

Prezados Leitores:
Por insuficiencia de espaço este blog tem um novo
endereço:
http://opiniaopublica2.zip.net/
o nome do blog continua o mesmo: OPINIÃO PÚBLICA
Aguardo a visita e o apoio de vocês. Os blogueiros que
me honram com
link e desejam mantê-lo, peço o obséquio de
promover a alteração da
URL : http://opiniaopublica2.zip.net/



O bispo-senador ataca a lei anti-homofobia, mas diz que punirá os homófobos. Nunca foi a um desfile, mas diz que sairá na comissão de frente. E diz que não nomeará secretários da Iurd, como se religião tivesse carteira assinada.
Do prefeito CESAR MAIA (DEM), para quem a "Carta ao Povo do Rio", de Marcelo Crivella (PRB), "é um caso singular de travestismo eleitoral".
Contraponto
Adivinhe quem é
A arrastada novela da indicação do vice da chapa de Luizianne Lins foi, durante semanas, o assunto mais discutido na Câmara de Fortaleza. A prefeita petista, que disputará o segundo mandato com ampla aliança, recusou vários pretendentes até indicar, na última hora, o presidente municipal de seu partido, Raimundo Ângelo.
Anunciada a decisão, o vereador Mário Hélio (PMN) perguntou ao presidente da Casa, Tin Gomes (PSB), um dos preteridos por Luizianne:
-O senhor já sabe quem é o vice?
-Mas não é o Raimundo?, devolveu Gomes, intrigado.
-Não, é o Fluminense...
Marta declara patrimônio 60% maior que o de 2004
Os quatro principais candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP)declararam ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um patrimônio total de R$ 55 milhões.
A candidata que teve melhor desempenho nas finanças pessoais nos últimos quatro anos foi a ex-prefeita, que saiu de R$ 6,3 milhões em 2004 (em valores já corrigidos pelo IPCA) para R$ 10,1 milhões em 2008 aumento real de 60,6%, informa nesta terça-feira reportagem de Rubens Valente, Catia Seabra e Conrado Corsalette, publicada pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Segundo a reportagem, os candidatos Gilberto Kassab, com R$ 5,1 milhões, e Geraldo Alckmin, com R$ 736 mil, mantiveram seus patrimônios estáveis. O candidato mais rico dos quatro principais candidatos, Paulo Maluf, "empobreceu", pelo menos na declaração apresentada ao TRE. Baixou de R$ 42 milhões em 2006, em valores corrigidos pelo IPCA, para R$ 39,1 milhões.
À Folha, a candidata do PT à sucessão paulistana, Marta Suplicy, afirmou ontem, por meio da assessoria, que seu aumento patrimonial no período 2004-2008 tem três origens: a herança recebida após a morte dos pais, o dinheiro recebido pela venda de bens da família e o rendimento das aplicações financeiras que tem.
Maluf tem patrimônio maior entre candidatos
Ricardo Brandt e Silvia Amorim
Bens declarados do deputado do PP ultrapassam R$ 39 milhões
O deputado federal Paulo Maluf (PP) é o candidato mais rico entre os 11 que disputam a Prefeitura de São Paulo. O registro oficial das candidaturas, fechado ontem pela Justiça Eleitoral, mostra que seu patrimônio declarado equivale ao dobro de toda a riqueza acumulada pelos demais candidatos da disputa.
O empresário, engenheiro e político Paulo Salim Maluf apresentou uma lista de 42 bens que, juntos, somam um patrimônio oficial de R$ 39,1 milhões. Os demais candidatos declaram um patrimônio total de R$ 19,6 milhões.
Prefeito de São Paulo por duas vezes (1969 a 1971 e 1993 a 1996), governador do Estado entre 1979 e 1982, deputado federal entre 1983 e 1987 e novamente eleito em 2006, Maluf listou entre seus bens 11 imóveis, dois veículos, ações de suas empresas, como a Eucatex, e diversas contas e investimentos. Ao todo são 42 itens relacionados em duas folhas entregues ao Tribunal Regional Eleitoral.
Filho de imigrantes libaneses, de uma família de ricos industriais, Maluf sempre encabeçou as listas de patrimônio das disputas das quais participou. Já teve sua vida devassada por investigações do Ministério Público, que aponta suposto enriquecimento ilícito. Ele sempre negou qualquer irregularidade nos negócios da família.
MILIONÁRIOS
Entre os 11 nomes que estão na disputa sucessória em São Paulo, outros três declaram um patrimônio que ultrapassa R$ 1 milhão: a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o administrador Ciro Moura (PTC).
A ex-ministra do Turismo, que já foi prefeita da capital e deputada federal, tem a segunda maior fortuna entre os candidatos. Em sua declaração de bens entregue ao TRE lista um patrimônio de R$ 10,4 milhões. Ela tem ao todo 31 itens, sendo 18 deles relacionados a imóveis, ações de empresas, contas bancárias e aplicações financeiras.
Oriunda de tradicional e rica família paulista, a ex-prefeita tem como seu bem mais valioso uma aplicação feita no Banco UBS Pactual, no valor de R$ 4,2 milhões.
O prefeito Gilberto Kassab declarou um patrimônio de R$ 5,1 milhões. A lista de bens, no entanto, é curta. Foram listados um imóvel, onde ele mora atualmente, avaliado em R$ 743 mil, dois veículos importados, cotas de capital das empresas Yapê e contas em bancos e aplicações financeiras. São ao todo oito itens.
O quarto da lista de milionários é Ciro Moura, que afirmou ter um patrimônio de R$ 1,7 milhão. Ele listou 17 itens em seus bens, entre eles, 11 imóveis, quatro veículos, cotas de uma empresa de assessoria empresarial e investimentos.
Ligado ao ex-presidente Fernando Collor, o administrador de empresas já disputou duas vezes a Prefeitura de São Paulo, em 2000 e em 2004. Concorreu também como candidato a governador do Estado em 1994 e 2002 e como deputado federal em 2006.
Apesar de ser um dos quatro milionários da disputa sucessória, Moura registrou sua coligação com o sugestivo nome de Tostão Contra o Milhão.
EX-GOVERNADOR
O ex-governador do Estado e segundo colocado nas pesquisas eleitorais até o momento Geraldo Alckmin (PSDB) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 756 mil. Ele elencou 13 bens, sendo seis imóveis, dois veículos, participações de uma firma, algumas cabeças de boi além de ações e investimentos.
NANICOS
Entre os candidatos nanicos da disputa eleitoral, a candidata do PCO é a mais pobre. Anaí Caproni, funcionária dos Correios, ligada à Sindical Nacional da Causa Operária, listou como seu patrimônio um único bem: um veículo Fiat Uno ano 2005, avaliado em R$ 15 mil.
Bem diferente de seus adversários mais abastados que, em termos de veículos, preferem os importados. Maluf, por exemplo, tem em seu nome um Porsche 1979, uma raridade, e um super esportivo Mitsubishi 3000 GT. Kassab também listou Passat importado e um Toyota Corolla blindado - este último avaliado em R$ 80 mil.
Já a candidata do PPS, Soninha, cujo patrimônio é de R$ 131 mil, não deixou de elencar entre seus bens sua Vespa, avaliada em R$ 1.800.
O candidato do PRTB, Levy Fidelix, que em 1994 já disputou a Presidência da República e ficou conhecido pela proposta de criação do aerotrem - feita nas mais de nove disputas eleitorais das quais participou -, é o segundo candidato mais pobre da disputa municipal. Segundo sua declaração de bens ele possui patrimônio de R$ 107 mil.
O candidato do PCB, o professor universitário Edmilson Costa, também declarou um único imóvel como seu bem. A lista de bens entregue à Justiça Eleitoral é feita pelos próprios candidatos.


"O lulismo se especializou em surrupiar as glórias nacionais. Agora está tentando surrupiar a principal delas: o nosso longo histórico de alegre e sincera subalternidade. É bom lembrar: nós já éramos obstinadamente servis antes de Lula, e permaneceremos assim depois dele"
Lula - ?
É isso que consta na lista de pagamentos do empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama, preso no ano passado. O nome de Roseana Sarney, que também faz parte da lista, é seguido por um número: 200 000. O nome do tio de Roseana, o "Gaguinho", é seguido por outro número, bem mais modesto: 30 000. E Lula? Lula, no momento em que a lista foi feita, no começo da última campanha eleitoral, ainda era um ponto a ser respondido. Um ponto particularmente importante, sublinhado. Ninguém sabe se Lula acabou recebendo algum número da Gautama. Pior: ninguém se interessou em saber. Duas semanas atrás, VEJA reproduziu a lista de pagamentos do empreiteiro, que está em poder da PF, contendo o nome de Lula. O resto da imprensa ignorou o assunto. O Congresso Nacional ignorou o assunto. Os leitores ignoraram o assunto.
A idéia de que é perfeitamente inútil continuar a denunciar Lula se alastrou por aí. Leio uns dez blogueiros amargurados por dia dizendo que ele é imune a tudo. Que o Brasil está rendido. Que está entorpecido. Que está em coma. Na falta de outros argumentos, esse acabou se transformando também no maior fator de orgulho para os lulistas. Eles sempre se gabam do fato de Lula conseguir manter-se imensamente popular a despeito de todas as ilegalidades de que é acusado. Mas esse é um grande embuste. E eu me recuso a aceitá-lo. O lulismo se especializou em surrupiar as glórias nacionais. Agora está tentando surrupiar a principal delas: o nosso longo histórico de alegre e sincera subalternidade. É bom lembrar: nós já éramos obstinadamente servis antes de Lula, e permaneceremos assim depois dele. Quem Lula pensa que é? Em 1937, Getúlio Vargas deu seu golpe de estado. Poucos meses depois, os sambistas se acotovelavam para determinar quem conseguia lamber as botas do ditador de maneira mais degradante:
Surgiu Getúlio Vargas,
O presidente brasileiro,
Que entre seus filhos
Como um herói foi o primeiro.
Essa marchinha foi composta por Zé Pretinho. Encontrei-a na página da internet do ministro da Propaganda de Lula, Franklin Martins, um dos maiores estudiosos do nosso cancioneiro político. É muito apropriado que, nestes últimos anos, Franklin Martins tenha se tornado um símbolo do adesismo da imprensa lulista, um Zé Pretinho do jornalismo. Recomendo uma atenta consulta à sua página. Há desde a ode à Petrobras ("Brasil, meu Brasil / Vais crescer ainda mais / Com a Petrobras") até a embolada em defesa da prática do nepotismo ("O meu irmão / Pru sê um moço de talento / Punha no Saninhamento"), que deve ser especialmente estimada por Franklin Martins.
Quando algum lulista vier importuná-lo ostentando a popularidade de Lula, pegue o bandolim e entoe o sambinha getulista:
Brasil, meu Brasil de verde mar,
Gigante que desperta de um sono secular.
Brasil, orgulho do brasileiro,



BRASÍLIA - Não demora o dia em que o presidente Lula precisará passar de público a reprimenda que vem fazendo chegar, em particular, aos dirigentes nacionais do PT. Porque o partido dá mostras de querer transformar uma situação obviamente subalterna diante do chefe do governo numa tertúlia capaz de fazer-lhe ocupar espaços perdidos faz muito. Antes, mesmo, da vitória de seu fundador maior em 2002. Porque se o PT é Lula, ao menos na teoria, Lula deixou de ser apenas o PT, há tempos.
Não se trata de ciúme por ter sido o presidente, para governar, obrigado a convocar partidos dispostos a apoiá-lo, claro que em troca de nomeações e favores. O conflito é mais profundo, à medida que os companheiros julgam-se síndicos, não apenas condôminos do poder. Acontece que o dono do prédio, muito mais do que o síndico, é quem decide sobre o preço dos aluguéis, a contratação de funcionários, o pagamento de impostos e a elevação do condomínio.
Sustenta os dirigentes do PT ser a legenda o criador, e Lula, a criatura. Só que não é bem assim. Tanto que, no governo, o presidente atropelou mais da metade do programa do partido, adotando iniciativas neoliberais que fariam implodir o PT nos anos iniciais de sua fundação, caso anunciadas.
Aproxima-se, com a sucessão presidencial, o confronto maior: o presidente Lula quer Dilma Rousseff como candidata, pelo menos até o momento em que ficar comprovada a inviabilidade das chances da chefe da Casa Civil. Se isso acontecer, como parece provável, lançará a culpa no PT, que não teria se empenhado a contento na construção da candidatura. Só que o PT reagirá como já vem reagindo. Pretende senão o monopólio, ao menos a prevalência na seleção do candidato.
Como estamos no Brasil, país das incoerências e das contradições haverá uma saída capaz de unir os dois pólos dessa equação: o terceiro mandato, que não acontecerá sem o empenho do PT, mas, em contrapartida, só se viabilizará com o compromisso do presidente Lula de dar ao PT mais do que o partido vem recebendo. Complicado, mas, ironicamente, muito simples...
Começa esta semana o mais longo dos périplos já percorridos pelo presidente Lula. Ele irá ao Vietnã, ao Timor Leste, à Indonésia e ao Japão. Com a peculiaridade de fazer-se acompanhar por comitivas variadas. Empresários e experts nas relações com cada um desses países não estão convidados para os outros, tanto que à exceção de alguns auxiliares, ninguém viajará no Aerolula. Cada um que providencie sua passagem para as capitais desses países, bastando-lhes a honra de ter sido incluídos na comitiva, com direito à participação em reuniões e recepções.
Está certo o governo ao não promover uma Arca de Noé, até porque os empresários selecionados ficarão honradíssimos com o fato de suas empresas arcarem com as despesas. Quanto a fazer novos negócios, serão impulsionados pela presença do presidente, mas será cada um por si.
Em Tóquio, pela reunião dos presidentes e chefes de governo dos países ricos, mais os representantes de Brasil, Índia, China e África do Sul, o presidente Lula terá oportunidade de confirmar o que prometeu dias atrás: pedir explicações à secretária de Estado americana, Condoleesa Rice, a respeito da criação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos, encarregada de patrulhar as costas da América do Sul.
Não deixa de haver coincidência entre essa iniciativa militar dos irmãos do Norte e o anúncio feito pelo Brasil, da descoberta de monumentais campos de petróleo em nosso litoral. Métodos militares têm sido a estratégia do governo de Washington para garantir seus suprimentos de combustível, como demonstra a invasão do Afeganistão, do Iraque e, possivelmente, no futuro próximo, do Irã.
Especula-se a respeito da resposta de dona Condoleesa, se a interpelação vier mesmo a ser feita. Afinal, a Quarta Frota não navegará no mar territorial brasileiro, mas alguns metros para lá, ou seja, a secretária poderá dizer que o assunto não nos diz respeito...
Defende o senador Morazildo Cavalcanti a criação de uma CPI destinada a examinar a Amazônia e seus problemas. Para ele, é preciso acabar com a criação de montes de leis e regulamentos de mentirinha, que o governo anuncia, mas não executa bem como o besteirol do ministro Carlos Minc, de caçar bois na floresta. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito que ouça universidades, centros de estudo, governadores, ministros e instituições empenhadas na região poderiam redundar num projeto global de ação para desenvolver e garantir a Amazônia.
O problema é que o governo já designou o ministro do Futuro, Mangabeira Unger, para coordenar o Programa Amazônia Sustentável. Senão redundante, a iniciativa do senador logo bateria de frente com a missão do ministro, não propriamente a pessoa indicada para enfrentar os problemas atuais da região, senão os futuros. Mesmo assim, a situação da Amazônia é tão aguda que melhor será sobrar e não faltar diagnósticos.
Casal Kirchner entra em crise
BUENOS AIRES - "La presidenta soy yo, carajo!" (A presidente sou eu, caralho!). Esta teria sido uma das várias furiosas frases que a presidente Cristina Kirchner teria disparado nos últimos dias contra seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. O motivo: a intromissão excessiva do "primeiro-cavalheiro" nas decisões de seu governo. Mais especificamente, o elevado protagonismo de Kirchner no conflito do governo da esposa com os ruralistas.
A frase, divulgada pelo jornal "Perfil", foi a manchete do periódico. "Eles quase nem conversam mais (...) e quando o fazem, Cristina explode", relata uma fonte citada pelo jornal. Segundo o "Perfil", vários caciques do governista Partido Justicialista (Peronista) estão preocupados com a "fragilidade emocional" da presidente.
"Notícias", a principal revista de informação semanal do país, citando fontes do círculo íntimo dos Kirchner, destaca que as "gritarias" tornaram-se costumeiras entre as duas pessoas mais poderosas do país. "Você se faz de valentão, mas os custos, quem paga, sou eu!", teria acusado Cristina.
O governo conseguiu aprovar na Câmara de Deputados o polêmico projeto de lei que determina o aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas, pivô da crise com os ruralistas. Apesar da aprovação, a vitória do governo foi apertada, sinalizando um crescente enfraquecimento da presidente, que por causa da crise com os ruralistas, sofreu uma fuga de aliados.
A tensão no peronismo havia sido potencializada dias antes por Kirchner, que telefonou pessoalmente a deputados vacilantes para forçá-los a votar pela esposa. Alguns cederam, enquanto que outros reafirmaram a dissidência. Kirchner até ameaçou ir às galerias da Câmara para intimidar os parlamentares durante a votação.
A crise com os agricultores, que acumula 120 dias, gerou a disparada da inflação, a redução do consumo e a queda abrupta da popularidade da presidente. O ego da presidente também teria sido abalado pela crise, já que analistas e a população consideram que o verdadeiro poder é seu marido, deixando de lado a idéia predominante no início do ano, que indicava que a administração era "bicéfala", compartilhada meio a meio por ambos os cônjuges.
Os próprios ministros de Cristina (a maioria herdados de Kirchner) não colaboram, já que costumam chamar o ex-presidente de "presidente", como se ela não existisse. Comentaristas políticos e os representantes da oposição ironizam com a frase "Cristina no governo, Kirchner no poder".
A confiança no governo, enquanto isso, despenca. Segundo o relatório mensal da Universidade Di Tella, o índice de confiança caiu 9% em junho em relação a maio. Em uma escala de 0 a 5 pontos, Cristina só conta com 1,21 ponto.


