Prezados Leitores:
Por insuficiencia de espaço este blog tem um novo
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o nome do blog continua o mesmo: OPINIÃO PÚBLICA
Aguardo a visita e o apoio de vocês. Os blogueiros que
me honram com
link e desejam mantê-lo, peço o obséquio de
promover a alteração da
URL : http://opiniaopublica2.zip.net/



O bispo-senador ataca a lei anti-homofobia, mas diz que punirá os homófobos. Nunca foi a um desfile, mas diz que sairá na comissão de frente. E diz que não nomeará secretários da Iurd, como se religião tivesse carteira assinada.
Do prefeito CESAR MAIA (DEM), para quem a "Carta ao Povo do Rio", de Marcelo Crivella (PRB), "é um caso singular de travestismo eleitoral".
Contraponto
Adivinhe quem é
A arrastada novela da indicação do vice da chapa de Luizianne Lins foi, durante semanas, o assunto mais discutido na Câmara de Fortaleza. A prefeita petista, que disputará o segundo mandato com ampla aliança, recusou vários pretendentes até indicar, na última hora, o presidente municipal de seu partido, Raimundo Ângelo.
Anunciada a decisão, o vereador Mário Hélio (PMN) perguntou ao presidente da Casa, Tin Gomes (PSB), um dos preteridos por Luizianne:
-O senhor já sabe quem é o vice?
-Mas não é o Raimundo?, devolveu Gomes, intrigado.
-Não, é o Fluminense...
Marta declara patrimônio 60% maior que o de 2004
Os quatro principais candidatos à Prefeitura de São Paulo Marta Suplicy (PT), Geraldo Alckmin (PSDB), Gilberto Kassab (DEM) e Paulo Maluf (PP)declararam ao TRE (Tribunal Regional Eleitoral) um patrimônio total de R$ 55 milhões.
A candidata que teve melhor desempenho nas finanças pessoais nos últimos quatro anos foi a ex-prefeita, que saiu de R$ 6,3 milhões em 2004 (em valores já corrigidos pelo IPCA) para R$ 10,1 milhões em 2008 aumento real de 60,6%, informa nesta terça-feira reportagem de Rubens Valente, Catia Seabra e Conrado Corsalette, publicada pela Folha (íntegra disponível para assinantes do UOL e do jornal).
Segundo a reportagem, os candidatos Gilberto Kassab, com R$ 5,1 milhões, e Geraldo Alckmin, com R$ 736 mil, mantiveram seus patrimônios estáveis. O candidato mais rico dos quatro principais candidatos, Paulo Maluf, "empobreceu", pelo menos na declaração apresentada ao TRE. Baixou de R$ 42 milhões em 2006, em valores corrigidos pelo IPCA, para R$ 39,1 milhões.
À Folha, a candidata do PT à sucessão paulistana, Marta Suplicy, afirmou ontem, por meio da assessoria, que seu aumento patrimonial no período 2004-2008 tem três origens: a herança recebida após a morte dos pais, o dinheiro recebido pela venda de bens da família e o rendimento das aplicações financeiras que tem.
Maluf tem patrimônio maior entre candidatos
Ricardo Brandt e Silvia Amorim
Bens declarados do deputado do PP ultrapassam R$ 39 milhões
O deputado federal Paulo Maluf (PP) é o candidato mais rico entre os 11 que disputam a Prefeitura de São Paulo. O registro oficial das candidaturas, fechado ontem pela Justiça Eleitoral, mostra que seu patrimônio declarado equivale ao dobro de toda a riqueza acumulada pelos demais candidatos da disputa.
O empresário, engenheiro e político Paulo Salim Maluf apresentou uma lista de 42 bens que, juntos, somam um patrimônio oficial de R$ 39,1 milhões. Os demais candidatos declaram um patrimônio total de R$ 19,6 milhões.
Prefeito de São Paulo por duas vezes (1969 a 1971 e 1993 a 1996), governador do Estado entre 1979 e 1982, deputado federal entre 1983 e 1987 e novamente eleito em 2006, Maluf listou entre seus bens 11 imóveis, dois veículos, ações de suas empresas, como a Eucatex, e diversas contas e investimentos. Ao todo são 42 itens relacionados em duas folhas entregues ao Tribunal Regional Eleitoral.
Filho de imigrantes libaneses, de uma família de ricos industriais, Maluf sempre encabeçou as listas de patrimônio das disputas das quais participou. Já teve sua vida devassada por investigações do Ministério Público, que aponta suposto enriquecimento ilícito. Ele sempre negou qualquer irregularidade nos negócios da família.
MILIONÁRIOS
Entre os 11 nomes que estão na disputa sucessória em São Paulo, outros três declaram um patrimônio que ultrapassa R$ 1 milhão: a ex-prefeita Marta Suplicy (PT), o prefeito Gilberto Kassab (DEM) e o administrador Ciro Moura (PTC).
A ex-ministra do Turismo, que já foi prefeita da capital e deputada federal, tem a segunda maior fortuna entre os candidatos. Em sua declaração de bens entregue ao TRE lista um patrimônio de R$ 10,4 milhões. Ela tem ao todo 31 itens, sendo 18 deles relacionados a imóveis, ações de empresas, contas bancárias e aplicações financeiras.
Oriunda de tradicional e rica família paulista, a ex-prefeita tem como seu bem mais valioso uma aplicação feita no Banco UBS Pactual, no valor de R$ 4,2 milhões.
O prefeito Gilberto Kassab declarou um patrimônio de R$ 5,1 milhões. A lista de bens, no entanto, é curta. Foram listados um imóvel, onde ele mora atualmente, avaliado em R$ 743 mil, dois veículos importados, cotas de capital das empresas Yapê e contas em bancos e aplicações financeiras. São ao todo oito itens.
