada à UnB, é a ponta de um iceberg. Estão na mira da comissão fundações de outras universidades que prestam consultorias a prefeituras. Os governistas não querem saber de quebrar o sigilo das contas dessas entidades.

Inflação
Em sua nova campanha de TV, a Eletrobrás diz já ter levado o "Luz para Todos" a "mais de 8 milhões de pessoas". Mais modesto, o último balanço divulgado pela Casa Civil fala em 7,18 milhões de beneficiados. O cronograma está atrasado.

Atenção
Depois da febre amarela, José Gomes Temporão admite preocupação com os números da dengue que devem ser divulgados em março. Em Mato Grosso do Sul, onde houve explosão de casos no ano passado, os dados devem melhorar. Em compensação, no Rio de Janeiro, Estado natal do ministro da Saúde, a tendência é de alta.

Internas
O MST está chamando políticos e personalidades para encontro na sexta-feira numa grande casa no bairro da Gávea, no Rio, com representantes do governo do presidente Hugo Chávez. No convite, o movimento diz que os venezuelanos apresentarão seu ponto de vista sobre o "processo bolivariano", pois a mídia brasileira trata o tema, alegam, de forma distorcida.

Bastão
Chefe da AGU, José Antonio Toffoli vai substituir o procurador-geral da União, Luiz Henrique Martins dos Anjos, por Jefferson Carús Guedes. Avalia que o atual titular ficou desgastado com a recente greve da categoria.

Tiroteio
"O cachimbo faz a boca torta. O senador precisa entender que não está mais no PT para defender assim os companheiros."
Do deputado VANDERLEI MACRIS (PSDB-SP) sobre Cristovam Buarque (PDT-DF), para quem o reitor da UnB, Timothy Mulholland, cometeu apenas um "equívoco de prioridades" ao usar cartão de crédito corporativo para equipar seu apartamento com móveis e objetos de luxo.

Contraponto

Café pequeno
Na primeira sessão mais alvoroçada da Câmara desde o fim do recesso parlamentar, Chico Alencar (PSOL-RJ) resolveu dar um tempo do debate sobre a TV Pública e foi até o cafezinho que fica ao lado do plenário.
-Que café é esse?-, perguntou à funcionária.
-Ah, é café Odebrecht...
-Como assim?-, espantou-se o deputado, para quem o nome remetia apenas à conhecida empreiteira. Ao verificar de se tratava de uma empresa homônima, com sede em Londrina (PR), Alencar comentou:
-Ah, bom... porque empreiteiras costumam financiar coisas bem diferentes aqui nesta Casa!

Lula não vê ameaça à liberdade de expressão

JANAINA LAGE

Para presidente, ações movidas por fiéis da Igreja Universal contra a Folha fazem parte da consolidação da democracia

Petista diz que, caso jornal se sinta atingido, deve ir à Justiça; "pessoas escrevem o que querem e depois ouvem o que não querem", afirmou

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou ontem que, na sua avaliação, as mais de 50 ações judiciais movidas em nome de fiéis da Igreja Universal do Reino de Deus contra a Folha não são uma ameaça à liberdade de expressão e disse que elas fazem parte da consolidação da democracia no país.
O presidente foi questionado durante visita ao gasoduto Cabiúnas-Vitória se concordava com a avaliação da ABI (Associação Brasileira de Imprensa), que havia divulgado na segunda-feira uma nota de repúdio à estratégia adotada pela Universal para processar a Folha e a repórter Elvira Lobato.
Lula afirmou que, se a Igreja Universal recorreu ao Poder Judiciário, ela está usando "um dos pilares da democracia para questionar o jornal". Questionado se essa avaliação seria válida mesmo que houvesse uma ação orquestrada da igreja com ações em diversos pontos do país sob orientação de sua cúpula, o presidente respondeu que "a liberdade de imprensa pressupõe isso".
"A liberdade de imprensa pressupõe a imprensa escrever o que quiser, mas pressupõe também que a pessoa que se sinta atingida vá a Justiça para provar a sua inocência. Não pode ter liberdade de imprensa se apenas um lado achar que está certo", afirmou o presidente. "Então liberdade de imprensa pressupõe uma mistura de liberdade e responsabilidade. As pessoas escrevem o que querem e depois ouvem o que não querem. Essa é a liberdade de imprensa que nós queremos", complementou Lula.
Em 15 de dezembro, a Folha publicou a reportagem "Universal chega aos 30 anos com império empresarial", da repórter Elvira Lobato. Fiéis entraram com ações em diversos pontos do país afirmando que se sentiram ofendidos pelo teor da reportagem.
As ações apresentam a mesma terminologia e são embasadas com os mesmos argumentos e até idênticas supostas frases ouvidas pelos fiéis nas ruas em mais de 50 cidades diferentes. Em dois casos, os juízes condenaram os fiéis por usar o Judiciário de forma indevida, o que é denominado litigância de má-fé. A Folha ganhou as cinco causas já julgadas até agora.
Além da Folha, fiéis da Universal movem ações contra os jornais "Extra" e "A Tarde", devido a uma reportagem sobre a danificação de uma imagem sacra numa igreja católica de Salvador por um fiel da Universal, e contra "O Globo", por ter denominado a igreja de seita.
"O dia em que a Folha de S.Paulo se sentir atingida pela Igreja Universal ela vai processar a Igreja Universal. O dia em que a Igreja Universal se sente atingida pela Folha, vai processar a Folha. E assim a democracia vai se consolidando no Brasil", afirmou Lula ontem.
No domingo, a rede Record, do bispo Edir Macedo, exibiu uma reportagem de 14 minutos no "Domingo Espetacular" sobre as ações movidas por fiéis contra a Folha e a repórter. A reportagem afirmou que a Folha teve um pedido negado pela Justiça de reunir em um único processo todas as ações, mas não informou as vitórias que o jornal já obteve na Justiça.
Em nota, a ABI afirmou que acompanha com preocupação as ações ajuizadas contra a Folha, e também contra os jornais "Extra", do Rio, e "A Tarde", de Salvador, e contra a repórter. De acordo com a ABI, trata-se de "uma campanha de intimidação e coerção sem precedentes na história da comunicação no Brasil". 

 

A renúncia de Fidel

EDITORIAL

Uma transição negociada permitiria aos cubanos livrar-se de uma tirania sem pôr a perder avanços na educação e na saúde

O IMPACTO da renúncia de Fidel Castro Ruz, 81, aos principais cargos que ocupava no regime cubano é acima de tudo simbólico. Em termos práticos, a abdicação apenas oficializa a situação que já vigorava desde julho de 2006, quando o ditador se afastou para tratamento médico.
Quem exerce o poder interinamente desde então é o irmão de Fidel, Raúl Castro, 76, secundado por um grupo de dirigentes mais jovens e supostamente mais pragmáticos. Sobre esse núcleo deverá recair a tarefa de dar continuidade ao que se afigura como uma transição lenta e gradual rumo, não à democracia, mas a uma economia mais aberta ao mercado e tutelada pelo Estado, nos moldes chineses.
No plano político, se os sucessores de Fidel Castro tiverem a oportunidade, conservarão intacta a natureza autoritária do regime e o sistema de partido único. É claro que estratégias como essa são mais fáceis de conceber do que de executar. Há variáveis que escapam ao controle até de ditadores, mas o apoio financeiro de Hugo Chávez, que faz as vezes da antiga URSS, é um elemento que ajuda os planos continuístas da ditadura cubana.
Cabe à comunidade internacional tentar influir para que a abertura econômica ensaiada por Havana se converta também em abertura política. Nesse quesito, o papel de Washington será determinante.
Por ora, o governo norte-americano anunciou que nada muda. O embargo à ilha será mantido. Só que em janeiro do próximo ano haverá um novo presidente na Casa Branca e ele terá a chance de rever o complicado relacionamento entre os EUA e Cuba.
O ideal seria que aliviasse as restrições econômicas impostas a Havana. Tal prática tem servido muito mais para Fidel e seus asseclas se justificarem no poder -imputando a Washington todos os males da ilha- do que para arrancar-lhes concessões democráticas.
Espera-se que o próximo presidente dos EUA consiga libertar-se da tão poderosa quanto contraproducente influência dos emigrados cubanos da Flórida e estabelecer um diálogo franco e produtivo com Havana. É muito mais fácil influir sobre um país participando ativamente de sua economia do que vociferando-lhe ameaças à distância.
Uma transição não-traumática é o que de melhor poderia acontecer para os cubanos. Sem pôr a perder os avanços no campo da educação e da saúde que o regime de Fidel Castro logrou obter, dariam adeus a uma tirania que durante quase meio século perseguiu e eliminou implacavelmente adversários políticos.
Se os números oficiais estão corretos, Cuba é um país com nível de renda de padrão latino-americano, mas que exibe indicadores sociais acima da média da região. Não que a liberdade seja uma mercadoria negociável. Mas não é o caso de jogar fora o que foi tão duramente conquistado apenas para marcar diferenças políticas.
Que a renúncia de Fidel seja o prenúncio de novos tempos para os cubanos.

 

 

 

Tribuna da imprensa online

Carlos Chagas

Cuidado com o imprevisível

BRASÍLIA - Salvo inusitado, instala-se hoje a CPI mista dos Cartões Corporativos. A estratégia do governo, com o apoio velado dos tucanos, é de preservar o presidente Lula e seus familiares de investigações incômodas a respeito de seus gastos, com a contrapartida de acontecer o mesmo com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

O resultado previsível é de que poderão ser expostos, no máximo, alguns bagrinhos, uns tantos seguranças e pequenos funcionários flagrados no uso abusivo de cartões, mas proibida a investigação sobre aqueles que diretamente utilizaram seus cartões servindo familiares do presidente da República. E do antecessor.