Enquanto Marta construía a união com os partidos do bloco de esquerda, a briga entre alckmistas e kassabistas expôs um lado muito negativo dos nossos adversários.
Do deputado PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre a pesquisa Datafolha que mostra a candidata petista com 38%, contra 31% de Geraldo Alckmin e 13% de Gilberto Kassab.
Contraponto
Fumaça dos infernos
Ao defender os plantadores de fumo do Rio Grande do Sul, em recente sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Sérgio Zambiasi (PTB-RS) cuidou de frisar que sua boa vontade não se estendia aos fumantes:
-Quero deixar claro que nunca fumei! Nunca fumarei! E, no meu gabinete, um único servidor fuma. Mesmo assim, ele só tem permissão para isso duas vezes ao dia.
Os membros da comissão observavam espantados a fúria antitabagista do colega, até que este notou a presença da fumante Patrícia Saboya (PDT-CE) e emendou:
-Aliás, outro dia vi a senadora Patrícia fumando, já conversamos, e ela está em processo de libertação...
Valdo Cruz
Um pouco tarde
Lula parece ter acordado para aquela que pode ser chamada de mãe de todas as reformas: a política. Decidiu que seu governo vai elaborar um projeto na área e trabalhar para aprová-lo.
Em conversa com assessores, o presidente afirmou que não deseja ser considerado "omisso" no debate sobre o funcionamento dos partidos políticos no Brasil.
Até aqui, foi, porque relutava em assumir uma proposta. Costumava dizer que era a favor de uma reforma política, mas considerava não caber ao Executivo encabeçar as discussões sobre o tema.
Mudou de idéia, segundo auxiliares, depois de alguns episódios recentes que afetam seu governo: a guerra do PSC por diretorias na Petrobras e o envolvimento de políticos em desvio de dinheiro público descoberto pela Polícia Federal na Operação João de Barro.
Lula delegou aos ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio (Relações Institucionais) a elaboração do projeto de reforma política do governo e pretende enviá-lo ao Congresso em agosto.
Será um projeto de lei, para facilitar sua aprovação, em vez de uma emenda constitucional. Vai propor financiamento público de campanha, fidelidade partidária e votação para deputados em lista elaborada pelos partidos.
Medidas que podem fortalecer os partidos políticos, hoje agrupamentos de interesses individuais e regionais, que levam o governo de plantão a negociar no varejo para aprovar projetos de sua autoria.
Resultado: o Palácio do Planalto tornou-se um balcão de negócios, com cargos e verbas na prateleira à espera de parlamentares dispostos a trocar esses mimos por votos no Congresso Nacional.
Por isso mesmo, os bons conselheiros sempre recomendaram que a primeira iniciativa de um presidente no Brasil deveria ser aprovar uma reforma política. Tudo ficaria mais fácil.
Lula, como outros, não seguiu o conselho. Deu no que deu. Um escândalo político atrás do outro.





Mesmo com o casamento desfeito, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, e a secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Teresa Jucá, estão sempre juntos. Na política, eles se ajudam financeiramente. E no Supremo Tribunal Federal, estão indiciados por compra de votos. Há seis meses, o senador pelo PMDB de Roraima indicou a ex-mulher para o Ministério das Cidades. No último 13 de junho, a nomeação dela foi assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas o ato pode trazer dor de cabeça para o governo Lula: Teresa é investigada pela Polícia Federal por suspeita de desviar recursos repassados por 15 ministérios e órgãos federais para a Prefeitura de Boa Vista, que ela comandou por três mandatos. Mais grave: ISTOÉ apurou que Teresa também é investigada por desviar dinheiro do Ministério das Cidades, do qual agora é funcionária. "O governo cometeu um erro gravíssimo ao nomear a Teresa", diz o senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB de Roraima. "A nomeação é um absurdo e um desrespeito à ética."
A Polícia Federal decidiu instaurar 15 inquéritos para investigar Teresa porque cada ministério ou órgão públi- M B R A S I L co corresponde a uma apuração diferente. Teresa governou Boa Vista pela última vez entre 2001 e 2006. Há "fortes indícios de fraudes", segundo a PF, em licitações de obras com dinheiro dos ministérios das Cidades, Defesa, Saúde, Planejamento e Integração Nacional. Os valores já pagos nos convênios variam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões para cada obra. Somente com o Ministério das Cidades, a Prefeitura de Boa Vista tem 40 convênios, no valor de R$ 68 milhões. A lista de obras com dinheiro federal, investigadas pela PF, inclui a construção de vila olímpica, execução de terraplenagem, pavimentação de ruas, aterro sanitário e construção de orla. A PF aguarda resultados de perícias contábeis e de engenharia para colher depoimento de Teresa. Na página da Justiça Federal, há registro de inquérito em que a ex-prefeita é investigada também por "crimes de responsabilidade, moeda falsa e crimes contra a fé pública". Procurada por ISTOÉ, Teresa não quis dar entrevista.
O senador Romero Jucá defende a exmulher: "A indicação da Teresa é do PMDB, baseada em critérios técnicos", diz ele. "O que há são denúncias de vereadores feitas à Polícia Federal. Até hoje ela não foi citada e não pediram nenhum esclarecimento." Jucá, 53 anos, se reaproximou de Teresa em 2006, quando ele concorreu ao governo de Roraima e ela ao Senado. Os dois haviam se separado no início do governo Lula e Romero se casou com uma funcionária pública. Teresa, 51 anos, começou a namorar o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), mas continuou fiel às campanhas políticas do ex-marido. Em 2006, Teresa declarou à Justiça Eleitoral que seu patrimônio era de R$ 140 mil em dinheiro. No mesmo período, Romero Jucá declarou ter recebido R$ 390 mil em doações da própria Teresa. Ela gastou R$ 5,5 milhões na campanha derrotada para o Senado, mais do que o dobro do ex-marido na campanha também frustrada para governador, R$ 2,5 milhões.
NO STF, O CASAL JUCÁ ESTÁ INDICIADO POR "CAPTAÇÃO ILÍCITA DE VOTOS OU CORRUPÇÃO ELEITORAL" NA CAMPANHA DE 2002
Antes de ser nomeada para o Ministério das Cidades, Teresa enviou em dezembro uma mensagem ameaçadora para o celular de Jucá, divulgada pela Folha de S. Paulo: "Você tirou meus sonhos, me traiu da pior forma que uma mulher pode ser traída, me usou, pois se eu fosse prefeita você estaria comigo. Tirou meu trabalho, tirou até meu nome. Eu não tenho mais nada, nada a perder." O antigo casal tem, sim, muito o que perder. Em maio de 2005, o TJ de Roraima decretou a indisponibilidade dos bens de Teresa, em ação civil pública na qual é acusada de pagar R$ 4,9 milhões por serviços de coleta de lixo que não foram realizados. O bloqueio foi suspenso por conflito de competência judicial, já que os desembargadores entenderam que o caso tinha que tramitar na Justiça Federal. Em 2006, o Ministério Público acusou Teresa de contratar empresas sem licitação para superfaturar preços e de pagar obras e serviços não realizados com verbas do governo federal.
O senador esteve do lado de todos os governantes de plantão nas últimas décadas. Ele foi governador nomeado de Roraima (1988-1991) durante os governos Sarney e Collor. Antes disso, como presidente da Funai (1986-1988), foi acusado de receber 50% de propina para autorizar a comercialização de madeira em terra indígena. Na Presidência de Fernando Henrique Cardoso, Jucá foi líder do governo no Senado, cargo que voltou a ocupar com Lula. Em 2005, foi ministro da Previdência, mas teve que renunciar depois de ter sido acusado de fazer uso de sete "fazendas fantasmas" como garantia de empréstimo no Banco da Amazônia.
No STF, Teresa e Romero Jucá estão indiciados por "captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral". O caso está sob a relatoria do ministro Celso de Mello, que deu mais prazo para a PF fazer diligências e ouvir o casal. Testemunhas denunciaram a compra de votos no Estado em 2002, na campanha de Otomar Pinto ao governo e de Romero ao Senado. Segundo elas, cada eleitor recebia R$ 50 pela manhã e a promessa do mesmo valor à tarde, quando a votação estivesse finalizada. As testemunhas entregaram documentos que comprovariam a existência do esquema.


Ela diz que pensou em suicídio e, no cativeiro, pôde perceber que os guerrilheiros gostavam de Chávez
Descansada, depois de uma maratona que não lhe deixou tempo nem para dormir, Ingrid Betancourt realizou o sonho de abraçar seus filhos e de "voltar à França" ao receber jornalistas na embaixada de sua "segunda pátria" em Bogotá. Elegante e maquiada pela primeira vez em mais de seis anos, ela disse que sua libertação foi obra da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Depois do tumulto da coletiva, ela conversou com o jornal argentino Clarín.
Hoje pela manhã a senhora conclamou outros governos latino-americanos a se comprometerem mais com a situação dos seqüestrados na Colômbia e mencionou a presidente da Argentina. O que espera de concreto dela?
Tenho uma imensa gratidão pelo povo da Argentina, que sempre me acompanhou. Não tenho como pagar à presidente Christina Kirchner todo seu apoio durante meu cativeiro.
Como tomava conhecimento disso na selva?
Vou contar uma história. Durante uma noite de insônia, fiquei impressionada ao escutar no rádio que havia uma marcha em Paris pela minha libertação e, entre as pessoas que marchavam, estava a presidente. Esse gesto eu jamais esquecerei. Por isso, penso que o papel que a Argentina pode ter para conseguir a libertação dos reféns é fundamental. Estou certa de que a presidente e o povo argentino tornarão a estender sua mão.
Isso pode servir para que haja uma outra visão do conflito colombiano e dos reféns?
Acho que diante do problema dos seqüestrados não pode haver fronteiras. Temos de dar passagem à solidariedade dos povos e a Argentina é muito sensível. A presidente teve a gentileza de receber minha mãe quando eu estava seqüestrada, ela nos acompanhou durante as tristezas e agora queremos que compartilhe nossa alegria.
O que foi mais duro durante seu cativeiro?
O mais duro? Tudo, mas se for preciso enumerar, eu diria que as correntes. Estar dormindo e acordar de um momento para o outro com as correntes. Isso faz a gente se sentir miserável. E ser tratada pior do que um cão. Isso é muito duro.
O que mais recorda desses momentos?
As marchas. Era terrível ter de marchar com a roupa úmida, caminhar sob maus-tratos permanentes, com animais à espreita, numa escuridão total e, na maioria do tempo, sob a chuva. O outro era a recusa de nos darem remédios. Eu adoeci de coisas simples, coisas que um tratamento simples poderia combater: diarréia, vômito, úlcera. Mas a guerrilha não queria me ajudar e foi por esse descaso que, em vários momentos, fiquei em estado grave. E a gente não se dá conta disso. Eu descobria a gravidade do meu estado no olhar de meus companheiros.
Como superava esses momentos?
Chegou uma hora em que perdi a consciência e um companheiro, William Pérez, teve de me alimentar como se alimentam uma criança. Eu dizia a mim mesma: coma uma colherada por Lorenzo, esta outra por Melanie (os filhos de Ingrid). E isso me dava forças para não morrer. Chegou um momento em que tive mentir para me darem remédios. Tive de dizer que era para outro seqüestrado porque para mim eles não davam, tratavam-me como um inimigo.
Qual será seu futuro, Ingrid? A senhora se vê como presidente da Colômbia ou gostaria de fazer política na França?
Ui. Acabo de sair da selva e falar de presidência me parece tão distante. Não sei. Gosto da França com toda a minha alma, mas se fizer política, será na Colômbia. Agora, acho que gostaria de trabalhar na Colômbia, mas no final de minha vida gostaria, que me enterrassem na França. Acho que lhes devo isso.
Alguma vez considerou a possibilidade do suicídio?
A tentação do suicídio é permanente em todos os seqüestrados. Alguns vão desse estado à tentativa de suicidar-se e de tentar fazer algo para acelerar o suicídio. Em meu caso, a tentação era diária, isto é, no sentido de pensar no suicídio e perguntar: ?É uma opção?? Serei capaz?? ?O que pensarão meus filhos?? E eu sempre acabava desistindo porque tinha um pólo na terra muito forte que era a chamada radiofônica diária de minha mãe, que me colocava a par do que estava acontecendo com minha família, com meus filhos.
O que mais estranhava na selva?
Tudo. Já havia esquecido o que é uma ducha com água quente e coisas tão elementares como ir ao banheiro para urinar sem ser vigiada.
Que futuro vê para as Farc?
Isso foi um golpe para a estrutura de Mono Jojoy (chefe militar das Farc). E espero que não castigue a tropa. Não acredito na sinceridade das Farc em relação ao acordo humanitário que defendem. Eles sempre nos trataram como uma mercadoria para justificar, no exterior, que são algo mais que um grupo de narcotraficantes.
A senhora fez um apelo aos presidentes Rafael Correa, do Equador, e Hugo Chávez, da Venezuela, no sentido de uma aproximação com o presidente Álvaro Uribe para trabalharem juntos pela libertação dos reféns, mas Correa disse que não o fará. O que acha disso?
A única coisa que posso dizer a Correa é que tenha consciência de que ainda há reféns na selva. Os presidentes não agem a título pessoal, eles representam os interesses de um país.
Esteve alguma vez em território de outro país? Tem evidências de vínculos das Farc com a Venezuela ou o Equador?
Nunca soube onde estava. Não sei se estivemos em outros países. Agora, evidências de vínculos das Farc com outros governos eu não tenho, mas ouvi coisas. A tropa gosta de Chávez.