O quarto da lista de milionários é Ciro Moura, que afirmou ter um patrimônio de R$ 1,7 milhão. Ele listou 17 itens em seus bens, entre eles, 11 imóveis, quatro veículos, cotas de uma empresa de assessoria empresarial e investimentos.
Ligado ao ex-presidente Fernando Collor, o administrador de empresas já disputou duas vezes a Prefeitura de São Paulo, em 2000 e em 2004. Concorreu também como candidato a governador do Estado em 1994 e 2002 e como deputado federal em 2006.
Apesar de ser um dos quatro milionários da disputa sucessória, Moura registrou sua coligação com o sugestivo nome de Tostão Contra o Milhão.
EX-GOVERNADOR
O ex-governador do Estado e segundo colocado nas pesquisas eleitorais até o momento Geraldo Alckmin (PSDB) declarou à Justiça Eleitoral um patrimônio de R$ 756 mil. Ele elencou 13 bens, sendo seis imóveis, dois veículos, participações de uma firma, algumas cabeças de boi além de ações e investimentos.
NANICOS
Entre os candidatos nanicos da disputa eleitoral, a candidata do PCO é a mais pobre. Anaí Caproni, funcionária dos Correios, ligada à Sindical Nacional da Causa Operária, listou como seu patrimônio um único bem: um veículo Fiat Uno ano 2005, avaliado em R$ 15 mil.
Bem diferente de seus adversários mais abastados que, em termos de veículos, preferem os importados. Maluf, por exemplo, tem em seu nome um Porsche 1979, uma raridade, e um super esportivo Mitsubishi 3000 GT. Kassab também listou Passat importado e um Toyota Corolla blindado - este último avaliado em R$ 80 mil.
Já a candidata do PPS, Soninha, cujo patrimônio é de R$ 131 mil, não deixou de elencar entre seus bens sua Vespa, avaliada em R$ 1.800.
O candidato do PRTB, Levy Fidelix, que em 1994 já disputou a Presidência da República e ficou conhecido pela proposta de criação do aerotrem - feita nas mais de nove disputas eleitorais das quais participou -, é o segundo candidato mais pobre da disputa municipal. Segundo sua declaração de bens ele possui patrimônio de R$ 107 mil.
O candidato do PCB, o professor universitário Edmilson Costa, também declarou um único imóvel como seu bem. A lista de bens entregue à Justiça Eleitoral é feita pelos próprios candidatos.


"O lulismo se especializou em surrupiar as glórias nacionais. Agora está tentando surrupiar a principal delas: o nosso longo histórico de alegre e sincera subalternidade. É bom lembrar: nós já éramos obstinadamente servis antes de Lula, e permaneceremos assim depois dele"
Lula - ?
É isso que consta na lista de pagamentos do empreiteiro Zuleido Veras, dono da Gautama, preso no ano passado. O nome de Roseana Sarney, que também faz parte da lista, é seguido por um número: 200 000. O nome do tio de Roseana, o "Gaguinho", é seguido por outro número, bem mais modesto: 30 000. E Lula? Lula, no momento em que a lista foi feita, no começo da última campanha eleitoral, ainda era um ponto a ser respondido. Um ponto particularmente importante, sublinhado. Ninguém sabe se Lula acabou recebendo algum número da Gautama. Pior: ninguém se interessou em saber. Duas semanas atrás, VEJA reproduziu a lista de pagamentos do empreiteiro, que está em poder da PF, contendo o nome de Lula. O resto da imprensa ignorou o assunto. O Congresso Nacional ignorou o assunto. Os leitores ignoraram o assunto.
A idéia de que é perfeitamente inútil continuar a denunciar Lula se alastrou por aí. Leio uns dez blogueiros amargurados por dia dizendo que ele é imune a tudo. Que o Brasil está rendido. Que está entorpecido. Que está em coma. Na falta de outros argumentos, esse acabou se transformando também no maior fator de orgulho para os lulistas. Eles sempre se gabam do fato de Lula conseguir manter-se imensamente popular a despeito de todas as ilegalidades de que é acusado. Mas esse é um grande embuste. E eu me recuso a aceitá-lo. O lulismo se especializou em surrupiar as glórias nacionais. Agora está tentando surrupiar a principal delas: o nosso longo histórico de alegre e sincera subalternidade. É bom lembrar: nós já éramos obstinadamente servis antes de Lula, e permaneceremos assim depois dele. Quem Lula pensa que é? Em 1937, Getúlio Vargas deu seu golpe de estado. Poucos meses depois, os sambistas se acotovelavam para determinar quem conseguia lamber as botas do ditador de maneira mais degradante:
Surgiu Getúlio Vargas,
O presidente brasileiro,
Que entre seus filhos
Como um herói foi o primeiro.
Essa marchinha foi composta por Zé Pretinho. Encontrei-a na página da internet do ministro da Propaganda de Lula, Franklin Martins, um dos maiores estudiosos do nosso cancioneiro político. É muito apropriado que, nestes últimos anos, Franklin Martins tenha se tornado um símbolo do adesismo da imprensa lulista, um Zé Pretinho do jornalismo. Recomendo uma atenta consulta à sua página. Há desde a ode à Petrobras ("Brasil, meu Brasil / Vais crescer ainda mais / Com a Petrobras") até a embolada em defesa da prática do nepotismo ("O meu irmão / Pru sê um moço de talento / Punha no Saninhamento"), que deve ser especialmente estimada por Franklin Martins.
Quando algum lulista vier importuná-lo ostentando a popularidade de Lula, pegue o bandolim e entoe o sambinha getulista:
Brasil, meu Brasil de verde mar,
Gigante que desperta de um sono secular.