Fala-se no previsível, demonstrando a experiência que o imprevisível muitas vezes atropela equações tranqüilas. E se um dos possíveis depoentes, por exemplo, para evitar uma punição injusta, decidir botar a boca no trombone e dizer que agia a mando dos familiares supostamente blindados? Cada episódio político traz incrustados certos germes dos quais só tomamos conhecimento depois de terem causado a infecção. Olha aí o caso do caseiro, que não deixa ninguém mentir.

O governo, ao contrário das impressões que busca passar, não se encontra tranqüilo. Muito pelo contrário. Afinal, são 11.510 portadores de cartões corporativos, no Executivo. A roda da fortuna, ou do infortúnio, poderá muito bem levar um deles a falar demais. Demais para os detentores do poder, não para a sociedade, que se duvida dos resultados da CPI mantém no recôndito do cérebro a esperança de ver desfeita a farsa agora encenada. Convém aguardar...

Um só objetivo

Qual o objetivo da singular entrevista do senador José Sarney à "Folha de S. Paulo" de ontem, contrariando a postura que vem de anos, de fechar-se em sua atuação, abrindo exceção, apenas, para certos discursos parlamentares?

Porque o ex-presidente não disse nada de novo. Que a Constituição de 1988 tornaria o País ingovernável, falou logo depois da promulgação. Que necessitamos de uma reforma política de verdade, trata-se de voz corrente no País há décadas.

Detecta-se apenas uma novidade, ou melhor, um objetivo explícito nessa súbita aparição de uma das maiores raposas felpudas da política nacional: a necessidade de agradar a ministra Dilma Rousseff, venha ela, ou não, a impedir a nomeação dos apadrinhados do senador pelo Amapá. Sarney chegou à ante-sala do lançamento da chefe da Casa Civil à presidência da República, e não foi de graça. Muito menos por se mostrar entusiasmado com a possível candidatura dela.

Eis um enigma a decifrar, dentro de um mistério. O ex-presidente não seria tão infantil a ponto de achar que elogiando Dilma conseguirá nomear o futuro presidente da Eletrobrás. Se conseguir, será um dividendo extra, jamais caracterizando seu objetivo principal. Nem mesmo a vontade de agradar o presidente Lula pode inserir-se como fundamental na tática de Sarney.

É preciso olhar para o lado oposto. Ao exaltar a candidatura da ministra, podem turvar-se os holofotes que vinham iluminando as candidaturas de José Serra, Aécio Neves e Ciro Gomes. Uma espécie de apagador sobre o quadro-negro.

Agora, mais fácil do que perscrutar a quem o senador pretende realmente beneficiar, como candidato, será imaginar todo o petróleo do megacampo da bacia de Santos sendo extraído de uma só vez. Quem quiser que decifre a esfinge, aliás, jamais interessada em devorar alguém. Prefere cooptar os consulentes...

Conversas delicadas

A ciência ainda não conseguiu descobrir o moto perpétuo, mas a política, pelo jeito, chegou lá. Depois da Guiana francesa e do Pólo Sul, o homem viaja outra vez. Esta semana, para Buenos Aires. Vai encontrar-se com a presidente Cristina Kirchner, anfitriã, e com o presidente Evo Morales, da Bolívia. Entre jantares, rapapés e convescotes, os três estarão discutindo a delicada situação do gás boliviano. A Argentina quer mais, o Brasil não se contenta com o que recebe e a Bolívia precisa limitar os repasses, se pretende desenvolver-se.

Importa menos se o presidente Lula irá sentar-se à mesa com o poderoso cacife de estar financiando o gás boliviano, extraído às expensas da Petrobras. O problema é que o dono da banca, Evo Morales, tem o poder de fechar o cassino. Já à Argentina, com menos fichas, sempre restará a hipótese de obter seus objetivos por via transversa, ou seja, forçar o Brasil a recuar.

Nossa economia depende, em boa parte, do comportamento dos "hermanos" lá de baixo. Mas são cartas poderosas interromper as exportações de trigo para nós, fechar as fronteiras às importações industriais que a Argentina faz do Brasil, e prometer à União Européia abastecê-la da carne bovina que mandávamos e não mandamos mais. Mais proveitosa terá sido para o presidente Lula a viagem à terra dos pingüins...

Não abre mão

Disposto a ter paciência infinita diante das múltiplas e até conflitantes reivindicações do PMDB para ocupar diretorias de estatais, o presidente do partido, Michel Temer, não se descuida de um objetivo maior: chegar ao fim do ano como candidato único e previamente eleito para a presidência da Câmara, no biênio 2009-2010. E com chances do repeteco, pois o regimento interno permite que continue em 2011-2012, caso o PMDB permaneça como a maior bancada, nas próximas eleições.

Não parece fácil compor as diversas alas e variadas correntes do partido, sempre ávidas de ocupar espaços, mas Temer sabe que se pender para um lado, qualquer que seja, estará fornecendo munição para o outro lado criar-lhe dificuldades.

Acresce mais um problema: PMDB e PT acertaram-se na atual legislatura, um ficando com a presidência da Câmara, com Arlindo Chinaglia, outro com a presidência do Senado, com Renan Calheiros e agora Garibaldi Alves. Será mantida a dobradinha, se o PMDB eleger ainda mais senadores do que os que já dispõe?

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

As contas do presidente da República

A liminar negada pelo ministro Lewandowski, ao STF, ao pedido do PPS para acabar com o sigilo dos gastos da Presidência da república com cartões corporativos aumenta o debate sobre o que pode e o que não pode ser considerado sigiloso nas contas da Presidência.

Em primeiro lugar, a Presidência não é apenas o presidente e sua família. A Presidência é uma estrutura complexa, uma espécie de guarda-chuva que abriga vários órgãos.

Antes do Decreto-lei nº 200, de 1967 – última reforma administrativa realmente abrangente realizada no Brasil –, a Presidência da República servia de abrigo para as iniciativas mais exóticas. Quando não se queria resolver um assunto, era criada uma comissão ligada à Presidência da República.

Por exemplo, pertenciam à estrutura da Presidência a Comissão de Criação do Cavalo Nacional (CCCN), a Comissão de Combate à Saúva (CCS), a Comissão Executiva da Mandioca (CEM) – isso mesmo!

Depois do Decreto-lei nº 200, os abusos e as bobagens foram extintos, mas os governos seguintes passaram a agregar ou exterminar órgãos da Presidência a seu bel-prazer.

Atualmente, pertencem à estrutura da Presidência da República os seguintes órgãos: Casa Civil, Secretaria Geral, Secretaria de Relações Institucionais, Gabinete de Segurança Institucional (antiga Casa Militar, que abriga a Abin e seus arapongas), Secretaria de Imprensa e Porta-voz, Advogado-Geral da União, Controladoria Geral da União, Conselhos, Comissão de Ética Pública, Sistema Público de Comunicação (TV pública, Radiobrás etc).

Pertencem ainda à estrutura da Presidência as Secretarias Especiais cujos titulares possuem status de ministro: Secretaria de Comunicação Social, Secretaria Especial de Políticas para as Mulheres, Secretaria Especial de Aqüicultura e Pesca, Secretaria Especial de Direitos Humanos, Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial, Secretaria Especial de Portos, Núcleo de Assuntos Estratégicos (com o ministro Mangabeira e seus aquedutos amazônicos).

Os gastos com agentes secretos que protegem o presidente, com os deslocamentos do presidente e outros gastos similares podem ser mantidos em sigilo, sob o argumento da segurança nacional.

Mas não há razão alguma para se manter em sigilo, por exemplo, as contas da Casa Civil, da Secretaria de Comunicação Social, do Núcleo de Assuntos Estratégicos e coisas assim.

Também não faz nenhum sentido manter em sigilo as contas do presidente e seus familiares.

Um presidente é um servidor público, que dorme em palácios construídos e mantidos pelo povo, come uma comida paga pelos impostos pagos pelo povo, locomove-se em automóveis pagos pelo povo, com combustível pago pelo povo.

Enfim, não pode deixar de ser presidente. Presidentes não têm expediente nem momentos privados (momentos íntimos são outra coisa). Sua vida está permanentemente sob escrutínio da opinião pública.

Ninguém é obrigado a seguir uma carreira política. Mas quem o faz tem que saber que passará a viver numa vitrine, sob o olhar permanente e investigador da opinião pública.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Estilo capataz na Casa Civil

Ex-figurão do governo coleciona histórias da "delicadeza" da ministra Dilma Rousseff (Casa Civil). Uma delas: participavam de reunião coletiva em seu gabinete, certa vez, dois diretores da BR Distribuidora. Ela não gostou das intervenções da dupla, ligou para o presidente da estatal e, diante de todos, ordenou aos gritos: "Na próxima vez, mande gente competente". Desligou, olhou para os dois e despachou: "Vocês aí, rua!".

Contaminação

O estilo da ministra Dilma Rousseff pode explicar o irremovível mau humor de assessores, que  em off  falam muito mal da chefe.

Dilma 2010

José Dirceu não tem dúvida: disse a esta coluna que Dilma Rousseff será candidata a presidente. Com Lula, PT, PMDB e PRB no palanque.