Para quem chegou a receber 6,5 milhões de votos na última eleição presidencial, a iniciativa pode parecer sinal de decadência. Para tentar alavancar o PSOL, partido que ela mesma admite que não conseguiu crescer, a ex-senadora Heloísa Helena aceitou sair candidata a vereadora em Maceió, capital de Alagoas. Essa volta ao começo é uma estratégia para garantir a obtenção de coeficiente eleitoral mínimo para o PSOL. Uma vez que os demais candidatos do partido não têm a menor chance, Heloísa arca com a missão de, sozinha, fazer 20 mil votos nas eleições de outubro. Ela vai à luta para salvar o partido, mas também em causa própria: se vencer, Heloísa garantirá a si uma tribuna útil para tentar de novo uma vaga ao Senado ou à Presidência da República em 2010. Na campanha, a língua de Heloísa, que nos últimos dois anos se reservou praticamente às aulas no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas, estará mais ferina do que nunca: "Tenho a humildade de me candidatar a vereadora para criar uma trincheira de resistência e luta contra o banditismo político praticado pelas forças retrógradas de Alagoas", disse Heloísa. Ela se refere a seus eternos adversários Renan Calheiros e Fernando Collor. Seu discurso é velho conhecido, quase um mantra pela ética, combate à corrupção e contra o que chama de receituário neoliberal de Fernando Henrique e Lula. "Tanto o governo Lula: quanto o governo Fernando Henrique merecem nota menos que zero, menos um." Na próxima eleição, o inflamado discurso da ex-senadora será acrescido, no entanto, de um componente especial: o fantasma da inflação. "Quando nós alertamos para o fracasso desse modelo, disseram que éramos aves de mau agouro", diz ela. A metralhadora giratória de Heloísa não poupa sequer alguns ídolos de parte da esquerda brasileira, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Para ela, Chávez falha ao não ter apreço à democracia: "Apesar do abismo que separa Hugo Chávez do imperialismo de George W. Bush, se eu estivesse na Presidência do Brasil, eles não mandavam aqui".
ISTOÉ - A sra. teve 6,5 milhões de votos para presidente. Por que disputar agora apenas a eleição para vereadora em Maceió?
Heloísa Helena - É claro que eu me sinto profundamente agradecida à generosidade do povo brasileiro na campanha presidencial. Muito carinho, muitas flores, muitas blusinhas brancas. Foi uma honra participar desse processo. Como não tenho a intenção de mudar o domicílio eleitoral - embora haja muita gente querendo que eu faça isso, sigo o caminho político a partir de Alagoas.
ISTOÉ - Muita briga?
Heloísa - É um Estado onde as organizações criminosas do mundo da política são donas de todas as engrenagens dos meios de comunicação, do poder econômico e da estruturação política formal. Isso cria muitos impeditivos para que tenhamos militância política. Por isso, é de fundamental importância ter a oportunidade de criar uma trincheira na Câmara de Vereadores para criar um espaço capaz de enfrentar todo esse poderio político e econômico.
ISTOÉ - Sua candidatura à Câmara Municipal existe para que o PSOL obtenha coeficiente eleitoral?
Heloísa - Sim. É claro que de eleição a gente só sabe o resultado depois que se consolida o resultado nas urnas. Eu sei o prazer maldito que eu provocaria nas estruturas criminosas de Brasília e de Alagoas se não fosse capaz sequer de me eleger vereadora no meu Estado. Como os demais militantes não têm muitas possibilidades de ajudar no coeficiente, eu, sozinha, tenho que fazer 20 mil votos.
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"Quando Lula submete o País à mesma política econômica reacionária de FHC, que nota eu poderia dar? Menos que zero, menos um" |
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ISTOÉ - Prefeitura, não?
Heloísa - Eu não poderia ser candidata a prefeita, porque sei que em 2010 terei de cumprir alguma tarefa. Sendo vereadora, eu não preciso me afastar dos compromissos do mandato. Se eu me elegesse prefeita, significaria uma atitude deseducativa e irresponsável de abandonar a prefeitura com um ano e meio de mandato, coisa que eu me recusaria a fazer.
ISTOÉ - O que a sra. está dizendo é que em 2010 novamente será candidata à Presidência da República?
Heloísa - Bem, é uma decisão que será tomada com meus eleitores aqui. É uma discussão que vamos fazer se serei candidata ao Senado ou à Presidência. A disputa de presidente da República não é um projeto pessoal, é partidário. Agora, que o PSOL terá um projeto presidencial, terá. Nós, evidentemente, não vamos nos submeter à farsa vulgar e politicamente desonesta da falsa polarização entre o PT e o PSDB.
ISTOÉ - Como se encontra o PSOL hoje em termos de estrutura e de número de militantes? Heloísa - Essa é a primeira eleição municipal que vamos disputar. Nós fizemos a opção de só apresentar candidaturas onde elas refletissem de fato a nossa inserção nos movimentos sociais e no meio político-partidário. Também não fizemos política de filiação em massa. Por isso, nós reconhecemos humildemente que o PSOL é um partido pequeno. Nós só vamos apresentar candidatura em objetivamente 9% dos municípios brasileiros. Mas foi a nossa opção. É uma participação limitada, mas que não vai ficar obscurecida por alianças ou estratégias meramente eleitorais.
ISTOÉ - O eleitorado poderia optar por uma experiência mais à esquerda do que o governo Lula?
Heloísa - Com todo respeito que eu tenho a muitos amigos queridos que ainda estão no PT, nem o PT nem o governo Lula são de esquerda. O PT e o governo Lula representam uma traição de classe e uma traição a tudo o que foi acumulado pela esquerda socialista. É um governo de aprofundamento do projeto neoliberal. De clara continuidade do que foi o governo Fernando Henrique. Em todos os sentidos.
ISTOÉ - Como é ver Alagoas representada no Senado por Fernando Collor e Renan Calheiros? Heloísa - É como ver Lula no exercício da Presidência. É extremamente triste. Mas faz parte do aprimoramento da nossa combalida e ainda fracassada democracia representativa. Mas uma democracia que, apesar de fracassada, é necessária. A gente só tem uma opção: não podemos aceitar essa representação, mas como eu não acredito nas ditaduras, independentemente do viés ideológico, o jeito é trabalhar pelo aprimoramento da democracia. O que nós temos está longe ainda de ser democracia.
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ISTOÉ - Por quê?
Heloísa - Porque democracia sem justiça social não é democracia. Isso só virá quando se atingir a mais plena declaração de amor à sociedade, que é o socialismo. Com essa estrutura fisiológica da política brasileira, não acredito que eu poderei vivenciar essa sociedade. Eu quero continuar trabalhando todos os dias para que as futuras gerações possam vivenciar essa experiência.
ISTOÉ - O governo insiste na terapia de juros altos para combater a inflação. Como a sra. vê essa opção?
Heloísa - Infelizmente, é a mesma cantilena enfadonha, mentirosa e desqualificada de atribuir o problema da inflação à demanda e não aos custos. Como alternativa para minimizar os riscos da inflação, teríamos de experimentar alternativas completamente diferentes das tentadas por esses farsantes com cara de conteúdo.
ISTOÉ - Explique melhor.
Heloísa - Significa a redução drástica das taxas de juros como fator indispensável para estimular a retomada dos investimentos privados. Para conter essa vagabundagem crônica do capital financeiro. Ampliar os gastos públicos para setores que dinamizam a economia local. Mais gastos em saúde, educação, saneamento, infra-estrutura. Ampliação do financiamento para o campo, crédito agrícola, assistência técnica, infra-estrutura rural, escoamento dos produtos. Reduzir a tributação sobre serviços básicos de infra-estrutura, como energia elétrica, petróleo, telecomunicações. Reduzir a carga tributária como um todo. Controlar capitais, como qualquer país sério faz.
ISTOÉ - Mas como se conteria um eventual aumento da demanda com a melhora do poder aquisitivo?
Heloísa - Com preços controlados, mas não apenas isso. O problema é que, quando nós dizíamos que essa política econômica não daria certo, que ela apenas condenava o Brasil a ser produtor de matéria- prima para atender aos interesses comerciais das grandes nações ou paraíso fiscal para viabilizar os interesses do capital financeiro, nós éramos vistos como aves de mau agouro. Isso já estava anunciado que viria.
ISTOÉ - O PAC não representa investimentos em infra-estrutura?
Heloísa - Objetivamente, o PAC não representa nenhum plano de investimento. Não há uma proposta de orçamento de longo prazo que busque de fato transformar o País.
ISTOÉ - Como avalia experiências ditas de esquerda em países como a Venezuela ou a Bolívia? Heloísa - Todos os avanços nas lutas antiimperialistas e no enfrentamento ao poderio americano devem ser aplaudidos. É motivo de admiração a eleição de Evo Morales na Bolívia, um representante dos povos indígenas chegar onde chegou sem trair seus compromissos de campanha. No caso da Venezuela, embora nós tenhamos de reconhecer como importantes os mecanismos de políticas sociais, especialmente na educação e na cultura, não se pode aplaudir o governo Hugo Chávez.
ISTOÉ - Não? Por quê?
Heloísa - Porque na conceituação da liberdade, da renovação infinita de mandatos, não dá para concordar com Chávez. Aí, estou com Rosa Luxemburgo: a liberdade apenas para os partidários do governo, para os membros do partido, não é liberdade. A liberdade é sempre a liberdade para quem pensa de outra forma. Sem eleições gerais, sem liberdade de imprensa, a vida acaba em todas as instituições públicas. Se eu estivesse na Presidência, não mandavam no Brasil nem Bush nem Chávez - apesar do abismo que separa Hugo Chávez do imperialismo de George W. Bush.
ISTOÉ - Quanto às eleições nos EUA, faz alguma diferença se vencer Barack Obama ou John McCain?
Heloísa - É claro que a proposta econômica e social apresentada por Obama não difere muito das propostas do candidato republicano. Basta ver o que ele já declarou sobre a Amazônia, sobre Cuba, sobre o Iraque. Mas, do ponto de vista simbólico, eu torço para que Obama seja eleito. Se um negro, filho de um africano, de origem muçulmana, vencer a eleição para presidente dos Estados Unidos, isso será uma coisa muito importante. Eu acho que o mundo precisa desse simbolismo. Pode ser o início de uma nova etapa para superar essa experiência absolutamente desastrosa para a humanidade que foi o governo Bush.

NUEVA YORK.? Los llaman la "superclase". Son las 6000 personas más poderosas del mundo que, básicamente, deciden lo que sucede en distintos ámbitos del planeta y cada vez se hacen más influyentes.
Los empresarios Bill Gates, Warren Buffett, Carlos Slim, Steve Case, Richard Branson, Roman Abramovich y Rupert Murdoch forman parte de esta nueva elite globalizada, al igual que los músicos Bono y Shakira, los actores Angelina Jolie, Brad Pitt y George Clooney, y los académicos Noam Chomsky, Samuel Huntington y Joseph Stiglitz.
Pero también la integran figuras de peso por los cargos que ocupan o han ocupado, como el presidente de EE.UU., George W. Bush, y el de China, Hu Jintao; los primeros ministros Gordon Brown, Angela Merkel y Silvio Berlusconi; el alcalde neoyorquino, Michael Bloomberg, y los ex jefes de Estado Bill Clinton, Tony Blair, Ernesto Zedillo y Lee Kuan Yew.
Y también personajes cuya influencia es incuestionable, como, por ejemplo, el Dalai Lama y el papa Benedicto XVI o la reina Isabel II.
Son la crème de la crème y asisten cada año al Foro Económico Mundial de Davos o a otros eventos globales, como el Foro Boao de Asia. Muchos provienen de las mismas universidades -como Harvard, Cambridge y Oxford- y discuten sobre temas internacionales en las reuniones del Grupo Bilderberg o en el Council on Foreign Relations, para luego viajar en sus jets privados para divertirse en palcos exclusivos en espectáculos como el Grand Prix de Mónaco o las carreras de caballos en Ascot.
"Son un pequeño grupo de gente. Cada uno, que representa a uno en un millón, tiene hoy una influencia desproporcionada sobre los asuntos mundiales. Tienen la capacidad de influir sobre millones de vidas más allá de las fronteras de los países", destacó a LA NACION David Rothkopf, autor del libro La superclase: la elite del poder global y el mundo que están construyendo .
Hasta hace pocas décadas, los miembros de las superpotencias eran los que engrosaban la lista de la "superclase". Pero, ahora, al amparo de la expansión del comercio mundial y de las comunicaciones, el poder intrínseco de cada Estado nación parece decaer.
En el mundo siempre hubo elites, pero la "superclase" de hoy es distinta de grupos de poder anteriores por diversas características, explicó Rothkopf, que trabajó en el Departamento de Comercio norteamericano durante la presidencia de Bill Clinton.
En el pasado, las elites accedían de forma hereditaria al poder y a la riqueza, cuyo principal origen era la propiedad de la tierra. Confinadas a las fronteras nacionales, su influencia estaba íntimamente vinculada al sector público, a la política o a los militares.
La "superclase" moderna es una elite global. Es el grupo que más rápido se globalizó y está cambiando en mayor medida el mundo. Está conformada por individuos relacionados esencialmente con el sector privado y las finanzas, que han hecho sus fortunas o llegado al poder por su cuenta.
Son empresarios, grandes financistas, gobernantes de las potencias, líderes religiosos, científicos, intelectuales, artistas, militares, así como líderes terroristas y jefes de carteles mafiosos.
Si bien existen todo tipo de teorías conspirativas sobre ellos, no son una elite monolítica, sino que está formada por diferentes grupos que no siempre están de acuerdo entre ellos.
Sin embargo, gracias a la tecnología, hoy pueden reunirse mucho más que en el pasado y llegar a un consenso que repercute sobre el resto de los habitantes del planeta.
"Su poder real se hace más evidente cuando acuerdan entre ellos para actuar con una alianza en su propio interés. Así, se nota su influencia cuando presionan para recortar impuestos o desregular los mercados financieros. Y también cuando actúan para llamar la atención sobre el calentamiento global o para promover campañas de ayuda", indicó Rothkopf, analista del Carnegie Endowment for International Peace.
Y esta desigual distribución del poder está directamente ligada a la desigual distribución de la riqueza. De acuerdo con un informe de Naciones Unidas en 2006, el 10% de los adultos más ricos del mundo controla el 85% de la riqueza global, mientras que el 50% más pobre disfruta apenas del 1%.
"En los últimos 30 años, cuando se desarrolló más la «superclase» de «superricos», las desigualdades crecieron. Como la economía globalizada les permite actuar fuera de los marcos normativos del Estado, esto dio lugar a mayores abusos y explotación de los trabajadores", apuntó Saskia Sassen, socióloga de la Universidad de Columbia.
"Y aunque se redujo el número de personas que vive en extrema pobreza, también están desapareciendo las clases medias", agregó Sassen, autora de Territorio, autoridad y derechos .
Como resultado de ese proceso, cada vez surgen más reacciones de resistencia, que toman la forma de un Hugo Chávez en Venezuela, un Vladimir Putin en Rusia o un Mahmoud Ahmadinejad en Irán.
Para Colin Bradford, experto en administración económica global, la clave para frenar el fenómeno de concentración de poder está en una combinación del desarrollo de la tecnología de la información y el fortalecimiento de las instituciones internacionales.
"Históricamente, la información era monopolizada por las elites. Pero hoy, con los medios digitales, asistimos a un proceso de democratización de la información. Eso le permite a la gente común tener más conocimiento de lo que pasa y actuar en consecuencia", señaló Bradford.
"Además, las instituciones internacionales, como la ONU o el FMI, e incluso las asociaciones regionales, como la Unión Europea, se quedaron atrás frente a estos nuevos actores de la «superclase». Deben repensar sus mandatos e involucrar más a la gente común en vez de sólo a los Estados miembros", subrayó.
Con él concuerda Rothkopf, para quien se necesitan instituciones más poderosas que las de hoy. Si son bien establecidas, deben representar la voluntad de la mayoría y no sólo los intereses de la "superclase" dominante.
"Estamos en una era en la que veremos más países repensar la tendencia hacia una mayor desregulación o hacia Estados más pequeños. Y surgirán estructuras -públicas, privadas o mixtas- que formarán una nueva y más fuerte red de mecanismos de control y de administración", explicó el autor.




Folha e "Estado" dão manchete para o "apagão" ou pane no acesso à internet via Telefônica, em São Paulo, que derrubou serviços públicos municipais e estaduais como a Polícia Civil, o Detran e, em destaque nas primeiras páginas, o Poupatempo. O presidente da telecom espanhola pediu desculpas aos 2,4 milhões de assinantes do Speedy. Agora pela manhã, na Folha Online, a Telefônica "ainda pesquisa as causas do problema, classificado como complexo e raro".
Em página inteira, já nas edições de hoje, a concorrente Net Virtua, da telecom mexicana Telmex, publica o sugestivo anúncio ao lado.
No "Globo", pesquisa do Ministério da Saúde mostra que, entre 96 e 2006, a desnutrição infantil caiu quase à metade, 74% só no Nordeste. A desnutrição aguda, que leva à morte, caiu 13% e foi erradicada.
Já no "Estado", caiu o apoio ao ministro da Saúde "em seu partido e no governo". O PMDB quer "mais agilidade na liberação de verbas".
Da Colômbia, a Folha destaca o pedido de Ingrid Betancourt a Venezuela e outros, contra as Farc. O "Estado" ressalta que a "potencial candidata" falou que Álvaro Uribe devia concorrer a um terceiro mandato.
E o "Globo" noticia que o resgate "teve ajuda de equipes de inteligência de Israel e dos EUA". A Casa Branca admitiu ajuda "operacional".
O G8, o grupo dos países desenvolvidos, se reúne no Japão a partir de segunda-feira, mas "Economist" e "Financial Times" já estão em campo para cobrar mudanças. A revista, com um enunciado que pode ser traduzido como "Isso é jeito de governar o mundo?", dá capa para a Babel em que G8, FMI, Organização Mundial do Comércio e outras se transformaram.
No editorial, cobra um G12 (G8 mais Índia, Brasil, China e Espanha) e algo parecido também para o Conselho de Segurança da ONU. Já a reportagem da revista, sob o título "Quem governa o mundo?", detalha como as organizações não funcionam mais e, quanto ao G8, faz piada com o que seria melhor, G12, G13 "ou um G15 ou G16?".
O "FT", além de reportagem com as críticas dos emergentes convidados para conversas paralelas ao G8, publica artigo provocativo que propõe "jogar fora o G8" e "investir de novos poderes o G20", criado por inspiração do Brasil e que reúne os emergentes. Afinal, diz, o G20 tem "membros de todos os continentes, representa dois terços da população mundial e responde por 90% de toda a atividade econômica".
Lula, às vésperas de se reunir com o G8 sobre aquecimento global, aceitou em entrevista ao japonês "Yomiuri Shimbun" e ontem em outra reportagem do "FT" que os emergentes também tenham "metas para a redução emissões" de gases com efeito estufa. Mas a Agência Espacial Européia segue com a pressão, postando como sua "Imagem da semana" o avanço da agricultura na Amazônia.


"Enquanto Kassab e Alckmin brigam para ver quem é o pai das AMAs, a população continua na fila à espera de médicos."
Contraponto
Barriga cheia
Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras, aproveitou o lançamento do Plano Safra, anteontem em Curitiba, para apresentar lista de reivindicações, com destaque para mais investimento federal e redução das taxas de juros para financiamentos.
Lula ouviu tudo e, na seqüência, emendou um discurso narrando a história da mãe que faz o maior esforço para preparar a ceia de Natal e recebe em troca a reclamação do filho porque falta de alguma coisa na mesa.
E extraiu a mensagem de sua parábola:
-É isso que nosso amigo Márcio fez. Nem degustou o que está servido e já pede a comida do ano que vem...
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Geração Orkut corre risco de crise de identidade, diz psiquiatra

Segundo Himanshu Tyagi, a principal causa deste problema seria o fato de que os nascidos nesta época já cresceram em um mundo dominado pela navegação na internet e pelos sites de relacionamento como o Facebook, Orkut e MySpace.
"É um mundo onde tudo se move depressa e muda o tempo todo, onde as relações são rapidamente descartadas pelo clique do mouse, onde se pode deletar o perfil que você não gosta e trocá-lo por uma identidade mais aceitável no piscar dos olhos", disse Tyagi durante o encontro anual do Royal College of Psychiatrists, uma das principais agremiações de psiquiatras do Reino Unido e da Irlanda.
O psiquiatra destaca ainda que as pessoas que se acostumam com o ritmo rápido dos sites de relacionamento podem achar a vida real "chata e pouco estimulante", o que poderia causar problemas de comportamento.
"É possível que os jovens que não conhecem o mundo sem as sociedades virtuais dêem menos valor às suas identidades reais e, por isso, podem estar em risco na sua vida real, talvez mais vulneráveis ao comportamento impulsivo ou até mesmo o suicídio", disse.
Pesquisa
Tyagi começou seu interesse por identidades virtuais quando fundou um site que funciona como uma rede de contatos profissionais e se deu conta da distância enorme que há entre psiquiatras em atividade e pacientes mais jovens em assuntos relacionados à internet.
Ele constatou, após uma pesquisa com psiquiatras durante um congresso nos Estados Unidos, que a maioria dos profissionais não sabia da magnitude do impacto do mundo virtual na geração jovem.
Segundo o professor, além dos sites de relacionamento, as salas de bate papo virtuais também podem influenciar problemas de comportamento como a timidez.
Ele destaca que o anonimato e a falta de experiência sensorial das conversas nestes ambientes virtuais poderia mudar a percepção de interatividade e criar uma visão alterada sobre a natureza dos relacionamentos.
“A nova geração, que cresceu em paralelo ao avanço da internet, está atribuindo um valor completamente diferente para as relações e amizades, algo que estamos fracassando em observar”, afirmou Tyagi.
Benefícios
O psiquiatra afirma que são necessárias mais pesquisas sobre o impacto da internet na geração jovem e ressaltou alguns benefícios dos sites de relacionamento.
Segundo ele, essas redes oferecem um status social mais equilibrado, onde raça e gênero são menos importantes e onde as hierarquias da vida real são dispersas.
Ele destacou ainda que a quebra das barreiras geográficas permite acesso a relacionamentos e a apoio de amigos virtuais.
Experiência
As afirmações de Tyagi, entretanto, forem contestadas por especialistas da área.
Graham Jones, psiquiatra especializado no estudo do impacto da internet, reconhece que existe o risco de que uma freqüência exagerada de sites de relacionamento possa levar a problemas de comportamento. Mas ele acha que esses riscos foram exagerados por Tyagi.
“Para cada geração, a experiência com relação ao mundo é diferente. Quando a imprensa escrita surgiu, tenho certeza que muitos a consideraram como uma coisa ruim”, disse Jones.
“Pela minha experiência, pessoas que tendem a ser mais ativas nos sites como o Facebook ou Bebo são aquelas que já são mais socialmente ativas de qualquer forma – é apenas uma extensão do que eles já fazem”, concluiu o psiquiatra.