Brasil, orgulho do brasileiro,



BRASÍLIA - Não demora o dia em que o presidente Lula precisará passar de público a reprimenda que vem fazendo chegar, em particular, aos dirigentes nacionais do PT. Porque o partido dá mostras de querer transformar uma situação obviamente subalterna diante do chefe do governo numa tertúlia capaz de fazer-lhe ocupar espaços perdidos faz muito. Antes, mesmo, da vitória de seu fundador maior em 2002. Porque se o PT é Lula, ao menos na teoria, Lula deixou de ser apenas o PT, há tempos.
Não se trata de ciúme por ter sido o presidente, para governar, obrigado a convocar partidos dispostos a apoiá-lo, claro que em troca de nomeações e favores. O conflito é mais profundo, à medida que os companheiros julgam-se síndicos, não apenas condôminos do poder. Acontece que o dono do prédio, muito mais do que o síndico, é quem decide sobre o preço dos aluguéis, a contratação de funcionários, o pagamento de impostos e a elevação do condomínio.
Sustenta os dirigentes do PT ser a legenda o criador, e Lula, a criatura. Só que não é bem assim. Tanto que, no governo, o presidente atropelou mais da metade do programa do partido, adotando iniciativas neoliberais que fariam implodir o PT nos anos iniciais de sua fundação, caso anunciadas.
Aproxima-se, com a sucessão presidencial, o confronto maior: o presidente Lula quer Dilma Rousseff como candidata, pelo menos até o momento em que ficar comprovada a inviabilidade das chances da chefe da Casa Civil. Se isso acontecer, como parece provável, lançará a culpa no PT, que não teria se empenhado a contento na construção da candidatura. Só que o PT reagirá como já vem reagindo. Pretende senão o monopólio, ao menos a prevalência na seleção do candidato.
Como estamos no Brasil, país das incoerências e das contradições haverá uma saída capaz de unir os dois pólos dessa equação: o terceiro mandato, que não acontecerá sem o empenho do PT, mas, em contrapartida, só se viabilizará com o compromisso do presidente Lula de dar ao PT mais do que o partido vem recebendo. Complicado, mas, ironicamente, muito simples...
Começa esta semana o mais longo dos périplos já percorridos pelo presidente Lula. Ele irá ao Vietnã, ao Timor Leste, à Indonésia e ao Japão. Com a peculiaridade de fazer-se acompanhar por comitivas variadas. Empresários e experts nas relações com cada um desses países não estão convidados para os outros, tanto que à exceção de alguns auxiliares, ninguém viajará no Aerolula. Cada um que providencie sua passagem para as capitais desses países, bastando-lhes a honra de ter sido incluídos na comitiva, com direito à participação em reuniões e recepções.
Está certo o governo ao não promover uma Arca de Noé, até porque os empresários selecionados ficarão honradíssimos com o fato de suas empresas arcarem com as despesas. Quanto a fazer novos negócios, serão impulsionados pela presença do presidente, mas será cada um por si.
Em Tóquio, pela reunião dos presidentes e chefes de governo dos países ricos, mais os representantes de Brasil, Índia, China e África do Sul, o presidente Lula terá oportunidade de confirmar o que prometeu dias atrás: pedir explicações à secretária de Estado americana, Condoleesa Rice, a respeito da criação da Quarta Frota da Marinha dos Estados Unidos, encarregada de patrulhar as costas da América do Sul.
Não deixa de haver coincidência entre essa iniciativa militar dos irmãos do Norte e o anúncio feito pelo Brasil, da descoberta de monumentais campos de petróleo em nosso litoral. Métodos militares têm sido a estratégia do governo de Washington para garantir seus suprimentos de combustível, como demonstra a invasão do Afeganistão, do Iraque e, possivelmente, no futuro próximo, do Irã.
Especula-se a respeito da resposta de dona Condoleesa, se a interpelação vier mesmo a ser feita. Afinal, a Quarta Frota não navegará no mar territorial brasileiro, mas alguns metros para lá, ou seja, a secretária poderá dizer que o assunto não nos diz respeito...
Defende o senador Morazildo Cavalcanti a criação de uma CPI destinada a examinar a Amazônia e seus problemas. Para ele, é preciso acabar com a criação de montes de leis e regulamentos de mentirinha, que o governo anuncia, mas não executa bem como o besteirol do ministro Carlos Minc, de caçar bois na floresta. Uma Comissão Parlamentar de Inquérito que ouça universidades, centros de estudo, governadores, ministros e instituições empenhadas na região poderiam redundar num projeto global de ação para desenvolver e garantir a Amazônia.
O problema é que o governo já designou o ministro do Futuro, Mangabeira Unger, para coordenar o Programa Amazônia Sustentável. Senão redundante, a iniciativa do senador logo bateria de frente com a missão do ministro, não propriamente a pessoa indicada para enfrentar os problemas atuais da região, senão os futuros. Mesmo assim, a situação da Amazônia é tão aguda que melhor será sobrar e não faltar diagnósticos.
Casal Kirchner entra em crise
BUENOS AIRES - "La presidenta soy yo, carajo!" (A presidente sou eu, caralho!). Esta teria sido uma das várias furiosas frases que a presidente Cristina Kirchner teria disparado nos últimos dias contra seu marido, o ex-presidente Néstor Kirchner. O motivo: a intromissão excessiva do "primeiro-cavalheiro" nas decisões de seu governo. Mais especificamente, o elevado protagonismo de Kirchner no conflito do governo da esposa com os ruralistas.
A frase, divulgada pelo jornal "Perfil", foi a manchete do periódico. "Eles quase nem conversam mais (...) e quando o fazem, Cristina explode", relata uma fonte citada pelo jornal. Segundo o "Perfil", vários caciques do governista Partido Justicialista (Peronista) estão preocupados com a "fragilidade emocional" da presidente.