Só um factóide

A oposição desconfia que a "espionagem industrial" no furto da Petrobras não passou de factóide da estatal para desviar as atenções dos cartões corporativos. O factóide anterior foi a "descoberta" da reserva de Tupi.

Pé de guerra

A bancada do PMDB no Senado está uma arara com José Múcio. Os senadores dizem que não emplacam ninguém no governo, até porque o ministro de Relações Institucionais tem sempre opções aos indicados.

Plástica no freezer

A maldade dessa gente é uma arte: a primeira-dama, d. Marisa, estaria ansiosa por novas viagens à Antártica, após descobrir que lá o frio congela o rosto melhor que botox.

Bicada tucana

O PR indicou para a Agência Nacional de Transporte Terrestre (ANTT) Mário Rodrigues Jr, que, no governo tucano de Geraldo Alckmin foi diretor do Dersa e do DER. Ele cuidou da licitação do Rodoanel, de R$ 3 bilhões. Uma obra polêmica e que sempre despertou grandes cobiças.

Agente funerário

O presidente do Timor Leste visitou Lula e deu no que deu. Os americanos passaram 49 anos tentando derrubar Fidel Castro. Bastou Lula visitá-lo para o ditador sair. O francês Nicolas Sarkozy que se cuide.

Sonífera ilha

É a mesma toada da ex-URSS: doente, Fidel renuncia. Possíveis sucessores se engalfinham pelo poder. Proclama-se o vencedor. Continua tudo como dantes. Fidel é declarado oficialmente morto.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

PDT pede no STF a revogação da lei de imprensa

Em ação assinada por seu líder na Câmara, Miro Teixeira (RJ), o PDT pediu ao STF, nesta terça-feira (19), a revogação integral da Lei de Imprensa, que tem 77 artigos. Argumenta que o texto, velho de 41 anos, não se coaduna com a atmosfera democrática que se respira no Brasil.

 

Miro valeu-se de um recurso que, em jurisdiquês –a linguagem dos advogados—, é chamado de “Argüição de Descumprimento de Preceito Fundamental”. Questiona a lei de cabo a rabo, a começar de sua ementa.

 

A ementa é uma espécie de resumo da lei, anotado no canto superior direito. Na quina da Lei de Imprensa, está escrito: “Regula a liberdade de manifestação do pensamento e de informação.” Uma pretensão que não condiz com o artigo 220 da Constituição de 88.

 

A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição”, anotou o legislador de 88 no artigo 220. No parágrafo 1º, o texto constitucional foi específico: “Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social [...].”

 

Editada sob o general Castello Branco, em 1967, a Lei de Imprensa sobrevive como um dos últimos resquícios da ditadura brasileira. Reclama modernização. O Congresso, porém, esquiva-se de levar a mão à massa. Se o Supremo mandar a velha lei ao lixo, como deseja Miro, o Legislativo será como que compelido a agir. O próprio líder do PDT é autor de um projeto que trata da matéria. De resto, jornalistas irreponsáveis já são alcançados pela legislação ordinária comum, expressa nos códigos civil e penal.

 

Entre as excrescências previstas na lei de imprensa está a pena de prisão de até dez anos para jornalistas que praticarem a “subversão” (?!?!?!?), que levarem às páginas segredos de Estado (os cartões corporativos do Planalto?), que veicularem notícias capazes de perturbar a ordem pública ou ofender a moral e os bons costumes (o mensalão? As sanguessugas? Os vampiros?).

 

Noutro trecho, entre as muitas excentricidades previstas na lei, permite-se a apreensão de veículos impressos que veicularem propaganda de guerra, açularem o preconceito de raça ou de classe, estimularem a subversão da ordem política e social e ofendam a moral e os bons costumes.

 

Miro Teixeira pede em sua ação que os juízes do STF suspendam todas as ações judiciais em curso no Brasil com base na Lei de Imprensa. Para reforçar o pedido, Miro menciona a cruzada judicial patrocinada pela Igreja Universal, por meio da instrumentalização de seus fiéis, contra repórteres e jornais.

 

Só à Folha e à repórter Elvira Lobato, o milagre da multiplicação de demandas judiciais da igreja do autoproclamado bispo Edir Macedo impôs 56 ações. Insurgem-se contra uma mesma reportagem. Irrompem até mesmo em municípios dos fundões do Brasil. Trata-se de um caso nítido de “litigância de má-fé”, como dizem os advogados. Uma tentativa nítida de intimidação. Ou, nas palavras de Miro ao Supremo, uma “tentativa de censura por meio de múltiplas ações indenizatórias”.

 

 

 

G1 o portal de notícias da Globo

Carolina Iskandarian Do G1, em São Paulo

Câmara aprova lei que obriga prefeito a cumprir promessa de campanha

Projeto de lei foi aprovado em segunda votação por 54 vereadores da capital paulista.
Por se tratar de emenda à Lei Orgânica, não é necessária sanção do prefeito.

Os vereadores da Câmara Municipal de São Paulo aprovaram em segunda votação nesta terça-feira (19), por unanimidade, o projeto de emenda à Lei Orgânica (PLO 008/07) que estabelece um programa de metas a ser cumprido por prefeitos da cidade de São Paulo. A medida vale para a próxima gestão e determina que o Executivo municipal preste contas do seu trabalho a cada seis meses.

Na sessão, foram registrados 54 votos favoráveis e uma ausência. O projeto, que  havia sido aprovado em primeira votação por 42 vereadores em 12 de fevereiro, exige ainda que o prefeito eleito ou reeleito apresente em até 90 dias após a sua posse o programa de metas compatível com o que apresentou na campanha eleitoral.

O texto foi elaborado por entidades como o Insituto Ethos e o Movimento Nossa São Paulo, mas também conta com apoio da ONG Atletas pela Cidadania. Representantes dessa associação, como os ex-jogadores Rai (futebol), Hortênsia (basquete) e Ana Moser (vôlei) acompanharam a votação no plenário.

Em seu texto original, o projeto não prevê sanções. No entanto, para o vereador José Police Neto (PSDB), em caso de descumprimento das metas, o prefeito poderia estar sujeito a punições, além do desgaste político. "A melhor forma de tirar um prefeito do cargo é não votar nele na próxima eleição. Ele será cobrado semestralmente. Se não cumprir as metas, pode gerar um processo  de improbidade administrativa contra ele."

O diretor executivo do Instituto Ethos, Oded Grajew, disse que a prestação de contas poderá ser feita por meio de audiências públicas e pela internet. Ele reclamou da falta de compromisso político com a sociedade. "Ninguém tem projetos, objetivos. A discussão política é muito rasa, sem metas. A cada quatro anos, muda tudo por razões políticas." Segundo Grajew, a elaboração do texto foi resultado de um "trabalho cívico" e  é "apartidário."

O projeto contou com a assinatura dos 55 vereadores e antes de ir ao plenário havia passado pelas comissões de Constituição, Justiça e Legislação Participativa; Administração Pública; e Finanças e Orçamento. Entusiasta do projeto, o prefeito Gilberto Kassab (DEM) participou de uma audiência pública e defendeu sua aprovação.

O jogador Raí disse que acompanhou todo o processo de elaboração da emenda e a considerou um avanço. "Este é instrumento para que as pessoas acompanhem e critiquem. É um instrumento que força as pessoas à eficiência e também uma responsabilidade maior para o gestor público", afirmou o jogador, que admitiu ter ido à Câmara para usar seu poder de comunicação em favor de causas nas quais acredita.

Iniciativa popular

A idéia do advogado Paulo Lomar foi apresentada em agosto polo Movimento Nossa São Paulo, que reúne cerca de 400 entidades. Com a nova lei, São Paulo pode repetir a experiência de modernização da administração  observada em Bogotá. Na capital colombiana, os gestores são obrigados a cumprir à risca o que prometeram durante a campanha, sob risco até de perda do mandato.

Embora o Brasil conte com um sistema complexo de planejamento das ações de governo, ainda não existe nenhum mecanismo legal para atrelar as promessas de campanha às ações de governo depois que o candidato é eleito.  

Para contribuir o compromisso entre campanha e governo, o Movimento Nossa São Paulo compilou em seu site uma base de dados com 160 indicadores sociais que os próximos administradores poderão usar para formular políticas públicas e garantir que sejam cumpridas.

 

 

 

Fidel: De filho de latifundiário a grande inimigo dos EUA

Fidel Castro e Nikita Kruchev
Para horror dos EUA, Fidel acabou um aliado da União Soviética
 
Após quase cinco décadas no poder em Cuba, Fidel Castro foi um dos líderes que permaneceram por mais tempo no poder em todo o mundo.

Seu anúncio de que está deixando a Presidência de Cuba simboliza o fim de uma era marcada por confrontos com a nação mais poderosa do mundo, os Estados Unidos.

No longo período em que esteve à frente do país tido como o bastião do comunismo na América Latina, Fidel Castro sobreviveu a nove diferentes governos americanos  e a várias tentativas de assassinato.

Para os Estados Unidos, ele vinha representando uma lembrança constante e incômoda das idéias comunistas que, apesar de praticamente abandonadas no resto do mundo, permaneceram vivas a nada menos do que 144 quilômetros de distância de sua costa.

E essas idéias foram adotadas, com uma interpretação própria, por um filho de latifundiários ricos nascido em 1926. Ciente dos grandes contrastes entre seu confortável cotidiano e a pobreza de muitos cubanos, Fidel se tornou um revolucionário.