LIBERTAÇÃO DOS REFÉNS
AS PALAVRAS DE INGRID
Mesmo antes do seqüestro, a senadora colombiana Ingrid Betancourt, resgatada desta quarta-feira das mãos da narcoguerrilha, era conhecida na política colombiana como uma mulher de coragem.
Fonte: Jornal da Globo
Emocionada, Ingrid agradeceu a Deus e a todos que rezaram por ela.
“Rezei muito, e imaginei muito este momento, com minha mãe... (agradeço) à Deus primeiro, segundo a todos vocês que me acompanharam em suas orações.
Quando os helicópteros chegaram, no entanto, Ingrid achou que não seriam libertados e que os reféns seriam feitos de palhaços.
“Chegaram os helicópteros e saíram uns personagens absolutamente surrealistas, senhores vestidos com uns logos e certificados de delegados de não sei que coisa, e eu olhava a todos eles e pensavam quem são? Que comissão internacional é essa? E pensei será que vão nos voltar a nos fazer de palhaços. Outro circo, não quero prestar-me para isso. Vi mais de perto e vi que tinham camisetas de Che Guevara e pensei isto é das Farc... Depois disseram que podíamos subir no helicóptero , mas que tínhamos que subir algemados. e isso foi muito humilhante.
A ex-senadora disse que quando entraram no helicóptero, os militares prenderam o comandante local das Farc que fazia a segurança do grupo.
“Fecharam as portas do helicóptero e ele decolou. E algo aconteceu. E não me dei conta do que era, e de repente vi o comandante que durante tantos anos, quatro anos, que nos comandava, que tantas vezes foi tão cruel, e tão humilhante e tão déspota, o vi, no chão, sem roupa, com os olhos vendados”.
“Não creiam que senti felicidade. Senti muita lástima. Porque dei graças a Deus de estar com pessoas que respeitam a vida dos demais, mesmo quando são inimigos. O chefe da operação disse: ‘Somos o exército nacional. Estão em liberdade’. E o helicóptero quase cai, porque saltamos, gritamos, choramos, nos abraçamos, não podíamos acreditar, Deus nos deu este milagre. Isso é um milagre.
Emocionada, Ingrid lembrou das pessoas assassinadas pelas Farc.
“Neste momento estou pensando naqueles que nunca voltarão. Que este instante de felicidade não nos faça esquecer que este é um milagre. Que outros morreram”.
Aos jornalistas, diz que na selva, qualquer coisa faz falta, qualquer coisa é um luxo.
“Um pedaço de sabão, escova de dentes, a gente toma conta, pois as coisas que são essenciais lá são muito escassas. Quero dizer que me sinto como se voltasse de uma viagem ao passado, como se voltasse da pré-história. Faz muito que não tenho eletricidade, não tenho água corrente, água quente há muitos anos. Quando subi no avião e abri e fechei a porta do banheiro me senti voltando à civilização”.
A senadora foi perguntada sobre o papel de Hugo Chávez e Rafael Correa nas negociações com as Farc. Ela disse que os dois devem ser considerados aliados, desde que respeitem a autoridade de Álvaro Uribe.
“Creio que a intermediação do Chávez e de Rafael Correa, presidente do Equador são muito importantes, e eu penso que são aliados importantes nesse processo. Sob uma condição que tem que ser o respeito à democracia colombiana. Os colombianos elegeram Álvaro Uribe. Os colombianos não elegeram as Farc”.
GUERILHA COLÔMBIA
INGRID BETANCOURT EM LIBERDADE
O Exército colombiano resgatou num operação espetacular a ex-candidata à Presidência colombiana que estava em poder da guerrilha havia 6 anos e outros 14 reféns

Abraçando a mãe, na sua primeira imagem como mulher novamente livre 
A ex- candidata presidencial fez questão de agradecer a Deus, ao Presidente Uribe, ao exército do seu país e a todas as pessoas do mundo que oraram e se manifestaram a seu favor
Yolanda Pulecio, a mãe, Ingrid Betancourt e Juan Carlos Lecompte, seu ex-marido, juntos depois de seis anos.
VIDEO INGRID EM LIBERDADE ABRAÇA SUA MÃE
Toinho de Passira
Fontes: EFE, El Espectador, Canal Caracol, El Colombiano
O resgate, que aconteceu no departamento de Guaviare, no sudeste da Colômbia, foi fruto de uma operação de inteligência pela qual agentes do governo se infiltraram na guerrilha, informou a agência France Presse.
Segundo o ministro da Defesa da Colômbia, o resgate aconteceu a cerca de 70 km ao sul de San José del Guaviare, capital do departamento, próximo ao rio Apaporis. Vários guerrilheiros - inclusive um líder das Farc identificado como César - foram presos na operação empreendida por um grupo de elite das Forças Armadas colombianas.
"Essa operação, chamada 'Xeque', não tem precedentes e mostra a alta qualidade e profissionalismo das forças militares colombianas", destacou Santos, segundo o jornal El Tiempo. O ministro colombiano parabenizou a Inteligência e saudou o generais Freddy Padilla, comandante das Forças Militares, e Mario Montoya, chefe do Exército.
Carreira política
Ingrid Betancourt, nascida em Bogotá (no Natal de 1961), veio de uma família já introduzida na política. Seu pai, Gabriel Betancourt, foi ministro da ditadura do general Rojas Pinilla e depois se tornou diplomata, enviado a Paris, onde Ingrid cresceu. Sua mãe, a Miss Colômbia Yolanda Pulecio, serviu o Congresso representando as comunidades pobres do sul de Bogotá.
Após o assassinato de Luis Carlos Galán, candidato à Presidência da Colômbia que tinha como meta reprimir o tráfico de drogas, em 1989, Betancourt voltou ao seu país de origem, segundo ela para fazer algo pela Colombia. Na década de 90, trabalhou no Ministério das Finanças e foi eleita para a câmara dos deputados em 1994, lançando o Partido do Oxigênio Verde.
Combateu a corrupção e o financiamento de campanha com dinheiro de drogas. Concorreu ao Senado em 1998, conquistando o maior número de votos entre os candidatos. Durante seu mandato, ameaças de morte a forçaram enviar seus filhos pra Nova Zelândia.
Após as eleições de 1998, Betancourt escreveu um livro. Sua primeira versão foi em francês, pois foi proibido de ser publicado na Colômbia. Após um tempo, recebeu versões em espanhol e inglês. No final de 2001, o governo colombiano e a opinião pública estavam ficando impacientes e desencorajados com a situação. Ingrid decide se candidatar a presidente.
O SEQUESTRO
(A foto de Betancurt ao lado é de 1998)
Ao se lançar à Presidência em 2002 - eleição que Uribe venceu - Ingrid Betancourt decidiu ir a zona delimitada de San Vicente del Caguán para se encontrar com as Farc. Isso era um ato comum, e muitas figuras públicas visitavam a região, criada para negociações com a guerrilha.
Autoridades insistiam para que Betancourt não visitasse a região. Após ter o pedido de transporte com um helicóptero militar ter sido negado, ela decidiu ir pela estrada. Após parar no último posto policial antes da zona delimitada, os alertas dos militares não foi o bastante e sua comitiva seguiu em frente.
Ignoraram o aviso e as Farc seqüestraram grande parte dos integrantes, e continuaram presos nestes seis anos. O nome de Ingrid não foi retirado da campanha e no final atingiu 1% dos votos.
Com ela foi seqüestrada Clara Rojas, candidata à Vice-Presidência da Colômbia pelo partido "Oxígeno Verde" (Oxigênio Verde) e que foi libertada pelas Farc em 10 de janeiro último.O mesmo espírito destemido que levou Betancourt para Caquetá fez com que dissesse ao Congresso colombiano que o país estava sob governo "de um delinqüente", em referência ao então presidente Ernesto Samper (1994-1998).
Em outra ocasião, declarou que o partido em que iniciou sua vida política, o Liberal, era um clube de "ladrões e corruptos", e o Poder Legislativo, "um ninho de ratos".
CATIVEIRO
Em seu longo período de cativeiro de mais de dois mil dias, suportou a morte de seu pai, uma das pessoas que mais teve influência em sua vida.
A ex-candidata presidencial colombiana, que tem também nacionalidade francesa, se transformou na "jóia da coroa" das Farc, a mais importante moeda da organização guerrilheira junto com os cidadãos americanos Marc Gonsalves, Keith Stansell e Thomas Howes. Os três também tiveram suas libertações e resgates anunciados nesta quarta, pelo ministro da Defesa colombiano, junto com 11 militares colombianos.
Um dos chefes da guerrilha, José Benito Cabrera, conhecido como "Fabian Ramírez", não hesitou em afirmar, poucos dias depois do seqüestro de Betancourt, que a situação dela demoraria a ser resolvida, adiantando na ocasião que a ex-candidata seria a líder de um grupo de reféns "passíveis de troca" por cerca de 500 rebeldes presos.
A família de Betancourt recebeu a primeira "prova de vida" da ex-candidata presidencial em 24 de julho de 2002. Em um vídeo, a dirigente conservava seus brios rebeldes, rejeitava a troca proposta pelas Farc e cumprimentava seu segundo marido, o publicitário colombiano Juan Carlos Lecompte.
Como presente pelo 46º aniversário de Betancourt, Lecompte lançou sobre a selva colombiana, em 25 de dezembro último, cerca de 20 mil panfletos com fotografias recentes dos filhos de Betancourt, com a esperança de que pelo menos um deles chegasse às mãos de sua esposa.
"Este é um momento muito difícil para mim. Pedem provas de sobrevivência à queima-roupa e aqui estou te escrevendo colocando minha alma sobre este papel. Estou mal fisicamente. Não voltei a comer, estou sem apetite, meu cabelo cai em grandes quantidades", disse Betancourt à sua mãe Yolanda Pulecio, na sua última carta do cativeiro, que seria entregue como prova de vida.
Foto: Arquivo
A deputada Aline Corrêa disse que normalmente é muito calma, mas...
Toinho de Passira
Fonte:O Globo
O deputado Celso Russomano quase foi nocauteado, atingido que foi por uma saraivada de socos e tapas, desferidas pela colega de partido a deputada pernambucana, Aline Corrêa, secretária geral do diretório, em plena convenção do PP paulista. A deputada é filha do ex-deputado cassado Pedro Correia (PP-PE), acusado de envolvimento no mensalão.
Inconformado com a escolha de Paulo Maluf como candidato a prefeito de São Paulo pelo PP, em seu lugar, Russomano, em plena reunião Executiva do Partido, acusou a deputada de impedir a candidatura de seus aliados em dois municípios, e de ter descumprido um acordo que garantiria sua candidatura na capital, em troca da presidência regional do PP dada para Maluf.
Agressivo e desrespeitoso Celson Russomano proferiu vários palavrões, dirigidas a deputada Aline, acusando inclusive de “mentirosa”.
Transtornada a parlamentar pernambucana rápida e surpreendentemente agarrou Russomano pela gravata e lhe desferiu tapas e socos, enquanto gritava:
- Sou pernambucana, me respeite que não sou sua mulher!
Só parou quando contida pelo próprio Russomano e pelo deputado Eugênio Rabelo, que lhe seguraram, a muito custo, os braços. (PP-CE).
Pivô da confusão, o deputado Paulo Maluf tripudiou do fato dele ter apanhado de mulher:
- Meu preceptor político sempre me disse: dar em mulher é ruim. Mas apanhar de mulher é pior ainda. - disse Maluf.
Russomano (foto) disse não ter revidado, pois, seu pai lhe ensinou a respeitar as mulheres. Mas pelo visto o ataque foi tão rápido que não teve nem tempo para lembrar os conselhos paternos.
"- Eu acho isso até engraçado, porque sou uma pessoa calma. Mas ele tem que saber que nem todo mundo vai aceitar calado esse tipo de palavreado que ele usa. Eu não agredi, apenas me defendi. Ele tem que ter mais cuidado com o que fala " disse Aline Corrêa, que é vice na chapa de Maluf.
O deputado Eugênio Rabelo, ao tentar a apartear a briga, também acabou levando uns tabefes enquanto Aline tentava atingir Celso, disse nunca vi uma mulher tão valente, que ela falara “muito mais grosso que o Russomano”.
O JORNAL INGLÊS THE SUN PERGUNTA:
“WHICH ONE IS PREGNANT AGAIN?“
(“Quem está grávida de novo?")
Além da recuperação da cirurgia, as encrencas noturnas e a noiva que quer lhe escapar, Ronaldo tem que enfrentar a obesidade, o tédio de ser um milionário desocupado e perseguido pelos paparazzi
Foto: The Sun
Fonte: The Sun
O site do tablóide britânico The Sun divulgou uma imagem do jogador Ronaldo de cueca, em Ibiza, na Espanha, comparando a sua "barriguinha" com a da cantora britânica Louise Redknapp, que está grávida de quatro meses do segundo filho.
Ronaldo sofreu uma lesão em fevereiro durante um jogo pelo Milan e, desde então, não joga mais. No último dia 30 de junho, seu contrato com o clube italiano acabou e não foi renovado. Os dirigentes do clube italiano afirmaram que renovariam com o Fenômeno, desde que o jogador "perdesse peso, pelo visto o ex-camisa 99 é o mais novo milionário desempregado.



De acordo com o relatório dos gastos do Príncipe, divulgado na segunda-feira, ele converteu seu Jaguar, Audi e Range Rover para usarem óleo de cozinha como combustível, enquanto seu modelo antigo do Aston Martin funciona à base de etanol de vinho.
“Charles viaja apenas 200 ou 300 milhas por ano com o Aston Martin, mas ele queria que o carro não prejudicasse o meio ambiente. Por acaso, nosso fornecedor de bioetanol faz o combustível com o excedente do vinho inglês”, afirmou o assessor do príncipe, Michael Peat, ao jornal britânico Daily Mail.
Além da conversão de seus carros, o Príncipe ainda atribui a redução de suas emissões de carbono às economias no uso de aquecimento, água quente e eletricidade.
No ano passado, o príncipe estipulou que iria reduzir as emissões em 12,5% até 2012. No entanto, o relatório afirma que a residência de Charles e da Duquesa da Cornuália, Camilla Parker-Bowles, dobrou a meta para uma redução de 25% nos próximos quatro anos.
O documento destaca ainda que o carbono emitido pelas viagens internacionais do Príncipe também foi contabilizado.
Segundo o relatório, o príncipe usou a locomotiva real apenas 11 vezes durante o ano e fez outras viagens em trens tradicionais para contribuir com a redução.
O cáculo do volume de carbono emitido pelo Príncipe durante o ano de 2007 não contemplou as emissões da fazenda Home Farm, de propriedade do príncipe. Estimativas apontam que a fazenda emite cerca de 2,5 mil toneladas de dióxido de carbono.
Meu nome é Hussein




SENTENÇA
Vistos etc.
Chamo o feito à ordem para indeferir a inicial, vez que: 1) não há causa de pedir, 2) os fatos narrados não conduzem logicamente ao pedido e 3) há pedidos juridicamente impossíveis (art. 295, parágrafo único, do CPC).
Com efeito, a autora limita-se a acusar os Estados Unidos da América de perseguição, de boicote ao seu doutorado, de boicote ao concurso para diplomata, de restrição à liberdade de reunião e de opinião, de uso de tecnologias que lhe provocaram hirsutismo, de “jogarem armas químicas militares contra a autora“, entre outras condutas, nenhuma das quais especificamente narrada, com um mínimo de objetividade.
Nos pedidos, por sua vez, requer “o direito legal legítimo de ser inimiga contra os Estados Unidos da América do Norte” (sic), o “direito de ser amiga e a respeitar os povos europeus” (sic), o “direito a explodir bomba atômica contra todo o povo norte-americano nacionalidade de origem, povo do continente América, do país Estados Unidos da América do Norte, Capital Washington DC., não deixando nenhum sobrevivente” (sic), além de reparação de danos “no valor de moedas Brasil 20 quatrilhões de reais” (sic).
Trata-se de vícios que tornam despiciendo o próprio saneamento da inicial, pelo que extingo o processo sem julgamento do mérito (art. 267, I, do CPC).
Atendendo ao contido na própria inicial, oficie-se a Ordem dos Advogados do Brasil, Seção de Pernambuco, para os fins dos arts. 8, I, e 11, V, do seu Estatuto, juntando-se cópia daquela peça.
Publique-se. Registre-se. Intime-se.