"Notícias", a principal revista de informação semanal do país, citando fontes do círculo íntimo dos Kirchner, destaca que as "gritarias" tornaram-se costumeiras entre as duas pessoas mais poderosas do país. "Você se faz de valentão, mas os custos, quem paga, sou eu!", teria acusado Cristina.
O governo conseguiu aprovar na Câmara de Deputados o polêmico projeto de lei que determina o aumento dos impostos sobre as exportações agrícolas, pivô da crise com os ruralistas. Apesar da aprovação, a vitória do governo foi apertada, sinalizando um crescente enfraquecimento da presidente, que por causa da crise com os ruralistas, sofreu uma fuga de aliados.
A tensão no peronismo havia sido potencializada dias antes por Kirchner, que telefonou pessoalmente a deputados vacilantes para forçá-los a votar pela esposa. Alguns cederam, enquanto que outros reafirmaram a dissidência. Kirchner até ameaçou ir às galerias da Câmara para intimidar os parlamentares durante a votação.
A crise com os agricultores, que acumula 120 dias, gerou a disparada da inflação, a redução do consumo e a queda abrupta da popularidade da presidente. O ego da presidente também teria sido abalado pela crise, já que analistas e a população consideram que o verdadeiro poder é seu marido, deixando de lado a idéia predominante no início do ano, que indicava que a administração era "bicéfala", compartilhada meio a meio por ambos os cônjuges.
Os próprios ministros de Cristina (a maioria herdados de Kirchner) não colaboram, já que costumam chamar o ex-presidente de "presidente", como se ela não existisse. Comentaristas políticos e os representantes da oposição ironizam com a frase "Cristina no governo, Kirchner no poder".
A confiança no governo, enquanto isso, despenca. Segundo o relatório mensal da Universidade Di Tella, o índice de confiança caiu 9% em junho em relação a maio. Em uma escala de 0 a 5 pontos, Cristina só conta com 1,21 ponto.


Enquanto Marta construía a união com os partidos do bloco de esquerda, a briga entre alckmistas e kassabistas expôs um lado muito negativo dos nossos adversários.
Do deputado PAULO TEIXEIRA (PT-SP), sobre a pesquisa Datafolha que mostra a candidata petista com 38%, contra 31% de Geraldo Alckmin e 13% de Gilberto Kassab.
Contraponto
Fumaça dos infernos
Ao defender os plantadores de fumo do Rio Grande do Sul, em recente sessão da Comissão de Direitos Humanos do Senado, Sérgio Zambiasi (PTB-RS) cuidou de frisar que sua boa vontade não se estendia aos fumantes:
-Quero deixar claro que nunca fumei! Nunca fumarei! E, no meu gabinete, um único servidor fuma. Mesmo assim, ele só tem permissão para isso duas vezes ao dia.
Os membros da comissão observavam espantados a fúria antitabagista do colega, até que este notou a presença da fumante Patrícia Saboya (PDT-CE) e emendou:
-Aliás, outro dia vi a senadora Patrícia fumando, já conversamos, e ela está em processo de libertação...
Valdo Cruz
Um pouco tarde
Lula parece ter acordado para aquela que pode ser chamada de mãe de todas as reformas: a política. Decidiu que seu governo vai elaborar um projeto na área e trabalhar para aprová-lo.
Em conversa com assessores, o presidente afirmou que não deseja ser considerado "omisso" no debate sobre o funcionamento dos partidos políticos no Brasil.
Até aqui, foi, porque relutava em assumir uma proposta. Costumava dizer que era a favor de uma reforma política, mas considerava não caber ao Executivo encabeçar as discussões sobre o tema.
Mudou de idéia, segundo auxiliares, depois de alguns episódios recentes que afetam seu governo: a guerra do PSC por diretorias na Petrobras e o envolvimento de políticos em desvio de dinheiro público descoberto pela Polícia Federal na Operação João de Barro.
Lula delegou aos ministros Tarso Genro (Justiça) e José Múcio (Relações Institucionais) a elaboração do projeto de reforma política do governo e pretende enviá-lo ao Congresso em agosto.
Será um projeto de lei, para facilitar sua aprovação, em vez de uma emenda constitucional. Vai propor financiamento público de campanha, fidelidade partidária e votação para deputados em lista elaborada pelos partidos.
Medidas que podem fortalecer os partidos políticos, hoje agrupamentos de interesses individuais e regionais, que levam o governo de plantão a negociar no varejo para aprovar projetos de sua autoria.
Resultado: o Palácio do Planalto tornou-se um balcão de negócios, com cargos e verbas na prateleira à espera de parlamentares dispostos a trocar esses mimos por votos no Congresso Nacional.
Por isso mesmo, os bons conselheiros sempre recomendaram que a primeira iniciativa de um presidente no Brasil deveria ser aprovar uma reforma política. Tudo ficaria mais fácil.
Lula, como outros, não seguiu o conselho. Deu no que deu. Um escândalo político atrás do outro.





Mesmo com o casamento desfeito, o líder do governo no Senado, Romero Jucá, e a secretária Nacional de Programas Urbanos do Ministério das Cidades, Teresa Jucá, estão sempre juntos. Na política, eles se ajudam financeiramente. E no Supremo Tribunal Federal, estão indiciados por compra de votos. Há seis meses, o senador pelo PMDB de Roraima indicou a ex-mulher para o Ministério das Cidades. No último 13 de junho, a nomeação dela foi assinada pela ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. Mas o ato pode trazer dor de cabeça para o governo Lula: Teresa é investigada pela Polícia Federal por suspeita de desviar recursos repassados por 15 ministérios e órgãos federais para a Prefeitura de Boa Vista, que ela comandou por três mandatos. Mais grave: ISTOÉ apurou que Teresa também é investigada por desviar dinheiro do Ministério das Cidades, do qual agora é funcionária. "O governo cometeu um erro gravíssimo ao nomear a Teresa", diz o senador Mozarildo Cavalcanti, do PTB de Roraima. "A nomeação é um absurdo e um desrespeito à ética."