Com um grupo de jovens decidiu derrubar o regime de Fulgêncio Batista, marcado por corrupção e que ajudava a compor a imagem da Cuba dos anos 1950 como um paraíso de ricos nas mãos de uma máfia. Prostituição, jogatina e tráfico de drogas eram endêmicos na ilha.

Revolução

Fidel Castro liderou uma invasão ao quartel de Moncada, em Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953. Apesar de fracassada, a iniciativa marcou o começo da revolução que acabaria levando-o ao poder.

Fidel Castro
O filho de latifundiários prometeu terras aos agricultores

Depois de breve período preso, Fidel foi anistiado e se exilou no México, onde organizou uma expedição que voltou a Cuba.

Ao lado do argentino Ernesto "Che" Guevara, que conheceu durante o exílio, o jovem cubano montou uma campanha de guerrilha a partir de sua base, na Serra Maestra.

Em 1959, Batista deixou o país e Fidel estabeleceu um novo governo que prometia devolver a propriedade da terra aos agricultores e defender o direito dos pobres.

Nos braços soviéticos

Desde o começo, Fidel insistiu que sua ideologia era, acima de tudo, cubana. "Não há comunismo nem marxismo em nossas idéias, só democracia representativa e justiça social", dizia.

Criticado pelos Estados Unidos pela nacionalização de empresas de americanos, foi alvo do embargo comercial que vigora até hoje.

Fidel disse que assim foi empurrado para os braços da União Soviética, liderada por Nikita Kruchev. Com o novo aliado, Cuba virou mais um campo de batalha da Guerra Fria.

Os Estados Unidos tentaram derrubar o governo de Fidel em abril de 1961, apoiando um grupo de exilados cubanos em uma desastrosa invasão à praia de Girón, na baía dos Porcos.

A CIA, central de inteligência americana, foi acusada pelo líder cubano de tentar assassiná-lo várias vezes, inclusive com um charuto explosivo.

Em 1962, aviões de reconhecimento dos Estados Unidos detectaram um carregamento de mísseis soviéticos rumo a Cuba, criando um impasse entre o presidente americano, John F. Kennedy, e Kruchev.

Depois de 13 dias de impasse, os soviéticos desistiram de instalar mísseis com potencial nuclear em Cuba, em troca de uma promessa secreta americana de retirar suas armas da Turquia.

Perestroika

Cuba "exportou" a sua revolução para outras partes do mundo na forma do apoio às guerrilhas marxistas em Angola e Moçambique.

Fidel Castro e Luiz Inácio Lula da Silva
Lula e Castro amizade de mais de 20 anos

A União Soviética ajudou Cuba comprando sua produção de açúcar e enviando a Havana navios carregados de produtos que supriam um mercado estrangulado pelo embargo americano.

Na década de 1980, contudo, o governo castrista sofreu um duro golpe com a implementação da perestroika (reestruturação) por Mikhail Gorbachev na União Soviética.

Tempos difíceis levaram milhares de cubanos a se lançar ao mar em embarcações precárias nos anos 1990 na esperança de chegar a Miami.

O caso do menino Elián González ganhou as manchetes do mundo inteiro. Ele perdeu a mãe em uma viagem perigosa e, depois de uma longa batalha legal entre parentes em Miami e o pai, que morava em Cuba, foi levado de volta para a ilha.

Entre os bons resultados domésticos de Fidel Castro está o serviço de saúde cubano, considerado um dos melhores da região, e o baixo índice de mortalidade infantil, comparável ao dos países mais desenvolvidos.

O governo de Fidel, no entanto, foi acusado por organismos internacionais de perseguição política contra os opositores do regime e de violações dos direitos humanos.

Uma comissão da ONU chegou inclusive a cobrar a libertação de dissidentes presos e maior liberdade de expressão em Cuba.

Moderação

Nos últimos anos, Fidel deu sinais de que teria moderado suas posições. Em 1998, recebeu no país o papa João Paulo 2º.

Fidel Castro e Hugo Chávez
Fidel e Chávez - unidos em críticas aos EUA

Nos últimos tempos, Fidel encontrou amizade e apoio econômico no presidente da Venezuela, Hugo Chávez.

Outros líderes regionais, como o presidente da Bolívia, Evo Morales, também se declararam simpatizantes do líder cubano.

Desde que foi internado com problemas de saúde, em agosto de 2006, Fidel Castro passou o poder em Cuba para o irmão, Raúl Castro, de 75 anos, ministro da Defesa e chefe das Forças Armadas cubanas.

Em janeiro passado, ele recebeu a segunda visita do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que chegou a prever, após um encontro de duas horas com o líder cubano, que Fidel estava "pronto para assumir o papel político que ele tem em Cuba".

Pouco mais de um mês depois, Castro anunciava, em uma carta publicada pelo jornal do Partido Comunista Granma, que não retornaria à Presidência do país, pondo fim a uma era de quase meio século.

 

 

 

Comércio fatura com ''''tapioca do ministro''''

Tapiocaria aproveita crise e batiza produto, pago somente com dinheiro

A CPI da Tapioca - apelido recebido pela Comissão Parlamentar de Inquérito que investigará o uso dos cartões corporativos do governo Lula  ganhou adeptos no comércio de Brasília.

A tapiocaria O Paraíba, uma das casas mais tradicionais do gênero na capital federal, resolveu aproveitar o frisson em torno da criação da CPI para lançar a "tapioca do ministro", como a principal atração do menu.

Trata-se de uma alusão à tapioca comprada com cartão corporativo, aquele destinado a gastos emergenciais, pelo ministro dos Esportes, Orlando Silva. O gasto, de R$ 8,30, foi feito em um concorrente, a tapiocaria Maria Bonita.

Há 20 dias, o ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, ao falar das pressões pela instauração da CPI, ironizou: "O Congresso é quem decide. Mas não é o caso. Imagina convocar um ministro para explicar por que comeu tapioca. Vai virar a CPI da Tapioca."

IGUARIA

Ao lançar a última novidade da iguaria  também a R$ 8,30 , O Paraíba informa que a "tapioca do ministro" tem sabor de pizza, mas só pode ser comprada com pagamento em dinheiro. No estabelecimento, não se aceita o dinheiro de plástico do governo, deixa claro o banner esticado na porta do comércio e flagrado ontem pelo Estado.

 

 

 

Publicado por Financialsense.com

Tradução: MSM

© 2008  Jeffrey R. Nyquist

O estado como um fim em si mesmo

“O estado, eu assim o digo, onde todos, os bons e os maus, são bebedores de veneno; o estado, onde todos, os bons e os maus, perdem a si mesmos; o estado, onde o suicídio lento de todos é chamado de ‘vida’. ”

Friedrich Nietzsche, Assim Falou Zaratustra, 11 

Continuando a partir do último artigo: O estado é um mal necessário. A sociedade não pode manter a liberdade sem os poderes de fazer guerra que o estado tem. Admitido este ponto, o estado é perigoso. Ele pode ser usado para destruir a liberdade. A história conta dos muitos generais que se tornaram donos do estado, de Júlio César a Napoleão Bonaparte. O historiador Jacob Burckhardt escreveu: “O poder é mau”. O homem moderno pensa no poder como algo bom, mas o poder freqüentemente corrompe aqueles que o detêm. Políticos ambiciosos, tal como Adolf Hitler, ou revolucionários bem-sucedidos como Lênin, tomaram o poder. Personalidades revolucionárias como essas são tipicamente corruptas desde o início. Com o poder, são aguda e descaradamente assassinas. Para o revolucionário socialista, o estado é mais do que o órgão de defesa e ordem civil da sociedade. Em mãos socialistas, o estado domina e esmaga, transforma e liquida. Foi Friedrich Nietzsche quem alertou, há  muito tempo, que o estado estava tornando-se um substituto de Deus. “Tudo ele te dará, se tu adorares o novo ídolo”, escreveu Nietzsche. Sem pensar, as massas olham para o governo com a mesma esperança de salvação que outrora encontravam na religião. “Alimente-me”, grita cada um deles. “Dê-me trabalho”. “Dê-me vale-alimentação. Forneça-me tratamento de saúde, cuidado às crianças e aposentadoria na minha velhice.”

Os discípulos de Marx e Lênin há muito já se viam como minideuses. Era sua “missão histórica” destruir o sistema capitalista. Eles iriam eliminar a religião. O leão se deitaria ao lado do cordeiro. A promessa de paz na Terra levou-os a justificar o assassinato em grande escala. “Se as pessoas não nos obedecerem, não podemos construir o comunismo. Portanto, todos os que não estiverem conosco, estão contra nós. Os materialistas dialéticos (i.e., os comunistas) não eram tementes a Deus. Nenhuma lei, nenhuma moralidade, nenhuma regra os constrangia. Em vez disso, acreditavam nas forças da história. Na realidade, acreditavam neles mesmos como a força movente na história. Eles eram revolucionários e a revolução era tudo. Sendo minideuses, queriam criar um mundo mais perfeito. Mas primeiro, foi decretada uma carnificina em massa!