Mesmo a moeda tendo acabado com a hiperinflação, o bolso do consumidor sentiu alta no preço das passagens, do gás de cozinha e do telefone fixo
O Plano Real completou 14 anos nesta terça-feira. A moeda acabou com a hiperinflação que atormentava os brasileiros. Mas nem por isso os preços ficaram parados no tempo. É o que mostra um levantamento do IBGE.
Surpresa no guichê. As viagens interestaduais ficaram 6% mais caras nesta terça-feira.
Passageiro: Quanto está agora?
Guichê: Era R$ 69. Agora, está R$ 74.
Passageiro: Um aumento considerável, é muito grande.
É mais um para o bolso do consumidor que, de 1994 para cá, viu o preço das passagens de um estado para o outro subir 370%. O ônibus do dia-a-dia aumentou mais ainda. O coletivo ficou 462% mais caro.
“Eu acho doído”, reclama a contabilista Maria José de Oliveira.
Mas as maiores altas no Plano Real o brasileiro sentiu no orçamento de casa. Nos últimos 14 anos, o que mais aumentou foram as contas do telefone fixo e do gás de cozinha. O preço do botijão subiu 672%. O mesmo que as ligações do fixo.
Para a dona-de-casa Magali das Dores, o que mais assustou foi o aluguel. A alta foi de 450%. Para economizar, ela trocou o gás pelo fogão à lenha. “Eu comprava um botijão por mês. Agora, eu compro um botijão a cada três meses. A gente não economiza muito, mas quando o povo vem, um traz o refrigerante, outro traz a galinha, a canjiquinha e a lenha também”, conta Magali.
Segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), de julho de 1994 a maio deste ano, a inflação foi de 227%. Parece muito mas, antes do plano real, esse índice era registrado em apenas quatro meses.
“Tivemos confisco de dinheiro, tivemos congelamento, tivemos mudança de moeda, tivemos cortes de zero e nenhum deles foi eficaz no combate à inflação. Eu entendo que, depois de 14 anos, o saldo é muito mais positivo do que negativo”, afirmou o economista Frederico de Alvarenga.


O DIEESE , reputada instituição de estudos e estatísticas sindicais, fez um balanço das greves de 2007 que muito contribui para evidenciar as distorções desse recurso extremo na era Lula. Das 316 paralisações registradas, 161 (51%) ocorreram no setor público. A maioria dos movimentos paredistas é empreendida por funcionários públicos federais, estaduais ou municipais e por empregados de estatais.
Já é bem conhecido e comentado o fenômeno da mudança de composição da base das centrais sindicais. Aumenta a participação das categorias de servidores e perdem importância os trabalhadores do setor industrial e de serviços que estiveram na sua origem e na do PT.
Processo "estatizante" paralelo ocorre na capacidade de mobilização das entidades de classe. Uma administração federal aparelhada por sindicalistas, assim como a presença do PT e outros partidos nominalmente trabalhistas em governos municipais e estaduais, só tende a realimentar a proliferação descontrolada de greves no setor público.
A combinação de perdas salariais com excesso de tolerância e indisposição dos governantes para negociar multiplicou o prejuízo social infligido pelas paralisações do setor público. Não só ocorre ali a maioria das greves como uma parcela desproporcional (85%) das horas paradas.
O desequilíbrio se torna ainda mais patente quando multiplicadas as horas pelo número de trabalhadores paralisados: 92% das 237 milhões de horas-trabalhador desperdiçadas. As greves do setor estatal costumam ser mais longas e abarcar categorias inteiras. Em 2007 houve 47 com mais de 15 dias de duração na esfera pública, contra 5 fora dela.
Servidores públicos, pouco tendo a perder, manejam de modo mais irresponsável aquele que deveria ser um último recurso de pressão. Escorados na estabilidade e na tradição de não ter descontados os dias de paralisação, não hesitam em suspender até os serviços que mais prejudicam o público e a economia, como nas recentes e abusivas greves de professores estaduais paulistas, ainda em curso, e de auditores fiscais federais.
Boa parte dessa sem-cerimônia decorre da omissão do Congresso, que até hoje não regulamentou o direito de greve dos funcionários públicos reconhecido pela Constituição de 1988. O Supremo Tribunal Federal vem suprindo esse vazio com decisões que impõem aos movimentos paredistas de servidores limitações análogas às que valem para empregados do setor privado.
Em abril, o Supremo decidiu pela ilegitimidade da greve dos auditores e autorizou o desconto de dias não trabalhados. O governo federal demorou, mas determinou o desconto. Até a república sindicalista consegue ver que é preciso pôr freio àqueles que só causam dano ao contribuinte.
Está instalada uma crise diplomática entre o STF e o governo relativa ao caso da reserva Raposa/Serra do Sol. Tudo começou em audiência promovida pelo relator da matéria, Carlos Ayres Britto. Presente à reunião, um alto funcionário do Ministério da Justiça saiu pisando duro. Não tinha gostado das perguntas que lhe foram feitas, a seu ver "tendenciosas".
Dias depois, em conversa da qual participavam assessores do Supremo, o mesmo funcionário afirmou: "É bom vocês tomarem cuidado, ou vão acabar todos grampeados". Informado do episódio, o presidente do tribunal, Gilmar Mendes, está subindo pelas paredes. Quer saber se aquilo foi "informação ou ameaça".
Talheres
Lula disse a um amigo comum que vai convidar FHC para jantar.
Time
Entre a turma do programa de governo e a do conselho político, a campanha de Geraldo Alckmin (PSDB) contabiliza como aquisições recentes Andrea Calabi, Walter Barelli, Claudia Costin e José Goldenberg.
A voz
O locutor da convenção do PT foi protagonista, na eleição de 2004, de arranca-rabo entre uma equipe de filmagem do então candidato tucano e um grupo ligado à família Tatto na periferia sul de São Paulo. Foi dele a frase: "Aqui o Serra não entra".
Em família
Na convenção que oficializou a candidatura de Beto Richa (PSDB) à reeleição em Curitiba, Osmar Dias (PDT) criticou as desavenças dos tucanos com seus aliados, as quais, segundo ele, começaram quando o partido ocupou o poder no Estado. Só faltou dizer que o governador era seu irmão, o também senador Álvaro Dias -presente ao evento de sábado.
Reação
Lula deve aproveitar o anúncio do Plano Safra, hoje em Curitiba, para anunciar medidas contra a alta de arroz, feijão e carne. Guido Mantega cantou a bola na reunião do conselho político.
Mantra
Mantega apresentou gráficos sobre a inflação. Aliados foram instruídos a repetir que o governo está atento ao problema e vai cortar gastos de custeio, "sem afetar os programas sociais".
Memória
A missa de sétimo dia de Dagmar Frias de Oliveira, viúva de Octavio Frias de Oliveira, publisher da Folha, será realizada amanhã, às 12h, no Santuário Nossa Senhora do Rosário de Fátima, à av. Dr. Arnaldo, 1.831, no bairro do Sumaré, zona oeste de São Paulo.
Prospecção
O presidente mundial da Alstom, Patrick Kron, desembarca amanhã para uma visita-relâmpago ao Brasil. Deve partir na sexta. A expectativa é que o Ministério Público de São Paulo anuncie nos próximos dias que procedimento vai adotar para investigar as denúncias de pagamento de propina a autoridades de governos paulistas por parte da multinacional.
Fonte 1
De 119 municípios envolvidos na Operação João de Barro, 81 firmaram contratos com o Ministério das Cidades desde janeiro de 2007. Juntos, levaram R$ 233,6 mi. Há casos de convênios milionários em Minas, como um de R$ 64,7 mi para rede de esgoto em Ribeirão das Neves e outro de R$ 29 mi para urbanização em Contagem.
Fonte 2
Quase todos os contratos investigados são de municípios de Minas, epicentro do esquema de desvios. Outros três são do Rio (Cabo Frio, Angra dos Reis e Belford Roxo). Por fim, há encrenca em Palmas (TO) e Cachoeiro de Itapemirim (ES).
Sob suspeita
Boletim da Polícia do Senado enviado ontem para alguns gabinetes informa que um ex-servidor comissionado, que circula pela Casa, foi denunciado por envolvimento com uma rede de pedofilia. O material apreendido estava no computador que o funcionário usava.
Tiroteio
Enquanto o BC enfia o pé no freio, o presidente Lula pisa no acelerador dos gastos. As pessoas percebem que o carro está desgovernado.
Contraponto
Elementar, meu caro
A reunião do conselho político de Lula, ontem, foi inteiramente dedicada a discutir a inflação e as medidas do governo para contê-la. Encerrada a explanação do ministro da Fazenda, Guido Mantega, o colega José Múcio (Relações Institucionais) resolveu dar opinião:
-Mas não há um componente psicológico nisso?
Mantega anuiu, e Múcio continuou:
-Quem assistiu ao "Jornal Nacional" de ontem deve ter corrido para estocar alimentos.
Com base nesse relato, a líder do PT no Senado, Ideli Salvatti, encontrou a saída para conter a alta de preços:
-É simples: basta desligar a TV!
Mónica Bérgamo
ANDAR DE CIMA
Os advogados da VarigLog protocolaram pedido para que o ministro Nelson Jobim, da Defesa, reveja a decisão da Anac de exigir um sócio brasileiro para a empresa, controlada pelo fundo americano Matlin Patterson.
Caso Jobim mantenha a decisão, eles devem recorrer ao STJ (Superior Tribunal de Justiça) e, depois, ao STF.
SAÍDA
Outra possibilidade estudada é anunciar, até meados do mês, um sócio brasileiro para a companhia.
É ELA
O ministro Hélio Costa, das Comunicações, marcou reunião com o presidente Lula, amanhã, para bater o martelo em relação à indicação de novo diretor para a Anatel. A assessora do Senado Emília Ribeiro é o nome mais cotado.
O ministro vai propor que Jarbas Valente, outro candidato, seja indicado em novembro, quando vence o mandato de mais um diretor da agência.
ATAQUE E DEFESA
De Lula para o prefeito Fernando Pimentel, de Belo Horizonte, depois de defender a aliança de petistas com o governador Aécio Neves: "Vê se agora, quando o Berzoini falar mal de mim, você me defende, né?". Ricardo Berzoini, presidente do PT, é contra o acordo.
BÚSSOLA
Marcos Coimbra, do instituto Vox Populi, diz não se surpreender com o fato de os brasileiros esperarem inflação maior -e Lula continuar com o índice de aprovação, de 58%, inalterado. Com base em pesquisas qualitativas, ele diz que "a inflação atual está longe de virar um problema de opinião pública" pois "para quem viveu hiperinflação de 20% ao mês, o atual reajuste de preços não assusta". E quem não viveu "não sabe o que é".


Supremo quer fechar brecha que impede julgamento de parlamentar
Para evitar a "fuga" de parlamentares processados, o Supremo Tribunal Federal (STF) vai fechar uma brecha na legislação brasileira e na sua própria jurisprudência para tornar sem efeito a renúncia de senadores e deputados.
A legislação atual e decisões recentes do STF permitem que um parlamentar, dias antes de ser julgado pelo Supremo, renuncie ao mandato para que seu processo desça para a 1ª instância. Em casos assim, o julgamento passa a ocorrer na Justiça estadual onde novos e demorados prazos para defesa são estipulados. O efeito é um começar de novo que leva a prescrição de vários crimes.
A estratégia foi adotada, por exemplo, pelo o ex-deputado Ronaldo Cunha Lima (PSDB-PB), acusado de tentar matar em João Pessoa um seu adversário político, Tarcisio Buriti. A ação penal contra ele estava no Supremo desde 2002. Na semana anterior ao julgamento definitivo do caso, em dezembro do ano passado, Cunha Lima renunciou ao mandato. Argumentou que preferia ser julgado por seus conterrâneos. Com isso, mesmo depois de cinco anos de investigação no STF, o processo foi devolvido para o juízo criminal de João Pessoa (PB), onde há riscos de que o crime prescreva.
A manobra pode ser repetida pelos réus da ação penal do mensalão que detêm foro privilegiado. Se todos decidirem renunciar aos cargos para que não tenham mais foro privilegiado, o caso será remetido à Justiça de primeiro grau e muitos dos crimes, especialmente aqueles com penas menores, prescreveriam. Para evitar que isso aconteça, os ministros vão decidir que se o processo contra um parlamentar for aberto no Supremo, ele permanecerá na Corte até o julgamento final do caso, mesmo que o acusado renuncie ou não se reeleja.
"Com a jurisprudência desenvolvida pelo STF, entendendo que o parlamentar perde a prerrogativa de foro, nós temos essa ciranda do processo", afirmou o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes. "Isso tudo contribui para esse quadro de indefinição", acrescentou.
Alguns ministros tentaram, no julgamento de Ronaldo Cunha Lima, mudar a jurisprudência do tribunal e retomar uma súmula revogada em 2001 que tratava desse assunto. Os ministros Joaquim Barbosa, que relatava o caso, e Cezar Peluso defenderam a idéia de que, mesmo tendo renunciado, o ex-deputado deveria ser julgado pelo STF. A tese foi defendida também pelos ministros Carmen Lúcia e Carlos Ayres Britto.
A maioria do tribunal, incluindo Gilmar Mendes, decidiu no sentido contrário, por encaminhar o caso para a primeira instância. Daquela vez, um dado do processo não foi divulgado como deveria pelo relator, no entendimento de alguns ministros, o que levou à decisão de repassar o caso à primeira instância. Desta vez, no entanto, haverá votos suficientes para mudar o entendimento do tribunal.
COMISSÃO
Além dessa mudança na jurisprudência do tribunal, Gilmar Mendes adiantou que criará no STF uma comissão para acompanhar as ações penais no Supremo - por exemplo, o cumprimento de diligências da Polícia Federal. Em alguns casos, elas demoram a ser cumpridas. Dados divulgados ontem revelam que tramitam no Supremo 91 ações penais. Mais da metade delas - 58,2% - ali está há menos de um ano. Outras 27 tramitam de 1 a 4 anos. E 11 ações estão no tribunal há mais de quatro anos.

LEI SECA
O medo do bafômetro fez Lula mudar de planos: "Não trocarei meu estômago por um tanque de gasolina", anunciou ontem o presidente.
Que sufoco!
José Serra definiu o convívio com Gilberto Kassab como "uma parceria estreita". O prefeito prometeu fazer regime se reeleito for.
Efeito colateral
A lei seca começa a registrar os primeiros casos de crise de abstinência no País. O que tem de motorista enguiçando por falta de álcool a caminho de casa... O pior é que tem mulher que acredita.
Quebra de sigilo etílico
Paulinho da Força está disposto a se submeter ao bafômetro no Conselho de Ética da Câmara.


O balanço da atividade do Congresso Nacional no primeiro semestre do ano mostra que não se alterou a situação que tem sido regra nos últimos anos.
Segundo dados dos sites da Câmara e do Senado, no primeiro semestre de 2008, 74% da produção legislativa resultou de projetos emanados do Poder Executivo – em 2007, foram 75%.
A Medida Provisória está matando o Legislativo brasileiro. O Poder Executivo usurpou a iniciativa legislativa do Congresso Nacional.
Alegando que o Congresso é lento, preguiçoso e que demora uma eternidade para decidir, o Executivo afoga o Legislativo com Medidas Provisórias que nem se preocupam mais em respeitar o requisito de relevância e urgência, exigido pela Constituição.
E pior. Agora, parlamentares da base aliada já negociam seu apoio diretamente com o Planalto, em troca da inserção de assuntos de seu interesse nas MPs editadas pelo Executivo.
Ninguém mais quer se dar ao trabalho de lutar por um projeto de lei.
Propostas de emenda constitucional dormem nas gavetas de suas Excelências. Tudo é por MP.
Mas, se por um passe de mágica, as Medidas Provisórias fossem extintas, ainda assim a atividade legislativa do Executivo brasileiro continuaria enorme.
Desde a primeira Constituição republicana, a de 1891, o Poder Executivo tem iniciativa legislativa. Ao longo do tempo, não só se manteve a iniciativa legislativa do Executivo, como criou-se a lei “de iniciativa exclusiva do presidente da República”.
Leis sobre efetivos das Forças Armadas, funcionalismo, impostos, entre outras, só podem ser propostas pelo presidente da República.
Completando a fúria legiferante do Poder Executivo, existe ainda o extraordinário emaranhado de decretos, portarias, avisos ministeriais etc., que todos os dias saem de diferentes setores do Executivo e alteram completamente a vida dos cidadãos.
Por delegação ou por usurpação, atos de autoridades de primeiro, mas sobretudo de segundo ou terceiro escalão, põem e dispõem sobre a vida das pessoas, alterando alíquotas de impostos, prazos de recolhimentos, fixando multas e sanções variadas para punir inadimplências variadas etc.
Curiosamente, nas Constituições votadas depois de períodos ditatoriais, ao invés de recuperar prerrogativas perdidas, o Congresso entregava ainda mais poderes ao Executivo.
Isto aconteceu na Constituição de 1934 (depois do período de governo provisório 1930-33), na Constituição de 1946 (depois do Estado Novo 1927-45) e na Constituição de 1988 (depois da ditadura de 1964-88).
Com isso, sobra muito pouco espaço para as atividades legislativas nascidas dentro do Congresso Nacional.
Sem ter o que fazer, as Excelências fazem o quê?
Em geral, bobagem.