A Polícia Federal decidiu instaurar 15 inquéritos para investigar Teresa porque cada ministério ou órgão públi- M B R A S I L co corresponde a uma apuração diferente. Teresa governou Boa Vista pela última vez entre 2001 e 2006. Há "fortes indícios de fraudes", segundo a PF, em licitações de obras com dinheiro dos ministérios das Cidades, Defesa, Saúde, Planejamento e Integração Nacional. Os valores já pagos nos convênios variam entre R$ 1 milhão e R$ 3 milhões para cada obra. Somente com o Ministério das Cidades, a Prefeitura de Boa Vista tem 40 convênios, no valor de R$ 68 milhões. A lista de obras com dinheiro federal, investigadas pela PF, inclui a construção de vila olímpica, execução de terraplenagem, pavimentação de ruas, aterro sanitário e construção de orla. A PF aguarda resultados de perícias contábeis e de engenharia para colher depoimento de Teresa. Na página da Justiça Federal, há registro de inquérito em que a ex-prefeita é investigada também por "crimes de responsabilidade, moeda falsa e crimes contra a fé pública". Procurada por ISTOÉ, Teresa não quis dar entrevista.
O senador Romero Jucá defende a exmulher: "A indicação da Teresa é do PMDB, baseada em critérios técnicos", diz ele. "O que há são denúncias de vereadores feitas à Polícia Federal. Até hoje ela não foi citada e não pediram nenhum esclarecimento." Jucá, 53 anos, se reaproximou de Teresa em 2006, quando ele concorreu ao governo de Roraima e ela ao Senado. Os dois haviam se separado no início do governo Lula e Romero se casou com uma funcionária pública. Teresa, 51 anos, começou a namorar o deputado Raul Jungmann (PPS-PE), mas continuou fiel às campanhas políticas do ex-marido. Em 2006, Teresa declarou à Justiça Eleitoral que seu patrimônio era de R$ 140 mil em dinheiro. No mesmo período, Romero Jucá declarou ter recebido R$ 390 mil em doações da própria Teresa. Ela gastou R$ 5,5 milhões na campanha derrotada para o Senado, mais do que o dobro do ex-marido na campanha também frustrada para governador, R$ 2,5 milhões.
NO STF, O CASAL JUCÁ ESTÁ INDICIADO POR "CAPTAÇÃO ILÍCITA DE VOTOS OU CORRUPÇÃO ELEITORAL" NA CAMPANHA DE 2002
Antes de ser nomeada para o Ministério das Cidades, Teresa enviou em dezembro uma mensagem ameaçadora para o celular de Jucá, divulgada pela Folha de S. Paulo: "Você tirou meus sonhos, me traiu da pior forma que uma mulher pode ser traída, me usou, pois se eu fosse prefeita você estaria comigo. Tirou meu trabalho, tirou até meu nome. Eu não tenho mais nada, nada a perder." O antigo casal tem, sim, muito o que perder. Em maio de 2005, o TJ de Roraima decretou a indisponibilidade dos bens de Teresa, em ação civil pública na qual é acusada de pagar R$ 4,9 milhões por serviços de coleta de lixo que não foram realizados. O bloqueio foi suspenso por conflito de competência judicial, já que os desembargadores entenderam que o caso tinha que tramitar na Justiça Federal. Em 2006, o Ministério Público acusou Teresa de contratar empresas sem licitação para superfaturar preços e de pagar obras e serviços não realizados com verbas do governo federal.
O senador esteve do lado de todos os governantes de plantão nas últimas décadas. Ele foi governador nomeado de Roraima (1988-1991) durante os governos Sarney e Collor. Antes disso, como presidente da Funai (1986-1988), foi acusado de receber 50% de propina para autorizar a comercialização de madeira em terra indígena. Na Presidência de Fernando Henrique Cardoso, Jucá foi líder do governo no Senado, cargo que voltou a ocupar com Lula. Em 2005, foi ministro da Previdência, mas teve que renunciar depois de ter sido acusado de fazer uso de sete "fazendas fantasmas" como garantia de empréstimo no Banco da Amazônia.
No STF, Teresa e Romero Jucá estão indiciados por "captação ilícita de votos ou corrupção eleitoral". O caso está sob a relatoria do ministro Celso de Mello, que deu mais prazo para a PF fazer diligências e ouvir o casal. Testemunhas denunciaram a compra de votos no Estado em 2002, na campanha de Otomar Pinto ao governo e de Romero ao Senado. Segundo elas, cada eleitor recebia R$ 50 pela manhã e a promessa do mesmo valor à tarde, quando a votação estivesse finalizada. As testemunhas entregaram documentos que comprovariam a existência do esquema.


Ela diz que pensou em suicídio e, no cativeiro, pôde perceber que os guerrilheiros gostavam de Chávez
Descansada, depois de uma maratona que não lhe deixou tempo nem para dormir, Ingrid Betancourt realizou o sonho de abraçar seus filhos e de "voltar à França" ao receber jornalistas na embaixada de sua "segunda pátria" em Bogotá. Elegante e maquiada pela primeira vez em mais de seis anos, ela disse que sua libertação foi obra da Virgem de Guadalupe, padroeira do México. Depois do tumulto da coletiva, ela conversou com o jornal argentino Clarín.
Hoje pela manhã a senhora conclamou outros governos latino-americanos a se comprometerem mais com a situação dos seqüestrados na Colômbia e mencionou a presidente da Argentina. O que espera de concreto dela?