Não deveríamos nos surpreender ao saber que o regime de execuções, assassinatos e tortura não trouxe o paraíso tal como fora prometido. Os ensandecidos deram um passo atrás, afastaram-se de sua ideologia e tentaram um novo ângulo de abordagem. Os assassinos em massa que fundaram a China comunista iniciaram conversações diplomáticas com Richard Nixon e adotaram o capitalismo de estado como meio de construir uma máquina de matar ainda maior. Entre 1956 e 1991, os russos gradualmente retiraram parte da casca stalinista e finalmente descartaram essa casca em 1991. Por vários anos houve uma democracia simulada em Moscou, a qual enganou muita gente. A polícia secreta, porém, ainda estava no comando por detrás do pano. O ex-chefe da KGB/FSB, Vladimir Putin então emergiu para abertamente dominar o país, tornando-se presidente por indicação, vencendo eleições através de fraude e intimidação. Uma vez que a KGB/FSB pode agir contra qualquer um na Rússia, não há contestação nem controle do poder da KGB; o estado russo tornou-se (há muito já era) um empreendimento criminoso – sem lei, moralidade ou senso comum. O estado russo é um covil de ladrões, tanto quanto o são muitos estados no mundo de hoje. Nietzsche disse que o estado, como ídolo, era um destruidor e seus líderes eram “homens loucos”.

O partido de Putin venceu as recentes eleições parlamentares na Rússia. Entre os eleitos, encontramos um deputado do recém-inventado Partido Liberal, chamado Alexander Lugovoy, um ex-agente da KGB acusado de assassinar o desertor da KGB/FSB Alexander Litvinenko (envenenado com polônio-210 radioativo no ano passado). Por que um matador treinado seria mandado ao parlamento? Os britânicos querem extraditar Lugovoy pelo assassinato de Litvinenko. Acontece que os membros do parlamento têm imunidade. Convenientemente, as altas autoridades russas recompensaram e protegeram seu assassino de uma só tacada.

“Oh, sim”, escreveu Nietzsche, “um artifício infernal foi aqui tramado, um cavalo da morte retinindo com os adornos de honras divinas.” Muito antes dos “campos da morte do Camboja”, muito antes do advento do gulag soviético ou do Lao Gai chinês e das cem milhões de vítimas do marxismo-leninismo, Nietzsche sabia que a morte em massa estava chegando. O estado havia se tornado o elemento essencial, o fator dominante e definitivo, a totalidade. Os estados absolutos do Oriente, tais como a Rússia e a China, possuem armas de destruição em massa – milhares de bombas de hidrogênio, toneladas de antraz, peste bubônica e varíola.

Em geral, recusamo-nos a compreender a conjunção do estado absoluto e a arma derradeira. Aqueles que aspiram ao poder absoluto, a despeito da justificação ideológica, são loucos. Eles não precisam crer em Alá ou na “ditadura do proletariado”. Esses são meros pretextos para tomar o poder e declarar guerra. Eles são guiados por uma necessidade patológica e dominados por uma presteza e aptidão em destruir quem quer que se ponha em seu caminho. Aqueles que obtêm controle absoluto do estado estão sempre em guerra com a humanidade. Estão em guerra e nunca em paz – o que é logicamente requerido por sua loucura.

O mesmo impulso que move o emergente ditador a tomar o trono, também o move a conquistar a arma de destruição em massa. É por essa razão que os ditadores da Terra buscam construir armas nucleares e biológicas e não se preocupam quanto às conseqüências para si mesmos ou para seus povos. E é uma questão de aritmética para crianças determinar contra qual país elas serão usadas. Os Estados Unidos jogaram a bomba no Japão para trazer um fim rápido a uma guerra sangrenta. A nova safra de ditadores quer usar armas nucleares para reverter a “hegemonia” dos Estados Unidos e iniciar uma era dominada por sua própria máquina estatal.

“Sim”, escreveu Nietzsche, “uma morte para muitos aqui foi tramada, uma que se glorifica e se honra como se vida fosse: deveras, é um serviço entusiástico para todos os pregadores da morte!”. O regime totalitário sempre trouxe morte, sempre significou morte; foi sempre liderado por loucos. Isto é natural, uma vez que loucos são necessários para criá-lo e mantê-lo. “Rumo ao trono todos eles se esforçam: é sua loucura – como se a felicidade sentasse no trono! Freqüentemente a imundície e a vileza sentam no trono – e, freqüentemente também, o trono se assenta sobre a imundície e a vileza”, observava Nietzsche. “Loucos eles todos me parecem, macacos em escalada, vorazes e repulsivos. Para mim, cheira muito mal o seu ídolo, o monstro gélido: cheiram mal eles todos, esses idólatras”.

Este é o estado como um fim em sim mesmo.


 

 

 

Cláudio Humberto com Teresa Barros e Tiago de Vasconcelos

Mulheres que metem medo

Em conversa com o presidente do Senado, Garibaldi Alves (PMDB-RN), sobre investimentos em Guamaré (RN), Sérgio Gabrielli, presidente da Petrobras, disse ter medo de três mulheres nesta vida: a ministra Dilma Rousseff, outra cujo nome não declinou e a governadora potiguar Wilma da Faria (PSB). Garibaldi olhou de lado e confessou: "Não é só você, Gabrielli. Em dez eleições, nunca perdi para ninguém. Só para Wilma".

Senhor embaixador

O presidente Lula voltou a citar a intenção de fazer do ex-ministro Delfim Netto, novo "amigo de infância", o próximo embaixador em Washington.

Subiu no palanque

Dilma Rousseff é mesmo candidata. No fim de semana, ela foi sozinha e sem seguranças à área comercial da QI 15 do Lago Sul, Brasília, fazer compras (sem cartão). Dirigia um velho Fiat Tipo, que já nem se fabrica.

Burocratas obtusos

A cada pesquisa favorável ao governo Lula, cresce a arrogância de sua área de Comunicação, sobretudo na Casa Civil do Planalto. Caso típico de "má fé cínica ou de obtusidade córnea", como Eça de Queiroz definiu o Conselheiro Acácio, símbolo da mediocridade de políticos e burocratas.

Traição anunciada

O PT está à procura de um pretexto para não honrar o compromisso de apoiar a candidatura do deputado Michel Temer (SP) na sucessão de Arlindo Chinaglia (PT-SP). Que só foi eleito graças ao PMDB de Temer.

Fazendo piada

Arlindo Chinaglia, que vive às turras também com o Judiciário, visitou ontem a OAB. Foi logo pilheriando: "Trago o abraço do STJ". Referia-se à rejeição pelo Superior Tribunal de Justiça da lista sêxtupla da entidade.

Tancredo e a alça do sutiã

19.02.08 - Tancredo e a alça do sutiã.JPG

Tancredo Neves era um tanto assanhado. Não se tratava de assédio sexual; era galante, no máximo. Quando concedia entrevistas, gostava de tatear as costas das repórteres de TV que mais conhecia, até encontrar o sutiã para fazer um movimento curioso, puxando e largando o tecido elástico, delicadamente. Era um truque para tirar a concentração delas, que cansaram de reclamar. Mas não passava disso e Tancredo tinha aquela cara de avô que a todas enternecia. Mas um dia, em 1985, às vésperas da votação no Colégio Eleitoral, elas se vingaram: combinaram não usar sutiã. Na hora da entrevista, ele tateou, tateou, e nada encontrou nas contas das repórteres. Dessa vez foi Tancredo quem perdeu a concentração, ficou sem jeito, e elas caíram na gargalhada.

 

 

 

Renata Lo Prete 

Painel-Nem pensar

Apesar da distância que separa Gilberto Kassab de Geraldo Alckmin (PSDB) e Marta Suplicy (PT), segundo o novo Datafolha sobre a sucessão paulistana, não passa pela cabeça do DEM que seu produto mais vistoso fique fora da vitrine eleitoral deste ano. A pesquisa em nada mudou essa disposição. "Se ele ganhar, ótimo", diz um cardeal "demo". "Se não, vira ótimo candidato a governador. E o Geraldo, à diferença do que se imagina, não conseguirá deixar a prefeitura."
Mais: a cúpula do partido não acredita que o tucano José Serra, único que poderia convencer Kassab a desistir da reeleição, venha a fazer qualquer gesto nessa direção. Se o governador deixar o barco correr, os "demos" responsabilizarão apenas Alckmin. Do contrário, abandonarão o projeto presidencial de Serra.

Tempo integral
Além do extenso cronograma de inaugurações de obras, Kassab tem comparecido religiosamente à "prestação de contas" de cada um dos 31 subprefeitos a fim de "avaliar" os resultados de sua equipe.

Eu vou
Dono de 10% de intenções de voto que cada um dos três candidatos principais espera herdar, o ex-prefeito Paulo Maluf (PP) afirma que vai mesmo entrar na disputa.

Novo rumo
Luiza Erundina (PSB), que esbarra na resistência de seu próprio partido para disputar a sucessão paulistana, acertou a volta ao mundo acadêmico. A deputada federal e ex-prefeita passará a dar aulas de Gestão de Políticas Públicas na USP, no campus da zona leste.

Wally
Petistas de São Paulo estranham a exclusão de Marta Suplicy da lista de possíveis candidatos da sigla à Presidência testados na pesquisa Sensus. A ex-prefeita, que costuma anotar mais pontos do que os correligionários, aparecia em levantamentos anteriores do instituto.

O básico
O ex-presidente de Portugal Mário Soares está no Brasil para gravar entrevistas que aparecerão em programa exibido pela RTP, a emissora pública portuguesa. Domingo, em São Paulo, ele gravou a participação de José Serra. Ontem, em Belo Horizonte, esteve com Aécio Neves. Hoje, segue para Brasília e entrevista o presidente Lula.