BRASÍLA - Faz muito tempo que se contesta a divisão ideológica das nações em esquerda e direita, dadas às confusões que fazem os integrantes de um e de outro lado, mas, mesmo assim, certas diferenças permanecem inalteráveis. Quem luta pela permanência e até a ampliação dos direitos trabalhistas é da esquerda, assim como quem prega a livre concorrência entre valores e identidades distintas é da direita.
Feito o preâmbulo, e apesar da lambança que leva o governo Lula a patrocinar a farra dos especuladores, ou faz José Serra sustentar a redução do lucro dos bancos, vale transplantar a discussão teórica para a prática das eleições de outubro. Mais uma vez, as esquerdas apresentam-se divididas na maioria das grandes cidades onde serão escolhidos os prefeitos.
Em Porto Alegre, nada menos do que três candidatas e um candidato de esquerda, do PT, do Psol e do PC do B e do PSB, disputam os votos que a direita cobiça. No Rio, a candidata do PC do B defronta-se com candidatos do Psol, do PSB, do PV, do PDT e outros. Em Fortaleza é parecido, em Recife é igual, em Curitiba não parece diferente.
São Paulo será exceção? Vale marcar coluna do meio, porque Marta Suplicy, do PT, conquistou o apoio do PC do B, de Aldo Rebello, e de legendas esparsas do bloquinho, nem por isso parte das esquerdas deixa de dividir-se entre Gilberto Kassab e Geraldo Alckmin. Salvo exceções, o resultado geral será o mesmo de sempre: o fracionamento de uns serve para eleger qualquer um representante dos outros.
Passadas as festas de São João, São Pedro e outros santos, volta o Congresso a dar quorum, esta semana e na próxima, mas a prazo fixo. A partir do dia 15 de julho, quando se inicia o recesso parlamentar, deputados e senadores tomam o rumo de seus estados para retornar a Brasília apenas a conta-gotas.
Deverão dedicar-se às campanhas municipais e permanecer nas bases mesmo depois da eleição de outubro, acompanhando e vigiando os resultados. A conseqüência é que apenas em novembro teremos votações importantes, salvo alguma crise ou conflito que ninguém deseja.
Interrompe-se a reforma tributária, permanece paralítica a reforma política, ficam para as calendas propostas capazes de beneficiar aposentados e pensionistas, bem como aquelas em condições de punir trabalhadores e assalariados.
A pergunta que se faz é se, depois de conhecidos e até proclamados os resultados das eleições municipais, haverá alguma alteração de vulto no equilíbrio das bancadas parlamentares. Porque se um determinado partido governista tiver a sorte de eleger prefeitos em diversas das grandes capitais, a conta será logo apresentada ao palácio do Planalto. No reverso da medalha, se for beneficiada alguma legenda da oposição, a cobrança não levará mais do que quinze minutos.
Tudo com vistas à sucessão presidencial de 2010. O PT joga na popularidade do presidente Lula para alimentar esperanças de uma candidatura própria, no caso, Dilma Rousseff. Já o PSDB antecipa algumas fichas do cacife de José Serra. Enquanto isso, o PMDB espera valorizar sua participação na mesa de jogo.
O exercício de certas funções, em especial próximas do poder, obriga seus ocupantes a um permanente silêncio. Assim vinha acontecendo desde o início do primeiro mandato de Lula com seu chefe de Gabinete, Gilberto Carvalho. Talvez o mais próximo auxiliar do presidente, conhecedor e artífice dos meandros do governo, neste fim de semana ele passou de mudo a falador. Falou a uma revista semanal e deixou dúvida fundamental em Brasília: por quê?
Passando numa lupa as declarações de Gilberto Carvalho, podem ser pinçadas algumas tentativas de explicação. Teria ele, propositadamente, deixado claro que o presidente Lula jamais foi amigo de José Dirceu? Ou que, no auge da crise do mensalão, seu chefe cogitou trocar a reeleição pelo compromisso de as oposições não levarem adiante um processo de impeachment?
Pretendeu mostrar um Lula humano, que se exasperou com o episódio dos dólares na cueca de um companheiro? Ou foi para sacramentar Dilma Rousseff como candidata em 2010? Quem sabe aproveitou a oportunidade para desmentir uma vez mais a hipótese do terceiro mandato, que não depende dele e nem do Lula?
Quem quiser que responda, mas despertou curiosidade a entrevista do assessor mais próximo do presidente, único que entra no seu gabinete a hora que quiser, sem bater na porta...
De vez em quando o episódio se repete aqui em Brasília, apesar de a capital apresentar, conforme as estatísticas, um dos melhores padrões de vida do País.
Temos aqui um jardim zoológico, por sinal dos mais completos, com leões, tigres, hipopótamos, girafas e mil outros espécimes do reino animal. Volta e meia, para alegria das crianças, a direção do estabelecimento procura enriquecê-lo com outros hóspedes, em especial dos mais comuns, como patos, marrecos, cisnes e outras penosas, postas às centenas num lago artificial.
Pois não foi nem a primeira nem será a última vez que, semana passada, sumiram quase todas. Terão voado para o Pantanal, temerosas do clima cada vez mais seco do Planalto Central?
Parece que não. Ao lado do Jardim Zoológico, separado por uma cerca, faz muito que se construiu um bairro popular, chamado de Candangolândia. Lá, apesar do traçado urbano, multiplicam-se os barracos e, com eles, os desempregados. Pois de quando em quanto, como agora, tarde da noite a turma atravessa a cerca e confisca as aves, cujo destino é a panela.
Conta-se a história de que tempos atrás, num período de maior crise, sumiram montes de pacas, capivaras e porcos do mato. Até mesmo quando uma girafa adoeceu e foi levada para a enfermaria, posta deitada e em repouso, no dia seguinte amanheceu carneada. São coisas que o bolsa-família ainda não conseguiu superar...


'Eu não direi nada sobre ela. Eu não posso. O Brasil entende', disse.
Missa de 7º dia de ex-primeira-dama foi realizada nesta terça (1º).
Visivelmente abalado e chorando, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso agradeceu as manifestações de carinho que a família recebeu em razão da morte da ex-primeira-dama Ruth Cardoso. A missa de 7º dia foi celebrada nesta terça-feira (1º).
Fernando Henrique fez um curto depoimento após a missa, realizada na Capela Nossa Senhora de Sion, no Colégio Sion, no Bairro Higienópolis, na capital paulista.
"Bom dia a todos, eu quero em meu nome e em nome da minha família agradecer muito a vocês que souberam entender o momento muito difícil; os médicos, por toda a dedicação. Meu querido amigo Raul Cutait [médico da família], que aqui está. Todos os que cercaram a Ruth de carinho. Eu não pude ler o que se escreveu sobre ela, mas sei que foi muita coisa. Nós sentimos o carinho do povo. Nossa família é imensamente grata. Infelizmente não posso dar um abraço e um beijo em cada um daqueles que se dirigiram de maneira tão calorosa à Ruth. Eu não direi nada sobre ela. Eu não posso. O Brasil entende. Muito obrigado", disse o ex-presidente aos presentes. Foi a primeira vez que ele falou em público após a morte de sua esposa.
FHC chegou com os filhos Paulo Henrique, o mais velho, Luciana e Beatriz, a filha mais nova que mora na Europa e chegou ao Brasil no dia do enterro da mãe. Os netos do ex-presidente também estavam na missa.
Entre as autoridades, foram à missa o governador de São Paulo, José Serra; o prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab; o ex-governador de São Paulo Geraldo Alckmin; e o presidente do Banco Central, ministro Henrique Meirelles, que representou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, que está no encontro da cúpula do Mercosul, na Argentina. O banqueiro Lázaro Brandão, do Bradesco, também assistiu à missa.
Serra, que é muito amigo da família, leu trechos de um poema de Manuel Bandeira. Questionado sobre o que ele iria sugerir ao ex-presidente FHC após a morte de sua esposa, o governador respondeu: "Eu não vou sugerir nada. Eu vou conviver com ele, como sempre convivi. E agora muito mais próximo, pela ausência da Dona Ruth e procurar com ele o melhor caminho. Mas ele tem absorvido essa tragédia com muita serenidade."
A missa durou uma hora e foi rezada pelo padre Hector Velarde. A Orquestra Bacchiana Jovem, com 40 músicos, acompanhou a missa.
Vestida com a camiseta do “Capacitação Solidária”, programa criado por Ruth Cardoso, Maria Galdino da Silva Santos lamentou a perda da ex-primeira-dama, com quem, segundo ela, trabalhava em um prédio na avenida Angélica, onde funcionava a sede do programa.
“Eu servia chá para ela todos os dias. Ficou difícil ver a sala dela vazia. Ela era uma pessoa totalmente diferente das pessoas ricas”, disse Maria Galdino.


"Para ilustrar a diferença entre o que Marta diz que fez e o que realmente fez, basta lembrar que, quando ela quis ser ministra, Lula a nomeou para o Turismo, e não para a Educação."
Contraponto
No embalo
Quando prefeito de Recife (1997-2000), o deputado Roberto Magalhães (DEM-PE) inaugurava obra de saneamento no bairro de Casa Amarela e se entusiasmou:
-Voltarei em breve para entregar obra muito maior!
Diante da surpresa da platéia, Magalhães perguntou a José Múcio Monteiro, seu secretário de Planejamento:
-Múcio, quando poderemos inaugurar?
Sem ter a menor idéia do que o prefeito dizia, o hoje ministro do governo Lula respondeu, algo aflito:
-Em 60 dias?
Magalhães ajustou:
-Em 120 dias inauguraremos outra grande obra aqui!
E foi embora sem explicar do que se tratava.
Lula segue popular, mas medo da inflação cresce, diz pesquisa
EDUARDO SCOLESE
Levantamento do Ibope/CNI mostra que 65% dos brasileiros acreditam que preços vão subir, alta de 14 pontos percentuais
58% acham governo "bom" ou "ótimo", mesmo índice de março; piorou, no entanto, aprovação ao combate que governo Lula faz à inflação
A população brasileira está mais preocupada com combate à inflação que o governo Lula vem fazendo e acredita que os preços vão subir ainda mais nos próximos seis meses, revela pesquisa Ibope encomendada pela CNI (Confederação Nacional da Indústria). Segundo o levantamento, realizado entre os dias 20 e 23, o índice dos que aprovam as medidas do governo contra a inflação caiu de 51% para 41% entre março e junho, enquanto o dos que desaprovam subiu de 43% para 53%.
Divulgada ontem, após ter ouvido 2.002 pessoas de todos os Estados, a pesquisa mostra que, apesar do avanço da preocupação com a inflação, a popularidade do governo petista permanece inalterada e em um patamar recorde 58% dos entrevistados consideram o governo "ótimo/bom", assim como na pesquisa de março.
A pesquisa mediu a expectativa dos brasileiros para os próximos seis meses. Em relação à inflação, 65% acreditam que ela irá aumentar, contra 51% da pesquisa anterior. Houve uma reviravolta também na expectativa sobre trabalho -o índice dos que acham que o desemprego irá crescer aumentou dez pontos, de 42% para 52%.
As críticas também avançaram sobre a política de juros do governo, hoje em 12,75% ao ano. Aqueles que desaprovam o método do Banco Central passaram de 53% para 61%.
"[A pesquisa] sinaliza com clareza uma desconfiança de que o processo de inflação é mais substantivo do que no passado", disse Marco Antonio Guarita, diretor de relações institucionais da CNI. "A expectativa sobre o futuro da inflação já está impactando na avaliação da política de inflação [do governo]", completou.
A pesquisa Ibope/CNI também detectou variação negativa na avaliação do combate do governo à fome e à pobreza. Dentro da margem de erro, oscilaram de 62% para 59% os que aprovam essas ações.
Na área ambiental, com o tema à tona após a troca de Marina Silva por Carlos Minc no Ministério do Meio Ambiente e a divulgação do aumento do desmatamento, caiu de 60% para 53% o índice dos que aprovam as ações do governo em relação ao tema. O dos que desaprovam saltou de 34% para 40%.





BRASÍLIA - Quarenta anos nos separa de 1964, não propriamente o ano em que o Brasil se dividiu, porque dividido já estava, mas o ano da ruptura explícita do País em duas metades. O diabo é que duas metades artificiais, falsas, levadas ao confronto desnecessário por força das circunstâncias e, mais do que delas, por maliciosa manobra das elites econômico-financeiras nacionais e internacionais.
Porque até hoje se vende à impressão de que a partir de 1964 o Brasil rachou entre civis e militares, estes usurpando o poder e impondo a ditadura, aqueles vilipendiados, afastados de cena e condenados, primeiro, ao marasmo, depois à discordância, e, desta à resistência e à vitória, 21 anos depois, com o afastamento das Forças Armadas da cena política.
Na verdade, não foi nada disso, ou isso expressou apenas a casca enganadora de um conteúdo muito diferente. Porque tanto a sociedade civil quanto a militar tinha e tem a mesma origem e o mesmo destino. Formam uma só unidade. Pensa igual e possuem objetivos idênticos. No caso, a preservação da nação, de nossa soberania e de nosso território.
A presença do Estado como agente regulador das relações econômicas e sociais, fator maior da distribuição da igualdade entre a população. Mais ainda, a construção de uma realidade mais equânime e projetada para o futuro. A distribuição da riqueza nacional em termos solidários. Era isso o que pretendiam os civis depostos pelos militares, como foi isso o que perseguiram os militares que depuseram os civis.
Fala-se do povo. Porque foram as elites as responsáveis pela ilusória e trágica divisão cultivada até hoje, inflada pela truculência com que os militares se comportaram, tanto quanto pela irresponsabilidade anterior ou a reação posterior, muitas vezes desmedida, com que certas parcelas do poder civil reagiram. O que menos importa, hoje, é saber quem nasceu primeiro, se o ovo ou a galinha.
Na verdade, era e é outra, a verdadeira divisão que as referidas elites buscaram e buscam ocultar. Utilizaram os militares, quarenta anos atrás, como as mãos do gato, para tirar as castanhas do fogo. Hoje, utilizam a sociedade civil, que rotulam de libertária, para obter os mesmos fins.
Quais? A satisfação de seus interesses, a preservação de seus privilégios e a concentração de renda cada vez maior, em suas mãos. A prevalência de uma casta de ricos cada vez mais ricos e de uma massa sempre maior de descartáveis premidos pela indigência, o desemprego, a fome e a miséria. Civis e militares.
Por ironia, foram os militares que, no poder, ainda conseguiram preservar as linhas mestras de nossa existência como nação. Como foram os civis que, ultrapassando a ditadura, viram-se enganados e ludibriados, obrigados a aceitar o modelo cruel que nos assola cada vez mais, neoliberal, globalizante ou o que seja responsável pela nossa débâcle como sociedade independente e organizada.
Tremerão as elites no dia em que o Brasil conseguir quebrar a casca desse confronto anterior, real e justificável pela argumentação dos dois lados. Estará desfeito o muro que nos separa, artificialmente mantido como forma de alimentar a ambição e os privilégios das minorias responsáveis pelo aumento da indigência, do desemprego, da fome e da miséria.
Eleito pela indignação diante de tamanha farsa, o governo Lula encontra-se iludido por essas mesmas elites, responsáveis pela preservação do modelo que há anos nos assola, feito de falsas verdades absolutas como a de que não poderia ser diferente, já que a inflação alcançaria patamares insustentáveis, o dólar chegaria à estratosfera, o risco-Brasil nos sufocaria e os investimentos externos desapareceriam - levando-nos à desagregação. É mentira.
A desagregação está aí mesmo, expressa no objetivo oculto que nos vem sendo imposto. A quebra da soberania, a alienação do patrimônio público, a transformação do trabalhador em apêndice desimportante do processo econômico, a perda sistemática do poder aquisitivo dos salários, a supressão dos direitos sociais, a prevalência do setor especulativo sobre o setor produtivo, a avidez do capital-motel que chega de tarde, passa a noite a vai embora de manhã, depois de haver estuprado um pouco mais nossa economia, a transformação do Brasil em mero exportador de riqueza, mais do que necessária ao nosso desenvolvimento, à submissão aos ucasses internacionais - tudo isso e muito mais continuam alimentados pelos esqueletos do passado.
Mudará tudo no dia em que civis e militares se conscientizarem de estar sendo enganados e vilipendiados pela quadrilha neoliberal e dita globalizante, mesmo ao preço da cicatrização de feridas anteriores. Haverá que encerrar estas desimportantes considerações sobre os quarenta anos da eclosão do movimento militar.
Provavelmente surgirão condenações dos dois lados. Dos militares, julgando-se ofendidos pelo reconhecimento dos excessos que seus antecessores praticaram. Dos civis, que sofreram e sentem-se no direito de cobrar reparações até o fim dos tempos.
Paciência, o passado não se deu ao trabalho de passar para ser esquecido. Não nos dirá o que fazer, mas precisamente o contrário. Sempre mostra, o passado, aquilo que devemos evitar. Coisa que até agora não conseguimos, por força de quantos pretendem impedir o futuro.
Pequenas empresas apostam em blogs corporativos
SÃO PAULO - Manter ou não um blog corporativo tornou-se decisão estratégica para as empresas nos últimos anos. E, enquanto no Brasil ainda são poucas as grandes companhias que apostam nesse canal menos convencional de relacionamento com o cliente, os pequenos e médios empresários já se colocam como os maiores usuários da ferramenta.
"As pequenas e médias são mais ágeis para implementar novidades e foram as grandes pioneiras na adoção dos blogs", diz o consultor da Deloitte e autor do livro "Blog Corporativo", Fábio Cipriani. Segundo um levantamento feito por ele, existem hoje 81 blogs de pequenas e médias empresas no País e 27 de grandes corporações.
"Os blogs das grandes empresas hoje estão mais focados em campanhas de marketing do que em relações públicas", diz. As PMEs, por sua vez, têm descoberto novas - e variadas - funções para a ferramenta. Promoção da marca, de um produto, relacionamento com cliente e simples expressão de opiniões do empreendedor são algumas delas.
A possibilidade de aparecer no topo da página de resultado em sites de busca é uma vantagem para o pequeno empresário. "Como o blog é atualizado constantemente, o endereço se posiciona melhor nos resultados das buscas. Isso faz aumentar o tráfego do blog, e, por conseqüência, a exposição da marca", diz Cipriani.
O empresário Roberto Machado, dono de um pequeno atacado de doces em Ribeirão Preto (SP), resolveu criar o blog da empresa em 2006. "Sem grandes pretensões", conta ele. A idéia era apenas divulgar e fortalecer a marca no interior paulista, única região em que atuava. Mas as constantes atualizações e participações de Machado em outros blogs fizeram a página da DoceShop ficar conhecida na "blogosfera".
Logo, surgiram contatos de leitores - e futuros parceiros - em mercados que, segundo ele, não estavam no radar da empresa. "O blog abriu meus olhos para a possibilidade de expansão do negócio", afirma o empresário, que estima em 30% o crescimento no faturamento com novos contratos em Estados como Minas Gerais, Bahia e Mato Grosso.
Mauro Gherperri, sócio da Sanna Consultoria Empresarial, é outro empresário que conseguiu fazer seu negócio expandir por meio do blog. Há dois anos no ar, a página traz textos sobre gestão e mundo corporativo e é voltada para os cerca de 40 clientes da consultoria. "Em alguns casos, apresentei temas novos, que despertaram o interesse desse público por um determinado serviço oferecido pela empresa."
Para o consultor Fábio Cipriani, além de dialogar com os clientes e aumentar as vendas, o blog corporativo também serve para "dar um rosto" à empresa. "A dedicação do empresário ao blog humaniza e dá transparência ao negócio."
Um dos primeiros blogs corporativos brasileiros, o diário da loja virtual Camiseteria surgiu em agosto de 2005 com essa proposta. O sócio da empresa e criador do blog, Fábio Seixas, escreve principalmente sobre o dia-a-dia da empresa, em linguagem informal e bem-humorada. "Queremos mostrar para os nossos clientes que há pessoas de verdade por trás da empresa", diz o empresário. O blog recebe em média 15 mil visitas por dia.