Tenho uma imensa gratidão pelo povo da Argentina, que sempre me acompanhou. Não tenho como pagar à presidente Christina Kirchner todo seu apoio durante meu cativeiro.
Como tomava conhecimento disso na selva?
Vou contar uma história. Durante uma noite de insônia, fiquei impressionada ao escutar no rádio que havia uma marcha em Paris pela minha libertação e, entre as pessoas que marchavam, estava a presidente. Esse gesto eu jamais esquecerei. Por isso, penso que o papel que a Argentina pode ter para conseguir a libertação dos reféns é fundamental. Estou certa de que a presidente e o povo argentino tornarão a estender sua mão.
Isso pode servir para que haja uma outra visão do conflito colombiano e dos reféns?
Acho que diante do problema dos seqüestrados não pode haver fronteiras. Temos de dar passagem à solidariedade dos povos e a Argentina é muito sensível. A presidente teve a gentileza de receber minha mãe quando eu estava seqüestrada, ela nos acompanhou durante as tristezas e agora queremos que compartilhe nossa alegria.
O que foi mais duro durante seu cativeiro?
O mais duro? Tudo, mas se for preciso enumerar, eu diria que as correntes. Estar dormindo e acordar de um momento para o outro com as correntes. Isso faz a gente se sentir miserável. E ser tratada pior do que um cão. Isso é muito duro.
O que mais recorda desses momentos?
As marchas. Era terrível ter de marchar com a roupa úmida, caminhar sob maus-tratos permanentes, com animais à espreita, numa escuridão total e, na maioria do tempo, sob a chuva. O outro era a recusa de nos darem remédios. Eu adoeci de coisas simples, coisas que um tratamento simples poderia combater: diarréia, vômito, úlcera. Mas a guerrilha não queria me ajudar e foi por esse descaso que, em vários momentos, fiquei em estado grave. E a gente não se dá conta disso. Eu descobria a gravidade do meu estado no olhar de meus companheiros.
Como superava esses momentos?
Chegou uma hora em que perdi a consciência e um companheiro, William Pérez, teve de me alimentar como se alimentam uma criança. Eu dizia a mim mesma: coma uma colherada por Lorenzo, esta outra por Melanie (os filhos de Ingrid). E isso me dava forças para não morrer. Chegou um momento em que tive mentir para me darem remédios. Tive de dizer que era para outro seqüestrado porque para mim eles não davam, tratavam-me como um inimigo.
Qual será seu futuro, Ingrid? A senhora se vê como presidente da Colômbia ou gostaria de fazer política na França?
Ui. Acabo de sair da selva e falar de presidência me parece tão distante. Não sei. Gosto da França com toda a minha alma, mas se fizer política, será na Colômbia. Agora, acho que gostaria de trabalhar na Colômbia, mas no final de minha vida gostaria, que me enterrassem na França. Acho que lhes devo isso.
Alguma vez considerou a possibilidade do suicídio?
A tentação do suicídio é permanente em todos os seqüestrados. Alguns vão desse estado à tentativa de suicidar-se e de tentar fazer algo para acelerar o suicídio. Em meu caso, a tentação era diária, isto é, no sentido de pensar no suicídio e perguntar: ?É uma opção?? Serei capaz?? ?O que pensarão meus filhos?? E eu sempre acabava desistindo porque tinha um pólo na terra muito forte que era a chamada radiofônica diária de minha mãe, que me colocava a par do que estava acontecendo com minha família, com meus filhos.
O que mais estranhava na selva?
Tudo. Já havia esquecido o que é uma ducha com água quente e coisas tão elementares como ir ao banheiro para urinar sem ser vigiada.
Que futuro vê para as Farc?
Isso foi um golpe para a estrutura de Mono Jojoy (chefe militar das Farc). E espero que não castigue a tropa. Não acredito na sinceridade das Farc em relação ao acordo humanitário que defendem. Eles sempre nos trataram como uma mercadoria para justificar, no exterior, que são algo mais que um grupo de narcotraficantes.
A senhora fez um apelo aos presidentes Rafael Correa, do Equador, e Hugo Chávez, da Venezuela, no sentido de uma aproximação com o presidente Álvaro Uribe para trabalharem juntos pela libertação dos reféns, mas Correa disse que não o fará. O que acha disso?
A única coisa que posso dizer a Correa é que tenha consciência de que ainda há reféns na selva. Os presidentes não agem a título pessoal, eles representam os interesses de um país.
Esteve alguma vez em território de outro país? Tem evidências de vínculos das Farc com a Venezuela ou o Equador?
Nunca soube onde estava. Não sei se estivemos em outros países. Agora, evidências de vínculos das Farc com outros governos eu não tenho, mas ouvi coisas. A tropa gosta de Chávez.