Sinal verde 1
A disposição oposicionista de participar da instalação da CPI mista dos Cartões, mesmo que fique sem a relatoria ou a presidência, foi reforçada apenas depois que o DEM recebeu, da Mesa do Senado, sinal de que não haverá obstáculo para a eventual criação, adiante, de uma comissão só na Casa.

Sinal verde 2
A tática da oposição será apresentar uma série de requerimentos já no começo da investigação. Se forem barrados, tentarão instalar a CPI só no Senado.

Nova frente
PSDB e DEM ainda preparam a artilharia para complicar a vida do governo na avaliação dos vetos presidenciais a projetos como o da emenda 3, que proíbe auditores da Receita de autuar pessoas jurídicas com funções de assalariados. O tema deve voltar à pauta nas próximas semanas.

Assim não
A entrevista de José Eduardo Cardozo à revista "Veja" causou furor entre seus pares de Executiva do PT. Em carta aberta a militantes, seu colega Valter Pomar criticou a maioria das respostas e cobrou menos "ambigüidade" do novo secretário-geral, que não teria defendido a sigla de forma convincente.

Quero o meu
O PT cearense pressiona seus deputados estaduais a deixar o bloco do qual também fazem parte o PMDB e o PSB do governador Cid Gomes. O movimento começou depois que o presidente regional do partido, Hilário Marques, viu recusado o pleito de emplacar sua mulher, Raquel Marques, na Secretaria de Assistência Social.

Folha, 87
A Folha completa hoje 87 anos.

Tiroteio
A base que se cuide. Com tal popularidade, até a oposição vai querer aderir ao presidente.
Do deputado MIRO TEIXEIRA (PDT-RJ), sobre a pesquisa CNT/Sensus que aponta a melhor avaliação de Lula desde 2003, logo após a posse.

Contraponto

Zero dois
Durante encontro realizado em São Paulo, na sexta-feira passada, com vereadores do PSDB em municípios paulistas, Eduardo Graeff, que foi secretário-geral da Presidência no governo de Fernando Henrique Cardoso, tomou a palavra após uma série de atrasos na programação. Muitos já haviam discursado, e a hora do almoço se aproximava. Graeff, então, resolveu descontrair o ambiente:
-Olha, pessoal, eu sei que está tudo atrasado e que vocês estão morrendo de fome. Então, não se incomodem de usar a tática do capitão Nascimento...
Depois de uma pausa, completou:
-É só gritar "pede pra sair"!

Clóvis Rossi

Um petista que diz a verdade

Do deputado federal José Eduardo Cardozo, recém-eleito secretário-geral do PT, o segundo cargo na hierarquia partidária, em entrevista à revista "Veja": "Vou ser claro: teve pagamento ilegal de recursos para políticos aliados? Teve. Ponto final. É ilegal? É. É indiscutível? É. Não podemos esconder esse fato da sociedade".
Ficamos assim sabendo o que já sabíamos todos, menos os petistas, em especial sua ala hidrófoba e seus intelectuais e jornalistas chapas-brancas: não houve nenhuma conspiração da mídia e da elite contra o PT. Houve, sim, uma conspiração de fatos "ilegais" e "indiscutíveis" praticados por petistas, no dizer até de seu secretário-geral.
Além de aceitar os fatos, Cardozo investe também contra outra malandragem do PT: a de mendigar que digamos que todos os partidos são igualmente safados.
Diz o deputado do PT: "Nós temos que ser mais duros com nossos militantes e dirigentes do que somos com nossos adversários".
É a posição que qualquer pessoa/ instituição honesta adota. Mas o lulopetismo preferiu a versão "o PT fez o que todos fazem", como disse o próprio presidente Lula, para em seguida passar a mão na cabeça dos acusados de trambiques vários.
Fulmina agora Cardozo: "Em qualquer escândalo, denúncia ou suspeita, o PT tem de ter uma postura ativa. Seja para absolver, seja para condenar. (...) Não pode passar a mão na cabeça".
Fosse o Brasil um país sério, fosse o PT um partido sério, haveria uma de duas conseqüências para afirmações tão contundentes e cristalinas: ou o partido expulsa Cardozo porque disse a verdade, o que viola a ética que o partido adotou desde o primeiro escândalo, ou lhe dá razão e pede desculpas ao público não só pelas ilegalidades mas também pelas tentativas de encobri-las com ridículas teorias conspiratórias.

Eliane Cantanhede

Erraram o alvo

Um dado deveras interessante da pesquisa CNT/Sensus divulgada ontem é sobre a reação dos entrevistados aos cartões corporativos do governo: dos 64,1% que sabem do que se trata, 83,1% desaprovam o seu uso.
Em outras palavras: se ministros, assessores e reitores de universidades federais se esbaldam com os cartões, punam-se... os cartões!
A discussão resvala para o viés do atraso. Se há tentativas de fraudes, clonagem, desvio, surge logo uma grita para voltar atrás na urna eletrônica, nos caixas automáticos, no cartão corporativo. O problema, porém, não está nos instrumentos, está em quem usa e em quem regula e fiscaliza os instrumentos.
Se a Matilde se deslumbra com o cargo, se o reitor da UnB é chique, se um ministro leva família, babá e cachorrinho para hotéis de luxo no fim de semana no Rio, tudo isso é culpa deles próprios e do governo, que deixa correr solto. O coitado do cartão corporativo não tem culpa nenhuma, ao contrário do que a maioria dos entrevistados acha.
Os cartões são fáceis de usar, desburocratizados, registram todos os gastos tintim por tintim -até na tapiocaria- e vieram para ficar.
Quem já arrancou os cabelos com prestações de conta em três moedas diferentes sabe como o cartão é muito mais eficiente e confortável para todos os lados. Desde que, claro, haja dignidade e bom uso. Aliás, é muito mais fácil desviar dinheiro para tapiocarias e afins com notas fajutas do que com cartão.
Em vez de prestigiar o cartão, o Portal da Transparência e a vigilância da imprensa, há os que querem justamente o contrário: destruir o cartão e voltar à bagunça das notas e diárias sem controle, esconder o Portal, acabar com a transparência e punir os jornalistas por divulgarem as falcatruas.
Sim ao cartão, não à farra com dinheiro público, seja ela com cartões, notas frias, notas quentes ou qualquer coisa do gênero.

 

 

 

Folha Online

Após 49 anos, ditador Fidel Castro renuncia ao poder em Cuba

Após 49 anos à frente do poder, ditador cubano Fidel Castro renuncia ao cargo por "falta de condições físicas" para continuar

Após quase meio século à frente do poder em Cuba e aos 81 anos de idade, o ditador Fidel Castro renunciou nesta terça-feira, dizendo que não aceitará cumprir um novo mandato na Presidência após a reunião do Parlamento cubano, prevista para domingo (24).

A renúncia abre caminho para que seu irmão, Raúl Castro, 76, implemente reformas no país. Ele assumiu interinamente o poder depois que Fidel adoeceu, em 31 de julho de 2006.

"Meu desejo sempre foi cumprir minhas tarefas até o meu último suspiro", escreveu Fidel em uma carta publicada nesta terça-feira no site na internet do jornal "Granma". "No entanto, seria uma traição à minha consciência assumir uma responsabilidade que exige mobilidade e e dedicação que não estou em condições físicas de cumprir", escreveu o ditador cubano.

Ao fim de sua mensagem, Fidel se refere ao processo político cubano, e afirma que conta "com a autoridade e a experiência para garantir plenamente a sua substituição". Na carta, ele diz que não retornará à Presidência do país e que seu irmão Raúl será o novo presidente.

Fidel cedeu temporariamente o poder ao irmão depois de passar por uma cirurgia intestinal. Desde então, ele não foi mais visto em público, aparecendo apenas esporadicamente em fotos e gravações oficiais, e publicando artigos sobre várias questões internacionais.

Na carta, ele afirmou ainda que não participará da reunião da Assembléia Nacional, no próximo dia 24, para escolher os 31 membros do Conselho de Estado (Poder Executivo).

Fidel continuará como membro do Parlamento, mas não será mais o presidente do órgão.

A mulher de Raúl Castro, Vilma Espin, manteve sua cadeira no Conselho no ano passado até a sua morte, mesmo estando, durante meses muito doente para comparecer às reuniões.

Reunião

A nova Assembléia Nacional, eleita no fim de Janeiro, tem até 45 dias para escolher o chefe do governo do país.

Desde 1976, Fidel vinha sendo eleito e ratificado em todas as eleições, que se realizam a cada cinco anos.

No último sábado (16), Fidel havia aumentado a expectativa sobre sua decisão ao anunciar que "na próxima reflexão, abordarei um tema de interesse de muitos compatriotas".

Em mensagens que escreveu em dezembro, Fidel afirmou que não se apega ao poder, não obstrui as novas gerações e expressou seu apoio a Raúl, que desatou a ansiedade da população ao anunciar "mudanças" para enfrentar os graves problemas do país e ao criticar o "excesso de proibições".

Raúl desperta esperanças de mudanças econômicas que melhorem o cotidiano dos cubanos, e analistas dizem que a transferência formal do cargo lhe daria força para implementar tais reformas.

Era Fidel

Castro assumiu o poder em Cuba em 1959, e transformou o país em um Estado comunista.

Marcelo Katsuki/Arte Folha

Durante os 49 anos à frente do poder, ele sobreviveu a tentativas de assassinato e a uma invasão da ilha apoiada pela CIA [inteligência americana]. Dez administrações americanas tentaram derrubá-lo. A mais famosa tentativa foi a invasão da Baía dos Porcos, em 1961.