Vamos combinar que nenhum governo gosta de enfrentar problemas em ano eleitoral.
De nada adiantam declarações de que eleições municipais obedecem a uma lógica local, portanto não contaminam nem são contaminadas pela política nacional. É claro que a lógica local é poderosíssima, mas a política nacional tem reflexos, sim, nas eleições municipais, sobretudo nas capitais e grandes cidades.
Por isso, tudo aquilo que pode atrapalhar uma vitória governista é empurrado para baixo do tapete, até que sejam apurados os resultados. Aí é outra história.
Em tempos recentes, dois episódios mostraram como os governos manipulam acontecimentos que acabam fraudando as esperanças da sociedade.
Em 1986, embriagado com a popularidade adquirida com o Plano Cruzado, o presidente José Sarney decidiu manter o congelamento de preços até depois da eleição, apesar do alerta dos economistas.
O PMDB elegeu todos os governadores menos um, o de Sergipe. No dia seguinte, o despertar foi amargo. O governo baixou o pacote do Plano Cruzado II, com aumento de preços e disparada da inflação.
Em 1998, embriagado com o sucesso do Plano Real e com a possibilidade de reeleição, o presidente Fernando Henrique decidiu manter o câmbio fixo até depois da eleição, também apesar do alerta de muitos economistas. Reeleito, teve que enfrentar crise externa e disparada do dólar.
Seu segundo mandato foi medíocre e se transformou numa sucessiva tentativa de administração de crises.
Por isso mesmo, é muito importante o recado contido na última pesquisa CNI/Ibope.
A estabilidade econômica é uma conquista da sociedade brasileira. Daí o temor com o aumento de preços, refletido no aumento de 10 pontos percentuais na desaprovação da atuação do governo no combate à inflação.
Já existe uma convicção firmada de que a inflação é um imposto perverso, que atinge mais pesadamente os mais pobres.
Esta pesquisa deve servir de alerta para muita gente do governo, que sustentava que um pouquinho de inflação não tem importância, contando que se mantenha o crescimento econômico.
Não existe isso de “um pouquinho de inflação”.
O segundo recado também é importante: a sociedade mantém em alta a confiança no presidente Lula: 72%. Isto significa que a população apóia a posição do presidente de não deixar que se afrouxe o combate à inflação.
O que se espera é que o presidente da República não manipule esta confiança da população para jogar os problemas para debaixo do tapete e só agir depois da eleição.
A decepção poderá ser maior do que a confiança atual.









Estudo da Confederação Nacional dos Municípios concluído às vésperas da atual campanha aponta que 286 cidades do país tiveram troca de prefeito desde 2004, sendo que 166 (58,25%) foram casos de cassação do mandato. Motivos: improbidade administrativa ou crime eleitoral. O Estado campeão em prefeitos que acabaram degolados por escândalos é a Bahia (20), seguido por São Paulo (19). Os demais casos se referem a morte, pedido de afastamento por doença ou arranjo para que o prefeito tentasse um outro cargo em 2006. Em Roraima ocorreu, percentualmente, o maior rodízio de cadeiras: quase metade dos prefeitos (46,7%) não são os que tomaram posse em 2005.
Replay
O levantamento mostra que 78% dos municípios poderão ter reeleição -4.347 de 5.562. As possibilidades são maiores em Roraima (93%), Rondônia (85%) e no Maranhão (83%). O menor índice é no Amazonas (63%).
Memória
A missa de sétimo dia da ex-primeira-dama Ruth Cardoso será realizada amanhã, às 11h, na capela do Colégio Sion, no bairro paulistano de Higienópolis.
Wally
Ovacionado na convenção do PT, Eduardo Suplicy tentou dar uma forcinha para José Genoino, que submergiu pós-mensalão. Conclamou a militância a aplaudir o deputado, "exemplo de mobilização", mas Genoino sumiu durante o discurso.
Quem mesmo?
A encrenca tucana acabou se refletindo ontem nas convenções dos nanicos PSL e PSC, que ocorreram simultaneamente na Assembléia. O primeiro vai de Geraldo Alckmin (PSDB), e o segundo, de Gilberto Kassab (DEM). Confusos, os militantes se embaralharam.
Em aberto
Luizianne Lins (PT) oficializou ontem a candidatura à reeleição em Fortaleza sem definir o vice e sem a presença de seu maior cabo eleitoral, o governador Cid Gomes (PSB). Mas, com 11 partidos na chapa, ela se gabou: "Agora sou vitrine".
Analgésica
Sobre a ausência de Cid, a petista foi logo explicando: ele não apareceu porque teve uma enxaqueca.
Consórcio
O movimento da bancada do PMDB da Câmara para defenestrar o ministro José Gomes Temporão conta com o silencioso apoio de Arlindo Chinaglia (PT-SP). O petista ajudaria a fazer de Michel Temer seu sucessor na presidência da Casa. Em troca, receberia apoio para ocupar a pasta da Saúde, onde espera terminar o mandato e, se possível, pavimentar o caminho para um vôo mais alto.
Como está fica
Mesmo com tanta gente balançando a roseira de Temporão, os próprios peemedebistas apostam que sua queda agora é improvável. Abrir uma vaga como essa na Esplanada em pleno período eleitoral, atiçando as várias alas do PMDB, não está nos planos de Lula.
Preventivo
O ministro da Previdência, José Pimentel, respalda a pressão da bancada petista contra a intenção de Sandro Mabel (PR-GO), relator da proposta de reforma tributária, de reduzir a alíquota de contribuição previdenciária para empresas de 20% para 14% sem dizer como será feita a compensação.
Febeapá 1
Tratadas como segredo de Estado desde que Solange Vieira assumiu o comando da Anac, as atas de reuniões da agência revelam mais discussões pueris do que grandes conspirações. Numa delas, em janeiro, a diretoria decidiu aprovar diárias para a delegação brasileira que atua na Oaci (Organização de Aviação Civil Internacional).
Febeapá 2
Por unanimidade, os diretores da Anac julgaram por bem alterar a rubrica que permitia as diárias de "recursos para a vida vegetativa" para "recursos para manutenção da delegação".
Tiroteio
O Carlos Crusius é a maior autoridade do governo gaúcho, o primeiro-ministro, e foi ele quem indicou a diretoria do Detran.
Do deputado estadual ELVINO BOHN GASS (PT), sobre a influência nos bastidores do marido da governadora Yeda Crusius (PSDB), que enfrenta um escândalo de corrupção no Detran.
Contraponto
Esses filhos rebeldes
Apontado como possível nome do PMDB para tentar suceder Roberto Requião no Paraná, o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes, luta para apaziguar os ânimos entre seu filho, o deputado estadual Reinhold Stephanes Jr., e Maurício Requião, irmão do governador.
Em reunião com a bancada paranaense para tratar das disputas internas do partido, Stephanes foi aconselhado a "colocar rédeas" no filho. Ele reagiu com bom humor à sugestão dos correligionários:
-Pois é, acho que todo ministro tem a sua Luciana Genro-, disse, lembrando que a filha do titular da Justiça não dá refresco ao governo Lula.
Droga!
Cláudio Guimarães dos Santos
Vamos tratar de um assunto espinhoso: a investigação das verdadeiras razões pelas quais as drogas são tão buscadas por nós humanos
O CRESCIMENTO exponencial do consumo de drogas, que é tanto maior quanto mais amplo for o significado atribuído à palavra, é um dos temas que mais preocupam a sociedade contemporânea. Curiosamente, o quase-consenso entre os especialistas de que a melhor maneira de diminuir esse consumo é o combate sem tréguas ao narcotráfico faz com que muitos deles se esqueçam -ou prefiram se esquecer...- de tratar de um assunto bem mais espinhoso: a investigação das verdadeiras razões pelas quais as drogas são tão buscadas por nós humanos.
Tal negligência parece-me notável, já que é precisamente a imensa demanda por drogas de todos os tipos -do álcool ao ecstasy, passando pelo videogame, pelos cultos fundamentalistas e pelos livros de auto-ajuda, sem esquecer, é claro, o "futebor"- que faz com que elas se transformem num problema tão importante. E por que isso ocorre?
A minha suspeita é que essa investigação só pode ser encetada por quem se disponha a colocar em xeque o próprio ethos consumista e competitivo que anima a sociedade em que vivemos. Mas, para tanto, é preciso coragem, pois balançar o alicerce mais bem protegido da nossa civilização pode trazer conseqüências desagradáveis para a saúde dos que ousarem fazê-lo. E coragem -sinto dizê-lo- é um "bem escasso" em nossos dias...
Tal investigação, evidentemente, não poderá jamais ser realizada com base no utilitarismo objetivista e "industriofílico" que predomina na ciência contemporânea, segundo o qual um "alto índice de produtividade acadêmica" é muito mais relevante do que a qualidade ou a originalidade do que, de fato, é produzido.
Com efeito, o que esperar de uma época em que muitos dos profissionais de saúde que tratam dos usuários de drogas (concebidas como "coisas ruins") acreditam, de forma ingênua, que as doenças mentais serão, um dia, inteiramente curadas por drogas (concebidas como "coisas boas")?
O que esperar dos alienistas cibernéticos, dignos êmulos de Simão Bacamarte, que se contentam em rotular o existir humano, incapazes que são de compreendê-lo, "medicalizando-o" até a náusea? Que se comprazem em atulhar de "transtornos mentais" a já abarrotada psicopatologia, na ânsia de adequá-la às exigências da moda e do mercado?
O que esperar desses herdeiros frustros de Paracelso, que são iludidos pelos conglomerados farmacêuticos e vivem sonhando com "pílulas da felicidade" capazes de tratar -para sempre e sem recaídas- o chamado "mal de vivre", que corrói a humanidade desde Adão (ou desde a australopiteca Lucy, para os que preferem um mito fundador "mais científico" para a nossa espécie)?
O que esperar desses tecnólogos do espírito, que primeiro se convencem de que as pessoas são computadores e depois se surpreendem quando elas agem -e reagem- como seres humanos?
O que esperar desses burocratas da alma, que desconhecem a riqueza conceitual de um Jung, de um Diel, de um Freud; que nada sabem das sutilezas psicológicas de um Stendhal, de um Flaubert, de um Machado; que jamais leram Platão, Hegel ou Heidegger; e que se curvam, por isso mesmo, maravilhados, ao didatismo superficialíssimo da terapia cognitivo-comportamental, essa "sopa" requentada das idéias de Skinner, entremeadas de cognitivismo mal digerido e temperadas com pitadas de neurociência "fashion"? O que esperar de tal visão da natureza humana? Quase nada.
E, todavia, é justamente nessa visão que a sociedade apavorada -e que não sabe mais para onde fugir, porque tem medo de si mesma- pretende jogar as últimas fichas. Incapazes de controlar os cidadãos por meio do famoso poder de polícia, os dirigentes da sociedade encurralada apelam para essa óptica psicofilosófica míope, na esperança vã de que ela possa auxiliá-los a encontrar algum tipo de "solução final" para o problema das drogas.
Buscam, então, eliminar com os traficantes também os incômodos consumidores -que nunca deveriam ter existido!...-, apondo-lhes um rótulo diagnóstico conveniente e relegando-os a alguma "gaveta" taxonômica, da qual, com um pouco de sorte, não sairão jamais, como se fossem lacrados numa (asséptica) câmara de gás...
(Agem, assim, tão tolamente quanto os adultos que hipersexualizam as crianças e depois se queixam da explosão da pedofilia...) Perante tudo isso, as pessoas de bom senso decerto lamentarão o estado deplorável em que nos encontramos. Contudo, não desanimemos! Sejamos "proativos e otimistas", como aconselham os "gurus" de plantão... Afinal, as coisas sempre podem piorar...
Mas que droga!
CLÁUDIO GUIMARÃES DOS SANTOS , 48, médico, psicoterapeuta e neurocientista, é escritor, mestre em artes pela ECA-USP e doutor em lingüística pela Universidade de Toulouse-Le Mirail (França).



No início da campanha, ex-prefeita pretende explorar a comparação entre sua gestão e a dos sucessores.



BRASÍLIA - Durante alguns anos, depois de deixar o poder, se não passou incólume, o general Ernesto Geisel parecia destinado a inscrever-se na crônica como um presidente da República que acertou mais do que errou. Afinal, tanto faz os motivos que o inspiraram, mas levantou a censura na imprensa escrita.
Iniciou o processo de abertura política e, até mesmo, nos últimos três meses de seu governo, revogou o Ato Institucional número 5. Na coluna do "haver", também pesam em seu crédito a sustentação da soberania nacional, quando bateu de frente com os Estados Unidos. A tentativa de inscrever o Brasil no clube nuclear. Uma política energética
nacionalista.
E mais a tomada pública de posição contra a tortura institucionalizada, depois do assassinato do jornalista Wladimir Herzog e do operário Manoel Fiel Filho nos porões do II Exército, em São Paulo. Um general de quatro estrelas foi demitido, tivesse ou não conhecimento dos horrores praticados à sua sombra. De quebra, Geisel livrou o movimento militar do general Silvio Frota, que despontava como presidenciável e era a encarnação do ditador irascível e truculento. O então ministro do Exército foi demitido numa verdadeira operação de guerra.
É claro que na coluna do "deve" muita coisa pesou. Censura à imprensa nos dois primeiros anos de seu governo, cassações de mandatos, decretação do recesso do Congresso, "pacote de abril", com abomináveis casuísmos políticos destinados à preservação do poder em mãos de um regime que já fazia água.
Sem falar na imposição do sucessor, general João Figueiredo, sem consulta a ninguém, nem mesmo ao Alto Comando do Exército. Até hoje há quem duvide de ter sido coincidência a morte, num espaço de nove meses, dos três principais adversários em condições de derrotar nas urnas futuras o sistema militar: Juscelino Kubitschek, João Goulart e Carlos Lacerda.
O diabo, para Geisel é que depois de sua morte surgiu a denúncia do jornalista Elio Gaspari, aliás, seu amigo pessoal, através da divulgação, em livro, de uma gravação. Nela, em conversa como o general Dale Coutinho, o presidente da abertura defendia a eliminação física de adversários do governo, por agentes do governo. Quer dizer, justificou assassinato puro e simples daqueles que tentavam derrubar o regime, seja lá porque método fosse.
O ídolo foi mostrado com os pés de barro. Se não surgirem, como não surgiram até agora, contraditórios ou desmentidos eficazes, vai para o espaço a imagem do penúltimo general-presidente.
João Figueiredo, o último, foi uma espécie de Macunaíma do sistema militar. Espertíssimo, tanto que serviu a todos os antecessores, inimigos entre si. Coronel chefe da Agência Central do SNI no governo Castelo Branco, general chefe do Estado-Maior de Garrastazu Médici no comando do III Exército, no governo Costa e Silva, chefe do Gabinete Militar do presidente Médici, chefe do SNI do presidente Geisel, o último general-presidente era competente. Tríplice coroado, quer dizer, primeiro aluno em todos os cursos castrenses de que participou, buscava transmitir uma imagem antiintelectual, antes e depois de assumir o poder. Preferia cheiro de cavalo a cheiro de povo. Fingia-se de grosso, adepto dos palavrões.
Mas logo que instalado no palácio do Planalto, levantou a censura no rádio, na televisão e nas publicações que faltavam. Mandou ao Congresso projeto de anistia aos cassados e estimulou a volta de todos os exilados. "Lugar de brasileiro é no Brasil", afirmou ao assistir pela televisão o retorno de Leonel Brizola, Luis Carlos Prestes, Miguel Arraes e mais um monte de exilados, dos que se opunham retoricamente e dos que pegaram em armas para mudar as instituições.
Ia tudo dando certo quando a direita mostrou outra vez a pata. Atentados a bancas de jornal e a livrarias que passaram a vender literatura de esquerda; bombas em automóveis e residências de líderes da oposição; cartas-bomba enviadas à Ordem dos Advogados do Brasil. À Associação Brasileira de Imprensa e à Câmara de Vereadores do Rio de Janeiro.
Finalmente, a tentativa de explosão do Rio Centro, durante a realização de um show de música popular organizado por artistas de nítida postura oposicionista. Teria sido um massacre de centenas de jovens, não fosse a certeza de que Deus é mesmo brasileiro. Um dos petardos explodiu por antecipação, no colo de um capitão e de um sargento do Exército, no carro em que tentavam armá-lo. Um morreu, outro sobreviveu ambos integrantes do famigerado CIEX, núcleo do terrorismo de estado.
Foi o divisor de águas, responsável até pela demissão, a pedido, do general Golbery do Couto e Silva, chefe do gabinete Civil, que exigia a apuração e a punição dos responsáveis, do capitão aos generais. Figueiredo hesitou e cedeu. Como expor seus companheiros, que governavam com ele? De que maneira arriscar-se a punir seus ministros, porque a linha de apuração dos fatos chegaria até eles? Engendrou-se uma farsa, atribuindo-se aos comunistas aquilo que o sistema fazia. Agora, com a conivência do chefe...
Do Rio Centro ao final do seu mandato, atingido por grave enfarte e mil outras somatizações da impotência política, João Figueiredo transformou-se na sombra daquilo que uma vez pretendeu ser e quase conseguiu: o general-presidente responsável pela devolução da democracia do Brasil. Com a eleição de Tancredo Neves e a posse de José Sarney, encerrava-se o ciclo militar iniciado há quarenta anos.