Para quem chegou a receber 6,5 milhões de votos na última eleição presidencial, a iniciativa pode parecer sinal de decadência. Para tentar alavancar o PSOL, partido que ela mesma admite que não conseguiu crescer, a ex-senadora Heloísa Helena aceitou sair candidata a vereadora em Maceió, capital de Alagoas. Essa volta ao começo é uma estratégia para garantir a obtenção de coeficiente eleitoral mínimo para o PSOL. Uma vez que os demais candidatos do partido não têm a menor chance, Heloísa arca com a missão de, sozinha, fazer 20 mil votos nas eleições de outubro. Ela vai à luta para salvar o partido, mas também em causa própria: se vencer, Heloísa garantirá a si uma tribuna útil para tentar de novo uma vaga ao Senado ou à Presidência da República em 2010. Na campanha, a língua de Heloísa, que nos últimos dois anos se reservou praticamente às aulas no curso de Enfermagem da Universidade Federal de Alagoas, estará mais ferina do que nunca: "Tenho a humildade de me candidatar a vereadora para criar uma trincheira de resistência e luta contra o banditismo político praticado pelas forças retrógradas de Alagoas", disse Heloísa. Ela se refere a seus eternos adversários Renan Calheiros e Fernando Collor. Seu discurso é velho conhecido, quase um mantra pela ética, combate à corrupção e contra o que chama de receituário neoliberal de Fernando Henrique e Lula. "Tanto o governo Lula: quanto o governo Fernando Henrique merecem nota menos que zero, menos um." Na próxima eleição, o inflamado discurso da ex-senadora será acrescido, no entanto, de um componente especial: o fantasma da inflação. "Quando nós alertamos para o fracasso desse modelo, disseram que éramos aves de mau agouro", diz ela. A metralhadora giratória de Heloísa não poupa sequer alguns ídolos de parte da esquerda brasileira, como o presidente venezuelano, Hugo Chávez. Para ela, Chávez falha ao não ter apreço à democracia: "Apesar do abismo que separa Hugo Chávez do imperialismo de George W. Bush, se eu estivesse na Presidência do Brasil, eles não mandavam aqui".
ISTOÉ - A sra. teve 6,5 milhões de votos para presidente. Por que disputar agora apenas a eleição para vereadora em Maceió?
Heloísa Helena - É claro que eu me sinto profundamente agradecida à generosidade do povo brasileiro na campanha presidencial. Muito carinho, muitas flores, muitas blusinhas brancas. Foi uma honra participar desse processo. Como não tenho a intenção de mudar o domicílio eleitoral - embora haja muita gente querendo que eu faça isso, sigo o caminho político a partir de Alagoas.
ISTOÉ - Muita briga?
Heloísa - É um Estado onde as organizações criminosas do mundo da política são donas de todas as engrenagens dos meios de comunicação, do poder econômico e da estruturação política formal. Isso cria muitos impeditivos para que tenhamos militância política. Por isso, é de fundamental importância ter a oportunidade de criar uma trincheira na Câmara de Vereadores para criar um espaço capaz de enfrentar todo esse poderio político e econômico.
ISTOÉ - Sua candidatura à Câmara Municipal existe para que o PSOL obtenha coeficiente eleitoral?
Heloísa - Sim. É claro que de eleição a gente só sabe o resultado depois que se consolida o resultado nas urnas. Eu sei o prazer maldito que eu provocaria nas estruturas criminosas de Brasília e de Alagoas se não fosse capaz sequer de me eleger vereadora no meu Estado. Como os demais militantes não têm muitas possibilidades de ajudar no coeficiente, eu, sozinha, tenho que fazer 20 mil votos.
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"Quando Lula submete o País à mesma política econômica reacionária de FHC, que nota eu poderia dar? Menos que zero, menos um" |
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ISTOÉ - Prefeitura, não?
Heloísa - Eu não poderia ser candidata a prefeita, porque sei que em 2010 terei de cumprir alguma tarefa. Sendo vereadora, eu não preciso me afastar dos compromissos do mandato. Se eu me elegesse prefeita, significaria uma atitude deseducativa e irresponsável de abandonar a prefeitura com um ano e meio de mandato, coisa que eu me recusaria a fazer.
ISTOÉ - O que a sra. está dizendo é que em 2010 novamente será candidata à Presidência da República?
Heloísa - Bem, é uma decisão que será tomada com meus eleitores aqui. É uma discussão que vamos fazer se serei candidata ao Senado ou à Presidência. A disputa de presidente da República não é um projeto pessoal, é partidário. Agora, que o PSOL terá um projeto presidencial, terá. Nós, evidentemente, não vamos nos submeter à farsa vulgar e politicamente desonesta da falsa polarização entre o PT e o PSDB.
ISTOÉ - Como se encontra o PSOL hoje em termos de estrutura e de número de militantes? Heloísa - Essa é a primeira eleição municipal que vamos disputar. Nós fizemos a opção de só apresentar candidaturas onde elas refletissem de fato a nossa inserção nos movimentos sociais e no meio político-partidário. Também não fizemos política de filiação em massa. Por isso, nós reconhecemos humildemente que o PSOL é um partido pequeno. Nós só vamos apresentar candidatura em objetivamente 9% dos municípios brasileiros. Mas foi a nossa opção. É uma participação limitada, mas que não vai ficar obscurecida por alianças ou estratégias meramente eleitorais.
ISTOÉ - O eleitorado poderia optar por uma experiência mais à esquerda do que o governo Lula?
Heloísa - Com todo respeito que eu tenho a muitos amigos queridos que ainda estão no PT, nem o PT nem o governo Lula são de esquerda. O PT e o governo Lula representam uma traição de classe e uma traição a tudo o que foi acumulado pela esquerda socialista. É um governo de aprofundamento do projeto neoliberal. De clara continuidade do que foi o governo Fernando Henrique. Em todos os sentidos.
ISTOÉ - Como é ver Alagoas representada no Senado por Fernando Collor e Renan Calheiros? Heloísa - É como ver Lula no exercício da Presidência. É extremamente triste. Mas faz parte do aprimoramento da nossa combalida e ainda fracassada democracia representativa. Mas uma democracia que, apesar de fracassada, é necessária. A gente só tem uma opção: não podemos aceitar essa representação, mas como eu não acredito nas ditaduras, independentemente do viés ideológico, o jeito é trabalhar pelo aprimoramento da democracia. O que nós temos está longe ainda de ser democracia.
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ISTOÉ - Por quê?
Heloísa - Porque democracia sem justiça social não é democracia. Isso só virá quando se atingir a mais plena declaração de amor à sociedade, que é o socialismo. Com essa estrutura fisiológica da política brasileira, não acredito que eu poderei vivenciar essa sociedade. Eu quero continuar trabalhando todos os dias para que as futuras gerações possam vivenciar essa experiência.