Os partidários de Fidel o admiravam pela habilidade de garantir alto nível nos serviços de educação e saúde para os cidadãos, embora permanecesse independente dos EUA. Já seus opositores o chamavam de ditador cujo governo totalitário negava as liberdades civis.

Em 16 de abril de 1961, Fidel declarou sua revolução socialista. Um dia depois, ele derrotou a tentativa de invasão da Baía dos Porcos, apoiada pela CIA.

Os EUA embargaram a economia de Cuba, e a inteligência americana planejou matá-lo.

A hostilidade chegou ao seu auge em 1962, com a crise em torno dos mísseis cubanos.

Com o colapso da ex-União Soviética, a Cuba entrou em crise econômica, mas se recuperou durante a década de 90, com o boom do turismo.

EUA

O presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, afirmou nesta terça-feira que a renúncia de Fidel Castro "deve ser o começo da transição democrática em Cuba".

"A comunidade internacional deveria trabalhar com o povo cubano para começar a construir instituições para a democracia", disse Bush na entrevista coletiva que ofereceu em Kigali, capital de Ruanda. O presidente americano está em uma viagem por vários países da África.

"Eventualmente, esta transição deveria acabar em eleições livres e justas", disse.

Bush visitou em Ruanda um memorial das vítimas do genocídio no país em 1994, quando 800 mil pessoas foram mortas, sobretudo membros da etnia tutsi.

Leia a íntegra da carta de renúncia de Fidel Castro

Fidel Castro com o papa João Paulo 2º, Che Guevara e Nelson Mandela (da esq. à dir.); Fidel renunciou nesta terça

O ditador cubano Fidel Castro anunciou sua renúncia ao cargo nesta terça-feira, após 49 anos à frente do poder na ilha.

Leia a íntegra da "Mensagem de um comandante em chefe", a carta de renúncia de Fidel Castro que foi publicada nesta no site do "Granma", o jornal oficial do partido comunista de Cuba:

"Queridos compatriotas:

Lhes prometi na última sexta-feira, 15 de fevereiro, que na próxima reflexão abordaria um tema de interesse para muitos compatriotas. A mesma adquire desta vez forma de mensagem.

Chegou o momento de postular e eleger o Conselho de Estado, seu presidente, vice-presidentes e secretário.

Desempenhei o honroso cargo de presidente ao longo de muitos anos. Em 15 de fevereiro de 1976, foi aprovada a Constituição Socialista pelo voto livre, direto e secreto de mais de 95% dos cidadãos com direito a votar. A primeira Assembléia Nacional foi constituída em 2 de dezembro desse ano e elegeu o Conselho de Estado e sua presidência. Antes, eu havia exercido o cargo de primeiro-ministro durante quase 18 anos. Sempre dispus das prerrogativas necessárias para levar adiante a obra revolucionária com o apoio da imensa maioria do povo.

Conhecendo meu estado crítico de saúde, muitos no exterior pensavam que a renúncia provisória ao cargo de presidente do Conselho de Estado em 31 de julho de 2006, que deixei nas mãos do primeiro vice-presidente, Raúl Castro Ruz, era definitiva. O próprio Raúl, que adicionalmente ocupa o cargo de ministro das Forças Armadas por méritos pessoais, e os demais companheiros da direção do Partido e do Estado, foram relutantes ao considerar-me afastado de meus cargos apesar de meu estado precário de saúde.

Era incômoda minha posição frente a um adversário que fez todo o imaginável para se desfazer de mim, e em nada me agradava satisfazê-lo.

Mais adiante pude alcançar de novo o domínio total de minha mente, a possibilidade de ler e meditar muito, obrigado pelo repouso. Me acompanhavam as forças físicas suficientes para escrever durante longas horas, as quais compartilhava com a reabilitação e os programas pertinentes de recuperação. Um sentido elementar comum me indicava que essa atividade estava a meu alcance. Por outro lado me preocupou sempre, ao falar de minha saúde, evitar ilusões no caso de um desenlace adverso, trariam notícias traumáticas a nosso povo no meio da batalha. Prepará-lo para minha ausência, psicológica e politicamente, era minha primeira obrigação depois de tantos anos de luta. Nunca deixei de sinalizar de que se tratava de uma recuperação "não livre de riscos".

Meu desejo sempre foi cumprir o dever até o último alento. É o que posso oferecer.

A meus queridos compatriotas, que me deram a imensa honra de ser eleito em dias recentes como membro do Parlamento, em cujo âmago se devem adotar acordos importantes para o destino de nossa Revolução, lhes comunico que não aspirarei nem aceitarei repito não aspirarei nem aceitarei o cargo de presidente do Conselho de Estado e comandante em chefe.

Em breves cartas dirigidas a Randy Alonso, diretor do programa Mesa Redonda da Televisão Nacional, que foram divulgadas por um pedido meu, se incluíam discretamente elementos desta mensagem que hoje escrevo, e nem sequer o destinatário das missivas conhecia meu propósito. Tinha confiança em Randy porque o conheci bem quando era estudante universitário de jornalismo, e me reunia quase todas as semanas com os representantes principais dos estudantes universitários, no que já era conhecido como o interior do país, na biblioteca da ampla casa de Kohly, onde se abrigavam. Hoje, todo o país é uma imensa Universidade.

Parágrafos selecionados da carta enviada a Randy em 17 de dezembro de 2007:

'Minha mais profunda convicção é de que as respostas aos problemas atuais da sociedade cubana que possui uma média educacional próxima a 12 graus, quase um milhão de graduados universitários e a possibilidade real de estudo para seus cidadãos sem discriminação alguma requerem mais variantes de resposta para cada problema concreto que as presentes em um tabuleiro de xadrez. Nem um só detalhe se pode ignorar, e não se trata de um caminho fácil, se é que a inteligência do ser humano em uma sociedade revolucionária há de prevalecer sobre seus instintos.

'Meu dever elementar não é aferrar-me a cargos, nem muito menos obstruir o passo a pessoas mais jovens, senão aportar experiências e idéias cujo modesto valor provem da época excepcional em que vivo.

'Penso como Niemeyer que se deve ser conseqüente até o final.'

Carta de 8 de janeiro de 2008:

"...Sou decidido partidário do voto unido (um princípio que preserva o mérito ignorado). Foi o que nos permitiu evitar as tendências a copiar o que vinha dos países do antigo campo socialista, entre elas o retrato de um candidato único, tão solitário como solidário a Cuba. Respeito muito aquela primeira tentativa de construir o socialismo, graças à qual pudemos continuar o caminho escolhido."

"Tinha muito presente que toda a glória do mundo cabe em um grão de milho", reiterava naquela carta.

Trairia portanto minha consciência ocupar uma responsabilidade que requer mobilidade e entrega total, que não estou em condições físicas de oferecer. Eu o explico sem dramatismo.

Felizmente nosso processo conta com quadros da velha guarda, junto a outros que eram muito jovens quando se iniciou a primeira etapa da Revolução. Alguns quase crianças se incorporaram aos combatentes das montanhas e depois, com seu heroísmo e suas missões internacionalistas, encheram de glória ao país. Contam com a autoridade e a experiência para garantir a substituição. Dispõe igualmente nosso processo da geração intermediária que aprendeu junto a nós os elementos da complexa e quase inacessível arte de organizar e dirigir uma revolução.

O caminho sempre será difícil e requererá o esforço inteligente de todos. Desconfio das sendas aparentemente fáceis da apologética, ou da auto-flagelação antítese. Preparar-se sempre para a pior das variantes. Ser tão prudentes no êxito como firmes na adversidade é um princípio que não se pode esquecer. O adversário a derrotar é notavelmente forte, mas o temos mantido a distância durante meio século.

Não me despeço de vocês. Desejo somente combater como um soldado das idéias. Seguirei escrevendo sob o título "Reflexões do companheiro Fidel". Será mais uma arma do arsenal com a qual se poderá contar. Talvez minha voz se escute. Serei cuidadoso.

Obrigado.

Fidel Castro Ruz,

18 de fevereiro de 2008,

17h30"

Tradução: Fabio de Paula

 

 

 

Lucia Hippolito

Lucia Hippolito

O mistério da transferência de votos



Segundo a última pesquisa CNT/Sensus, pouco mais de 9% dos eleitores votariam cegamente num candidato a prefeito apoiado pelo presidente Lula.

Pouco mais de 35% declararam que precisariam, primeiro, analisar o eventual candidato.

Além disso, nas simulações sobre as eleições de 2010 realizadas na mesma pesquisa, todos os possíveis candidatos do PT estão na lanterna, não chegando a atingir dois dígitos: Dilma Roussef, Tarso Genro e Patrus Ananias.

Ou seja, o governo Lula continua sem um candidato com um mínimo de viabilidade.

Isto tudo nos remete ao fenômeno da transferência de votos. Por que Lula não tem conseguido transferir parte de sua imensa popularidade a seus candidatos?

(Em 2004, o presidente chegou a pedir votos para a então prefeita Marta Suplicy, que tentava a reeleição em São Paulo, tendo feito um governo bem avaliado pela população. NO entanto, Marta foi derrotada por José Serra.)

O presidente Lula está com sua aprovação nas alturas, popularidade voando em céu de brigadeiro, mas não consegue alavancar seus candidatos.