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Foto: Ana Araujo |




Projeto na Fazenda Ceres, em Piraju, acumula denúncias, não tem lavouras e está com instalações em ruínas
O assentamento idealizado pelo deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho da Força Sindical, em Piraju, a 330 quilômetros de São Paulo, virou modelo de desperdício do dinheiro público. Os 302 alqueires da Fazenda Ceres adquiridos por R$ 2,3 milhões deveriam garantir a subsistência de 72 famílias de pequenos agricultores sem-terra. O projeto, envolvido num emaranhado de denúncias, fracassou. Na área se encontra de tudo pedras, capoeiras, mato alto, capim braquiária, instalações em ruínas menos lavouras. A maior parte das famílias assentadas voltou a trabalhar como bóia-fria em fazendas da região.
Não fosse pelas casas de alvenaria, dotadas de água encanada e de um sofisticado, e desnecessário, sistema de aquecimento solar, a vila construída ao custo de quase R$ 1 milhão para abrigar os assentados seria uma favela rural. As ruas não têm iluminação nem calçamento e ficam intransitáveis quando chove. Não há coleta de esgoto e as fossas-negras contaminam o subsolo. Faltam escola, posto de saúde, estabelecimentos comerciais e transporte: na ida e volta à cidade, os moradores têm de caminhar 10 quilômetros. Apenas os alunos têm condução fornecida pela prefeitura.
O projeto já começou errado. O Ministério Público Federal acusa Paulinho e outras 11 pessoas de terem superfaturado a compra da fazenda em pelo menos R$ 1 milhão, dinheiro que teria sido desviado em proveito dos acusados. Cerca de 50% da área, segundo o Ministério Público, não se presta à agricultura e foi adquirida mesmo com o conhecimento desse fato.
Passados seis anos, os próprios assentados estão convencidos de que o projeto ruiu. "Se for depender daqui a gente não vive", diz o assentado José Domingues dos Santos, de 45 anos. Ele trabalha como bóia-fria a R$ 20 por dia, quando tem serviço. Dos 8 filhos, Fabiano, de 22, é o único que trabalha, mas fora do assentamento. O lote de 4,6 alqueires está coberto pelo mato. "Se eu puser dinheiro lá, não sobra para a comida."
Santos conta que, há três anos, o Programa Nacional de Agricultura Familiar (Pronaf) do Ministério do Desenvolvimento Agrário liberou R$ 8 mil por assentado para um projeto de galinhas poedeiras. A verba saiu para a entidade que administra o assentamento, a Associação de Agricultores Familiares Força da Terra de Piraju, que forneceu apenas o material para a construção dos galinheiros. "Não vi a cor do dinheiro, mas fiquei com a dívida para pagar", afirma o assentado. Ele se tornou inadimplente. No galinheiro, que nunca recebeu poedeiras, foi improvisada a casa de Fabiano, que é casado e tem um filho.
O tesoureiro da associação, Cristiano Fernandes, de 35 anos, conta que também foi obrigado a procurar trabalho fora. Com verba do Pronaf, ele construiu uma estufa nos fundos do lote, mas foi autuado pelo Departamento Estadual de Proteção dos Recursos Naturais (DEPRN) por ser área ambiental. A estufa foi embargada e, acusado de crime ambiental, ele fez acordo com o Ministério Público. "Tive de plantar 90 árvores."
Fernandes conta que Paulinho fez de tudo para salvar o assentamento. "Ele até pagou o Serasa para limpar o nome do pessoal e conseguiu que o Pronaf bancasse os projetos." A associação recebeu verbas para fomentar a produção de hortaliças, frangos, ovos e legumes em estufa. Nada foi adiante: as estufas estão em ruínas e aviários são usados para criar porcos e cabras.
"Os projetos pararam porque houve irregularidades na compra do material e na prestação de contas", conta Fernandes. Os assentados nunca pagaram um centavo do valor da terra e das benfeitorias, e a maioria dos que tomaram financiamentos está inadimplente.
O assentado Ednilson de Camargo, de 41 anos, acusa a associação de perseguir quem produz. "Querem me excluir porque dizem que tenho um patrimônio de mais de R$ 50 mil, mas ninguém vê que levanto de madrugada e trabalho até a noite." Ele adquiriu um trator, uma colheitadeira, um carro e vários implementos, tudo usado. Camargo faz lavoura e ainda aluga as máquinas para produtores de fora. No seu lote, colheu 250 sacas de milho e faturou R$ 6,3 mil que vai investir na reforma de outro trator velho. "Quem entra aqui e melhora fica visado", diz.
É o que está acontecendo com o assentado Airton Oliveira. Ele montou por conta própria um conjunto de estufas onde cultiva hortaliças que vende na cidade. Progrediu, mas está ameaçado de expulsão. "A situação dele é irregular porque comprou os direitos de outro assentado à revelia da associação", afirma o tesoureiro Fernandes. O problema é que há mais de dez assentados na mesma situação. Apenas um, Leandro Aparecido Batista, foi excluído. Outros simplesmente fecharam as casas e se mudaram para a cidade.
O tesoureiro acredita que só uma mudança na forma de exploração pode salvar o assentamento. "Ao invés de trabalhar em conjunto, pretendemos organizar o trabalho individual, em lotes de até 2 alqueires." Fernandes admite que as terras não eram as mais adequadas para o assentamento. "Tem muita pedra e até tentamos explorar uma pedreira, mas o meio ambiente não autorizou."
Ele também não entende por que se construiu a vila com 72 casas, se já havia 32 moradias de bom padrão na fazenda, entre elas a casa-sede. A casa-sede e as moradias dos colonos estão, agora, em completa ruína. Também se perderam os currais, a usina de beneficiamento de café e terraços de secagem benfeitorias incluídas no valor pago pela fazenda. A dívida total do projeto já beira os R$ 6 milhões.
Partido disputará 20 capitais, até contra nomes governistas mais fortes, e investe para enfraquecer Serra e Aécio
O quadro da disputa pelas prefeituras das 26 capitais não deixa dúvida de que o PT atuou em duas frentes, de olho em 2010. Além de usar a montagem dos palanques municipais para manter sua hegemonia na base governista, o partido operou para enfraquecer seus dois principais adversários na sucessão presidencial: os governadores tucanos de São Paulo, José Serra, e de Minas, Aécio Neves.
Foi o que deixou claro a cúpula do PT, incluindo aí o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, quando decidiu lançar candidato próprio em 20 capitais, a despeito da pressão dos aliados para compor onde a opção petista não era a favorita na disputa. Quem acompanhou de perto a movimentação do presidente no processo eleitoral sabe que, na prática, ele só interferiu em uma capital - São Paulo empenhando-se para fortalecer a candidata de seu partido, Marta Suplicy. E não foi por acaso.
Lula sabe que o sucesso de Marta na capital paulista pode render uma vitória tripla ao partido. Além de enfraquecer a pré-candidatura presidencial de Serra, impõe uma derrota aos dois principais partidos de oposição: o PSDB, que disputará a prefeitura com Geraldo Alckmin, e o DEM, que trabalha para reeleger o prefeito Gilberto Kassab.
"Nossa vitória em São Paulo consolidará a vitória do PSDB no País", prevê o presidente nacional do partido, senador Sérgio Guerra (PE). "Se não vencer em São Paulo e no Rio, a oposição sairá das urnas menor do que entrou", adverte o líder do PSB no Senado, Renato Casagrande (ES), queixoso do "comportamento inflexível do PT" com os aliados.
BLOQUINHO
Todos entendem que a eleição municipal é o momento de os partidos investirem em candidaturas próprias para crescer. Mas é a sucessão presidencial que explica a razão dos ouvidos moucos da direção nacional do PT aos apelos sem muita convicção de Lula em favor dos aliados. O presidente sugeriu que seu partido compusesse em várias cidades com as legendas do chamado bloquinho (PSB, PDT e PC do B), aliadas tradicionais dos petistas no Congresso e nos palanques Brasil afora.
Foi para tentar um acerto em torno das prefeituras de Belo Horizonte, Manaus, Rio de Janeiro e São Paulo que Lula reuniu, no Palácio da Alvorada, líderes e presidentes dos quatro partidos. O único resultado desse encontro foi um entendimento para beneficiar o PT paulistano de Marta Suplicy. O PC do B abriu mão de lançar o deputado Aldo Rebelo, agora vice de Marta, na expectativa de colher boa vontade dos petistas nas outras três capitais. Mas o presidente nacional do PT, deputado Ricardo Berzoini (SP), não moveu um dedo para ajudar socialistas e comunistas.
Nem mesmo em Belo Horizonte, onde o prefeito petista Fernando Pimentel apóia a candidatura de Márcio Lacerda, do PSB. O governador de Pernambuco e presidente nacional do PSB, Eduardo Campos, esticou a corda o quanto pôde. Ameaçou até lançar candidato contra Marta Suplicy em São Paulo, depois de acenar com a possibilidade de uma aliança, com a deputada Luiza Erundina (PSB) na vice. Em vão.
O PT se recusou a permitir a participação oficial do PSDB de Aécio na chapa do socialista Lacerda, em Belo Horizonte. Mais: rejeitou qualquer aliança para reeleger o prefeito de Manaus, Serafim Corrêa (PSB), embora os socialistas apoiassem candidatos petistas a prefeito das capitais dos três Estados que o partido governa: Rio Grande do Norte, Ceará e Pernambuco. "O PT só gosta de aliança para ser apoiado", protestou Eduardo Campos à época.
CASO MOLON
Também foram inúteis as múltiplas propostas de apoio cruzado no Rio de Janeiro, a despeito da fragilidade eleitoral do deputado estadual petista Alessandro Molon. Ali, a batalha do bloquinho foi para que o PT apoiasse a candidatura de Jandira Feghali (PC do B), que depois de quatro mandatos de deputada saiu da briga por uma vaga no Senado, em 2006, com 2,7 milhões de votos, contra os 3,3 milhões de votos que deram a vitória a Francisco Dornelles (PP). Na eleição que lhe garantiu uma cadeira na Assembléia Legislativa do Rio, Molon obteve 85.798 votos.
Jandira queria Molon em sua chapa, como candidato a vice, mas nenhum representante da direção nacional do PT lhe fez qualquer apelo para que abrisse mão de uma candidatura com poucas chances de vitória.
O fracasso dessas negociações entre os governistas explica o porquê de o PT ser, disparado, o recordista de candidaturas próprias nas capitais. Nem o PMDB, maior partido e estruturado em 4.301 dos 5.564 municípios, tem tantos candidatos a prefeito de capital. Nas eleições de 5 de outubro, serão 13 peemedebistas contra 20 petistas. "A prioridade do PMDB não é a vitória em nenhuma cidade em particular, mas o bom desempenho no conjunto do País, para que o partido se mantenha como força política imprescindível a qualquer governo", diz o presidente nacional da legenda, deputado Michel Temer (SP).
Em seguida ao PT e ao PMDB vêm os dois maiores partidos de oposição: o DEM, que também encabeça a chapa em 13 capitais, e os tucanos, em 11. "Nosso parceiro preferencial continua sendo o PSDB, mas a vontade regional falou mais alto que a vontade nacional e as questões locais prevaleceram", resume o presidente nacional do DEM, deputado Rodrigo Maia (RJ). Entre as legendas menores da base governista, o PSB vem em terceiro lugar, com sete candidatos a prefeito, empatado com o PPS, que faz oposição ao Planalto.
Para PF, deputado desviou FAT
O presidente da Força Sindical, Paulo Pereira da Silva, também é investigado pela Polícia Federal em esquema de desvio de verbas liberadas pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT) para ministrar cursos profissionalizantes na região. Segundo a PF, a Força contratou a Fundação João Donini, com sede em Piraju, para formatar os cursos e arregimentar alunos. O contrato, de 2002, valia R$ 215 mil, mas não houve licitação.
De acordo com o inquérito aberto em 2005 pela PF de Marília, após a análise dos documentos de 1.039 inscritos, foi constatado que 342 tinham sido matriculados mais de uma vez para o mesmo curso. Foram detectados ainda 524 CPFs em branco e cursos que não teriam sido realizados. Também foram descobertos documentos de pessoas que já estavam mortas e que teriam sido inscritas para garantir o número mínimo de participantes necessário para a liberação da verba.
A PF apurou que no quadro de funcionários da fundação não havia pessoal habilitado para ministrar os cursos. Um dos professores, Paulo Sérgio Furlan Braga, confirmou à reportagem que recebeu recomendação para anotar a freqüência a lápis. Ele disse que as auditorias eram informais e feitas por pessoas ligadas à Força, como o cunhado de Paulinho, Gilvásio da Costa.
A fundação deixou de funcionar logo após as denúncias. O presidente João Donini informou que já prestara esclarecimentos à PF. No inquérito, ele alegou que os serviços tinham sido auditados e aprovados. Paulinho e seu cunhado não se manifestaram.
Fazenda Ceres foi adquirida por R$ 2,3 milhões, mas segundo avaliação do Ministério Público valor deveria ter sido de no máximo R$ 1,2 milhões
O projeto de assentamento da Fazenda Ceres teve início em 2001, com a compra da propriedade por R$ 2,3 milhões - R$ 7,5 mil por alqueire. Na época, a Força Sindical tinha feito convênio com o Banco da Terra para atender as 72 famílias. O presidente da Força, deputado Paulo Pereira da Silva (PDT-SP), o Paulinho, tem ligações com Piraju - sua mulher é da cidade.
O Ministério Público Federal concluiu que a área teve um sobrepreço de 77,3%, uma vez que seu valor máximo deveria ter sido estabelecido em R$ 1.297.464. Perícia realizada pelo Incra e pela Fundação Itesp apontou que o valor venal da fazenda na época da venda era de R$ 1.464.561,63.
O juiz federal João Eduardo Consolim, da 1ª Vara Federal de Ourinhos (SP), recebeu denúncia oferecida pelos procuradores da República Antônio Arthur Barros Mendes e Célio Vieira da Silva e abriu processo contra Paulinho e mais 11 pessoas pelos crimes de estelionato, falsidade ideológica e falsificação de documentos. Entre os acusados estão o assessor de Paulinho, João Pedro de Moura, e o então prefeito de Piraju, Maurício de Oliveira Pinterich (PSDB), atual subprefeito do Butantã, em São Paulo. À época, ele presidia a Associação dos Municípios do Vale do Paranapanema (Amvapa). Todos tiveram os bens bloqueados.
Com sua eleição para deputado, Paulinho passou a ter o benefício do foro privilegiado. A ação criminal contra ele foi transferida para o Supremo Tribunal Federal (STF). Caso deixe o posto na Câmara por conta da recente denúncia de desvios de recursos do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), perderá também o foro privilegiado.
Os outros réus têm interrogatório marcado para o próximo mês, em Ourinhos. Todos respondem também a ação cível que visa à recuperação do dinheiro que teria sido desviado.
O ex-presidente da Amvapa, Maurício Pinterich, disse que a denúncia de superfaturamento é infundada. "Apresentei 62 documentos que contestam frontalmente a versão do Ministério Públio Federal." Entre eles, publicação do Instituto de Economia Agrícola atribuindo às terras da região valor de R$ 10 mil por hectare. Ele disse que não participou diretamente do negócio. "Como presidente da associação, não me competia autorizar a compra." Pinterich lamentou a demora do processo. "Tudo o que eu queria era provar logo que não fiz nada errado." Para ele, a denúncia foi política e prejudicou o projeto. "Outros assentamentos da região são bem sucedidos."
Contatado por sua assessoria de imprensa, Paulinho informou que não se manifestaria sobre o caso. Moura não foi encontrado.







Líder negro se emocionou ao ouvir a multidão cantando 'Parabéns para você'
Mais de 50 mil pessoas se reuniram nesta sexta em Londres para comemorar os 90 anos de um dos maiores personagens do século XX: o ex-presidente da África do Sul, Nelson Mandela.
Mandela caminhou com dificuldade pelo palco onde astros da música pop se apresentaram. O aniversário mesmo é em 18 de julho, mas a festa antecipada lotou o Hide Park.

Mandela é um símbolo da luta dos sul-africanos contra o Apartheid, o regime que negava aos negros qualquer direito civil.
Depois de 27 anos na prisão, ele foi eleito presidente e liderou a transformação da África do Sul num regime multi-racial. Quando deixou a presidência, passou a se dedicar à luta contra a Aids.
Hoje, reverenciado como um herói da luta pela liberdade, Nelson Mandela se emocionou ao ouvir a multidão cantando 'Parabéns para você'.


Dizendo que Barack Obama já é "mais popular do que Jesus Cristo e Angelina Jolie", o Gawker reuniu as capas com o democrata até aqui, só nos EUA. E ainda faltam mais de quatro meses para a eleição.