ISTOÉ - O governo insiste na terapia de juros altos para combater a inflação. Como a sra. vê essa opção?
Heloísa - Infelizmente, é a mesma cantilena enfadonha, mentirosa e desqualificada de atribuir o problema da inflação à demanda e não aos custos. Como alternativa para minimizar os riscos da inflação, teríamos de experimentar alternativas completamente diferentes das tentadas por esses farsantes com cara de conteúdo.
ISTOÉ - Explique melhor.
Heloísa - Significa a redução drástica das taxas de juros como fator indispensável para estimular a retomada dos investimentos privados. Para conter essa vagabundagem crônica do capital financeiro. Ampliar os gastos públicos para setores que dinamizam a economia local. Mais gastos em saúde, educação, saneamento, infra-estrutura. Ampliação do financiamento para o campo, crédito agrícola, assistência técnica, infra-estrutura rural, escoamento dos produtos. Reduzir a tributação sobre serviços básicos de infra-estrutura, como energia elétrica, petróleo, telecomunicações. Reduzir a carga tributária como um todo. Controlar capitais, como qualquer país sério faz.
ISTOÉ - Mas como se conteria um eventual aumento da demanda com a melhora do poder aquisitivo?
Heloísa - Com preços controlados, mas não apenas isso. O problema é que, quando nós dizíamos que essa política econômica não daria certo, que ela apenas condenava o Brasil a ser produtor de matéria- prima para atender aos interesses comerciais das grandes nações ou paraíso fiscal para viabilizar os interesses do capital financeiro, nós éramos vistos como aves de mau agouro. Isso já estava anunciado que viria.
ISTOÉ - O PAC não representa investimentos em infra-estrutura?
Heloísa - Objetivamente, o PAC não representa nenhum plano de investimento. Não há uma proposta de orçamento de longo prazo que busque de fato transformar o País.
ISTOÉ - Como avalia experiências ditas de esquerda em países como a Venezuela ou a Bolívia? Heloísa - Todos os avanços nas lutas antiimperialistas e no enfrentamento ao poderio americano devem ser aplaudidos. É motivo de admiração a eleição de Evo Morales na Bolívia, um representante dos povos indígenas chegar onde chegou sem trair seus compromissos de campanha. No caso da Venezuela, embora nós tenhamos de reconhecer como importantes os mecanismos de políticas sociais, especialmente na educação e na cultura, não se pode aplaudir o governo Hugo Chávez.
ISTOÉ - Não? Por quê?
Heloísa - Porque na conceituação da liberdade, da renovação infinita de mandatos, não dá para concordar com Chávez. Aí, estou com Rosa Luxemburgo: a liberdade apenas para os partidários do governo, para os membros do partido, não é liberdade. A liberdade é sempre a liberdade para quem pensa de outra forma. Sem eleições gerais, sem liberdade de imprensa, a vida acaba em todas as instituições públicas. Se eu estivesse na Presidência, não mandavam no Brasil nem Bush nem Chávez - apesar do abismo que separa Hugo Chávez do imperialismo de George W. Bush.
ISTOÉ - Quanto às eleições nos EUA, faz alguma diferença se vencer Barack Obama ou John McCain?
Heloísa - É claro que a proposta econômica e social apresentada por Obama não difere muito das propostas do candidato republicano. Basta ver o que ele já declarou sobre a Amazônia, sobre Cuba, sobre o Iraque. Mas, do ponto de vista simbólico, eu torço para que Obama seja eleito. Se um negro, filho de um africano, de origem muçulmana, vencer a eleição para presidente dos Estados Unidos, isso será uma coisa muito importante. Eu acho que o mundo precisa desse simbolismo. Pode ser o início de uma nova etapa para superar essa experiência absolutamente desastrosa para a humanidade que foi o governo Bush.

NUEVA YORK.? Los llaman la "superclase". Son las 6000 personas más poderosas del mundo que, básicamente, deciden lo que sucede en distintos ámbitos del planeta y cada vez se hacen más influyentes.
Los empresarios Bill Gates, Warren Buffett, Carlos Slim, Steve Case, Richard Branson, Roman Abramovich y Rupert Murdoch forman parte de esta nueva elite globalizada, al igual que los músicos Bono y Shakira, los actores Angelina Jolie, Brad Pitt y George Clooney, y los académicos Noam Chomsky, Samuel Huntington y Joseph Stiglitz.
Pero también la integran figuras de peso por los cargos que ocupan o han ocupado, como el presidente de EE.UU., George W. Bush, y el de China, Hu Jintao; los primeros ministros Gordon Brown, Angela Merkel y Silvio Berlusconi; el alcalde neoyorquino, Michael Bloomberg, y los ex jefes de Estado Bill Clinton, Tony Blair, Ernesto Zedillo y Lee Kuan Yew.
Y también personajes cuya influencia es incuestionable, como, por ejemplo, el Dalai Lama y el papa Benedicto XVI o la reina Isabel II.
Son la crème de la crème y asisten cada año al Foro Económico Mundial de Davos o a otros eventos globales, como el Foro Boao de Asia. Muchos provienen de las mismas universidades -como Harvard, Cambridge y Oxford- y discuten sobre temas internacionales en las reuniones del Grupo Bilderberg o en el Council on Foreign Relations, para luego viajar en sus jets privados para divertirse en palcos exclusivos en espectáculos como el Grand Prix de Mónaco o las carreras de caballos en Ascot.
"Son un pequeño grupo de gente. Cada uno, que representa a uno en un millón, tiene hoy una influencia desproporcionada sobre los asuntos mundiales. Tienen la capacidad de influir sobre millones de vidas más allá de las fronteras de los paí