Acontece que a popularidade de Lula resulta de uma relação especialíssima entre ele e o eleitorado. Trata-se de um tremendo líder de massas, que se comunica pessoalmente com a sociedade.

Lula é, de longe, o melhor comunicador de seu governo. Fala a linguagem da massa, que se identifica com ele. Mas fala também a linguagem dos ricos, dos empresários, dos banqueiros.

O presidente só tem dificuldades junto à classe média, que ele próprio não compreende direito. Ao dividir o mundo entre ricos e pobres, entre elites e povão, Lula desconhece esta vastíssima e diferenciadíssima classe média brasileira.

O resultado de tudo isso é um governo bem avaliado pela população, um presidente muitíssimo bem avaliado, popular como poucos. E um governo sem candidato para herdar isto tudo.

Por enquanto. 2010 ainda está longe, mas se o governo não começar agora a construir uma candidatura viável, poderá perder as eleições.

Isto se a oposição não se incendiar em sua fogueira de vaidades internas, o que não é nada difícil, e não cometer haraquiri, o que não é nada impossível.

Dinheiro público não tem dono

Pode ser que a CPI dos cartões corporativos nem saia do lugar.

Pode ser que a CPI dos cartões corporativos termine num acordão entre petistas e tucanos, para poupar o presidente Lula e seus familiares, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso e seus familiares.

Ah, sim, e para poupar o governador José Serra, cujo governo também está enrolado com essa história de cartões corporativos.

Mas também pode ser que a CPI dos cartões corporativos chegue a conclusões importantes.

O fato é que, neste momento, os acontecimentos já assumiram uma dinâmica própria. As investigações desembestaram e não vão parar nos cartões.

No rastro do escândalo dos cartões corporativos, já estão sendo investigados: as diárias recebidas por servidores públicos federais e estaduais, que não precisam prestar contas dos gastos. Ao contrário do que acontece em empresas privadas.

O luxuoso apartamento do senhor reitor da Universidade de Brasília, com suas lixeiras moderníssimas e caríssimas. O luxuoso automóvel comprado para uso do senhor reitor da Universidade de Brasília.

O mau uso das fundações que funcionam junto às universidades federais, usadas para contratar pessoal sem concurso, contratar serviços sem licitação, realizar despesas com luxo e desperdício.

Tudo isto aponta para uma única direção: o descaso com o dinheiro público, a negligência com o dinheiro dos impostos pagos pelos cidadãos brasileiros.

Outro dia mesmo, um homem apanhado em falcatruas, dizia, em telefonema gravado pela Polícia Federal, que determinada quantia “é dinheiro público, não tem dono...”

Isso mesmo. A sociedade brasileira, vergada sob o peso de uma carga tributária escorchante, não tem hospitais decentes, não tem saneamento básico suficiente, não tem escolas de boa qualidade, não tem habitação, não tem estradas nem transporte público decentes.

Mas o dinheiro público é desperdiçado em todos os pontos do território nacional, por servidores de todos os escalões, que não se sentem obrigados a prestar contas. Afinal, “é dinheiro público, não tem dono...”

Em 2007, o Brasil foi apresentado à farra, à desordem do Senado Federal, aos escândalos protagonizados pelo senador Renan Calheiros e por vários de seus pares.

O Legislativo esteve na berlinda o ano todo: aumento de salário para deputados e senadores, absolvição vergonhosa do senador Renan Calheiros, mensaleiros confessos sendo reeleitos, a sanha fisiológica da base aliada, a desorganização da oposição.

Pelo visto, este ano de 2008 será dedicado ao Poder Executivo, tanto federal, quanto estadual e mesmo municipal – as eleições para prefeito vêm aí.

O descaso com o dinheiro público não conhece diferenças entre unidades da federação, nem entre partidos ou ideologias. Esta doença dá em governos do PT, do PSDB, do PMDB.

Não é de surpreender que tanta gente queira um carguinho no governo. Qualquer cargo. Qualquer governo.

 

 

 

Josias de Souza - Nos bastidores do poder

Tucanato tenta reabrir julgamento do ‘dossiegate’

  Dalcío
Os advogados da coligação representada por Geraldo Alckmin (PSDB) nas eleições presidenciais de 2006 tentam
reabrir o julgamento do processo do dossiegate. Eles não se conformam com o fato de o TSE ter mandado o caso ao arquivo. Querem porque querem responsabilizar os aloprados que se meteram na tentativa de compra de um dossiê antitucanos há quase dois anos.

 

Entre os alvos do PSDB estão o próprio Lula e o deputado Ricardo Berzoini (SP). O presidente do PT foi o responsável pelo recrutamento dos aloprados. Lotou-os, à época do escândalo, no comitê reeleitoral de Lula.

 

Nesta segunda-feira (18), a falecida coligação de Alckmin (“Por um Brasil decente”) bateu, de novo, às portas do tribunal que funciona como última instância da Justiça Eleitoral. Reivindica-se que o TSE remeta o caso do dossiê para o STF.

 

Alega-se que os ministros do TSE não analisaram convenientemente todos os papéis levados aos autos do processo do dossiê. Não é a primeira vez que a turma de Alckmin tenta levar o episódio ao Supremo.

 

Em dezembro, o ministro Marco Aurélio Mello, presidente do TSE e também ministro do STF, negara um pedido de teor semelhante. Parece improvável que venha a mudar de opinião agora.

 PS.: Ilustração via sítio do Dalcío.

Serra continua liderando a disputa presidencial

De acordo com a pesquisa Sensus, divulgada nesta segunda-feira (18), o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), ainda é o presidenciável mais bem-posto para a refrega de 2010. Com a exclusão de Lula da cédula, Serra desponta como líder em todos os cenários.

No panorama visto como o mais provável, Serra prevalece sobre o deputado Ciro Gomes (PSB-CE) com 38,2% das intenções de voto contra 18,5%. Heloisa Helena (PSOL-AL) viria em terceiro, com 12,8%. E a superministra Dilma Rousseff (PT), amargaria o quarto lugar, com 4,5%.

 

Na hipótese de o PSDB levar à cédula o nome do governador tucano de Minas, Aécio Neves, a canoa da oposição vira. Aos olhos de hoje, Ciro venceria o primeiro turno com 25,8% dos votos. HH viria em segundo (19,1%). Só então irromperia Aécio (16,6%), num modesto terceiro lugar, à frente apenas de Dilma (5,4%).

 

Projetando-se a disputa para o segundo turno, Serra continua em posição confortável. Numa queda-de-braço com Ciro, venceria por 46,5% contra 25,5%. Contra Dilma, prevaleceria na proporção de 57,9% contra 9,2%.

 

Pesquisa, como se sabe, é retrato momentâneo. A fotografia atual terá de ser submetida a uma variante ainda não aferida: o peso da opção de Lula. Os pesquisadores do Sensus constataram que, nas eleições municipais deste ano, 36,8% dos eleitores se dispõem a sufragar o nome da preferência do presidente da República.

 

Haverá a mesma transferência de votos na disputa presidencial?, eis a pergunta que está por ser respondida. É de supor que, ainda que não seja suficiente para deter Serra, o apoio de Lula deve ser decisivo para acomodar no segundo turno um personagem que represente a cara do governismo.

Para Lula, escândalos são como kyptonita às avessas

 Dalcío
Nas páginas do dicionário, o vocábulo “imoralidade” é vizinho de “imortal”. No Palácio do Planalto também. São muitos os episódios imorais que pipocaram nas cercanias de Lula. Têm sobre o presidente o efeito de uma kryptonita às avessas. Servem-lhe de tônico.

 

De pecado em pecado, Lula vai roçando as nuvens. Acaba de encostar o nível de popularidade que ostentava em 2003.

 

Atendendo a uma encomenda da CNT, o instituto Sensus voltou ao meio-fio, para saber o que o brasileiro pensa do governo e do presidente. A gestão petista foi aprovada por 52,7% dos entrevistados. É o melhor índice desde janeiro de 2003, quando o mesmo Sensus captara avaliação positiva de 56,6%.

 

Quanto ao desempenho pessoal do presidente, foi aprovado por notáveis 66,9% dos brasileiros ouvidos pelo Sensus. Marca melhor do que essa só havia sido aferida em dezembro de 2003: 69,9%.

 

Curiosamente, o escândalo dos cartões de crédito, a kriptonita do momento, chegou ao conhecimento de 64,1% dos ouvidos. Nesse universo, a maioria desaprova o uso –e o abuso— de cartões (83,1%), acredita que o malfeito afeta a imagem do presidente (74,9%) e pensa que ministros e servidores pilhados devem perder o cargo e devolver o dinheiro (70,2%).

 

É razoável supor que o crescimento da economia e a malha de programas sociais trançada em Brasília funcionam como um escudo protetor de Lula. O PIB, segundo o Banco Central, cresceu 5,3% em 2007. O Bolsa Família, que chega aos lares de 11 milhões de famílias pobres, está sendo adensada com benefícios a estudantes de 16 e 17 anos, donos de títulos eleitorais.

 

Lula esquivou-se de soltar fogos. Ouvido, disse que a pesquisa que levará em conta é a de 2010. A oposição atribuiu o feito do presidente a conquistas econômicas obtidas lá atrás, ainda sob FHC.

 

Tudo considerado, ainda não dá para dizer que Lula seja dotado de poderes divinos. Mas não há dúvida de que ele pode, querendo, soltar os seus trovões sobre a oposição. E até alguns raios que os partam.

 

 

 

 

Folha Online

Com France Presse, Efe e Associated Press